CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

 

DIRETRIZES BÁSICAS DA FORMAÇÃO DOS PRESBÍTEROS DA IGREJA NO BRASIL

1994

 

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tendo em conta as exigências do momento atual, os recentes Documentos do Magistério sobre a formação dos futuros sacerdotes e, especialmente, as orientações da Exortação Pós-sinodal Pastores Dabo Vobis do Papa João Paulo II, empreendeu a importante tarefa de revisar e atualizar as Diretrizes Básicas da Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil.

 

Ao colocar estas Diretrizes nas mãos dos formadores dos seminaristas, a Conferência oferece orientação segura na formação integral de ministros convictos e fervorosos da Nova Evangelização.

 

 

DECRETO N. 02/95

 

Considerando que:

 

a)         A 32ª Assembléia Geral da CNBB, em 1994, após acurada preparação e atenta discussão, aprovou por unanimidade o novo texto das Diretrizes Básicas da Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil;

 

b)         A Congregação da Educação Católica, a 10 de maio de 1995, (Prot. N. 1897/65/BRA), aprovou as ditas Diretrizes Básicas, com algumas modificações que já estão inseridas no texto a publicar;

 

c)         As citadas Diretrizes na sua parte normativa têm força de lei particular para a Igreja no Brasil;

 

d)         Compete ao Presidente da CNBB promulgar os textos oficiais desta, nos termos do Estatuto Canônico (Art. 22 c).

 

 

DECRETO:

 

1.         Ficam promulgadas as referidas Diretrizes Básicas, com sua publicação no Comunicado Mensal da CNBB;

 

2.         Elas passarão a vigorar obrigatoriamente, a partir de 01 de agosto de 1995.

 

Brasília-DF, 6 de junho de 1995

 

+ Lucas, Card. Moreira Neves

+ Raymundo Damasceno Assis

Presidente da CNBB

Secretário Geral da CNBB

 

 

 

CONGREGATIO PRO INSTITUTIONE CATHOLICA N. 1897/65/BRA

 

DECRETUM

 

Cum approbatio "Rationi Institutionis Sacerdotalis" brasiliensi (vulgo "Formação dos Presbíteros na Igreja do Brasil — diretrizes básicas —") d.d. XII m. Iulii a.D. MCMLXXXIV a Congregatione de Institutione Catholica "ad sexennium" concessa aliquot abhinc annos exspirata sit, Conferentia Episcopalis eiusdem nationis opportunam Synodi Episcoporum a. MCMXC et subsequentis Exhortationis Apostolicae Pastores dabo vobis, necnon Conclusionum IV Conferentiae Generalis Episcopatus Latino-americani a D. MCMXCII in civitate Sancti Dominici celebratae, occasionem arripuit, ut praefatum documentum ex integro recognosceret et novis indicationibus paedagogicis augeret, hodiernis Seminariorum necessitatibus magis respondentibus.

Quam ob rem Exc.mi Episcopi, consiliis initis, amplam inter se et inter Seminariorum Moderatores consultationem promoverunt, sollicite inquirentes de omnibus quae, in luce experientiarum elapso temporis spatio acquisitarum, ad maiorem sacerdotalis efformationis soliditatem ac efficientiam conferre possent. Quo pacto praesens "Rationis" nationalis textus ("Diretrizes Básicas da Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil") communi nisu consilioque feliciter redactus est qui, principiis spiritualibus doctrinalibus et pastoralibus imbutus, rectam viam indicat ad futuros sacerdotes in evangelicae vitae forma probe effingendos. Quae in hac "Ratione" continentur ita intelligenda et applicanda sunt ut iuvenes in sana Ecclesiae doctrina et disciplina firmiter radicentur atque veri animarum Pastores efficiantur, ad novae evangelizationis opus bene parati.

Quibus omnibus inspectis, haec Congregatio de Institutione Catholica (de Seminariis atque Studiorum Institutis) hanc tertiam Rationis Institutionis Sacerdotalis Brasiliensis editionem, funditus refectam, libenter ratam habet atque ad normam Can. 242, § 1º CIC "ad sexennium" approbat, necnon ab iis ad quos pertinet fideliter observari iubet; servatis ceteris de iure servandis; contrariis quibuslibet minime obstantibus.

Romae, ex Aedibus Congregationum, d.d. X m. Maii a.D. MCMXCV

 

 

PRAEFECTUS Pius Card. Laghi

 

A SECRETIS + Josephus Saraiva Martins

 

DECRETO (Tradução)

 

Tendo expirado, já há alguns anos, a aprovação "para um sexênio" que a Congregação da Educação Católica, a 12 de julho de 1984, concedera ao documento Formação dos Presbíteros na Igreja do Brasil — Diretrizes Básicas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil aproveitou a oportunidade do Sínodo dos Bispos de 1990, da subseqüente Exortação Apostólica Pastores Dado Vobis (Dar-vos-ei Pastores) e das Conclusões da 4ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, celebrada em Santo Domingo, em 1992, para revisar inteiramente aquele documento e enriquecê-lo com novas indicações pedagógicas de acordo com as necessidades hodiernas dos Seminários.

Para isso, os senhores Bispos promoveram de comum acordo uma ampla consulta entre si e entre os Superiores dos Seminários, pesquisando com atenção sobre tudo o que pudesse contribuir para maior solidez e eficácia da formação sacerdotal, à luz das experiências do tempo anterior.

Deste modo, o texto atual das Diretrizes básicas da formação dos presbíteros da Igreja no Brasil, felizmente, foi redigido em comunhão de pareceres e de esforços. Imbuído de princípios espirituais, doutrinais e pastorais, ele aponta o reto caminho, para plasmar os futuros sacerdotes na forma de vida evangélica. O que contêm estas Diretrizes Básicas deve de tal modo ser entendido e aplicado que os jovens sejam radicados firmemente na sã doutrina e disciplina eclesiais, tornando-se verdadeiros Pastores de Almas, bem preparados para a tarefa da nova evangelização.

Tomando em consideração o que se disse anteriormente, esta Congregação da Educação Católica de bom grado ratifica esta terceira edição das Diretrizes Básicas da Formação Sacerdotal do Brasil, profundamente reelaborada, e a aprova "para um sexênio", segundo o cânon 242 § Iº do Código de Direito Canônico. Manda também que tais Diretrizes sejam fielmente postas em prática por aqueles a quem cabe; observando-se o mais que for de direito e não obstante em absoluto qualquer coisa em contrário.

 

Roma, do Palácio das Congregações, 10 de maio de 1995.

 

† Lucas, Card. Moreira Neves

† Raymundo Damasceno Assis

Presidente da CNBB

Secretário Geral da CNBB

 

 

I - PARTE

CONTEXTO E FUNDAMENTOS

 

1. As Diretrizes Básicas da Formação Presbiteral, contidas neste documento, são a atualização das diretrizes em vigor desde 1985. A atualização considerou, especialmente, o Sínodo dos Bispos de 1990, a Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis do Santo Padre João Paulo II, as Conclusões da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Santo Domingo, as Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil (1991-1994) e o atual momento da caminhada do Povo de Deus.

