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CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
Dimensão
Bíblico-Catequetica
A Dimensão Bíblico-Catequética -
CNBB, com ajuda do GRECAT, fez um resumo do Diretório Geral para a Catequese,
edição de 1997, para auxiliar os coordenadores regionais na leitura deste
documento.
O Diretório nos oferece uma visão
global da catequese. Por sua vez nos desafia a busca de uma visão ampla da
catequese, em nosso país. O Documento “Catequese Renovada” nos ajuda a obter
esta visão. Por outro lado, percebemos
que, o avanço da história, a prática da catequese, o momento cultural, nos
pedem um novo documento para impulsionar educação da fé na chegada do novo
milênio.
O Diretório nos mostra passos novos
que devem ser realizados. Porém, nos revela que muitos passos realizados entre
nós, ainda não ecoaram em outros lugares. Evidente, Deus se revela a partir de
cada cultura. Ai está uma tarefa da catequese, descobrir como Deus se manifesta
em nosso chão.
SE/Sul -
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Diretório Geral para a Catequese
Prefácio
Durante o Terceiro Congresso Mundial de Catequese, em
Roma de 17 a 21 de outubro1997, além da Editio Típica, portanto, em Latim,
versão oficial e definitiva do “Catechismus Ecclesiae Catholicae”
(CEC) ou “Catecismo da Igreja Católica” (CaIC), a Sé Apostólica
lançou também o “Diretório Geral para a Catequese” (DGC), cuja
versão em português foi publicada em começos de 1998, por Edições Paulinas.
Neste breve artigo fazemos apenas, sobretudo para os que
não tem acesso direto ao texto original, uma rápida apresentação deste
documento que, certamente, é de grande importância no processo de renovação da
Catequese no mundo todo e que terá incidência na caminhada da Catequese
Renovada no Brasil, iniciada em 1983.
1. O Contexto
Histórico do DGC
A renovação da catequese aconteceu ao longo da primeira
metade do século XX, junto com outras correntes renovadoras da Igreja e que
levaram à realização do Concílio Vaticano II (1962-1965). É importante recordar
aqui, por exemplo, entre outras iniciativas: a) no campo bíblico, o
impulso dado por Garrigou Lagrange, e outros importantes biblistas e pelas
Escolas Bíblicas, particularmente Jerusalém e Roma; b) a liturgia, com a
liderança de Pius Pasch, dos Monges de Solesmes, de Martimort, de Gelineau; c)
a teologia, com Jungmann, Yves Congar, Henri de Lubac, Karl Rahner,
Bernard Haring, Edouard Schkelebeeckx, os Institutos de Teologia, especialmente
a Gregoriana (Roma) e Tubinga (Alemanha); d) a Historia da Igreja,
particularmente com Daniel Rops; e) a Filosofia cristã, especialmente
com Jacques Maritain, Edouard Mounier, Etienne Gilson; f) a Pedagogia,
com Montessori, a escola ativa de Munich, a liderança de algumas Congregações
Religiosas Docentes, com fortes propostas e práticas de renovação da escola
católica... Entre outras iniciativas de renovação, também foram de grande ajuda
para a Igreja rever sua caminhada histórica, as acontecidas no campo da Patrística,
da Espiritualidade, da Antropologia, da Psicologia e da Sociologia, e a
crescente evolução das ciências, especialmente física, biologia, química
e comunicação.
A catequese se abeberou nestes movimentos de renovação e
foi construindo sua caminhada. É de se destacar alguns impulsos maiores e aqui
relembramos uns poucos. O incentivo dado pelo Papa São Pio X, em 1905, a
Teologia Kerigmática de Jungmann e seu manual “Catequética”, que foram
decisivos para os conteúdos da catequese, a partir dos inícios da década de 40
e, na mesma época, a escola ativa de Munich que trouxe para a catequese novos
caminhos pedagógicos.
Há nomes importantes de líderes da renovação da
Catequese, sobretudo na década de 50 e 60, como Joseph Colomb, na França, Leone
de Maria, na Itália, J. Delcuve, na Bélgica, Álvaro Negromonte, no Brasil, e de
Institutos de Catequese como o Institut Supérieur de Pastorale Catéchétique
(ISPC), do Institut Catholique de Paris, o Institut Lumen Vitae, na Bélgica, o Instituto San Pio X, em
Salamanca, depois em Madri. Exerceram particular importância as Célebres Semanas
Internacionais de Catequese, como Munich, Manila, Eichsttät e Medellin e
alguns Diretórios de Catequese (Fonds Obligatoire na França) e Catecismos de
Adultos, com destaque para o Catecismo Católico da Alemanha e o Catecismo
Holandês.
