Por que comemora-se
o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro?
02 de abril de 2006
Juan Chapa
Provavelmente, os primeiros
cristãos não comemoravam aniversários (cf. Orígenes, PG XII, 495). Comemoravam
o die natalis, dia da
entrada na pátria definitiva (cf. Martírio de Policarpo 18,3), como
participação na salvação realizada por Jesus ao vencer a morte com sua paixão
gloriosa. Recordavam com precisão o dia da glorificação de Jesus, o 14/15 de Nisan, mas não a data de seu nascimento, sobre o qual nada
nos dizem os relatos evangélicos. Até o século III, não temos informações sobre
a data do nascimento de Jesus. Os primeiros testemunhos de Padres e escritores
eclesiásticos assinalam diferentes datas. O primeiro testemunho indireto de que
a natividade de Cristo foi em 25 de dezembro partiu de Julio Africano no ano
221. A primeira referência direta de sua celebração aparece no calendário
litúrgico filocaliano do ano 354 (MGH, IX, I,
13-196): VIII kal. Ian. natus Christus in Betleem Iudeæ (“no dia 25 de
dezembro nasceu Cristo em Belém da Judéia”). A partir do século IV, os
testemunhos deste dia como data do nascimento de Cristo
tornam-se comuns na tradição ocidental. Na oriental, prevalece a data de
6 de janeiro.
Uma explicação bastante difundida
é a de que os cristãos optaram pelo dia porque, a partir do ano 274, em 25 de
dezembro celebra-se em Roma o die natalis
Solis invicti, o dia do
nascimento do Sol invicto, a vitória da luz sobre a noite mais longa do ano. A
liturgia de Natal e os Padres da época estabeleciam um paralelismo entre o
nascimento de Jesus Cristo e expressões bíblicas como “sol de justiça” (Ml 4, 2) e “luz do mundo” (Jo 1, 4ss.) No entanto, não há provas de que isto foi assim e
parece difícil imaginar que os cristãos quisessem adaptar festas pagãs ao
calendário litúrgico, especialmente quando acabavam de experimentar a perseguição.
É possível, todavia, que com o transcorrer do tempo, a festa cristã absorvesse
a festa pagã.
Outra explicação mais plausível
faz a data do nascimento de Jesus depender da data de sua encarnação, que, por
sua vez, está relacionada com a data de sua morte. Em um tratado anônimo sobre
solstícios e equinócios, afirma-se que “Nosso Senhor foi concebido no dia 8 das
calendas de abril no mês de março (corresponde ao
nosso 25 de março), que é o dia da paixão do Senhor e de sua concepção, pois
foi concebido no mesmo dia que morreu” (B. Botte, Lês
Orígenes de
BIBLIOGRAFIA
RATZINGER, Josef
El espíritu de la liturgia. Una introducción (Cristiandad, Madrid,
2001).
TOLLEY, Thomas J. The origins of the liturgical year, 2nd ed., Liturgical Press, Collegeville, MN, 1991 (tradução italiana: Le origini dell’anno liturgico, Queriniana, Brescia, 1991).