 

2. Os fundamentos teológicos da formação presbiteral e deste documento encontram-se na Palavra de Deus e na doutrina da Igreja, particularmente nos textos do Concílio Vaticano II, dos últimos Papas, das Conferências do Episcopado Latino-americano e nos pronunciamentos do episcopado brasileiro. Este documento aplica às condições da Igreja, no Brasil, as disposições da "Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis", do Código de Direito Canônico e da Exortação Pastores Dabo Vobis, procurando atender aos apelos de Deus e às necessidades do nosso povo. Por isso, esta introdução descreve brevemente as condições da sociedade brasileira,1 na qual se situam a atuação da Igreja e as expectativas de suas comunidades2. Procura compreender os anseios dos candidatos ao ministério presbiteral3 e os modelos de realização do presbiterato no contexto atual4. A seguir, o corpo do documento apresenta as diretrizes propriamente ditas.

 

 

1. SITUAÇÃO DA SOCIEDADE

 

3. A Conferência de Santo Domingo e as Diretrizes Gerais da Ação Pastoral da Igreja no Brasil oferecem uma análise da sociedade latino-americana e brasileira. Pressupondo o conhecimento dessas análises, ressaltamos aqui alguns traços que merecem especial atenção no processo formativo dos futuros presbíteros.

 

4. Entre os aspectos positivos da modernidade, podemos considerar: o espírito científico, a importância da subjetividade e da individualidade, o resgate da afetividade e da sexualidade humana, a ética da vida, a busca da felicidade e da realização pessoal. Além disso, a modernidade apresenta, principalmente, aspectos contraditórios e questionadores. Os anos 90 se iniciam sob o signo de uma economia mundial em transformação, com repercussões negativas sobre a economia latino-americana e, particularmente, brasileira.

A nova fase do capitalismo está passando da exploração da mão de obra à sua exclusão do mercado, graças a novas tecnologias, gerando forte desemprego e provocando a expansão de uma economia marginal ou informal, de mera sobrevivência. Acentuam-se ulteriormente a concentração da riqueza e, de outro lado, o empobrecimento.

 

5. O predomínio da economia e da tecnologia ou, mais amplamente, da chamada "razão instrumental" tende à supressão dos valores éticos ou religiosos, ao menos na esfera pública, admitindo-os apenas no âmbito da vida privada. Como resultado da ausência de valores comuns (como havia nas sociedades "tradicionais"), difunde-se um acentuado pluralismo cultural e, com ele, um forte relativismo e subjetivismo. As instituições estão perdendo sua força e não refletem mais uma concepção dos valores e da verdade.

Elas estão em crise, junto com as grandes ideologias modernas, que tentaram substituir o papel da religião. Estes fenômenos são mais evidentes no mundo urbano, que no Brasil cresceu rapidamente, alcançando hoje mais de 75% da população e influenciando também o interior rural, cujo êxodo continua, desenraizando anualmente centenas de milhares de famílias. Nos centros urbanos, nota-se também uma mobilidade social e uma diversidade de valores referenciais que vão acentuando o individualismo. Outros fenômenos resultantes da sociedade moderna são a revolução sexual, propagada pelos meios de comunicação social, e a multiplicação de grupos religiosos autônomos, cristãos ou não.

 

6. Diante desse quadro, o indivíduo se sente ameaçado e inseguro. Sua vida tende a tornar-se fragmentária. Tende a perder sua identidade. Suas reações podem ir em sentidos opostos. A mais comum é a do individualismo e do subjetivismo; nela o indivíduo procura construir sua identidade segundo suas possibilidades, seu "gosto" ou "sentimento", na base de sua decisão ou, muitas vezes, da influência dos meios de comunicação de massa e da opinião pública. Outra tendência, diametralmente oposta, é a do tradicionalismo ou do fundamentalismo. Nela o indivíduo se apega aos valores da sua tradição, às suas raízes ou origens. Geralmente se entrega a um grupo - ou movimento ou comunidade - que lhe assegura suporte afetivo, segurança, modelos de pensamento e de ação. Muitas vezes estes grupos assumem traços sectários, intransigentes, na defesa de suas convicções. Há, enfim, muitas situações intermediárias, em que pessoas e grupos misturam comportamentos individualistas com a preservação de valores tradicionais ou laços de solidariedade.

 

7. Essa situação, contudo, é percebida sempre mais como insensata e desumana. Emerge de muitas formas uma exigência de retorno à ética, como dimensão fundamental do humano. A religião, afastada do mundo da técnica e da economia, ressurge com amplitude impressionante na vida das pessoas, embora nem sempre nos moldes cristãos, às vezes com traços exóticos e até esotéricos.

 

8. A política, desmoralizada pela corrupção impune, pelo acobertamento dos interesses de poucos poderosos, reduzida às vezes à mera gestão do dinheiro público, é questionada profundamente. Parte da juventude volta a exigir a transparência e a nobreza de uma política posta a serviço do bem comum. Movimentos populares ou das classes médias, em busca de justiça social, defesa dos direitos humanos elementares (como emprego, educação, saúde...), preservação da natureza, superação das discriminações ligadas a sexo, raça, cultura... são sinais de esperança de uma nova sociedade. Há consenso que as recentes conquistas democráticas não podem ser reduzidas a uma aparência de democracia formal; a democracia exige a diminuição da desigualdade e a redistribuição da renda e do poder.

 

 

2. ATUAÇÃO DA IGREJA

 

9. A Igreja no Brasil conheceu uma ampla renovação pastoral após o Concílio Vaticano II, que serviu de inspiração para uma renovada presença na sociedade, confortada também pelas Conferências Episcopais latino-americanas de Medellín, Puebla e Santo Domingo. Podemos enumerar rapidamente algumas das iniciativas mais significativas desse período: a reforma litúrgica; a valorização de formas de piedade mais articuladas com a liturgia e a piedade popular da Igreja; a difusão da Bíblia e a multiplicação dos círculos bíblicos, sementes da multiplicação das comunidades eclesiais de base; a criação de novos ministérios e a multiplicação dos agentes de pastoral, especialmente na área catequética e social; a dinamização da pastoral vocacional, com a superação da fase mais crítica dos Seminários desde o final dos anos 70; a extensão da ação pastoral a categorias e ambientes até então pouco assistidos (índios, negros, posseiros, pescadores, menores abandonados, mulheres marginalizadas, famílias incompletas...); a articulação da pastoral de conjunto e o planejamento pastoral; a defesa dos Direitos Humanos, mesmo a preço de grandes sacrifícios e do risco da vida; a promoção de muitos organismos de participação e corresponsabilidade; a solidariedade entre Igrejas-Irmãs; os novos empreendimentos missionários; o ensinamento episcopal, com pronunciamentos oportunos sobre os grandes temas nacionais. Fruto desses anos de atuação generosa é a confiança que o povo repõe hoje na Igreja.

 

10. Este quadro, do recente passado, no conjunto fortemente positivo, não deve esconder as fraquezas do presente e, principalmente os desafios do próximo futuro. As transformações recentes da sociedade não deixaram de repercutir no interior da Igreja e do povo cristão. A fragmentariedade, o pluralismo, o subjetivismo penetraram também na pastoral. Visões diferentes da eclesiologia, trazidas às vezes por algumas pastorais ou movimentos transnacionais, que não conheceram a experiência pastoral brasileira, trouxeram polarizações e conflitos, junto com elementos que poderão ajudar a enfrentar as novas situações emergentes.

