CÓDIGO DA VINCI
MARIA E JESUS
(Pe Ignácio dos padres escolápios)
PG 261-2 Fala Teabing, o historiador da coroa
inglesa: Maria Madalena, a prostituta: É o legado de uma
campanha feita pala Igreja primitiva para sujar a imagem de Madalena. A Igreja
precisou difamar Maria Madalena para encobrir o perigoso segredo dela - seu
papel como Santo Graal.....Mais especificamente o casamento dela com Jesus
Cristo. A Última ceia praticamente proclama àqueles que a contemplam que Jesus
e Maria Madalena eram um casal. O casamento de Jesus e Maria Madalena faz parte
dos registros históricos....Além do mais, Jesus, como homem casado, faz muito
mais sentido do que nossa versão bíblica de Jesus solteiro. Fala Langdon o historiador de Harvard: Jesus
era judeu e o decoro social daquela época praticamente proibia que um judeu
fosse solteiro....Se Jesus não fosse casado pelo menos um dos evangelhos da
bíblia teria mencionado isso e dado alguma explicação para o fato de ele ter
ficado solteiro.
Pg 263.- Teabing
após mostrar fotocópias dos manuscritos de Nag Hammadi e do Mar Morto: Os mais
antigos manuscritos cristãos . Estranhamente eles não coincidem com os
evangelhos que temos na Bíblia... Folheando o evangelho de Filipe, Sophie leu:
E a companheira do salvador é Maria Madalena. Cristo amava-a mais do que a
todos os discípulos e costumava beija-la com freqüência na boca. O restante dos
discípulos ofendia-se com isso e
expressava sua desaprovação. Diziam a ele: ¨por que tu a amas mais do
que a nós todos?¨
Pg 248 Teabing:Mais de 80 evangelhos foram escolhidos para
compor o Novo Testamento, e no entanto apenas alguns foram escolhidos – Mateus,
Marcos, Lucas e João..... A bíblia, conforme a conhecemos hoje, foi uma colagem
composta pelo imperador romano Constantino, o Grande.
Pg 251 Constantino promoveu Jesus a divindade quase quatro
séculos depois de sua morte....mandou fazer uma Bíblia novinha em folha, que
omitia os evangelhos que falavam do aspecto Humano de Cristo e enfatizava
aqueles que o tratavam como divino.
Vamos por partes: 1o) O casamento de Maria Madalena.
Segundo o que nos dizem alguns autores o casamento deu-se em Caná conforme o
relato de João 2, 1-11. Para isso se servem de que o mestre-sala fala com o
noivo; ele diz: tu guardaste o vinho bom até agora. Porém todo o texto que
temos diz o contrário: Houve uma boda em Caná da Galiléia e a mãe de Jesus
estava ali. Foi chamado[convidado] também Jesus e os seus discípulos à boda.
Logo Jesus não era o noivo mas um dos convidados. Nada se diz sobre Maria
Madalena. A resposta de Jesus: Que a mim e a ti? Indica que ele não era o noivo
e sua mãe nada tinha que ver com a boda pois o seu caso era o de um convidado.
Como é possível de uma frase sem sujeito onomástico mas que era noivo
unicamente [tu guardaste o bom vinho] levantar tamanha conclusão? O lógico é
pensar que não sabemos quem era o noivo e quem era a noiva mas que Jesus era um simples convidado. Como
pode dizer que o casamento de Jesus e Maria Madalena faz parte dos registros
históricos?
