O que foi a estrela do oriente?
02 de abril de 2006
Vicente Balaguer
(www.opusdei.org)
A estrela do oriente é mencionada
no evangelho de São Mateus. Uns magos perguntaram em Jerusalém: “Onde está o
rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente de viemos
adorá-lo” (Mt 2, 2). Os dois capítulos iniciais dos evangelhos de São Mateus e
São Lucas narram algumas das cenas da infância de Jesus, e por isso costumam
ser chamados de “evangelhos da infância”. A estrela aparece no “evangelho da
infância” de São Mateus. Os evangelhos da infância têm um caráter ligeiramente
diferente do resto do evangelho. Por isso, estão cheios de evocações a textos
do Antigo Testamento que tornam os gestos enormemente significativos. Neste
sentido, sua historicidade não pode ser examinada da mesma maneira que o resto
dos relatos evangélicos. Há diferenças dentro dos evangelhos da infância:
Nos tempos em que os evangelhos
foram escritos, era relativamente normal a crença de que o nascimento de alguém
importante, ou algum acontecimento relevante, era anunciado por um prodígio no
céu. O mundo pagão compartilhava esta crença (cfr. Suetonio, Vida dos Césares,
Augusto, 94; Cícero, De Divinatione
1, 23, 47; etc.), bem como o judeu (Flavio Josefo, A
Guerra dos Judeus, 5, 3, 310-312; 6, 3, 289). Além do mais, o livro dos Números
(caps. 22-24) recolheu um oráculo no qual se dizia: “Um astro sai de Jacó, um
cetro levanta-se em Israel” (Num 24, 17).
Interpretava-se essa passagem como um oráculo de salvação sobre o Messias.
Estas condições oferecem o contexto adequado para entender o sinal da estrela.
A exegese moderna tem questionado
que fenômeno natural poderia ocorrer no firmamento para ser interpretado pelos
homens daquele tempo como um fato extraordinário. As hipóteses são sobretudo três: 1) Kepler, no século XVIII, falou de uma
nova estrela, uma supernova: trata-se de uma estrela
muito distante onde ocorre uma explosão que, durante algumas semanas, é visível
da Terra; 2) um cometa, pois os cometas seguem uma trajetória regular elíptica
em torno do Sol: na parte mais distante de sua órbita não são vistos da Terra,
mas se estão próximos podem ser vistos durante um tempo. Esta
descrição coincide com o que se assinala no relato de Mateus, mas a aparição
dos cometas conhecidos não se encaixa com as datas da estrela; 3) uma
conjunção planetária de Júpiter e Saturno. Também Kepler chamou a atenção sobre
este fenômeno periódico, que, se não estamos equivocados nos cálculos, pode ter
se dado nos anos 6/7 a. C., ou seja, nos anos
BIBLIOGRAFIA
DANIELOU, J. Los evangelios de la infancia, Herder,
Barcelona 1969.
MUÑOZ IGLESIAS, S. Los evangelios de la infancia. IV, BAC, Madrid
1990.
PUIG, A. Jesús. Una biografia, Destino, Barcelona
2005.