Outras dificuldades surgiram no interior de experiências bem sucedidas num recente passado, mas que começam a se revelar menos preparadas às novas condições sociais e culturais. Estas, como vimos, geram tendências divergentes na sociedade e no âmbito religioso: individualismo, de um lado; tradicionalismo, do outro. O empobrecimento contínuo e generalizado criou outras dificuldades, tornando mais árduo o trabalho dos presbíteros, cujo número não acompanhou proporcionalmente o aumento da população. Em alguns casos, houve comunidades descuidando da Pastoral Vocacional ou aceitando uma formação precária e uma seleção nada rigorosa dos candidatos.

 

11. A percepção dos novos desafios se expressa particularmente na formulação das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral de 1991-1994 (DGAP). Antes de tudo, percebe-se que, face a uma sociedade complexa, também a ação da Igreja deve necessariamente diversificar-se. Para evitar, porém, o perigo real da fragmentação e da dispersão, é necessário — ao mesmo tempo — melhorar os instrumentos de comunicação e de articulação da ação pastoral e da vida eclesial. Três linhas de atuação sobressaem nas DGAPs:

 

         face ao crescente individualismo e subjetivismo, a ação pastoral deve tornar-se mais personalizada, mais atenta à experiência e às exigências de cada pessoa; em particular, deve cuidar de promover uma forte experiência de Deus, um amadurecimento de experiência espiritual de cada cristão, correspondendo à sede de comunhão com o divino;

 

         face ao crescente pluralismo cultural e à valorização das tradições étnicas e culturais, especialmente daquelas longamente oprimidas pela cultura dominante, a ação pastoral deve inculturar-se mais corajosamente, como indicado pelas DGAPs da Igreja do Brasil e pelo documento de Santo Domingo; deve promover novas expressões litúrgicas e catequéticas; deve desenvolver - mesmo no meio urbano - pequenas comunidades, em condições de dar efetivo suporte à experiência de comunhão na fé dos cristãos de hoje, ameaçados pelo individualismo e a massificação;

 

         face ao empobrecimento e à exclusão das massas com relação ao progresso econômico e social, face à perda do sentido ético na economia e na pública administração, face à privatização da religião, a ação pastoral deve repensar e reforçar a presença pública da Igreja, no contexto do fortalecimento da sociedade civil e da democracia, numa renovada opção preferencial pelos pobres.

 

12. As novas exigências da ação pastoral não encontrarão resposta sem a atuação de novos sujeitos ou agentes. Uma teologia correta e o número dos presbíteros não permitem pensar numa ação pastoral centrada exclusivamente na atuação do ministério presbiteral1. Além disso, as próprias características da sociedade moderna exigem uma atuação cristã e apostólica no coração do mundo, nos centros nevrálgicos da sociedade, por parte dos fiéis leigos. O papel do presbítero tenderá, portanto, a modificar-se em sua atuação concreta, exatamente para que possa realizar mais plenamente a missão que Cristo lhe confiou. Os leigos deverão assumir seriamente o protagonismo que Santo Domingo lhes atribui e espera ver efetivado em curto espaço de tempo2.

 

 

3. MOTIVAÇÕES DOS CANDIDATOS AO PRESBITERATO

 

13. O número das vocações ao presbiterato continua mantendo-se relativamente elevado, não somente em comparação com o início dos anos 70, mas mesmo com os períodos mais favoráveis do começo dos anos 60 ou dos anos 80. Mesmo assim, o aumento das ordenações não conseguiu repor as perdas num passado recente, e o número de padres não acompanhou o crescimento demográfico. A procedência social das vocações é substancialmente a mesma da última década: jovens nascidos no meio rural ou em cidades pequenas e médias, geralmente de classe média-baixa ou pobre; aumentam, porém, as vocações da periferia das grandes cidades. Raras são as vocações procedentes dos dois extremos da escala social: ricos e miseráveis, sem acesso à escola.

 

14. A idade dos vocacionados tende a aumentar. Há menos crianças e adolescentes, mais jovens e jovens-adultos. De conseqüência, muitos seminaristas trazem consigo uma bagagem de experiências de trabalho e também de experiências afetivas e sexuais. Aliás, a geração atual — influenciada certamente pelo contexto da sociedade e dos costumes — tende a supervalorizar a afetividade e a sexualidade, sem alcançar contudo, muitas vezes, uma correspondente maturidade e coerência de atitudes, às vezes sem possuir nem mesmo uma clara identificação com a própria condição sexual. A juventude parece menos utópica e radical, mais realista, mais consciente de seus limites, mas também menos generosa e disponível para a ousadia e a ação. Também está maiormente exposta ao perigo da sedução do consumismo, de um lado, e do intimismo, do outro.

 

15. Não se deve, porém, generalizar, porque na realidade a procedência das vocações, sob o perfil espiritual e pastoral, é variada. Há ainda candidatos que procuram o Seminário decididos a abraçar a "carreira" sacerdotal por motivos sociais e humanos, sem uma experiência eclesial ou pastoral mais profunda, às vezes sem mesmo uma vivência mais autêntica da fé. Há candidatos que provêm de experiências eclesiais maduras e dinâmicas nas pastorais e movimentos, e trazem um precioso embasamento espiritual e uma forte sintonia com o povo cristão e com os pastores da Igreja. De outro lado, surgem também vocacionados, fruto de uma espiritualidade pouco amadurecida ou ligados a pastorais e movimentos que não estão bem inseridos nas Igrejas locais. A mesma diversidade pode ser notada também nas famílias dos vocacionados. Se as famílias cristãs, solidamente constituídas e engajadas na vida eclesial, oferecem geralmente bons candidatos, de outro lado, está em aumento o número dos vocacionados que procedem de famílias desestruturadas ou incompletas e que podem apresentar uma maior fragilidade emocional.

 

16. Do ponto de vista intelectual, muitos candidatos apresentam deficiências graves, devido em boa parte à fragilidade dos estudos anteriores ao ingresso no Seminário. Isto torna os estudos filosófico-teológicos penosos e difíceis ou cria uma atitude desfavorável face a qualquer esforço maior de aprofundamento e face às tarefas pastorais mais exigentes. Predomina, entre os vocacionados, um nível intelectual médio, com raras exceções. Isto não deixa de colocar um sério problema para o futuro: a sociedade tende a se tornar mais exigente em termos de comunicação e informação; os candidatos ao presbiterato, ao contrário, não somente procedem dos setores menos "modernos", mas tendem a rejeitar o trabalho pastoral em setores nevrálgicos da sociedade contemporânea (formadores de opinião, cientistas e professores universitários, empresários...).

 

17. É tarefa dos formadores não apenas estimular os candidatos da nova geração a um crescimento espiritual e intelectual, mas antes saber discernir suas motivações profundas, seus valores escondidos, seus anseios mais autênticos. Entre as motivações profundas estão a fé coerente, a gratuidade e generosidade pessoais, o seguimento de Jesus, o anúncio do Evangelho, amor e serviço à Igreja, a sensibilidade ao clamor dos pobres, a defesa da vida e a denúncia da cultura da morte, a disponibilidade missionária. Somente assim será possível estabelecer uma ponte entre as exigências objetivas do ministério presbiteral hoje e as condições subjetivas dos candidatos, que a tal ministério se sentem chamados por vontade de Deus.

