12: “A VIDA OCULTA DE JESUS”
INTRODUÇÃO:
Ao rezar o Credo professamos com toda a
claridade os mistérios da Encarnação (concepção e nascimento de Cristo) e da
Páscoa (paixão, crucificação, morte, sepultura, descida aos infernos,
ressurreição e ascensão); mas não se explícita a vida oculta nem a vida
pública. O Evangelho, em troca, presta atenção - mais brevemente - aos
mistérios da infância e vida oculta, desenvolvendo por extenso a vida pública,
na qual sobressai o que Jesus fez e ensinou.
Mas o cristão há de imitar a vida de
Jesus e é importante conhece-la por inteiro; os trinta anos que viveu em Belém,
Egito e Nazaré e os três anos que passou pregando o Reino de Deus; sua doutrina,
seus milagres, seu amor à humanidade que o levou à paixão e morte, até
ressuscitar e subir aos céus.
IDÉIAS PRINCIPAIS:
1. A vida de Jesus, um ensinamento
contínuo
Quem conhece bem a vida de Nosso Senhor
Jesus Cristo sabe que toda ela foi um ensinamento contínuo: seu ocultamento,
sua obediência, seu trabalho, seus milagres, sua oração, seu amor pelos homens,
sua predileção pelos mais pequenos e pelos pobres, a aceitação total do
sacrifício na cruz, para a salvação do mundo, tudo o que fez.
2. O nascimento em Belém
Como tinham predito os profetas, Jesus
nasceu em Belém de Judá depois de séculos de preparação. Deus enviava a seu
Filho, nascido homem das entranhas puríssimas da Santíssima Virgem, para salvar
a todos e mostrar-nos o caminho que conduz ao céu. Nasceu em estábulo humilde,
de uma família pobre, dando-se a conhecer a uns humildes pastores que foram os
primeiros em adora-lo. São lições de humildade, de pobreza, de simplicidade...
que todos nós cristãos temos de aprender e seguir.
3. O grande acontecimento do Natal
O evangelho conta o nascimento de Jesus
Cristo, o Filho de Deus feito homem, com esta simplicidade: "Aconteceu
naqueles dias que saiu um edito de César Augusto para que se recenseasse todo o
mundo (...). José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de
Davi, que se chama Belém, por ser ele da casa e da família de Davi, para
recensear-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando ali,
cumpriram-se os dias do parto, e deu à luz a seu filho primogênito, e o envolveu
em panos e o depositou em um presépio, por não ter lugar para eles na
hospedaria" (Lucas 2,1-7). Cada ano, no dia 25 de dezembro, celebramos o
Natal e os acontecimentos relacionados com ele: a Sagrada Família (domingo
depois do Natal), a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (1 de janeiro) e a
Epifânia do Senhor (domingo mais próximo a 6 de janeiro).
4. Os mistérios da infância de Jesus
Os grandes acontecimentos ou mistérios
da infância de Jesus são:
a) A Circuncisão, ao oitavo dia de seu
nascimento, como se fazia com os meninos judeus; era uma cerimônia que
prefigurava o batismo.
b) A Epifânia, ou manifestação de Jesus
como Messias de Israel, que celebra a adoração dos Reis Magos.
c) A Apresentação de Jesus no Templo. Em
cumprimento da lei de Deus, Maria e José apresentaram Jesus no templo de
Jerusalém, quarenta dias depois do nascimento; a mãe - neste caso a Virgem
Maria - cumpria com a lei da purificação. Maria não estava obrigada a isto, por
ser virgem e sem mancha do pecado, mas quis submeter-se em tudo à Lei de Deus.
d) A fuga para o Egito e a matança dos
Inocentes. Desde o princípio Jesus foi perseguido, e os cristãos de todos os
tempos sofrem também a perseguição e o martírio.
5. A vida oculta de Jesus
A maior parte de sua vida, Jesus viveu
como a imensa maioria dos homens: uma vida corrente sem aparente importância,
vida de trabalho, a vida religiosa submetida à Lei de Deus, vida de comunidade
em sua cidade com os parentes, amigos e conhecidos. O Evangelho diz que Jesus
obedecia a seus pais e progredia em sabedoria, idade e graça perante Deus e
perante os homens. Só o acontecimento da perda e encontro de Jesus no Templo, à
idade de doze anos, que narra São Lucas, quebra a aparente monotonia da vida
oculta, cheia, por outro lado de sentido e ensinamentos.
6. O papel de São José
Sabemos que Jesus nasceu da Virgem
Maria, concebido por obra e graça do Espírito Santo. Deus era seu Pai, mas quis
que alguém fizesse as vezes de pai, na terra. A pessoa escolhida foi José, um
homem justo da casa de Davi. José, esposo virginal de Maria e pai legal de
Jesus, exerceu com Ela e com o Filho de Deus os ofícios de esposo e pai, nesta
terra. Com seu trabalho de artesão na pequena cidade de Nazaré proveu e cuidou
da vida de Jesus e da Virgem, ensinando a seu Filho seu ofício profissional.
7. A santificação no trabalho de cada
dia
Imitando o exemplo de Jesus Cristo - que
passou na terra trinta anos de vida oculta trabalhando -, e também da Virgem e
de São José, nós cristãos nos santificamos na realidade ordinária do próprio
trabalho. Santificar-se com o trabalho quer dizer buscar, encontrar e amar a
Deus nas coisas que fazemos, servindo assim aos demais. Por isto, pode-se
resumir a vida de um cristão corrente dizendo que há de santificar o trabalho,
santificar-se no trabalho e santificar os outros com o trabalho profissional.
Para consegui-lo é preciso fazer o próprio trabalho com esmero e atenção,
acabando até o último detalhe, e impregnando-o de amor a Deus.
8. É preciso recorrer sempre à Sagrada
Família
Jesus, Maria e José formavam a admirável
família de Nazaré, a qual chamamos Sagrada Família. Ao recorrer a José, Maria e
Jesus, devemos também aprender a imitar suas virtudes e querer viver segundo o
exemplo que nos deram.
9. PROPÓSITOS DE VIDA CRISTÃ
· Ler a vida oculta de Jesus, nos
Evangelhos, meditando-a
· Ter sempre uma devoção muito profunda
à Sagrada Família de Nazaré, recorrendo a ela nas necessidades.
Autor:
Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela
Fonte: Livro
"Curso de Catequesis" da Editora Palabra, España
Tradução:
Pe. Antonio Carlos Rossi Keller