O Concílio Vaticano II discutiu a questão da catequese e
até mesmo houve algumas vozes sugerindo que uma de suas tarefas fosse a
elaboração de um Catecismo universal, como aconteceu no Concílio de Trento e
que foi publicado em 1566, com o título “Catechismus ad Parochos”.
Mas, a decisão do Concílio Vaticano II foi pela
recomendação de um “Diretório sobre a formação catequética do povo cristão” e
isso consta no número 44 do Decreto conciliar Christus Dominus:
“Elaborem-se também, tanto um Diretório especial de cura pastoral para grupos
peculiares de fiéis, em razão das diversas circunstâncias de cada nação ou
região, quanto um Diretório de formação catequética do povo cristão. Nele se
trate dos princípios fundamentais e da organização dessa instrução, bem como da
elaboração de livros sobre o assunto. Na elaboração destes Diretórios tomem-se
em conta também as sugestões feitas pelas Comissões ou pelos Padres Conciliares”.
Este mandato foi realizado em abril de 1971, quando a
Congregação para o Clero publicou o Diretório Catequético Geral (Directorium
Catechisticum Generale -DCG), após alguns anos de estudos, com apoio de
especialistas, consulta às Conferências Episcopais e aprovação final do Papa
Paulo VI, em março. Entretanto, nesta época, já estavam de cheio dentro da
catequese fortes doses dos Documentos Conciliares, sobretudo Lumen Gentium (A
Igreja), Gaudium et Spes (A Igreja no Mundo), Dei Verbum (Sagrada Escritura) e
Sacrossanctum Concilium (Liturgia) e sobretudo o espírito renovador trazido
pelo Concílio.
Muitos países, a partir do Diretório Catequético Geral de
71, redimensionaram a caminhada em curso da renovação da catequese, elaborando
seus próprios Diretórios, revendo as coleções de subsídios catequéticos,
dedicando um cuidado especial à formação dos catequistas e realizando uma
revisão da organização prática da catequese nas dioceses e nas paróquias.
Mas, após a publicação do DCG, a catequese muito se beneficiou
com novos incentivos. Assim foi muito significativo o impulso dado à catequese
de adultos pela publicação do Ritual da Iniciação Cristã de Adultos
(1972), e à catequese em geral pelo Sínodo sobre Evangelização (1974) e
decorrente Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (1975), de
Paulo VI. E neste caso a guinada foi realmente significativa, porque como para
toda a missão da Igreja, Evangelii Nuntiandi representou uma forte
mudança, a partir deste documento a catequese foi oficialmente inserida dentro
do âmbito da missão evangelizadora da Igreja, ou seja a catequese, que já vivia
na dinâmica da teologia kerigmática, passou a ser considerada pela instância
maior da Igreja, no caso Paulo VI e em escuta a um Sínodo, como parte
integrante das urgências e preocupações específicas do mandato missionário para
os nossos tempos (cf. DGC de 97 item 4). Logo em seguida, em 1977,
aconteceu o Sínodo sobre Catequese,
do qual brotou a Exortação Apostólica Catechesi Tradendae (A
Catequese Hoje), de João Paulo II (1979), em plena coerência com as orientações
de Evangelii Nuntiandi. O atraso na publicação se deveu à fase de transição
entre os Papas Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, no ano de 1978.
Mas, além disso, sem dúvida alguma, todo o mandato do
Papa João Paulo II, tem sido de extraordinária riqueza para a renovação da
catequese, especialmente suas Encíclicas. Em destaque, por exemplo, Jesus
Cristo na Redemptor Hominis (1979), Deus Pai na Dives in
Misericordia (1980), o Espírito Santo na Dominum et Vivificantem (1986),
Maria a Mãe de Deus na Redemptoris Mater (1987), a tarefa
missionária da Igreja na Redemptoris Missio (1989), a justiça social na
Solicitudo Rei Socialis (1990) e na Centesimus Annus (1993), o
ecumenismo na Ut Unum Sint (1996), etc., São muito importantes também as
Exortações Apostólicas referentes aos Sínodos, sobretudo sobre a Família como Familiaris
Consortio (1981), a vocação e a missão dos Leigos e Leigas na Chistifideles
Laici (1989). E não podemos esquecer o impulso do chamado à Nova Evangelização
(1983, Haiti) e finalmente o Projeto de preparação ao Grande Jubileu do Ano
2.000, lançado em fins de 1994 com a Tertio Milllennio Adveniente (O
Advento do Terceiro Milênio), em si um imenso programa, concreto e
pormenorizado de evangelização e catequese .