 

 

4. IDENTIDADE E MISSÃO DO PRESBÍTERO

 

18. Quanto a seus objetivos e caminhos, a formação é iluminada por uma clara consciência da identidade e da missão, do ser e do agir do presbítero. A Exortação do Santo Padre João Paulo II, Pastores Dabo Vobis, colhendo a reflexão do Sínodo dos Bispos de 1990 e do magistério da Igreja desde o Concílio Vaticano II, apresenta uma síntese completa, harmoniosa e profunda da doutrina do presbiterato, procurando situá-la no contexto atual. "Certamente, há uma fisionomia essencial do sacerdote que não muda: o padre de amanhã, não menos que o de hoje, deverá assemelhar-se a Cristo. (...) Jesus ofereceu em si mesmo o rosto definitivo do presbítero, realizando um sacerdócio ministerial do qual os apóstolos foram os primeiros a ser investidos; aquele é destinado a perdurar, a reproduzir-se incessantemente em todos os períodos da História. O presbítero do terceiro milênio será, neste sentido, o continuador dos padres que, nos precedentes milênios, animaram a vida da Igreja" (PDV 5).

 

"É no interior do mistério da Igreja como comunhão trinitária em tensão missionária que se revela a identidade" do presbítero e do seu ministério (PDV 12). Desta identidade, a Exortação do Papa mostra os fundamentos teológicos: trinitário, cristológico e eclesiológico. E acrescenta: "Assim se pode compreender a conotação essencialmente relacional da identidade do presbítero", que se desdobra, a partir da inserção no mistério de Deus em Cristo e pelo Espírito, na relação de comunhão com o Bispo e os outros presbíteros e de serviço ao Povo de Deus. Pela relação fundamental e permanente com o Cristo Cabeça, Sacerdote e Pastor da sua Igreja (PDV 13-15), o presbítero se torna pastor e servo na Igreja e no mundo (PDV 16-18). "Numa palavra, os presbíteros existem e agem  para o  anúncio do  Evangelho  ao mundo  e para a edificação da Igreja  em nome e na pessoa  de Cristo  Cabeça e Pastor" (PDV 15).

 

19."É igualmente certo que a vida e o ministério do sacerdote se deve adaptar a cada época e a cada ambiente de vida" (PDV 5). As circunstâncias atuais levam a ressaltar, especialmente no Brasil, algumas qualidades que a missão do presbítero exige:

 

         a prioridade da tarefa da evangelização, o que acentua o caráter missionário do ministério presbiteral nesta hora;

 

         a capacidade de acolhida a exemplo de Cristo Pastor que une a firmeza à ternura, sem ceder à tentação de um serviço burocrático e rotineiro;

 

         a solidariedade efetiva com a vida do povo, com especial sensibilidade para com os pobres, os oprimidos, os sofredores, em fidelidade à caminhada da Igreja na América Latina;

 

         a capacidade de diálogo com todos, também com aqueles que pertencem a tradições culturais ou religiosas diferentes, no respeito à pluralidade;

 

         a maturidade para enfrentar os conflitos existenciais que surgem do contato com um mundo ainda não impregnado pelo Espírito do Evangelho.

 

20. Embora se possa confiar na superação da crise de identidade dos presbíteros que atingiu a muitos após o Concílio Vaticano II (embora não em razão do Concílio!), como nota o Santo Padre (PDV 11), uma outra crise ameaça o ministério presbiteral no Brasil. Cabe à formação preveni-la ou, ao menos, tornar vigilantes os presbíteros face a ela. É a crise da sobrecarga de trabalho pastoral, geradora de cansaço, de rotina, de superficialidade na oração e no estudo, de solidão afetiva, de fragilidade. Face a essa sobrecarga, os caminhos do ministério são principalmente dois: a diversificação no exercício do ministério e a maior atenção à pessoa do presbítero.

 

21. Consciente da vocação apostólica de todo o povo cristão, e considerando a complexidade do ministério pastoral no momento presente, a Igreja local é chamada a repartir melhor as tarefas entre os presbíteros, os agentes de pastoral e a comunidade. Os presbíteros sejam incentivados a se dedicarem a uma área específica de atuação, buscando após a formação básica, uma especialização adequada. Três situações principais continuam a exigir a atenção do ministério presbiteral:

 

         o meio rural, que continua perdendo sua importância relativa, mas ainda abriga cerca de um quarto da população brasileira e onde a ação pastoral da Igreja é particularmente relevante, seja na luta contra a miséria, seja em face das transformações que o atingem sempre mais rapidamente, também do ponto de vista cultural e religioso;

         o meio suburbano, da periferia das grandes cidades e dos municípios limítrofes, que continua inchando e onde se concentram os aspectos mais visíveis das carências do nosso povo (fome, desemprego, falta de moradia e de condições sanitárias, etc.);

         os centros urbanos habitados pelas classes média e alta, onde a mentalidade de consumo e a secularização dos costumes desafiam a ação pastoral, e onde se concentram os mecanismos de dominação econômica e cultural dos outros setores da sociedade, mas também forças determinantes para o seu futuro.

 

22. Mesmo numa melhor divisão das tarefas, cada presbítero seja melhor ajudado a evitar sobrecarga e a encontrar sua realização pessoal, preservando sua saúde física e psíquica, dedicando mais tempo à oração, integrando melhor sua doação pastoral, sustentada pela graça de Cristo, com suas qualidades humanas e disposições afetivas. É responsabilidade da Igreja Local garantir os recursos necessários. Esta ajuda encontra sua base na formação antes da ordenação, que pode marcar para sempre a maturidade e o equilíbrio de vida da pessoa do presbítero. Deve, porém, continuar ao longo de sua existência, num contexto de uma sociedade em contínua e rápida transformação, através da chamada "formação permanente" (PDV, cap. VI).

 

23. Procurando inspiração nos valores do Evangelho e nas orientações da Igreja, especialmente dos recentes documentos do Magistério citados no início dessa introdução, e com base na experiência das muitas comunidades de formação espalhadas pelo Brasil, vamos traçar agora as diretrizes básicas que devem orientar a formação dos futuros presbíteros nos próximos anos.

 

 

II - PARTE

DIRETRIZES NORMAS GERAIS

 

24. As Diretrizes deste documento, estabelecidas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e aprovadas pela Santa Sé, constituem os princípios básicos e as normas gerais da formação presbiteral adaptadas às necessidades pastorais do País (CDC 242 § 1º) e estarão em vigor até que a mesma Conferência promova sua revisão.

 

25. As normas deste documento sejam observadas em todos os Seminários, diocesanos ou interdiocesanos, e outras instituições de formação presbiteral (CDC 242 § 2º). Além disso, o bispo diocesano ou, no caso de Seminário interdiocesano, os Bispos corresponsáveis determinarão adaptações às circunstâncias particulares (CDC 243), procurando formas adequadas de cooperação entre dioceses e congregações, no campo da formação presbiteral.