2o) Mas quem foi na realidade Maria Madalena? Os
evangelhos falam de Maria Madalena ou Maria de Magdala . Se fosse esposa de
Jesus teriam dito Maria de Jesus assim como nomeiam a Maria mulher de Cléofas
(Jo 19, 25). Mas é simplesmente Maria a Madalena (sic)Mt 27, 56; e 28,1. Marcos 15, 40; 15, 47;16, 1 e 16, 9;
Lucas 8, 2 e 24, 10 e finalmente João 19, 25; 20, 1 e 20, 18. Em todos os
versículos é Maria a Madalena exceto em Lc 8, 2 em que o evangelista explica
Maria a chamada Madalena. Pelo seu nome podemos dizer que não era casada, nem
tinha parentes próximos vivos como filhos tal como Maria de Cléopas ou Maria
mãe de Tiago e José. O seu sobrenome não era patronímico nem familiar, mas
geográfico o que indica ser uma mulher solteira ou viúva sem filhos. Magdala
[também de nome Magadã] situava-se no lugar que hoje ocupa Tariquéia, cinco
quilômetros ao norte de Tiberíades, a cidade. O nome primitivo talvez seria
Migdal-El [= torre de Deus]. A palavra Tariquéia é de origem grega e significa
pesca salgada. Contava com uma frota de 230 barcas e uma população de 40 mil
habitantes; mas parece exagerada e teremos que deduzi-la a 4 mil. Era a cidade
mais importante do lago, incluindo Tiberíades. Esta foi fundada por Herodes
Antipas nos anos 18 a 22 e chegou a ser a capital da Galiléia, substituindo a
Séforis. Tinha foro, estádio, um palácio
real, templo pagão e sinagogas. Flávio Josefo a rendeu a Vespasiano. Após a
guerra e queda de Jerusalém o sinédrio residiu nela e a escola rabínica que
compilou o Talmud jerosolimitano no século IV e os massoretas, que no século
VIII, vocalizaram o texto das escrituras com pontos vocálicos chamados
tiberienses. Uma exegese moderna liga magdalena com uma palavra hebraica que
significaria perfumista. Porém no pequeno dicionário de Sprong mais do que
perfume a palavra meged e seu derivado migdanah significa coisa preciosa como
uma gema ou um presente muito caro. Segundo o Talmud [o livro mais importante
do judaísmo pos-bíblico intérpretre tradicional da Torah que compreende a
Mishnã e a Guemará], Magdalena significa cabelo crespo de mulher, embora na sua
rivalidade com o cristianismo diz dela que era adúltera. Não são pois, os
evangelhos mas o Talmud que denegriu a Madalena..De todos os relatos deduzimos:
Maria Madalena era uma mulher da qual Jesus tinha expulsado sete demônios que
em termos modernos diríamos uma doença mental grave como uma loucura ou
esquizofrenia. Ela acompanhava Jesus junto com outras mulheres que tinham sido
curadas de espíritos malignos e também Joana mulher de Cuza, mordomo de Herodes
[Antipas]e Susana e outras muitas as quais o serviam com suas posses (Lc 8,
2-3). Joana era uma mulher de mais de 50 anos e todas as mulheres que
acompanhavam Jesus tinham essa idade. Um exemplo é a própria mãe de Jesus,
Maria mãe de Tiago e José, e Salomé, a mãe dos filhos de Zebedeu que estavam
com a Madalena ao pé da cruz, como diz Mateus (27, 56). A Madalena era amiga de
Maria, a mãe de Tiago e José, e é de
supor da mesma idade, ou seja conforme diz Paulo em 1 Tm 5, 9 das mulheres inscritas no grupo das viúvas
com não menos de sessenta anos.
3o) Era Maria Madalena uma pecadora ou a pecadora de Lc 7,
36-50? É difícil admiti-lo pois no seguinte capítulo Lucas (8,2) fala de Maria
Madalena sem indicar que se trata da mesma pessoa. Ser ou estar possessa não é
o mesmo que ser pecadora. E como alguns intérpretes afirmam, a palavra pecadora
em Lucas significa mulher pagã ou mulher judia casada com um pagão muito mais
do que mulher pública.
