Tema 57: “APRENDER
A FAZER ORAÇÃO”.
INTRODUÇÃO:
“Senhor, ensina-nos a rezar””
(Lucas 11,1), disseram um dia os Apóstolos a Jesus. E Jesus lhes ensinou o Pai
Nosso. A nós acontece a mesma coisas, e muitas vezes sentimos a vontade de
dizer a Jesus: Ensina-me a orar!; e isto acontece porque é preciso aprender a
rezar. Normalmente, o cristão aprende a rezar com a família, que é a “Igreja
doméstica”; desde muito pequenos, aos filhos são ensinadas as primeiras orações
com as quais se dirigem a Deus, a Jesus, à Santíssima Virgem, aos anjos e aos
santos. São orações simples e que se entranham na vida e na mente, e que são
conservadas e transmitidas de pais para filhos. Esta realidade vivida em
família, vive-se também particularmente na Igreja, que é “comunidade de
oração!; se vivemos como bons filhos, esta boa mãe que é a Igreja nos ensinará
a fazer oração e nos ajudará para que consigamos ser almas de oração.
IDÉIAS PRINCIPAIS:
1.
As
fontes principais da oração
A voz que Deus quer ouvir é a nossa
voz, a de cada um de seus filhos e filhas, saída de dentro do coração que
ora; mas quer também reconhecer nela o timbre de sua própria
palavra. Por isso dizemos que a fonte principal da oração é a Palavra de
Deus. Na Sagrada Escritura, é Deus quem nos fala – Cristo nos fala – e nos
ensina a orar. Aquele que lê a Sagrada Escritura aprende a orar.
Também a Liturgia da Igreja,
que anuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação é oração. Agora, é a
Igreja que nos ensina a rezar, e ora em nós e conosco.
As virtudes
teologais: fé, esperança e caridade, que se referem diretamente a Deus e
nos comunicam com Deus quando vividas, tornam-se oração em nós...
Finalmente, os
acontecimentos de cada dia: o trabalho, a vida de família, a amizade, o
descanso..., são fontes de oração, ocasião de encontro com Cristo porque, como
confessa o bem aventurado Josemaria Escrivá, “o tema de minha oração é o tema
da minha vida”.
2.
A
quem se dirige a oração
A oração litúrgica
ou oração pública da Igreja, dirige-se normalmente a Deus Pai, por mediação de
Jesus Cristo, o Filho, na
unidade do Espírito Santo. A Trindade, portanto, na identidade de
natureza e distinção das pessoas, é o término da oração da Igreja. A referência
a Deus Pai é clara, posto que – como princípio sem princípio – é a fonte de
toda graça e de todo bem. A mediação única de Jesus Cristo, por sua Santíssima
Humanidade nós a aprendemos de sua própria missão e das palavras de São Paulo.
E a intervenção do Espírito Santo vem demonstrada pelo fato de dizer-nos que “o
mesmo Espírito vem em ajuda de nossa fraqueza, porque nós não sabemos pedir o
que nos convém; mas o mesmo Espírito advoga por nós com gemidos inefáveis” (Romanos
8,26).
Desta forma, a oração da
Igreja serve como orientação para a oração pessoal, para que aconteça por este
sulco verdadeiro da comunicação com Deus uno e trino; quer dizer que, a oração
do cristão se dirige a Deus Pai por meio de Jesus Cristo na unidade do Espírito
Santo. Vai dirigida a Deus e só a Deus.
Mas, dada a nossa
condição humana – e Deus assim o quer porque participou a bondade da
causalidade a suas criaturas – , para chegar a Deus mais facilmente
interpôs-nos os anjos e os santos – e de modo singular a Mãe de Deus e São José
– para que apresentem nossas necessidades ante Deus. Contando sempre com que
são mediadores secundários, que nos ajudam ir a Deus.
3.