 

26. Os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, dada sua inserção nas atividades pastorais da Igreja no Brasil, levem em conta estas Diretrizes, dentro da especificidade de sua vida e ação de modo a promover a unidade em tudo o que é essencial na formação dos presbíteros diocesanos e religiosos. Os Institutos e Sociedades, que se dedicam à educação.

 

 

1ª SEÇÃO: AMBIENTE FORMATIVO

 

1. PASTORAL VOCACIONAL

 

27. A pastoral vocacional tem por objetivos: despertar para a vocação humana, cristã e eclesial; discernir os sinais indicadores do chamado de Deus; cultivar os germes de vocação e acompanhar o processo de opção vocacional consciente e livre. Deve dar ênfase às vocações de especial consagração e, entre elas, particularmente, à vocação ao presbiterato (PDV 34).

 

28. "A Pastoral Vocacional exige ser assumida com um novo, vigoroso e mais decidido compromisso por parte de todos os membros da Igreja, na consciência de que ela não é um elemento secundário ou acessório, nem um momento isolado ou setorial, quase uma simples parte, ainda que relevante, da pastoral global da Igreja" (PDV 34). É com esse sentimento que o episcopado brasileiro vem, ao longo dos últimos anos, promovendo a dimensão orgânica da Pastoral Vocacional na Igreja. As Diretrizes Básicas aprovadas na 22ª Assembléia Geral da CNBB já destacavam a responsabilidade da comunidade cristã para com as vocações ao presbiterato (DBFP II, 3). A mesma convicção é reafirmada pela Conferência de Santo Domingo (SD 79-80).

 

29. A Igreja Local e, quanto possível, cada Paróquia, criem Equipes de Pastoral Vocacional para animar e coordenar a promoção das vocações em todas as dimensões pastorais da vida cristã e ofereçam orientação e acompanhamento aos vocacionados.

 

30. A vocação é condição para assumir o ministério presbiteral. Isto significa que ninguém pode arrogar-se o direito de escolher o ministério de presbítero, com base unicamente em suas aspirações. A avaliação da autêntica vocação deve levar em consideração as aptidões objetivas do candidato, a livre determinação da vontade na opção vocacional e a motivação desta. É dever da comunidade cristã discernir o chamado de Deus. Responsável último por este processo de discernimento, de que toda a Igreja e especialmente o presbitério participam, é o bispo próprio do candidato.

 

31. "A vocação sacerdotal é um dom de Deus, que constitui certamente um grande bem para aquele que é o seu primeiro destinatário. Mas é também um dom para a Igreja inteira, um bem para a sua vida e missão" (PDV 41). É dever da Igreja, portanto, assumir a sua missão geradora e educadora de vocações. "Sendo um problema vital que se coloca no próprio coração da Igreja, a preocupação com as vocações sacerdotais deve estar no centro do amor de cada cristão pela Igreja" (PDV 41). Cada um, no âmbito de sua responsabilidade, deverá transformar essa preocupação em formas concretas de ação.

 

32. "A primeira responsabilidade da pastoral orientada para as vocações sacerdotais é do bispo" (PDV 41). A ele cabe zelar para que a pastoral vocacional tenha o destaque necessário no âmbito de sua diocese.

 

33. Aos presbíteros, de modo especial aos párocos, "cabe cuidar por si, ou por meio de outros, para que cada fiel seja levado, no Espírito Santo, a cultivar a própria vocação" (PO 6). Extremamente eficaz e com provado ao longo dos tempos, o testemunho presbiteral é uma das fontes mais fecundas das novas vocações para a Igreja. Pela sua fidelidade radical no seguimento de Jesus, aponta o caminho presbiteral como uma opção realizadora, através da cruz e da alegria pascal, a todos os jovens (PO 11). Lembrem-se também os presbíteros que é obrigação deles apoiar eficazmente o trabalho dos outros agentes de pastoral vocacional.

 

34. "Uma responsabilidade particularíssima está confiada à família cristã que, em virtude do sacramento do matrimônio, participa, de modo próprio e original, na missão educativa da Igreja mestra e mãe" (PDV 41). As famílias devem ser orientadas e incentivadas a educarem os filhos para uma vida cristã séria. Cultivando os valores autênticos da vida cristã, a família estará abrindo espaços para que seus filhos confrontem seus ideais com o chamado de Jesus. É necessário que os movimentos cristãos ligados à família sejam abertos e solícitos para com a Pastoral Vocacional.

 

35. Os grupos e movimentos de jovens ligados às comunidades cristãs, sem abandonar o horizonte amplo das vocações para os vários ministérios da Igreja, precisam se colocar, com coragem, frente à proposta do seguimento radical de Jesus, através do ministério presbiteral ou da vida consagrada. Nesse campo, tem se mostrado oportuna e eficaz a articulação da Pastoral Vocacional com a Pastoral da Juventude, da Catequese, da Crisma e com os grupos de coroinhas.

 

36. As escolas e os educadores católicos devem ajudar os jovens não só a descobrir e desenvolver aptidões e interesses pessoais, mas a se abrirem aos apelos de Deus e às necessidades do mundo e da Igreja. "A escola é chamada a viver a sua identidade de comunidade educadora com uma proposta cultural também capaz de irradiar luz sobre a dimensão vocacional" (PDV 41). Sobretudo as escolas católicas deveriam ter um serviço de orientação vocacional, visando a iluminar as opções dos jovens.

 

37. As pequenas comunidades ou CEBs, onde mais intensamente se renova a experiência da comunhão fraterna e do serviço no mundo, vêm se firmando como um ambiente propício para a gestação de uma Igreja toda ministerial. No despertar, discernir e acompanhar vocações presbiterais, religiosas e de novas formas de vida consagrada, estas comunidades expressarão de modo significativo a sua eclesialidade.

 

38. Os diversos grupos, movimentos e associações de fiéis leigos, que o Espírito Santo faz surgir e crescer na Igreja, em ordem a uma presença cristã missionária no mundo, vêm se revelando como um campo fértil para a manifestação de vocações consagradas, verdadeiros e próprios lugares de proposta e de crescimento vocacional. Faz se necessário evitar uma orientação unilateral dos candidatos a serviço de um movimento e acentuar a importância da dimensão da comunhão com toda a Igreja e com a Igreja Local.

 

39. Os seminaristas, uma vez que atenderam ao chamado de Jesus e se encontram no processo de formação presbiteral, serão, através de seu testemunho sincero e alegre, promotores naturais de novas vocações. Sua coerência e seriedade em abraçar a própria vocação apontarão uma opção de vida para os demais jovens.

 

40. No itinerário do serviço à vocação presbiteral — despertar, discernir, desenvolver e acompanhar a vocação —, Pastoral Vocacional deverá ter metas claras para cada etapa. Já a criança pode intuir e desejar um projeto de vida dedicada ao serviço de Deus. A adolescência é o momento privilegiado dos primeiros passos para a elaboração do projeto ou opção de vida. Esta opção, muitas vezes, vem sendo adiada para o tempo da juventude ou mesmo para o início da fase adulta. Há casos, e não são raros, em que o chamado ao ministério presbiteral é percebido mais tarde. Que o trabalho pedagógico se estenda desde a fase inicial até às etapas mais adiantadas da formação.

