Curso de Bispos
Anualmente, a Arquidiocese do Rio de Janeiro oferece um curso ao
Episcopado Nacional. Trata-se de uma iniciativa estritamente pessoal, como
gesto fraterno de colaboração da Arquidiocese do Rio de Janeiro com os irmãos
no Episcopado. O encerrado a 9 de fevereiro último foi o XI e teve por tema:
"Igreja e Ecumenismo", exposto pelo Cardeal Walter Kasper, até então
Secretário do Pontifício Conselho pela Unidade dos Cristãos e hoje Presidente.
Ele é conhecido entre nós pelos seus livros de conteúdo teológico, entre outros
"Jesus, o Cristo" e "O Deus de Jesus Cristo". O Bispo
Angelo Scola, professor e pesquisador, Magnífico Reitor da Universidade
Lateranense, abordou aspectos fundamentais da Eclesiologia, dentro da qual se
situa um autêntico esforço ecumênico. Lançou luzes sobre o recente e oportuno
documento da Congregação para a Doutrina da Fé "Dominus Jesus". Por
ele, vê-se que a Igreja Católica, sem trair nem nivelar o divino depósito da Fé
que Jesus nos legou, abre as portas a todos os homens. Nesse contexto, o
Cardeal Dario Castrillon Hoyos, Prefeito da Congregação para o Clero, discorreu
sobre algo fundamental à nossa Igreja, no cumprimento de sua missão: o
relacionamento do bispo com o seu presbitério.
Inscreveram-se 136, entre Cardeais, Arcebispos e Bispos. Pareceu-me
oportuno trazer ao conhecimento público alguns tópicos desse rico material.
Eles interessam a toda a comunidade e aos homens de boa vontade.
O clima de grande alegria e fraternidade indicava a oportunidade da
iniciativa, que se repete com regularidade, em favor de nosso Episcopado.
A 5 de junho do ano passado, o Pontifício Conselho para a Promoção da
Unidade dos Cristãos comemorou 40 anos de existência. Foi instituído em 1960,
como comissão preparatória ao Concílio. O Papa João XXIII, no Discurso de
Abertura do Vaticano II, a 11 de outubro de 1962, afirmou "que começava a
surgir na Igreja um dia precursor de luz esplendorosa". Para se avaliar o
longo caminho já percorrido, basta recordar o que seria absolutamente
impensável até então: a 18 de janeiro do ano 2000, cerca de 40 irmãos, vindos
de outras igrejas e comunidades eclesiais, entraram, com o Bispo de Roma, em
procissão, na Basílica de São Paulo Fora-dos-Muros. Nunca, até então, um evento
foi assinalado por tão numerosa participação de outros cristãos não-católicos.
A Porta Santa foi aberta pelo Santo Padre, acompanhado de dois enviados que
representavam o Oriente e o Ocidente cristão. Ajoelharam-se com João Paulo II
diante da Porta, isto é, de Cristo, nosso Redentor. A troca do sinal da paz foi
uma marca profética e alegre do objetivo dessa peregrinação em busca da plena
comunhão. Esse é apenas um episódio do recente Ano Santo.
Toda a Eclesiologia parte da resposta a uma pergunta: "Quem é a
Igreja?" É a comunhão de pessoas, enxertadas em Cristo, comunhão essa que
atravessa a História, tendo como ponto de partida a missão livremente conferida
e aceita. A dimensão missionária é, pois, essencial. E ao mesmo tempo, no seu
exercício, deve ser absolutamente fiel à doutrina de Jesus. Pregar a todo
mundo, tudo e somente o que veio de Cristo e foi por Ele ensinado. Como
exemplo, na obediência às raízes, não lhe é permitido admitir mulheres à Ordem
sagrada. Incumbe à Igreja preservar a pureza do que foi comunicado pelo Senhor
Jesus e transmitido através dos séculos.
A terceira parte do curso versou sobre o relacionamento do Bispo com o
seu presbitério e o dever do Pastor em cumprir seu ministério junto a seus
próvidos colaboradores, os sacerdotes, na expressão do Concílio. Deus
proporciona a seu Povo, ainda hoje, a presença eficaz de Pastores que o
congreguem, que o guiem segundo o Seu Coração que se revelou a nós plenamente
em Cristo, Bom Pastor (Exortação Apostólica "Pastores dabo vobis" nº
28). Ele nada possui para si mesmo (Lc 9,59), não persegue os próprios
interesses (Jo 13,14-16), oferece-se em resgate por nós, para livrar-nos da
morte e fazer-nos participantes da vida eterna (Jo 10,10ss). Os padres
representam seu Pastor nas comunidades dos fiéis, tomando sobre si uma parte
importante do cargo e da solicitude pastoral, exercendo-a no trabalho
cotidiano, sob a autoridade do Bispo (Ef 4,12; "Lumen Gentium", nº
28). Devemos reconhecer que Bispos e Presbíteros são homens de hoje: filhos de
uma cultura decadente, que sonha com ilusões de bem-estar, distantes de Deus,
que é o verdadeiro Bem. Daí serem as exigências da formação bem maiores para
superarem a força do ambiente malsão que os rodeia. E de uma formação continuada
que preserve a identidade do sacerdócio ministerial. Urge defender o caráter
sobrenatural e sagrado do sacerdócio.
Eis um rápido bosquejo dos temas do Curso para os Bispos sobre
"Igreja e Ecumenismo", com o objetivo de integrar os fiéis e pessoas
de boa vontade nessa iniciativa da Arquidiocese do Rio. O texto integral das
aulas virá a lume no próximo número da revista "Communio", edição em
português.
O Cardeal Dario Castrillon concluiu sua reflexão sobre o Sacerdócio com
a seguinte oração de João Paulo II (Exortação Apostólica "Ecclesia in
America" nº 76): "Protege a tua Igreja e o Sucessor de Pedro, a quem
Tu, Bom Pastor, confiaste a missão de apascentar todo o teu rebanho (...)
Ensina-nos a amar tua Mãe, Maria, como Tu mesmo a amaste. Dá-nos força para anunciar
com valentia a tua Palavra na empresa da Nova Evangelização para corroborar a
esperança do mundo".