Promessas, superstições, magias
Felipe Aquino
O que diz a Igreja?
A Igreja reconhece a validade das
promessas e dos votos religiosos feitos de maneira consciente e madura, sem
cair no fanatismo ou na superstição. O Catecismo da Igreja diz que: "Em
várias circunstâncias o cristão é convidado a fazer promessas a Deus... Por
devoção pessoal o cristão pode também prometer a Deus este ou aquele ato,
oração, esmola, peregrinação, etc. A fidelidade às promessas feitas a Deus é
uma manifestação do respeito devido à majestade divina e do amor para com o
Deus fiel" (§2101).
Também o voto é aprovado pela
Igreja:
"O voto, isto é, a promessa
deliberada e livre de um bem possível e melhor feita a Deus, deve ser cumprido
a título da virtude da religião" (CDC, cân.
1191,1) O voto é um ato de devoção no qual o cristão se consagra a Deus ou lhe promete uma obra boa. Pelo cumprimento de seus
votos, o homem dá a Deus o que lhe prometeu e consagrou. Os
Atos dos Apóstolos nos mostram S. Paulo preocupado em cumprir os votos que
fizera" (Hb 9,13-14). (Cat. §2102)
Portanto, quando alguém faz uma
promessa a Deus, com o fim de obter uma graça, isto é bom, mas a pessoa deve
cumprir esta promessa; e não deve propor a Deus um
sacrifício que não possa realizar. E também não é válido fazer uma promessa
para que outra pessoa pague mais tarde, como às vezes algumas mães fazem para
um filho. Se uma promessa não pode ser cumprida por qualquer motivo, então, a
pessoa que a fez, deve pedir a seu confessor autorização para alterá-la.
O nosso Catecismo ensina também
que as promessas feitas a outras pessoas devem ser cumpridas. A palavra
empenhada deve ser mantida: "As promessas feitas a outrem em nome de Deus
empenham a honra, a fidelidade , a veracidade e a
autoridade divinas. Devem pois, em justiça, ser respeitadas. Ser-lhes infiel é
abusar do nome de Deus, e de certo modo, fazer de Deus um mentiroso"
(1Jo1,10). (§2147).
Por outro lado a Igreja proíbe a
superstição, a "simpatia", magia e coisas semelhantes. Distorce o
culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo: quando atribuímos uma
importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si
mesma legítimas ou necessárias.
O Catecismo diz que:
"Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos
sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que exigem, é
cair na superstição" (Mt 23, 16-22). (Cat.
§2111). É o caso, por exemplo, de uma pessoa que use um Escapulário de Nossa
Senhora do Carmo, sem fé, apenas como um "objeto que protege" ou que
"dá sorte".
A Igreja valoriza muito as
imagens, as novenas, etc., mas quer que tudo seja usado e feito com convicção.
"A superstição é um desvio
do culto que rendemos ao verdadeiro Deus. Ela mostra-se particularmente na
idolatria, assim como nas diferentes formas de adivinhação e de magia". (Cat. §2138).
A pessoa supersticiosa age como
quem dá ordens a Deus, querendo-o fazer obedecer a sua vontade mediante algum
ato, rito, ou ação mágica: usar ferraduras nas portas, colocar a vassoura atrás
da porta, usar sal grosso para espantar o azar, cruzar pauzinhos, etc.
Tudo isso e muito mais (medo de
passar em baixo de escada..., bater três vezes na madeira para não dar azar)
ofende a Deus e é pecado contra o primeiro mandamento, porque é falta de fé e
de confiança em Deus.
S. Paulo disse: "Se Deus é
por nós, quem será contra nós?" (Rom 8,31). Logo, não podemos buscar poder
ou conhecimento fora de Deus, isto é magia e superstição.
Professor Felipe Aquino
Escritor católico