4o) Tampouco se pode identificá-la com Maria de Betânia pois
o evangelho de João distingue perfeitamente ambas pessoas. A nossa Maria tem o
nome de a Madalena do lugar da Galiléia, no norte e a de Betânia [lugar da
Judéia no Sul] é chamada de irmã de Lázaro ou irmã de Marta. Poderíamos
confundir a pecadora de Lucas 7, 36-50 com Maria de Betânia, porque ambas ungem
os pés de Jesus com perfume e secam com
seus cabelos. Parece que era um costume aceitado na época. A mulher, no caso da
pecadora na casa de Simão, teve lugar na Galiléia e os convivas eram fariseus;
Pelo contrário Maria fez a unção na Judéia em casa do Simão, o leproso, em
Betânia com os discípulos como convivas e o aparente desperdício do rico nardo
poucos dias antes da morte de Jesus. Este fato, narrado por Mateus e Marcos sem
indicar o nome da mulher, tem alguns detalhes diferentes de João como o de que
o perfume foi derramado na cabeça de Jesus. Lucas fala de uma pecadora em casa
de Simão e coincide com João em notar que ela ungiu os pés do Mestre. Ao máximo
poderíamos deduzir que Maria de Betânia, a de João, era a pecadora de Lucas. Porém isto está fora de
cogitação porque o mesmo Lucas fala de Maria de Betânia em 10, 39-42 sem falar
da identidade das duas. O próprio João distingue em seu relato entre Maria [a de
Betânia] a quem chama simplesmente Maria em 20, 11 e 20, 16, e Maria a Madalena
em 19, 25; 20, 1 e 20, 18.
5o) Os textos evangélicos nunca identificam Maria Madalena
com a pecadora ou com Maria de Betânia. A Igreja grega celebra três festas
diferentes, uma para cada mulher. A Igreja latina antes de S. Agostinho(+430)
falava de três mulheres a exceção de uma única passagem. Foi S. Gregório
Magno(590-604) que de fato identificou as tres mulheres. A identificação foi
muito posterior ao concílio de Nicéia(325). Não houve pois, na Igreja primitiva
intenção alguma de sujar a imagem de Maria Madalena.
2A PARTE: A ÚLTIMA CEIA DE LEONARDO:
Em primeiro lugar é uma obra artística não uma obra
histórica. Segundo o que o evangelho de João narra, os convivas estavam
recostados ao modo romano (Jo 13, 25). Ver o escrito sobre o triclinium em
artigo de exegese número 51 do XXII Domingo do tempo comum de
presbíteros.com.br. Esta posição está confirmada no banquete
III PARTE: OS MAIS ANTIGOS MANUSNCRITOS CRISTÃOS
OS MANUSCRITOS DE NAG HAMMADI E DO MAR MORTO:
OS MAIS ANTIGOS MANUSCRITOS CRISTÃOS. Vejamos o que há de
verdade nesta afirmação. Tenho em meu poder um quadro dos manuscritos cristãos
mais antigos, todos eles papiros, alguns datados do primeiro século como o
papiro 64/67 que alguns datam do ano 64 [outros do ano 200] contendo parte do
evangelho de Mateus e hoje em Oxford(64) e Barcelona(67). É um papiro que
chamam proto-Alexandrino, origem da família
desse nome. O mais antigo,
segundo todos os especialistas, é o John
Rylands ou P 457 que é datado no ano 125 na data mais tardia ou do ano 100 a
mais antiga, contendo uma pequena parte do evangelho de S. João. Do ano 175
(150) está o papiro 90 ou Oxyrincus L 3523 datado entre 150 e 170, com parte do
evangelho de João, hoje
EVANGELHO DE TOMÉ.
Mesmo que pouco mais da metade dos ditos no evangelho de
Tomé correspondam a ditos similares nos evangelhos, não é possível distinguir a
verdade da ficção no dito evangelho. A conclusão mais aceita é que esse
evangelho é do século II, uma parte das 44 escrituras que formavam parte de uma
religião alternativa para os cristãos nesse século. Temos o evangelho de Maria
Madalena, um fragmento grego datado do século II, que realmente fala do mal
humor de Pedro porque Jesus falou ocultamente com Maria. Na subseqüente discussão com Levi, este, enfadado, partiu para pregar o evangelho segundo Maria.
