O fenômeno pentecostalista
Uma preocupação e um desafio
para a Igreja
Estatísticas da CNBB apontam um novo caminho para a Igreja do Brasil. É urgente
a necessidade das pastorais, movimentos e espiritualidades reverem seu rumo e
direcionarem suas ações pensando no povão, no Cristo sofrido, caído, coroado e
chagado. É este Cristo que o povo entende, pois com Ele se identifica.
O Brasil já não pode se vangloriar de ser um grande país católico.
Agora 20 milhões de pentecostais disputam conosco o espaço religioso. Em 10
anos perdemos 10% de nossos católicos. Três mil católicos deixam nossa Igreja,
por dia, engrossando as fileiras pentecostais. Nos próximos 10 anos perderemos
mais 15% de católicos.Continuamos predominando nos centros das grandes cidades,
mas a periferia é campo dos pentecostais pois aí a Igreja não aprendeu a se
mover.
As periferias das grandes cidades, Rondônia e a fronteira agrícola
(Mato Grosso e Goiás), bem como o litoral são espaços dos pentecostais. Edir
Macedo prepara 28 mil pastores para invadir Rondônia, Amazonas e, descendo,
tomar conta do Brasil. A maioria dos moradores da periferia tem matriz
católica, mas abandonados, são presas fáceis dos pentecostais que pescam no
aquário da Igreja católica. Ali eles substituem a Confissão e a Eucaristia pelo
“descarrego”, com o “sabonete abençoado”, com a “bala benzida” e com a
“descapetação”, aliviando os problemas deste povo entregue a si mesmo. Vivemos
o período de transição onde na mesma família encontramos membros de duas ou
mais Igrejas que se combatem dada a agressividade dos pentecostais. Quem na
periferia se apresentar com uma proposta religiosa, fatura. Os pentecostais são
mestres nisso.
Nossa ausência na periferia confirma a liderança absoluta dos pastores
pentecostais que se transformam em guias religiosos e políticos, conduzindo os
seus fiéis a votarem segundo as orientação da bancada evangélica que gerou o
fenômeno Antony Garotinho e Rosinha de Matheus. Eles aspiram à presidência do
Brasil, da mesma forma como conseguiram a do Rio de Janeiro, onde Rosinha
através da distribuição do “cheque-cidadão” no valor de R$100,00 por mês a
48.500 famílias evangélicas aumentou o seu poder político e religioso.
Estamos diante de um paradoxo: A Igreja Católica fez opção pelos pobres
e os pobres estão sendo atendidos pelos pentecostais que sabem como ninguém
trabalhar com os desempregados, com os apenados, enfim, com os sofridos
apresentando-se como uma âncora de esperança política e religiosa. A Igreja
Católica mantém liderança onde o estado está organizado - no centro da cidade
-, mas, no caos da periferia, onde ela está ausente, tem engrossado o número de
pentecostais.
FORMAÇÃO E IDENTIDADE - Temos que preparar melhor os nossos católicos,
confirmando a identidade católica através de cursos de formação. Elogiamos a
Escola de teologia para leigos e outras iniciativas de formação que pontilham
em várias paróquias preparando melhor a identidade de nossos católicos. Nossos
sacramentos devem ser revistos. Estão sendo um rito mágico, um evento com
fotografias e diplomas, mas não são uma experiência de Jesus e assim o
ex-católicos depois esnobam dizendo: “aqui, e agora eu encontrei Jesus”.
Não adianta debochar disso. Temos que preparar melhor nossos católicos.
Temos que estar mais perto do povo. Temos que sentir mais o sofrimento do povo
que pede saúde e alívio no sofrimento. Quem reza e fala de desemprego, de falta
de dinheiro, de doenças e se interessa, acaba conquistando e segurando os
fiéis. As pastorais, movimentos e espiritualidades direcionadas às elites terão
que rever seu rumo e pensar mais no povão, no Cristo sofrido, caído, coroado e
chagado. É este Cristo que o povo entende porque com ele se identifica.
Temos que reconhecer humildemente que entre os pastores pentecostais há
pessoas brilhantes e devemos saber diferenciar entre os sérios e os
extorquidores que sugam o povo com promessas nada evangélicas para que o povo
seja alertado sobre isto. A Igreja Católica ainda tem primazia nos centros e
nas grandes cidades onde a vida social corre normal, mas perde assustadoramente
seus membros que estão na periferia. E os Pentecostais estão fazendo um
círculo, apertando na periferia querem chegar ao centro marcando presença absoluta
também nas grandes cidades. Aonde as torres da Record chegaram já se sente esta
presença.
DESAFIO - A Igreja Católica do Brasil e a Igreja Católica em Londrina
terão que rever seu quadro de atuação e direcionar mais forças para a
periferia. Abençoado o projeto do FAP (Fundo Arquidiocesano de Partilha) que
pensa nas comunidades da periferia e abençoadas as paróquias que assumiram o
projeto de Igrejas Irmãs, onde as paróquias do centro estão fazendo um
belíssimo trabalho e dando apoio às comunidades da periferia, sem o qual se
torna impossível marcar presença nestas regiões.
(Fonte: Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil, Loyola,
PUC-Rio)
Fonte: Font, Jornal da Comunidade - Arquidiocese de Londrina