Canonização e Infalibilidade Papal
(Pe. Gaspar Samuel
Coimbra Pelegrini)
A canonização do Beato José Maria Escrivá de
Balaguer, pelo Santo Padre o Papa João Paulo II foi de uma singular importância
para o mundo católico. Um homem de nossos dias, elevado aos altares, que nos ensina
a santificar a vida de trabalho e a vida de família.
Escandalizam aos fiéis certas publicações negando a
validade desta canonização, chegando a acusar de herege o novo santo.
Em que se baseiam esses inovadores para negarem
esta canonização?
Eis como se expressam: "Os papas Paulo VI e
João Paulo II (...) não crêem em sua infalibilidade... Eles não podem conceber
uma verdade definitiva!
É por isso que nós o vemos fazer canonizações: ele
vai a um país, procura-se uma freira que tem uma certa perfeição, colocam-na
sobre os altares...! Isso agrada ao presidente da república, a todos os
cristãos do país...
Isso nós não podemos aceitar; isto não é sério!
Estou persuadido de que, para ele, tudo isto não é irreformável... A
infalibilidade é inconcebível para homens que têm este espírito, que foram
formados com estas falsas teorias da verdade viva, da evolução da
verdade..."
Nosso comentário:
É inconcebível que um católico afirme tal coisa.
Dizer que o Papa faz uma canonização só porque isso agrada ao Presidente da
República em tal país?!
Mas sigamos o raciocínio destes
"defensores" da fé.
Se portanto, "Eles [os Papas] não podem
conceber uma verdade definitiva", negam toda e qualquer verdade até as
mais simples e fundamentais no campo teológico. Ou seja, estes papas, na
concepção destas pessoas, seriam não só hereges, mas ainda ateus.
Então estaríamos diante de algumas sérias
contradições. Posto que estas pessoas que afirmam tais disparates ainda dizem
reconhecer estes papas como legítimos, alguém poderia ser herege e ateu, e
continuar membro da Igreja católica, e mais, chefe supremo da Igreja.
Portanto, segundo esta teoria, a Igreja católica ou
não teria fronteiras, ou seria invisível. Assim, Lutero, Calvino, Edir Macedo,
todos continuariam membros da Igreja católica.
Valem para esses inovadores as severas condenações
de Bento XIV:
«Aquele que ousasse afirmar que o Pontífice teria
errado nesta ou naquela canonização, e que este ou aquele santo por ele
canonizado não deveria ser honrado com culto de dulia, qualificaríamos, senão
como herético, entretanto como temerário ; como causador de escândalo
a toda a Igreja ; como injuriador dos santos como favorecedor dos
hereges que negam a autoridade da Igreja na canonização dos santos ; como
tendo sabor de heresia, uma vez que ele abriria o caminho para que os
infiéis ridicularizassem os fiéis ; como defensor de proposição errônea
e como sujeito a penas gravíssimas » (De Servorum Dei
Beatifiatione ».
A «Enciclopedia Cattolica » no verbete
«infalibilidade » afirma : « No objeto secundário [da infalibilidade] se reúnem
o que chamamos de ‘verdades conexas’ [com a Revelação]. (...) As espécies mais
consideradas destas verdades conexas são as conclusões teológicas, os fatos
dogmáticos, a canonização, a legislação eclesiástica. A conexão da canonização
com a revelação se manifesta pelo fato de que ela é não somente a aplicação
concreta de dois artigos de fé, o culto dos santos e a comunhão dos santos, mas
também porque ela diz respeito aos próprios costumes religiosos cristãos, sendo
o canonizado posto como modelo de virtude perfeita ».
E no verbete « canonisation » lemos : « Esta
doutrina [da infalibilidade do Papa nas canonizações] é a conclusão de grande
número de bulas de canonizações, já da Idade Média, das deduções dos canonistas,
desde a Idade Média, dos teólogos desde Santo Tomás de Aquino ».
O interessante é que estas pessoas que recusam a
canonização de S. José Maria, dizem aceitar a Canonização do Pe. Pio, da Madre
Paulina. Mas se numa canonização, o Papa não foi infalível tão pouco o será em
qualquer outra, dado que o procedimento e os termos usados para proclamar o
novo santo, são os mesmos. Estamos diante de um erro protestante.
Estamos diante da doutrina do livre exame. Será santo aquele cuja vida eu
analisar e concluir que realmente é Santo. Se eu acho que fulano não é santo o
que o Papa faz não tem valor nenhum. Começa-se por combater um erro e se cai
neste mesmo erro. É a história que se repete.
Vem bem a propósito lembrar aqui as palavras do Beato
Pio IX: "Como todos os fautores de heresia e de cisma, eles se
gloriam falsamente de ter conservado a antiga fé católica, mas eles subvertem o
fundamento mesmo da fé e da doutrina católica. Reconhecem na Escritura e na
Tradição a fonte da Revelação divina; mas se recusam de escutar o Magistério
sempre vivo da Igreja..." (Inter gravissimas 28/10/1970).
Conclusão: abandonaram o fundamento visível e
perpétuo da unidade de Fé da Igreja, que é o Vigário de Cristo, Sucessor de São
Pedro, hoje João Paulo II (cfr.Partor Aeternus, sess. IV, 18 de maio de 1870).
Ao contrário dessas teorias, devemos fazer um
humilde e profundo ato de fé: Nós cremos na autoridade infalível de todos os
Papas.
Nós cremos que São José Maria Escrivá, bem como o
Santo Padre Pio, ou a Santa Madre Paulina, estão no Céu, são modelos de
virtude, e intercedem por nós.São José Maria, rogai por nós!