 

41. Uma atenção particular deve ser dada às vocações provenientes de famílias mais carentes de recursos materiais, forçadas muito cedo a tirarem os filhos da escola, ou até impossibilitadas de garantir aos filhos um mínimo de instrução. É preciso que as dioceses procurem os meios para evitar esta discriminação precoce, que afasta do ministério os mais pobres. É necessária, também, uma atenção diferenciada aos problemas específicos do meio urbano e aos do meio rural, onde as vocações são mais numerosas, mas encontram maiores dificuldades quanto à formação. Atenção especial seja dada também à pastoral vocacional nos meios estudantis e universitários. Deve se levar o povo cristão a se interessar pelos Seminários e colaborar com sua sustentação. Quando possível, solicite se a ajuda financeira da família do seminarista.

 

42. Cada vocacionado tem sua especificidade, que deve ser respeitada. O Papa e o Episcopado latino-americano, em Santo Domingo, nos alertaram de maneira contundente, para a dimensão da inculturação no processo de evangelização e a formação de vocações indígenas e afro-americanas (SD 80).Também as vocações adultas exigem uma atenção especial (PDV 46; cf. n. 80). São novos desafios cobrando novos métodos.

 

43. Deus distribui seus dons com liberdade e as necessidades da Igreja exigem o cultivo multiforme das vocações. O clero secular seja respeitado em sua especificidade, e promovido também onde a organização pastoral é confiada a religiosos. De outro lado, ainda, as vocações religiosas sejam estimuladas pelos pastores, que devem sustentar a vida pluriforme do Povo de Deus.

 

 

2. SEMINÁRIOS MENORES E INSTITUTOS AFINS

 

44. Jovens e adolescentes, que apresentam sinais de vocação e um desejo sincero de cultivá-la, precisam de instituições adequadas para ajudá-los no reto discernimento da própria vocação e no desenvolvimento das qualidades e aptidões humanas, cristãs e apostólicas, necessárias para a opção pelo ministério presbiteral.

 

45. As instituições adequadas a cada diocese são determinadas e organizadas pelo bispo. Segundo as condições peculiares de cada lugar, podem ser adotadas as seguintes modalidades:

 

46. Seminário Menor: é uma comunidade voltada ao aprofundamento da vocação cristã e, especificamente, ao discernimento da vocação presbiteral, à formação inicial e aos estudos preparatórios ao Seminário Maior. No Seminário Menor, haja verdadeira condição para o discernimento pessoal da vocação; propicie-se, igualmente, contatos regulares com a família e com a comunidade de origem. Tenha se presente que, enquanto alguns alunos aspiram claramente ao ministério, outros só o consideram possível ou até mesmo duvidam ou hesitam em sua escolha. Por isso, não deve ser "um seminário maior em ponto menor" (RFIS, 11 nota 23, e 13). Receba especialmente o jovem vocacionado do curso secundário, que não encontra condições adequadas, de estudo e formação, no seu ambiente (SD 81).

 

47. Grupos  Vocacionais  (com  este  ou outro nome: VMPPV, 269): reúnem-se periodicamente e assistem adolescentes ou jovens que buscam o discernimento de sua vocação, enquanto residem na própria família e continuam seus estudos, às vezes, já exercendo uma profissão ou trabalho remunerado. Neste caso, é imprescindível a participação dos membros dos grupos vocacionais na comunidade eclesial (paróquia, CEBs...) e o contato com a Equipe ou Centro Diocesano de Pastoral Vocacional, que deve animar e acompanhar regularmente esses grupos.

 

48. Escolas e Colégios Católicos: tendo o devido cuidado da dimensão vocacional, no seu trabalho educativo, aceitem prestar um serviço especial e apoio concreto para adolescentes e jovens com aspiração ao ministério presbiteral, possibilitando acompanhamento mais intenso e oferecendo bolsas de estudos quando necessárias. Também, neste caso, cuide-se do contato e articulação com a Pastoral Vocacional e o Seminário (RFIS, 18; OT, 3).

 

49. Enfim, são necessárias formas mais personalizadas de acompanhamento, ao menos como fase transitória, que preparem o ingresso de candidatos idôneos em instituições como aquelas descritas acima.

 

50. De qualquer forma, o essencial é que a diocese realize um esforço sério e permanente de acompanhamento e cultivo das vocações, desde as primeiras manifestações conscientes do chamado até o ingresso no Seminário Maior. O que não é admissível é a abdicação desse esforço (RFIS, 11, nota 23). Em qualquer uma das hipóteses anteriores, para assegurar uma boa formação intelectual, os estudos de primeiro e segundo graus, que habilitam para o ingresso no curso superior, sejam exigidos como pré-requisitos para o acesso ao Propedêutico e ao Seminário Maior.

 

51. "Preparar-se para seguir Cristo Redentor com ânimo generoso e coração puro: é este o objetivo do Seminário Menor que o Concílio indicou, no Decreto Optatam Totius, que traça desta forma o seu perfil educativo: os alunos sob a orientação paterna dos superiores, com a colaboração oportuna dos pais, levem uma vida plenamente conforme à idade, espírito e evolução dos adolescentes, segundo as normas da sã psicologia, sem omitir a conveniente experiência das coisas humanas e o contato com a própria família" (PDV 63).

 

 

3. PERÍODO PROPEDÊUTICO

 

52. Cresce o número de candidatos que ingressam na formação presbiteral após ter completado o segundo grau, sem passar pelo Seminário Menor ou por grupos vocacionais. De um lado, este fato é sinal de um enriquecimento, sendo muitas vezes estes candidatos portadores de experiência de fé viva e madura e de séria bagagem cultural; por outro lado, não raramente verifica se uma discrepância, que se manifesta por diversos fatores:

 

         uma visão fragmentada da própria experiência de vida e da sociedade;

 

         o atual ensino do 1o. e 2o. graus não contribui para modificar essa situação;

 

         grande fragilidade das convicções básicas humanas e de fé, mesmo naqueles que vêm de experiências de vida cristã de nossas comunidades eclesiais;

 

         carência de uma iniciação à vida comunitária.

 

Torna-se, assim, necessário, cada vez mais, um período de preparação dos candidatos antes de ingressarem no Seminário Maior, até mesmo para aqueles que vêm do Seminário Menor e de grupos vocacionais.

 

53. Esse período denominado Propedêutico, "tempo de preparação humana, cristã, intelectual e espiritual para os candidatos ao Seminário Maior" (PDV 62), em vista de um discernimento vocacional, seja organizado como uma instituição autônoma, distinta e articulada com as outras etapas da formação, levando em consideração as seguintes indicações:

 

         residência ou local próprio, com programação específica;

 

         não inferior a um ano;

 

         após o 2º grau;

 

         uma equipe responsável, valorizando a presença de leigos, homens e mulheres (PDV 66).

