Bispos do Brasil: declaração sobre a distribuição de preservativos
nas escolas
BRASÍLIA, 29 de agosto de 2003 (ZENIT.org).-
Publicamos a seguir a declaração que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil) divulgou esta sexta-feira sobre o programa de distribuição de preservativos
nas escolas.
Os Ministérios da Saúde e da Educação
iniciaram um programa de distribuição de preservativos nas Escolas Públicas
do Ensino Fundamental e Médio. Em face a esse programa,
a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, fiel à sua missão, considera-se
no dever de chamar a atenção de todos, para alguns aspectos que lhe parecem
imprescindíveis:
1º) É louvável a preocupação do Poder Público para evitar a propagação da
Aids e a gravidez precoce. Contudo, não parece que o método utilizado seja
adequado. Pesquisas científicas mostram que há uma porcentagem significativa
de infecção, mesmo com o uso do preservativo. Este não oferece garantias totais.
2º) A CNBB sente a urgência de um verdadeiro plano de educação afetiva e sexual.
A vida sexual não pode ser banalizada. A vivência da sexualidade é uma das
expressões do amor. Requer afetividade, doação, responsabilidade e fidelidade.
A relação sexual encontra no matrimônio sua verdadeira e plena expressão.
3º) A educação afetiva e sexual é tarefa que compete primordialmente aos pais.
O ambiente familiar é o lugar natural para transmitir valores, para promover
a dignidade da mulher e do homem e do verdadeiro significado dessa relação
afetiva e sexual.
4º) Em vista disso, a CNBB se empenha em apoiar e desenvolver campanhas educativas,
formativas e informativas que visam ampliar os conhecimentos de toda a população,
especialmente dos adolescentes e jovens, para que tenham um estilo de vida
saudável, comportamentos pautados nos valores humano-cristãos, e não, simplesmente,
na mera distribuição de preservativos.
5º) A Igreja no Brasil já assumiu o serviço de prevenção de HIV e da assistência
a soro-positivos e, sem preconceitos, acolhe, acompanha
e defende o direito à assistência médica e gratuita daquelas e daqueles que
foram infectados pelo vírus da AIDS. Faz, também, um trabalho de prevenção,
pela conscientização dos valores evangélicos, sendo presença misericordiosa
e promovendo a vida como bem maior (Cf. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora
da Igreja no Brasil, nº 123 – Doc 71, 2003).
6º) É preciso trabalhar as questões de prevenção da AIDS de forma ampla. Urge
enfatizar a dignidade e os valores da vida, da saúde e da sexualidade. A CNBB
reconhece a complexidade humana e busca contribuir para que o homem e a mulher
cresçam na conquista dos verdadeiros valores que os tornem felizes conforme
os planos de Deus.
Pelo Conselho Episcopal Pastoral
Cardeal Geraldo Majella Agnelo
Presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)