Porém o trecho que nos interessa é o seguinte: Simão Pedro protesta: Que se
afaste Mariam [Madalena] de nós, pois as mulheres não são dignas da vida. Disse
Jesus: Olha, eu me encarregarei de torná-la macho de modo que também ela se
converta em espírito vivente, idêntico a vós; pois toda mulher que se tornar
varão entrará no reino dos céu. Não é preciso muita inteligência para descobrir
que este trecho nada tem a ver com o verdadeiro evangelho e sim muito com as
idéias gnósticas que por outros meios conhecemos.
O EVANGELHO DE FILIPE
Este evangelho forma parte do códice II de Nag Hammadi .
Segue a linha gnóstica de dar enorme importância às figuras dos apóstolos
Filipe e Tomé como depositários dos ensinamentos secretos manifestados por
Jesus após sua ressurreição e de seu desejo de manifestá-los por escrito.São
127 sentenças de um contexto gnóstico valentiniano. O papiro em questão tem uma
data próxima ao século IV que reflete idéias do fim do século II ou princípio
do século III. Sobre o assunto que nos interessa citamos estas palavras: Três
[eram as que] caminhavam continuamente com o Senhor: sua mãe Maria, a irmã
desta e a Madalena, a quem se designa como sua companheira[koinonós]. Maria é
com efeito sua irmã. Sua mãe e sua companheira. O comentário é de que a
Madalena reúne com sua união com o senhor as condições do gnóstico perfeito. De
seu carácter gnóstico em que a sabedoria era a base da salvação temos este
trecho do logion 55: A sabedoria- a quem chamam de estéril[steira] – é a mãe
dos anjos; a companheira [koinonós= sócio, consorte, partícipe] {de Cristo é
Maria} Madalena. {O Senhor amava Maria} mais que {todos} os discípulos[mathetés]
e a beijou na {boca repetidas} vezes. Os outros lhe disseram: Por que {a
queres} mais do que a nós todos? O Salvador respondeu e lhes disse: A que se
deve que não os queira a vós tanto como a ela? Os colchetes{} servem para
preencher lacunas do texto. Para entender o beijo na boca devemos citar o
logion 31: Os perfeitos são fecundados por um beijo e geram. Por isso nos
beijamos também uns aos outros e recebemos a fecundação pela graça que é comum.
Portanto o beijo na boca não era constitutivo do matrimônio mas um costume dos
gnósticos valentinianos em que os perfeitos comunicavam a semente pneumática,
cujo protótipo era a comunicação entre Jesus e Maria Madalena. Assim está
explicada a união entre Jesus e Maria Madalena após a ressurreição. De seu
caráter gnóstico temos o logion 110: quem possui o conhecimento [gnosis] da
verdade é livre.Agora: quem é livre não peca, pois quem peca é escravo do
pecado.
OS MANUSCRITOS DE QUMRÃ
Teabing fala dos manuscritos do Mar Morto, que não podem
ser outros que os de Qumrã. Destes documentos podemos dizer que são um conjunto
de papiros achado a partir de 1947 nas cavernas da região de Qumram, no moderno
Israel. e que até agora ainda não foram completamente restaurados e decifrados.
