Dia Das Missões

VOZ DO PASTOR D. Eugênio de Araújo Sales 22/10/1999 Dia Das Missões

Em todo o mundo católico, no penúltimo domingo de outubro, celebra-se o Dia Missionário. Com antecedência, o Santo Padre envia uma mensagem sobre o evento, pois ele "constitui, para a Igreja, uma preciosa ocasião para refletir sobre sua natureza missionária" (nº 1).

Este ano, a data goza de especial importância. O 24 de outubro, por ser o último domingo das Missões deste milênio, às vésperas do Grande Jubileu, comemorativo do Nascimento de Jesus, o Salvador, nos deve questionar sobre nossa obediência ao mandato de Cristo: "Ide, pois, e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!" (Mt 28,19). Cada fiel, todos nós, somos chamados a levar o anúncio do Evangelho a todos os homens. Passados quase dois mil anos da vinda do nosso Redentor ao mundo, "duas terças partes da humanidade ainda não conhecem Cristo", como se referiu o Cardeal Jozef Tomko no dia 30 de setembro, na Arquidiocese de Paraná, Argentina, ao abrir o VI Congresso Missionário Latino-Americano (COMLA VI) e o I Congresso Americano Missionário (CAM).

Na Conclusão de sua Mensagem, o Papa João Paulo II nos lembra que "a missionariedade deve constituir a paixão de cada cristão; paixão pela salvação do mundo e ardente compromisso, em vista de instaurar o Reino do Pai" (nº 9). Não se trata de uma tarefa de ordem política ou econômica. No entanto, à medida que os homens vivem os ensinamentos de Jesus, suas vidas se transformam e, em conseqüência, farão surgir uma nova sociedade. Por isso, trabalhar pelas Missões é contribuir para a paz, a justiça social, a válida e duradoura mudança de estruturas. Atinge as raízes dos males, o pecado.

Desde seu nascimento, em Pentecostes, a Igreja tem sido caracterizada pelo esforço em transmitir a Boa Nova de Jesus Cristo. No entanto, esse zelo tem experimentado períodos de sombras. Em nossos dias, sente-se um afervoramento do trabalho em prol das Missões. Ele é múltiplo e variado. Vai do testemunho de uma vida coerente com a Fé que dá credibilidade aos ensinamentos oferecidos aos que não conhecem Cristo. É também para nós um apelo à oração em favor dos que, em lugares distantes e, por vezes, inóspitos, fazem presente a Palavra de Deus e a face da Igreja. Transmitem todo o conteúdo da sua Doutrina Social. As obras de promoção humana, especialmente nas áreas hospitalar e educacional, em terras que, pela primeira vez, recebem o anúncio do Evangelho Necessitam de colaboração. Esse gesto demonstra a consciência do valor do transcendental, pois abrem o coração à necessidade do próximo. A doação se faz de dois modos: oferecendo-se os fiéis para ir pessoalmente à missão ou ajudando essas obras e a manutenção dos que abraçaram tal sacrifício por amor à causa de Jesus.

Este ano, o Dia Mundial ocorre após a realização do grande Congresso Missionário – COMLA VII e CAM I – encerrado a 3 do corrente mês de outubro. Bem eloqüente seu lema: "América, com Cristo, sai de tua terra!". Revela um grande anseio de abrir o coração dos fiéis "ao mundo universal". Séculos atrás, fomos evangelizados pelo espírito missionário da Europa. Hoje, somos a metade de católicos em todo o universo. Somente de brasileiros, o número dos que trabalham por Cristo em outros países, ascende a mais de mil apóstolos, entre sacerdotes, religiosos e leigos, consagrados a essa causa. Como recebemos a Fé que veio de outras terras devemos, como retribuição, iluminar com a Palavra de Cristo, nossos irmãos que ainda não O conhecem.

Estavam presentes no Congresso 3.300 delegados da América e também de outros Continentes. A 30 de setembro, em um estádio, com aproximadamente 25.000 pessoas, o Arcebispo de Paraná, Argentina, Dom Esteban Karlic, também Presidente da Conferência Episcopal daquele país, pronunciou o Discurso de Abertura. Presidiu a celebração o Cardeal Jozef Tomko, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e Enviado Especial do Santo Padre. Na Missa do dia 1º de outubro, concelebraram cerca de 105 Bispos e 800 sacerdotes. A delegação brasileira era composta por 450 participantes, entre Bispos, padres, religiosos e leigos. Quinze crianças representavam a Santa Infância, organização missionária, como o nome indica, para jovens. Do Estado do Rio de Janeiro participaram 26 congressistas.

O dia 29 foi dedicado à África; 30, à Ásia; 1º de outubro, à Europa e o seguinte, à Oceania. O encerramento, a 3 de outubro, à América. O Arcebispo, Dom Karlic, nessa oportunidade, anunciou o próximo Congresso: será na Guatemala.

As celebrações primaram sempre pela cuidadosa observância das prescrições litúrgicas. Não faltaram, infelizmente, expressões exóticas de alguns participantes, no que se refere às vestes para o Sacrifício Eucarístico. O acolhimento e o carinho, por parte da Arquidiocese anfitriã, foram notáveis.

Este Congresso obteve pleno êxito e será fator de grande importância no crescimento e expressão do espírito missionário na América.

Com o Grande Jubileu por ocasião do início do 3º Milênio do Nascimento de Jesus e o aniversário do Descobrimento do Brasil, este ano o Dia Missionário Mundial adquire especial significado. Recordamos a chegada ao Brasil dos primeiros sacerdotes que para aqui trouxeram a Palavra de Deus e implantaram a Igreja de Cristo .A celebração da primeira Missa em Porto Seguro por Frei Henrique de Coimbra foi o ato público inicial da nacionalidade. Nossos louvores ao Senhor pela graça recebida e a gratidão a todos os que, através de cinco séculos, edificaram a Igreja Católica em terras brasileiras.