 

54. O ingresso no Propedêutico seja precedido por um processo de discernimento vocacional do candidato, que leve ao conhecimento de suas reais motivações, através de um levantamento do histórico pessoal, ou seja, o conhecimento da vida do jovem nos seguintes níveis: familiar, comunitário-eclesial, afetivo-sexual, sócio-econômico, intelecto-cultural. Recomenda-se que esse discernimento seja feito através de:

 

         consulta às comunidades de origem;

 

         visita aos familiares;

 

         entrevistas;

 

         encontros vocacionais;

 

         retiros;

 

         outros.

 

55. Entre os elementos principais constitutivos do Propedêutico, destacam-se:

 

         aprofundamento do discernimento vocacional;

 

         aprimoramento da formação humano-afetiva;

 

         formação espiritual com aprofundamento da experiência de Deus, da leitura bíblica e da vida de oração e litúrgica;

 

         complementação da formação intelectual;

 

         iniciação e aprofundamento da vida comunitária;

 

         adequada compreensão da Igreja e do ministério presbiteral.

 

56. Sendo o Propedêutico uma etapa da formação prevalentemente voltada para o amadurecimento do candidato, entende-se que a dimensão humano afetiva ocupe um lugar prioritário. Isto requer uma centralização e atenção especial à pessoa do formando, através de um acompanhamento personalizado, dinâmicas de grupo, estudo dirigido. Deve se levar em consideração:

 

         o conhecimento de si mesmo, com qualidades, defeitos e limites;

 

         o conhecimento da sexualidade masculina e feminina;

 

         a formação da consciência, caráter, personalidade;

 

         o equilíbrio no relacionamento interpessoal.

 

57. No que se refere à dimensão espiritual, o formando deve ser orientado, a partir da vocação batismal, a fazer uma profunda experiência de Deus e de amizade com Jesus Cristo, através de:

 

         exercícios espirituais e oração dos salmos;

 

         celebrações;

 

         valorização das experiências de fé vividas anteriormente;

 

         acontecimentos importantes em nível de Diocese, Igreja e Congregação;

 

         orientação espiritual, e outros.

 

58. Para capacitar os candidatos ao Seminário Maior e suprir as suas deficiências de ensino, recomenda-se introduzir ou reforçar alguns aspectos da dimensão intelectual, visando, ainda, amenizar o impacto que a filosofia freqüentemente exerce sobre os iniciantes:

 

         metodologia de estudos;

 

         português: gramática, redação e literatura;

 

         uma língua estrangeira moderna;

 

         ciências sociais: história, geografia e política;

 

         cultura brasileira;

 

         formação da consciência crítica da realidade;

 

         música, artes sacras, cultura popular e teatro;

 

         noções de liturgia e espiritualidade;

 

         introdução ao Mistério de Cristo e da Igreja, podendo basear-se no Catecismo da Igreja Católica.

 

59. Uma vez que o Propedêutico é uma preparação para a vida eclesial, deve levar o formando ao processo de abertura para a vida missionária, tendo presente alguns meios:

 

         presença na caminhada da comunidade, sem assumir lideranças ou compromissos estáveis;

 

         conhecimento da pastoral orgânica da Igreja Local (com especial atenção à importância e desafio da pastoral urbana);

 

         experiência em situações limites que vive o nosso povo;

 

         partilha de experiências.

 

60. Constata-se na sociedade moderna uma tendência ao isolamento e individualismo, que afeta o candidato. O período Propedêutico deverá ser um tempo forte de Vida Comunitária, levando o formando a uma atitude de acolhida, abertura, partilha e solidariedade.

 

61. Atente-se para a dimensão cultural de origem dos candidatos, sobretudo dos de raça negra e indígena, favorecendo o conhecimento e valorização de suas raízes culturais (SD 80).

 

62. Visando garantir uma infra-estrutura adequada para o propedêutico, incentive-se a colaboração entre Dioceses e Congregações.

 

 

4. SEMINÁRIOS MAIORES

 

63. O Seminário é, antes de tudo, uma escola do Evangelho: tem como modelo e referência ideal a própria convivência de Jesus com o grupo dos apóstolos e discípulos, em que os formandos realizam uma experiência de vida e intimidade com Cristo e se preparam melhor para a missão (PDV 60). O Seminário é, também, uma experiência de vida comunitária, pois insere, gradativamente, o futuro presbítero na comunhão com o presbitério e o habilita para o relacionamento fraterno, mais qualificado, com as comunidades eclesiais. Por isso, "o seminário não deve ser concebido como um ambiente fechado sobre si mesmo, mas como a instituição que sustenta   e  orienta   o   processo   pedagógico   de  discernimento e formação, enraizado na comunidade eclesial mais ampla" (VMPPV 275).

 

64. Os candidatos ao presbiterato residirão no Seminário, durante todo o tempo da formação e, de qualquer forma, durante, ao menos, quatro anos (CDC 235 § 1º).

 

65. Devem ser admitidos ao Seminário Maior somente os candidatos que, além de possuírem as qualidades humanas e espirituais indispensáveis, tenham uma clara convicção a respeito de sua vocação e aceitem, sinceramente, a doutrina do presbiterato definida pela Igreja. Pois "o sacerdócio não é propriedade nossa, para fazermos o que nos agrada; não podemos reinventar o seu significado, segundo o nosso ponto de vista pessoal. O que nos compete é ser fiéis àquele que nos chamou" (João Paulo II, Aos Religiosos da Inglaterra, 31.05.82). É igualmente necessário que os candidatos estejam dispostos a assumir seriamente a preparação específica e sistemática ao ministério presbiteral.

 

66. Ao ingressarem no Seminário Maior, os candidatos ao presbiterato deverão apresentar qualidades bem determinadas, tais como: reta intenção, grau suficiente de maturidade humana, conhecimento bastante amplo da doutrina da fé, alguma introdução aos métodos de oração, costumes conforme à tradição cristã e experiência de vida eclesial. Possuam também as atitudes pelas quais, na sua região, é expresso o esforço de encontrar Deus e a fé (PDV 62; EN, 48). Apresentem um comportamento condizente com a opção assumida, e demonstrem ter assimilado conteúdos e atitudes propostos na etapa do Propedêutico. Estas disposições dos candidatos sejam devidamente avaliadas pelo Conselho Diocesano de Formação Presbiteral, incluindo o Bispo e os formadores responsáveis pelo Propedêutico.

 

67. Os candidatos ao presbiterato, no ato do ingresso no Seminário Maior, se já não o tiverem feito, devem apresentar o atestado de conclusão dos estudos de 2º grau, os atestados de Batismo e de Confirmação, bem como uma carta de apresentação do respectivo pároco, de outro sacerdote ou agente de pastoral vocacional que o tenha efetivamente orientado. Do candidato que tiver saído de outro seminário, dever-se-á requerer o testemunho escrito do seu antigo Superior (CDC 241). Procurem-se também outras informações fidedignas. Recomenda-se que a saúde física e psíquica seja avaliada convenientemente. A idoneidade do candidato seja julgada pelo Bispo com o Conselho dos Formadores. No caso de Seminários Interdiocesanos, não se recebam candidatos sem aprovação do respectivo Bispo.