Os Manuscritos do Mar Morto têm servido para muita coisa nos últimos quarenta
anos, inclusive para uma exploração sensacionalista que se situa, na imaginação
popular, naquele perigoso terreno entre as previsões de Nostradamus e o segredo
dos discos voadores. Na verdade, sabe-se hoje muito bem o que eles são. São uma
antiga biblioteca; eis tudo - e é muito. Inclusive, no início dos anos 50,
depois da descoberta dos manuscritos, escavações realizadas nas proximidades
pelo padre francês Roland de Vaux trouxeram à luz uma construção que, destruída
e queimada no ano 68 da nossa era, concluiu-se tratar-se sem dúvida de um
antigo convento. A partir daí formou-se um impressionante consenso entre os
especialistas: nas cavernas, os membros da seita de Qumram esconderam a
biblioteca do convento. Viviam-se os dias tempestuosos da revolta judaica
contra o domínio romano que resultaria, no ano 70 da nossa era, na destruição
de Jerusalém. Esconder os manuscritos, acondicionados em jarras, na iminência
de um ataque romano que realmente viria a varrê-los do mapa, foi a maneira que
os membros da seita encontraram de preservar seus documentos para a
posteridade. Os escritos pertencem aos essênios uma comunidade que professava
uma observância estrita da lei e tinham os bens em comum cujo rastro encontra-se
em muitos outros textos da antiguidade. Na biblioteca que eles esconderam nas
cavernas, há desde livros do Velho Testamento a documentos específicos da
seita, como o Manual de Disciplina, que era seguido por seus membros. Os
documentos foram datados num período que vai do ano 200 antes de Cristo até 67
depois. Ou seja: muitos deles são até contemporâneos de Jesus. Há centenas de
textos completos e milhares de fragmentos, que vêm sendo pacientemente
remontados por uma comissão na qual se misturam especialistas judeus e
cristãos, sob a supervisão do governo israelense. Decepção: até agora, apesar
de serem documentos da mesma época, não há nenhuma menção a Jesus. Isso não
invalida, no entanto, o imenso valor dos textos de Qumram para o conhecimento
da época e do ambiente que circundava Jesus. "Penetrar no mundo dos
Manuscritos do Mar Morto equivale a mergulhar no tempo e no ambiente ideológico
de Jesus", escreve Charlesworth, o autor de Jesus no Judaísmo. Os textos
de Qumram revelam idéias muito próximas das de Jesus. Havia entre os membros da
seita uma acentuada escatologia, por exemplo. Isto é, como em Jesus, um alerta
permanente contra o fim dos tempos, que se considerava iminente. Havia também
uma total entrega a Deus. Esses e outros traços comuns configuram uma espécie
de elo perdido do pensamento judaico entre os tempos do Velho Testamento e o
advento da era cristã e sugerem, entre um e outro, uma transição menos abrupta
do que se chegou a supor. A seita de Qumram também escancara a realidade de um
judaísmo vibrante e variado, nos tempos de Jesus, tão pouco unitário que alguns
autores hoje preferem falar em "judaísmos", não num judaísmo só. No
entusiasmo das primeiras descobertas chegou-se a imaginar um Jesus fortemente
influenciado pela doutrina dos essênios, quando não um membro da seita. Na
verdade, tanto quanto há semelhanças, há diferenças, a mais gritante das quais
é a atitude perante as regras judaicas de conduta. Os essênios são ainda mais
fanáticos que os fariseus na sua observância. Já Jesus, como se sabe, disse que
o "sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado". Ele
dava muito pouca importância ao rigor imobilista com que os ortodoxos mandavam
guardar o dia santo, como de resto a todas as outras proibições e imposições
rituais. Ou melhor: ele estava aí para subvertê-las mesmo, num contínuo
chamamento para a superioridade da pureza e da devoção interiores, não
exteriores. Em todo caso, há sinais de influência essênia em Jesus, uma das
quais, relativa à expressão "pobres de espírito", uma das fórmulas
enigmáticas de Jesus. A outra é "o Filho do Homem" que configura uma
conclusão de James H. Charlesworth o autor de Jesus no Judaísmo, professor da
Universidade de Princeton, nos Estados Unidos que se poderia classificar de
espetacular. "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o
reino dos céus", diz a primeira das bem-aventuranças, do Sermão da
