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CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL 46ª Assembléia Geral Itaici – Indaiatuba - SP, |
46ªAG(Doc) |
ELEIÇÕES 2008
Declaração da CNBB
Nós,
Bispos da Igreja Católica no Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral da CNBB,
de
Os
cidadãos e as comunidades eclesiais têm aí um amplo campo de atuação. A
tradição da Doutrina Social da Igreja considera a participação na política uma
forma elevada do exercício da caridade - uma maneira exigente de viver o
compromisso cristão a serviço do próximo.
A
afirmação do Poder local ganha espaço específico no mundo globalizado. Urge
criar, no âmbito municipal, estruturas que consolidem uma autêntica convivência
humana, promovendo os cidadãos como reais sujeitos políticos. No município, a
política pode atender às necessidades concretas da população: saúde, educação,
segurança, transporte, moradia, saneamento básico e outras. O Poder local tem
sido ainda mais valorizado através das Redes
Intermunicipais pelo intercâmbio de experiências – sinais de esperança no
mundo planetário.
O voto
depositado na urna exige dos eleitores/as
e dos eleitos/as um compromisso com a
consolidação da democracia. Os eleitos/as
são chamados a concretizar a mística do serviço, na esperança e na
perseverança, construindo um mandato coletivo, em busca do bem comum, com a
garantia de continuar os projetos positivos da administração anterior. Os eleitores/as são convidados a acompanhar
os eleitos/as no cumprimento de sua missão e a valorizar os que atuam com
critérios éticos.
A cultura da corrupção perpassa as malhas
da nossa história política. A corrupção pessoal e estrutural convive com o
atual sistema político brasileiro e vem associada à estrutura econômica que
acentua e legitima as desigualdades. É relevante e urgente aplicar com empenho
a Lei 9.840, em decorrência da qual já foram cassadas em torno de 600 pessoas.
Esta lei ajuda a assegurar a lisura das eleições na campanha eleitoral. Para
tanto, queremos valorizar os Comitês
contra a corrupção eleitoral. Também apoiamos o Projeto de Lei de iniciativa popular, complemento à Lei 9.840, proibindo
candidatura de quem já foi condenado em primeira instância.
A
formação política para o cumprimento da missão de prefeito/a e vereador/a exige
que a ética seja o farol que oriente
os quatro anos de mandato, num contínuo diálogo entre o Poder local e suas
comunidades. Estamos todos em processo de contínua educação para a cidadania e
o exercício do voto é um dos instrumentos eficazes para as mudanças necessárias
para o País.
A Igreja
tem como tarefa iluminar as consciências dos cidadãos, despertando as forças
espirituais e promovendo os valores sociais, através da pregação e do
testemunho. A encíclica Deus Caritas est,
retomada no Documento de Aparecida,
exorta os cristãos leigos/as a assumir compromisso na política, também
partidária. Não corresponde aos Pastores esta tarefa.
Convidamos
nossas comunidades a realizar debates e
reflexões sobre os programas dos
partidos, além das qualidades dos candidatos.
Propomos
critérios para a votação: respeito ao
pluralismo cultural e religioso; comportamento ético dos candidatos/as; e defesa
da vida, da família e da liberdade de iniciativa no campo da educação, da saúde
e da ação social, em parceria com as organizações comunitárias. Consideramos qualidades imprescindíveis para os candidatos/as:
honestidade, competência, transparência, vontade de servir ao bem comum,
comprovada por seu histórico de vida. Para tanto, reafirmamos o Documento de
Aparecida ao “apoiar a participação da sociedade civil para reorientação e
conseqüente reabilitação ética da política” (n. 406).
Que o
Espírito de Deus nos acompanhe na tarefa de ajudar a tornar mais humanos e
justos os nossos municípios!
Itaici,
Indaiatuba-SP, 9 de abril de 2008
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Dom Geraldo Lyrio Rocha Arcebispo de Mariana Presidente da CNBB |
Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus Vice-Presidente da CNBB |
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Dom Dimas Lara Barbosa Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro Secretário-Geral da CNBB |
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