Com imenso jubilo, e em profundo espírito de ação de graças, celebramos o Jubileu do Pontificado do Papa João Paulo II.
Durante todos estes anos aprendemos a amar e a venerar a figura emblemática do atual Papa. De todos os recantos da terra, mesmo entre os não católicos e até mesmo entre os não cristãos, sobe a Deus um grande clamor de ação de graças.
Neste breve artigo, gostaria muito de compartilhar minha experiência pessoal em relação à eleição de João Paulo II.
Fui ordenado sacerdote no dia 24 de junho de 1977. Mais de 26 anos já se passaram. Lembro-me perfeitamente que celebrava a Santa Missa, no Santuário de Nossa Senhora da Penha, em São Paulo quando, o sacristão aproximou-se de mim dando-me a notícia: faleceu Paulo VI. Rezei nominalmente pela alma do Papa no Memento dos mortos...
Alguns dias depois, fui transferido para a Paróquia de Engenheiro Goulart. Ali estava, já como pároco, quando da eleição de João Paulo II, após os trinta e três dias brevíssimos de João Paulo I.
Tenho, até hoje, a gravação em cassete do anúncio da eleição de Karol Woytila. Em um rádio Phillips antigo, com grande possibilidade de alcance, tendo colocado uma rudimentar antena de arame estendido entre dois pontos isolados, escutava diariamente a radio Gaúcha que transmitia diretamente de Roma, nos horários determinados, os resultados das votações dos Cardeais, em Conclave. O repórter colocava-se em algum lugar de onde avistava a chaminé da Capela Sistina. Naquela tarde, a fumaça foi branca. E, com emoção, ouvi (e gravei...) o tal anúncio. Alguns momentos depois, o repórter falava do aparecimento da cruz processional no balcão da Basílica de São Pedro, e o Cardeal Péricle Felice proclamava o nome do novo Papa: Nuntio vobis magno gáudio: Habemus Papam! Estão ainda gravados também em minha mente os gritos e aplausos de alegria da multidão reunida na Praça de São Pedro. Depois, a surpresa. O mesmo Cardeal anunciava o nome do eleito. Recordo-me que tinha comigo a página de um jornal com o nome de todos os Cardeais, com foto e brevíssima biografia. E que, ao escutar o anúncio, não consegui entender o nome. Na verdade, entendi só o primeiro nome Carolus, e o Sancte Romane Ecclesiae, Cardinalem. Mas o sobrenome pronunciado não entendi. Dei-me conta que o vibrante repórter da Radio Gaúcha estava na mesma situação: não conseguia identificar o escolhido. Após alguns momentos de confusão e informações desencontradas trocadas entre repórteres, ao som do Christus vicit o repórter informava: um Papa polonês. Eis a grande novidade! Depois, a primeira Benção Urbi et Orbi...
25 anos se passaram e a esperança nascida com a eleição de João Paulo II não foi decepcionada.
Aprendemos todos a admirar e amar o Papa: sua fidelidade à letra e ao espírito do Concilio Vaticano II, sua firmeza doutrinal, seu espírito apostólico, conclamando toda a Igreja à nova evangelização. Suas inúmeras viagens, anunciando a todos os povos a Mensagem do Evangelho. Suas Encíclicas, Cartas e Exortações Apostólicas, Discursos, Documentos. Sua coragem, sua vontade indomável. Seu amor pelos jovens. Suas palavras em defesa da vida, dos anciãos, das crianças, dos pobres. Seus inúmeros puxões de orelha a tudo aquilo que, na Igreja, não expressava a totalidade da mensagem de Cristo. Seu sofrimento, o atentado sofrido. Seu decaimento físico...
Hoje, João Paulo II é um autêntico ícone. Cercado do afeto e do respeito de seus filhos espirituais, João Paulo II transformou-se em um apelo à generosidade de todos e de cada um de nós. Ao vê-lo arrastar-se, como que carregando um peso enorme sobre seus fragilizados ombros, somos instados a não aburguesar-nos. Falou-se muito sobre a sua possível renúncia ao ministério petrino. Realmente, não é fácil, com olhos humanos, entender o princípio que rege o pensamento deste homem. Para o Papa atual, o sofrimento, as contrariedades, os incômodos, a incapacidade física nada mais são do que meios para unir-se mais a Cristo, para poder oferecer-se como hostia pro fratribus: dar-se mais.
Saibamos pois agradecer a grande graça que recebemos de Deus na pessoa e no ministério de João Paulo II.
E saibamos aprender de seu exemplo de entrega a Deus, aos irmãos e à Igreja as lições vivas da generosidade e da fidelidade.
Parabéns, Santo Padre!
E parabéns
para nós também que merecemos de Deus tão grande dom.