Religiosidade esclarecida
Côn. Vidigal
Mariana (MG), 28/10/2005
Em nossos dias, infelizmente,
muitos católicos se deixam levar por uma série de
superstições, influenciados pelos meios de comunicação social, inclusive
pelas perniciosas novelas, O descontrole psicológico, a falta de dinheiro e
outros fatores, aliados a uma profunda ignorância religiosa fazem pessoas ir às
cartomantes, aos terreiros de macumba, aos benzedores. Alguns gastam até somas
vultosas na busca da sorte e só aumentam as desgraças. Adite-se que idéias
negativas passam a povoar a mente daqueles que se entregam a
práticas que só contribuem para fazer crescer a insegurança interior.
Nunca é racional alimentar preconceitos e presságios infundados hauridos de
circunstâncias fortuitas. É preciso obedecer aos preceitos bíblicos. Está
claramente no Livro do Deuteronômio: "Não se ache no meio de ti quem
faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à
astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação
ou à invocação dos mortos, porque o
Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa
dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas
nações. Serás inteiramente do Senhor,
teu Deus". (Dt 18,10-13) Adivinhação pela
invocação dos espíritos é abertamente condenada no Livro Santo. A Lei proíbe de
maneira veemente a necromancia. Esta era praticada em Israel (2 Rs 21,6; Is
8,19), não obstante vetada por Deus (Lv 19,31; 20,6.
27; Dt 18,11; 1 Sm 28,9). No caso de Saul, Deus
permitiu a manifestação da alma de Samuel, donde o espanto da mulher (1 Sm 28,9.1 Sm 27,3.7.8.12.15.17), mas lemos no livro do
Eclesiástico: "Depois disso Samuel morreu e apareceu ao rei (Saul) e
predisse-lhe o fim de sua vida" (Ecl 46,23).
Os católicos devem, também, tomar
cuidado para não transformarem objetos religiosos
Cumpre não penetrar no terreno
mágico-religioso, prestando-se um culto indevido a Deus ou uma veneração
imprópria aos santos. Aí se incluem as vãs promessas, transformando-se o
momento sagrado da oração num comércio espúrio entre a terra e o céu.
Jesus recomendou a oração:
"Pedi e recebereis, buscai e achareis" (Mt 7,7) e na Bíblia vemos o
poder de intercessão dos justos diante de Deus, como aconteceu com Jó, Moisés e tantos outros personagens tementes a
Deus. Cumpre ao cristão se colocar em
condições para receber os dons celestes, purificando-se de suas faltas e
dispondo-se a cumprir fielmente com seus deveres de estado e a respeitar
integralmente os mandamentos divinos. Há de se ter em conta também que, muitas
vezes, Deus que é infinitamente sábio e bom ao invés de dar determinado favor
que não seria útil a quem o suplica para si ou para os outros, entretanto dará
graça muito maior condizente à salvação própria e alheia. Não basta implorar a
Santa Edwiges para que ela ajude a pagar as dívidas,
se o fiel não se dispõe a não gastar no futuro menos do que tem. Cumpre pedir
emprego, mas cada um tem que se habilitar num esforço persistente para ser um
profissional competente. Enfim, é necessário, realmente, abolir qualquer tipo
de anemia espiritual ou crendice. É um absurdo, por exemplo, como está em
certas estampas de alguns santos populares que se faça a promessa de imprimir
um milheiro daquelas preces caso a graça seja obtida. Verifica-se um comércio condenável,
pois o que a gráfica quer é lucrar com a boa fé daqueles que se deixam engodar
com tais insinuações.
É louvável que se traga
respeitosamente consigo o crucifixo, mas muito melhor é ter Cristo fixo no
coração, nas palavras, nas obras.
É preciso que se afastem as observâncias vãs
na vida diária para que se pratique um cristianismo esclarecido que leve, de
fato, à vivência plena do Evangelho e à imitação constante das virtudes de
Maria, dos santos e dos anjos obedientes a Deus.