Rezar em
comunhão com a Santa Mãe de Deus
Desde o episódio
de Cana: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5), a Virgem atua
sempre da mesma forma, levando-
nos a Jesus. Por isso, ainda que a mediação de Cristo é única – Ele é
o Mediador - , Deus quis associar Nossa Senhora a si, a sua obra redentora de
um modo muito estreito. Como conseqüência, rezamos a Deus e oramos a Cristo,
mas Maria é também – por seu exemplo e por sua atuação – um caminho seguro de
oração. O canto de Nossa Senhora, no Evangelho de São Lucas, é um modelo de
oração – desde a humildade – para agradecer as maravilhas que Deus nela operou;
e nós, com Ela, louvamos a Deus. Além de rezar com Maria, acudimos a Ela para
confiar-lhe nossas súplicas e louvores, sendo verdade que podemos orar com
Maria e a Maria. Também nisto anda junto com seu Filho, e a silhueta da Virgem
ajusta-se à de Cristo, de quem comenta Santo Agostinho: “Pede por nós, como
nosso sacerdote; ora em nós como que se fosse nossa cabeça; a Ele dirigimos
nossas súplicas, como a nosso Deus”.
4.
A Ave Maria, a
melhor oração à Virgem
Por ser Mãe de
Deus e nossa Mãe, a Virgem intercede continuamente perante seu Filho, Jesus
Cristo, por cada um de
nós. Por isso acudimos a Ela com filial confiança, e podemos fazer-lo
de muitas maneiras, ainda que a melhor forma seja a de rezar a Ave Maria, que
recorda a saudação do Arcanjo, ao anunciar-lhe o mistério da Encarnação: “Ave,
Maria, tu és cheia de graça, o Senhor está contigo”, junto com o louvor de
Isabel: “Bendita és tu entre todas as mulheres, e bendito é o fruto de teu
ventre” (Lucas 1, 28; 42). A Igreja completou estes louvores com a oração:
“Santa Maria, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”.
Mesmo sabendo que o
centro da clemência está no sacratíssimo e misericordioso Coração de Jesus e no
dulcíssimo Coração de Maria, muitas vezes recorremos à intercessão dos anjos e
dos santos, que já contemplam e louvam a Deus e tem o encargo providencial de
cuidar de nós enquanto peregrinamos para o céu.
E como a Ave Maria é tão
bonita – foi composta por Deus – e pensamos que nossa Mães está presente em
tudo, também aos anjos e santos os invocamos com a Ave Maria e o Pai Nosso.
5.
A escola da
piedade
A família cristã é
a escola natural para educar os filhos na oração; mas a piedade se vê
favorecida e completada pela
pedagogia do sacerdote, das religiosas, dos catequistas, na catequese,
nos grupos de oração e na direção espiritual.
6.
Onde fazer
oração
Podemos falar com
Deus sempre e em todo lugar, porque Ele vê tudo, ouve tudo e está em todas as partes;
sem dúvida, o
lugar mais apropriado para orar é a Igreja, onde Deus está presente de
maneira singular. No sacrário está Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro
homem, com seu corpo, sangue, alma e divindade; o mesmo que nasceu em Belém,
viveu em Nazaré e morreu na cruz. Além disso, lá é celebrada a Santa Missa, que
é a oração mais sublime e eficaz, porque é a oração de Cristo e da Igreja
inteira unida a Ele, que é nossa Cabeça.
Temos de amar muito a
Santa Missa, e participar dela sempre que possível, porque é o momento no qual
Cristo se oferece em adoração e ação de graças infinita, expiando os pecados e
pedindo pelas necessidades de toda a humanidade.
7.
PROPÓSITOS DE
VIDA CRISTÃ:
·
Meditar a Ave Maria
para compreender melhor o que se reza.
·
Viver bem os detalhes
de carinho e respeito quando se está na Igreja: uso da água benta, genuflexão perante
o sacrário, inclinação de cabeça ante o Crucifixo e a imagem da Virgem,
silêncio, modo de vestir-se, etc....
Autor: Jayme Pujoll e Jesus Sanches Biela
Fonte: Livro "Curso de Catequesis" do Editorial
Palavra, España
Tradução: Pe. Antônio Carlos Rossi Keller