Vocações Sacerdotais
VOZ DO PASTOR D. Eugênio de
Araújo Sales 12/05/2000
O 4º Domingo da Páscoa é conhecido
como o Domingo do Bom Pastor. O trecho do Evangelho que contém essa parábola é
lido na Missa do "Dia Mundial de Oração pelas Vocações". Este ano é o
XXXVI e tem como tema "A Eucaristia, fonte de toda a vocação e ministério
na Igreja".
O Concílio Vaticano
II dedicou todo um documento, o "Optatam Totius" à questão das
vocações sacerdotais. Estabelece, de início, o princípio de que "o
incentivo às vocações sacerdotais obrigação de toda a comunidade cristã
promovendo-as, sobretudo, por uma vida plenamente cristã. Enumera aspectos
concretos do cumprimento desse dever. Evidentemente, em primeiro lugar está a
família "animada pelo espírito de fé, de caridade e piedade, tornando-se
assim, como que um primeiro seminário". ("Optatam Totius", 2a). Seguem
depois "as paróquias, de cuja vida fecunda participam os próprios
adolescentes" (ibidem), "Os professores e todos quantos, de algum
modo, têm a seus cuidados, a formação de jovens, em particular as associações
católicas" (ibidem). O texto conciliar exalta a importância do testemunho
do próprio sacerdote "manifestem o máximo de zelo apostólico no fomento
das vocações e por sua própria vida humilde, operosa, levada com ânimo alegre e
também com mútua caridade sacerdotal (...) entusiasmem os adolescentes pelo sacerdócio"
(ibidem). Portanto, a comunidade cristã é responsável pela transmissão de sua
fé às novas gerações e, para isso, se torna fundamental o trabalho de
recrutamento e de formação dos seminaristas. A Igreja sabe que a vocação é algo
rigorosamente pessoal. O apelo que vem de Deus, deve encontrar, na consciência
e no coração do vocacionado grande generosidade. O jovem rico busca algo maior,
mas esbarra diante das exigências sem meias verdades da parte de Jesus. Eis um
exemplo de como a graça de Deus pode se frustrar na falta de magnanimidade. Na
descoberta de uma genuína e profunda amizade de Cristo, o jovem consegue
entender o Mestre que o chama: "Tu segue-me... Farei de ti pescador de
homens" (Mc 1,17). Tanto a contribuição da comunidade como o chamamento
individual na consciência do vocacionado estão sob o influxo de um terceiro
fator, e este é o mais profundo. Por isso, Jesus admoesta aos seus: "A
messe é grande, mas poucos os operários! Pedi, pois, ao Senhor da messe que
envie operários para a sua messe" (Mt 9,36ss) Também São Paulo declara que
é por Deus que ele foi "segregado para o Evangelho" (Rm 1,1). É Jesus
Cristo "por quem recebemos a graça e a missão de pregar, para louvor do
seu nome (...) entre todos os gentios" (Rm 1,4s). Assim ele vê sua vocação
como um chamado direto da parte de Deus. "Sou o último dos apóstolos, mas
pela graça de Deus sou o que sou" (1 Cor 15,3ss).
O Santo Padre, em sua Mensagem para esse Dia Mundial, nos adverte:
"Toda vocação é dom do Pai. E como todos os dons que vêm de Deus, chega
através de muitas mediações humanas: a dos pais ou dos educadores, dos pastores
da Igreja, de quem está diretamente empenhado no ministério de animação
vocacional ou do simples fiel" (nº 4).
Em todas as turmas do último retiro espiritual do clero do Rio de
Janeiro, apresentei aos sacerdotes um pedido formal, como fruto do Grande
Jubileu: paróquia alguma sem, ao menos, um seminarista no Seminário de São José
ou em preparação, nos Grupos de Vocações de Jovens (GVJ) ou Grupos de Vocações
Adultas (GVA).
A presença de seminaristas e seu número, são sinais de vitalidade
paroquial. A ausência de candidatos ao Sacerdócio deve ser motivo de grave
interrogação sobre os métodos pastorais utilizados ou o zelo do pároco. Sem o
sacerdote, e em número suficiente, correm risco a presença da Eucaristia, a
administração de vários sacramentos, a formação dos leigos, a transmissão da
Fé, de modo conveniente.
No Dia Mundial, a Obra das Vocações Sacerdotais e o Clube Serra, que se
dedicam a essa causa, devem se sentir estimulados em seu labor. E cada um de
seus membros questionar-se sobre o trabalho realizado e a maneira de
executá-lo. O mesmo se diga de outros grupos e pessoas que, generosamente, se
consagram ao fomento de vocações e a sua manutenção no Seminário de São José.
Nossa casa de formação sacerdotal recebeu, este ano, 64 novos seminaristas,
sendo que 8, no Menor, vindos dos grupos vocacionais e 56 nos Cursos de
Filosofia e Teologia, vindos do Menor ou dos GVA. O número anual de ordenações
sacerdotais nesta Arquidiocese tem se elevado substancialmente. Desde 1971,
quando assumi a Arquidiocese, até nossos dias, foram ordenados 146 presbíteros
para o Rio de Janeiro. O número de defecções é muito reduzido. O Seminário está
cheio, atendendo também outras dioceses.
Acolhamos dois apelos do Papa João Paulo II, em sua Mensagem:
"Cada fiel torne-se educador de vocações, sem ter receios de propor
escolhas radicais; cada comunidade compreenda a centralidade da Eucaristia e a
necessidade de ministros do Sacrifício Eucarístico; de todo o Povo de Deus se
eleve sempre mais intensa e apaixonada a oração ao Dono da Messe, a fim de que
mande operários para a sua messe. Confie essa sua súplica à intercessão dAquela
que é a Mãe do Eterno Sacerdote."
E não nos esqueçamos: "A Eucaristia é fonte de toda a vocação e
ministério na Igreja". E o Seminário é fundamental à vida eclesial. A
responsabilidade de todos os fiéis no campo vocacional, fomento das vocações e
manutenção dos seminários, casas de formação de futuros padres se estende à
santificação do clero. A santidade de vida dos presbíteros multiplica seu
número pela maior eficácia de seu trabalho pastoral.