A REALIDADE
(Pe. Maurício Luchini)
Nos nossos dias estamos mergulhados na técnica, na Internet, e isto tudo nos torna frios e calculistas. Insensíveis aos apelos da vida.
Nossa vida se torna fragmentada,
vivemos diferentes papéis num mesmo dia, e não raro defendemos idéias
totalmente opostas num mesmo espaço de tempo. Somos contraditórios. Vivemos o
subjetivismo, o egoísmo, o isolamento. Não faço minha vida como quero e sou
influenciado pelos meios de comunicação de massa, rádio, jornais, TV, etc....
Às vezes sinto renascer em mim um tradicionalismo, um amor a tudo que foi do
passado, pois num mundo de tantas mudanças, sinto necessidade de segurança. Por
isso busco reviver experiências que deram certo e me trouxeram prazer no
passado. Às vezes me percebo sectário (radical), severo e muito teimoso. Gasto
um enorme tempo fazendo as pessoas acreditarem no que quero que elas acreditem.
Tento convencer, persuadir. Vejo o mundo buscar Deus em todos os lugares
(outras igrejas, no esoterismo, na magia, na literatura), menos na Igreja
Católica e me pergunto por quê?. Não tenho consciência clara que fui chamado a evangelizar
um povo imenso e que está perdido de Deus. Prendo-me as questiúnculas
(discussões sem importância) internas de minha equipe pastoral ou da própria
comunidade e não percebo o desafio evangelizador que está à minha frente. Sei
que tenho a resposta para todos, e ela é Jesus Cristo, que tem sido resposta
para a minha vida, mas me enrosco todo na hora de anunciá-Lo. Faço algo na minha
Igreja e já me sinto com direitos de definir metas, linhas e ações, não vim
para servir, mas muitas vezes para criticar ou mandar!. Por isso tenho
pouca paciência para ouvir e acho muito confuso o caminho
democrático... seria mais fácil se alguém definisse bem tudo, e a gente só
tivesse que cumprir as tarefas direitinho. Sei que a Igreja deve ser Sacramento
de Deus, isto é, um sinal de Deus para o mundo. Nela o povo deve encontrar o
sentido de sua vida. É importante sabermos
que todos nós passamos por uma fase de encanto e depois de desencanto com a Igreja,
mas que é só depois disso que aprendemos a amá-la, pois aceitamos as pessoas
que a compõe como elas são. Nem melhores nem piores que eu. Santas e pecadoras.
Somos chamados a compreender que Deus
criou a todos nós e a Igreja por amor. Não fomos criados fora
d'Ele, mas sim dentro d'Ele. Ele como que abriu um espaço dentro de si para que
todos existíssemos,
e é daí que provém toda a nossa dignidade: somos filhos e filhas de Deus.
Nenhum ser humano pode ser maltratado, ou ter seus valores desrespeitados. A maior qualidade de um ser humano é perceber-se gerado por Deus. Filho, Filha de Deus. Nossa comunhão com Deus acontece num diálogo de Amor. Deus nos fala na vida com amor, mas trazemos tantos desencantos na vida que sentimos dificuldades de nos relacionarmos com Ele. Deus nos criou por amor, é neste amor que somos convidados a vencer limites, a perdoar, por exemplo. Às vezes temos que perdoar o próprio Deus! Às vezes me percebo vivendo uma falsa religião, falsa piedade. Vivo me punindo. Não acredito que ressuscitarei, vivo remoendo mágoas e vinganças. Isto me torna doente e Deus não aparece através de mim. O povo que sabe ver com os olhos da alma percebe isto em mim, e me suporta com paciência. Que nós sejamos capazes de perdoar a Deus quando não vemos ser feita a nossa vontade, mas sim a d'Ele. Quantas marcas eu trago dentro de mim? Preciso ser curado, pois isto atrapalha a minha vida. Vamos aproveitar este momento para pedir e receber o perdão de Deus, e rezarmos. Só assim ficaremos perto d'Ele. Que sua graça nos refaça e sua misericórdia nos ajude a fazer um novo projeto de vida!