Montanha (Mt 5:3). Que pobres de espírito serão esses? Eis a resposta de
Charlesworth: pobres de espírito, bem como pobres, "são termos técnicos,
usados pelos essênios para se descreverem". O autor cita um dos documentos
de Qumram, o chamado Manuscrito da Guerra, para desfiar numerosos exemplos em
que os essênios chamam-se a si próprios de pobres, ou pobres de espírito,
identificados como "os perfeitos do caminho", que acabarão por
derrotar os iníquos. O Sacerdote malvado que aparece nos comentários de Habacuc
perseguindo ao Mestre da Justiça tem sido interpretado por alguns como sendo o
cisma entre Anãs (?) e Jesus. Mas a maioria fala de um fato acontecido 140 anos
antes no início da fundação da seita, quando um dos líderes dos Macabeus
ilegitimamente assumiu o cargo de sumo sacerdote, relegando ao legítimo e
perseguindo-o até a morte. O ódio com o qual descrevem os inimigos tira toda suposição
de que a seita fosse realmente cristã. Qumrã caiu em poder dos romanos que a
ocuparam na revolta de 68-70 e depois foi abandonada. Das 11 covas exploradas,
só a número 7 contém papiros em grego e destes um único papiro, do tamanho de
um polegar, contém um texto de seis linhas escritas só por uma página com 20
letras em 5 linhas diferentes, formando um pedaço de 3,9 X 2,7 cm. 20 letras e
a única palavra completa é o KAI [e]. Dificilmente esta palavra pode
identificar um texto. Dez anos mais tarde o papirologista espanhol José
o´Callaghan publicou um artigo controvertido, afirmando que o manuscrito número
5 era um fragmento do evangelho de Marcos (6, 52-53). A rejeição desta hipótese
teve como principal argumento a falta de comunicação entre os essênios e os
cristãos. Hoje existe uma tendência a admitir a hipótese de O´Callaghan como
uma teoria a ser tomada a sério. O material estava na caverna número 7 onde se
encontraram 19 manuscritos escritos em grego, 18 em papiros e um preservado
como impressão no duro chão da caverna. No simpósio da Universidade de
Eichstätt (1992) chegou-se à conclusão de que o papiro em questão tinha muitas
probabilidades de pertencer a Mc 6,
52-53, especialmente após ser examinado pela polícia pericial de Israel. É
significativo que 5 dos fragmentos encontrados na cova 7, são de Marcos e dois
da epístola aos Romanos que são entre os escritos do NT dos mais contrários à
Tora. Será que os primitivos cristãos os recomendaram aos seus vizinhos
Essênios para a custódia dos mesmos contra os romanos? Além disso dois
fragmentos, um de Ex 29, 4-7 e o outro da deuterocanônica carta de Jeremias
eram dois textos de suma importância para os primeiros cristãos. Uma
particularidade muito importante é que os escritos da cova 7 estão escritos por
uma só face apontando a rolos e não códices, estes últimos escritos por ambas
caras como páginas de livros. Este dado é importante pois a passagem de rolo a
códice só se deu perto do ano 80 dC. Até o 7Q5 todos os papiros
neotestamentários conservados eram fragmentos de códice não de papiro.
O´Calaghan levou a identificar outros fragmentos da cova 7 ente eles o número 4
como fração dos capítulos 3 e 4 da primeira carta de S. Paulo a Timóteo. Este
descobrimento está à espera de maiores estudos. Entre os críticas se dizia que
o fragmento era pequeno demais. Porém em papirologia tem-se identificado com
grande precisão pedaços menores como o papiro 73 que nunca teve dificuldade em
ser admitido como Mt 25, 43; 26,2-3. Claro que este papiro pertence ao século VI
e não existem dificuldades exegéticas para admiti-lo. Feita por computação a
probabilidade de que o 7Q5 pertencesse a um outro texto conhecido grego até ao
século primeiro, é de um contra 10 mil milhões. Estatísticamente é uma cifra
que se identifica com a certeza absoluta. Menor é a probabilidade do ADN de uma
pessoa. Conclusão: Os mais antigos manuscritos cristãos pertencem aos
evangelhos canônicos e aos escritos de S. Paulo totalmente contrários às
hipóteses do livro que escreveu como novela histórica Dan Browun. Recentemente
o professor Hunger da Universidade de Viena dizia respeito aos ataques de
alguns biblistas contra a indentificação do 7Q5: Não sou religioso nem
biblista, sou cientista. E como cientista posso dizer que do ponto de vista
estritamente papirológico não existe debate possível: O´Callaghan tem razão.