 

68. O Seminário Maior representa o período conclusivo do processo de discernimento vocacional, do qual participam solidariamente formandos e formadores, buscando, num diálogo freqüente e progressivo à luz da fé, reconhecer a autenticidade da vocação. Neste processo de discernimento, a equipe de formadores tem a responsabilidade última, levando-se em conta a indispensável participação do próprio formando (PDV 69), bem como a da comunidade do Seminário. Do mesmo processo, participe, de várias formas, a comunidade diocesana, especialmente o pároco, o presbitério e a comunidade onde o formando realiza seus estágios de formação pastoral e exerce os ministérios. O formando acolha e assuma, serenamente, a conclusão do discernimento, como manifestação da vontade de Deus.

 

69. O Seminário é, portanto, uma experiência educativa rica e complexa, com exigências diversas que precisam de um esforço sério para serem integradas e equilibradas:

 

         intensa vida comunitária, fraterna, e abertura ao mundo, ao serviço, à missão;

 

         desenvolvimento da maturidade e da responsabilidade pessoal, e obediência disponível às exigências do Evangelho e da autoridade da Igreja;

 

         profunda vida de oração, vivência litúrgica, esmero nas celebrações e multiplicidade de compromissos, trabalho, estudo, atividades pastorais;

 

         preparação para as futuras tarefas pastorais e engajamento em responsabilidades imediatas;

 

         formação intelectual e prática pastoral;

 

         entrega total e sincera à vocação e, ao mesmo tempo, prudente verificação dos sinais da vontade de Deus (RFIS, nota 33).

 

70. Para cumprir esses objetivos, o Seminário Maior pressupõe e exige um número adequado de educadores - no mínimo, um Reitor e um Diretor Espiritual (CDC 239); de professores das disciplinas do currículo filosófico/teológico — no mínimo, um professor para cada uma das disciplinas principais (CDC 253 § 2º); de alunos e de recursos (RFIS 21). Deve ter o seu próprio regulamento (CDC 243). Pode ser organizado por um bispo ou, ainda, por diversas dioceses, com ou sem ajuda de Congregações (CDC 237).

 

71. "Tendo presente — como aliás os Padres Sinodais recordaram — as indicações da Exortação Christifideles Laici, e da Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, que põem em relevo um saudável influxo da espiritualidade laical e do carisma da feminilidade em todo e qualquer itinerário educativo, é oportuno incluir, de forma prudente e adaptada aos vários contextos culturais, a colaboração de leigos, homens e mulheres, no trabalho formativo dos futuros sacerdotes" (PDV 66).

 

72. "Enquanto comunidade educativa, (o Seminário) deve obedecer a um programa claramente definido que, como nota característica, tenha a unidade de direção manifestada pela figura do reitor e dos colaboradores, na coerência com o regulamento de vida. Este programa deve estar clara e decididamente ao serviço da única finalidade específica do Seminário, a saber, a formação dos futuros presbíteros, pastores da Igreja. E para que a programação seja verdadeiramente adequada e eficaz, é necessário que as grandes linhas programáticas se concretizem mais detalhadamente, mediante algumas regras particulares, destinadas a ordenar a vida comunitária, estabelecendo alguns instrumentos e ritmos temporais precisos" (PDV 61).

 

73. A organização funcional do Seminário depende de opções pastorais, disponibilidade de recursos e outras circunstâncias locais (CDC 237). As soluções principais que, de fato, têm sido as mais freqüentemente adotadas no Brasil, têm sido duas:

 

         o Seminário, no sentido habitual do termo, que reúne, no mesmo local, e sob a mesma direção, a residência e os estudos;

 

         o Seminário ou Comunidade de Formação que não mantém seu próprio curso filosófico e teológico, mas se articula com um Centro de Estudos.

 

Deve procurar se em ambos os casos que o Centro de Formação responda em tudo às exigências fundamentais, pedidas pelo Magistério da Igreja, para os Seminários e, em especial, quanto à suficiente consistência numérica dos alunos e da equipe de formadores, e ao regime disciplinar e comunitário.

 

74. No primeiro caso, recomenda-se que a grande comunidade do Seminário se articule em pequenas comunidades ou equipes, que ofereçam aos estudantes um relacionamento mais personalizado e fraterno, com assistência de um presbítero educador, assegurada a unidade de formação. Os presbíteros educadores, por sua vez, devem formar efetivamente uma equipe de trabalho com unidade de espírito e ação, sob uma única direção, e uma comunidade de vida fraterna, que seja exemplo daquela comunhão que se deseja realizar no presbitério e entre os novos presbíteros (PDV 66).

 

75. Quando os estudos filosófico/teológicos são realizados num Centro ou Instituto, distinto dos Seminários ou Comunidades de Formação onde residem os seminaristas, deve se buscar uma coordenação eficaz e uma profunda articulação de todas as atividades formativas. Por isso, os responsáveis pelos Centros de Estudos e pelos Seminários ou Comunidades elaborarão um estatuto ou regimento, aprovado pela autoridade episcopal competente, traçarão periodicamente plano de trabalho e avaliarão freqüentemente os resultados.

 

76. Os Centros de Estudos e Seminários deverão dispor de professores qualificados, exigidos pela atual legislação canônica (CDC 253) e inspirados pela diretriz da PDV: "os professores devem permanecer em comunhão e colaborar cordialmente com todas as outras pessoas empenhadas na formação dos futuros presbíteros e apresentar, com rigor científico, generosidade, humildade e paixão, seu contributo original e qualificado, que não é apenas a simples comunicação de uma doutrina — mesmo sendo a sacra doutrina —, mas é sobretudo a oferta da perspectiva que unifica, no desígnio de Deus, os diversos conhecimentos humanos e as várias expressões da vida" (PDV 67).

 

77. Há regiões em que a escassez de recursos dificulta a constituição de Seminários Maiores em condições satisfatórias. Há situações em que a maior exigência de especialização e aprofundamento exigem centros mais desenvolvidos de formação e recursos de pesquisa. Nesses casos, recomenda-se a adoção urgente de medidas, tais como:

 

         o envio dos seminaristas diocesanos a Seminários de outras dioceses, mantendo uma relação efetiva com sua diocese de origem;

 

         a colaboração entre dioceses vizinhas, com vista à organização de um Seminário interdiocesano adaptado à situação da região;

 

         a preparação de educadores e professores.

 

78. Em todos esses casos, será grandemente útil a colaboração das Dioceses e Congregações dotadas de maiores recursos e a instituição de uma Comissão Regional de Seminários, eleita pelos Bispos da região, com a finalidade de estudar, apoiar e promover as iniciativas diocesanas e interdiocesanas, no campo da formação presbiteral.

 

79. Regionais e Dioceses, dotados de maiores recursos, ajudem as regiões que têm maiores carências, promovendo cooperação fraterna entre Igrejas, no campo da formação presbiteral, com a participação de formadores, professores e seminaristas.

 

80. Sendo o bispo o primeiro representante de Cristo na formação dos presbíteros, deve visitar freqüentemente o Seminário e velar sobre a formação aí ministrada. Seja acessível a contatos pessoais com formandos e formadores, em clima de confiança e cordialidade. Informe-se sobre vocação, índole, piedade e aproveitamento dos formandos, particularmente em vista das ordenações (CDC 259 § 2º). O bispo deve demonstrar a mesma solicitude para com seus seminaristas confiados a outros Seminários.

 

81. No caso de vocações