“Não
te deixes vencer pelo mal, vence antes o mal com o bem” (Rm
12,21)
Irmãos e irmãs!
Como todos os anos, o Papa enviou uma mensagem para o dia
1º. de janeiro de 2005, data em que se celebra
o DIA MUNDIAL DA PAZ. Suas mensagens nos anos anteriores foram mostrando aspectos
necessários a serem considerados na construção da paz
no mundo, que mais respondiam às circunstâncias mundiais de cada
ano, mas que ao mesmo tempo foram elaborando paulatinamente uma verdadeira
doutrina da paz.
A mensagem deste ano tem como tema uma frase do apóstolo
Paulo na Carta aos Romanos: “Não te deixes vencer pelo mal, vence
antes o mal com o bem” (Rm 12,21). Logo no
início da mensagem o Papa já indica como esta frase tem a ver
com a paz, dizendo: “A paz é o resultado de
uma longa e árdua batalha, vencida quando o mal é derrotado
com o bem. A paz “é um bem que deve ser conservado e cultivado
mediante opções e obras de bem” (n.1). São Paulo,
na mesma Carta aos Romanos, escreveu também: “A ninguém
pagueis o mal com o mal; seja vossa preocupação fazer o que
é bom para todos os homens” (Rm 12,17).
Diante das tragédias causadas pelo terrorismo, pelas
guerras e violências que o mundo está a sofrer nos últimos
tempos, o Papa escreve, dizendo: “À vista dos dramáticos
cenários de violentos combates fratricidas que têm lugar em várias
partes do mundo, diante dos indescritíveis sofrimentos e injustiças
que deles derivam, a única opção realmente construtiva
é – como sugere ainda São Paulo – detestar o mal
e aderir ao bem” (cf. Rm. 12,9).
Vencer o mal com o bem, fazer opções que promovam
o bem e realizar obras de bem constituem caminhos para vencer o mal e construir
a paz. Não se constrói a paz pagando o mal com o mal, respondendo
à violência com violência, com vingança, com represália.
A constante tentação do homem é enfrentar a violência
com violência. Na verdade, esta forma de agir acaba por tornar-se um
círculo vicioso, haja vista situações como no Iraque
e
Vê-se logo que a construção da paz no
mundo começa na vida pessoal de cada um. Tu, portanto, resiste à
tentação da violência na vida quotidiana. Se alguém
se mostrar mau e violento contigo, faze-lhe o bem.
“Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe
de beber. Agindo desta forma, estarás acumulando brasas em sua cabeça
(isto é, estarás acendendo o remorso em sua cabeça)”,
escreveu São Paulo na já citada Carta aos Romanos.
Se os países mais ricos do mundo se empenhassem realmente
em ajudar os países pobres a sair de suas misérias, doenças,
fomes e isolamentos, promovessem verdadeira justiça social e prosperidade
integral, com certeza haveria menos guerras e terrorismos. Fazer o bem,
previne muitos males. Mas uma vez desencadeado o mal, ainda o caminho
mais eficaz de vencê-lo será combatê-lo com obras que realizam
o bem. Essa é a sabedoria que o Papa oferece ao mundo que tem tanta
dificuldade de libertar-se de guerras e vio-lências.
Tudo isso parece tão óbvio, tão básico,
que nos admiramos por não vê-lo realizado. Sabedoria antiga,
baseada até mesmo na experiência mais secular. Vencer o mal com
o bem, sempre foi o caminho ideal. O Papa, no alto de sua idade e maturidade,
nos recorda esta sabedoria antiga e sempre atual. Como trilhar este caminho
no mundo de hoje, como hoje vencer o mal com o bem, esta
é a novidade do tema. O Papa nesta mensagem quer ajudar o mundo atual
a encontrar as formas de promover o bem diante das guerras,
violências, massacres, seqüestros, assassinatos, torturas,
terrorismos, que atemorizam a humanidade.
Na próxima semana voltarei a esta mensagem do Papa.