|
|
CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL 46ª
Assembléia Geral Itaici
– Indaiatuba - SP, |
46ªAG(Doc) |
NOTA
Nós, Bispos do
Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral, fiéis à nossa missão evangelizadora e
aos compromissos assumidos na Campanha da Fraternidade de 2008, com o tema
“Fraternidade e Defesa da Vida” e o lema “Escolhe, pois, a Vida” (Dt 30,19),
reafirmamos nosso empenho pela valorização, defesa e promoção da vida humana.
A vida humana é
sagrada. O direito à vida fundamenta quaisquer outros direitos. Desde a
fecundação até seu declínio natural, a vida é fruto da ação criadora de Deus,
“Senhor e Amigo da Vida” (Sb 11,26), e permanece sempre em relação com Ele, seu
único fim. Cabe ao ser humano a responsabilidade de acolher e fazer frutificar
este inestimável dom divino.
O Magistério da
Igreja defende o direito à vida, bem primário fundamental em qualquer fase de
desenvolvimento ou condição em que se encontra. A vida humana não pode ser
instrumentalizada, violada ou destruída, devendo, pois, ser defendida sempre
que ameaçada ou fragilizada.
Convidamos todos a
se unirem a nós na defesa da vida, repudiando as tentativas de legalização do
aborto
A ciência e a
técnica têm contribuído para o desenvolvimento no âmbito da saúde e para o prolongamento da vida
humana. Porém, “aquilo que é tecnicamente possível não é necessariamente, por
esta mera razão, admissível do ponto de vista moral” (Donum vitae,
Introdução, 4). A busca de qualidade de vida através das pesquisas científicas
deve ser coerente com os princípios da inviolabilidade da vida humana, da lei
natural e do mandamento “não matarás” (Ex 20,13), que devem ser respeitados
sempre.
Reconhecemos, com
gratidão, as pesquisas feitas em favor da vida, de modo particular, no que diz
respeito às células-tronco adultas em vista à sua aplicação terapêutica.
Lembramos que os princípios éticos devem sempre orientar os estudiosos e os
cientistas para que a vida humana seja respeitada na sua integridade, desde a
sua concepção até seu declínio natural.
Na célula inicial há
tudo o que a natureza predispõe para o desenvolvimento da nova vida. O embrião
humano deve ser respeitado e tratado como um ser humano desde a sua fecundação
e, por isso, desde esse mesmo momento, deve-lhe ser reconhecido o direto
inviolável de cada ser humano à vida (cf. João Paulo II, Evangelium Vitae, 60). Essa afirmação encontra apoio e plena
correspondência nos direitos essenciais dos próprios indivíduos, reconhecidos e
tutelados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem que, em seu artigo
3º, reconhece que “todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à
segurança pessoal”.
O uso de embriões
humanos e a sua destruição para a pesquisa científica, bem como a sua crioconservação,
violam o mais fundamental de todos os direitos, o direito à vida e a indissociável dignidade da pessoa humana,
expressos nos artigos 1º, III e 5º, caput,
da Constituição Federal. O artigo 4º do Pacto de São José da Costa Rica
(Convenção Americana de Direitos
Humanos), ratificado pelo Brasil em 25.09.1992, também estabelece que “toda pessoa tem o direito a que se respeite
sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento
da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”.
Aguardamos o
resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal que votará a Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADIN), de número 3.510. Esperamos que a vida humana seja
defendida incondicionalmente.
Agradecemos o
trabalho de muitos cientistas e pesquisadores da área biomédica e de juristas
que defendem a vida a partir de princípios éticos. Agradecemos também a
dedicação de agentes da saúde, de parteiras, de socorristas, das Frentes
Parlamentares em favor da vida, das associações Pró-Vida, das pastorais e
movimentos, de catequistas e lideranças da Igreja e de todas as pessoas de boa
vontade que defendem a vida com o testemunho de fé e cidadania.
Conclamamos todos,
especialmente os fiéis de nossas Dioceses e Paróquias, à realização de gestos
concretos em favor da vida, tais como: centros de acolhida da mãe gestante, a
prática da adoção, a doação de sangue e de órgãos para transplantes, a difusão
dos “10 Mandamentos do Motorista”, a constituição de Comissões Diocesanas de
Bioética, a Semana Nacional da Vida e a celebração anual do Dia do Nascituro,
em 8 de outubro.
Jesus Cristo, fonte
da Vida, pela intercessão de sua Mãe, venerada com o título de Nossa Senhora
Aparecida, Padroeira do Brasil, abençoe o povo brasileiro e proteja a todos no
compromisso pela promoção e defesa da vida.
|
Dom Geraldo Lyrio
Rocha Arcebispo de
Mariana Presidente da CNBB |
Dom Luiz Soares
Vieira Arcebispo de
Manaus Vice-Presidente da
CNBB |
|
Dom Dimas Lara
Barbosa Bispo Auxiliar do
Rio de Janeiro Secretário-Geral
da CNBB |
|