No caso do Brasil, tivemos antes do Concílio a grande
liderança do Pe. Álvaro Negromonte com seus livros, cursos e congressos, e da
Ação Católica, com seu método VER, JULGAR e AGIR e sua Revista de Catequese. Logo
depois do Concílio, a liderança esteve com os ISPACs (Institutos de Pastoral
Catequética), criado no Brasil por ex-alunos do ISPC de Paris. E também tiveram
muita importância para a Catequese, entre nós, tanto a Semana Internacional da
Catequese, em Medellin, em 1968, como a Segunda Conferência Episcopal
Latino-americana, também em Medellin, no mesmo ano. A renovação da catequese
teve também um bom apoio de alguns autores de textos catequéticos, amplamente
adotados por sua qualidade de conteúdo e metodologia e de algumas Escolas de
Catequese, que aos poucos foram substituindo os ISPACs.
Logo depois da publicação de Catechesi Tradendae (1979),
a CNBB decidiu, em Assembléia Geral, elaborar uma espécie de Diretório de
Catequese para o Brasil. O processo levou três anos, com grande participação
das bases e três versões sucessivas, sob a liderança de D. Albano Cavallin e do
Pe. José Geeurickxx MSC (Pe. Zeca) O texto foi aprovado, por unanimidade na
Assembléia Geral de maio de 1983, com o título Catequese Renovada,
Orientações e Conteúdo (Doc. da CNBB, n. 26). A partir dali aconteceu,
sob liderança do Setor de Catequese da CNBB, tendo à frente D. Albano Cavallin,
Irmão Israel José Nery, FSC, e Frei Bernardo Cansi, OFMcap, um verdadeiro
mutirão nacional para operacionalizar o documento nas bases, tendo como momento
alto do processo a realização da Primeira Semana Brasileira de Catequese em
1986, com a grande mobilização nacional que a precedeu.
Em 1985, o Sínodo Extraordinário, de avaliação e
celebração dos 20 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, solicitou ao
Papa a redação de um Catecismo Universal, em substituição ao do Concílio de
Trento, de 1536. Acatado o pedido o texto foi elaborado e, após aprovação do
Papa, foi publicado, porém, ainda não em edição definitiva, no ano de 1992. Terminada
a versão latina, a edição típica, portanto definitiva, ficou pronta no segundo
semestre de 1997.
Mas, desde a publicação do Catecismo da Igreja
Católica, (CaIC), em 1992, a Congregação para o Clero, consciente da
necessidade de uma revisão do Diretório Catequético Geral de 1971 (DCG),
iniciou o trabalho que tendo ficado pronto e coincidindo com a edição típica,
foi lançado juntamente com o Catecismo num Congresso Internacional de
Catequese, em Roma, de 17 a 21 de outubro de 1997, organizado e coordenado para
este objetivo, conjuntamente pela Congregação da Doutrina da Fé e pela
Congregação para o Clero. O novo Diretório, baseado no anterior, recebe o
título de Diretório Geral para a Catequese (DGC).
2. Finalidades, Exigências e Destinatários do DGC
2.1- Finalidades. O Diretório Geral para a Catequese tem
como primeira finalidade: “indicar os princípios teológico-pastorais de
caráter fundamental (tomados do Magistério da Igreja e especialmente do
Concílio Vaticano II), pelos quais possa orientar-se e reger-se, mais
adequadamente, a ação pastoral do ministério da Palavra, e, de modo concreto,
da catequese” (DGC, 9).
Para nós, no Brasil, é evidente que, além da fonte
apontada pelo DGC (Magistério da Igreja, Concílio Vaticano II), a fonte
primeira e principal da catequese é a Sagrada Escritura, lida e vivida, a
partir da realidade da vida, particularmente do mundo dos pobres.
Como se trata de um Diretório Geral o documento oferece
reflexões e princípios, mais que aplicações imediatas e diretrizes práticas. A
convicção da Sé Apostólica é de que se, desde o começo, se compreende, de modo
correto e com clareza, a natureza e os fins da catequese e também as verdades e
valores que devem ser transmitidos, é possível evitar falhas e erros em matéria
catequética.
Por outro lado, é dos Episcopados, a competência
específica para a aplicação mais concreta dos princípios e enunciados, através
de orientações e diretórios nacionais, regionais e diocesanos, de catecismos e
outros meios que considerem mais idôneos para promover eficazmente a catequese.
Uma outra finalidade do DGC (cf. n. 11) é prestar uma
ajuda para a redação de Diretórios Catequéticos e Catecismos nacionais,
regionais e locais.
2.2- Exigências. Os responsáveis pela redação do novo Diretório Geral
para a Catequese se colocaram algumas exigências ao longo do árduo trabalho. Elencamos
as principais, pois nos orientam na leitura e uso do DGC:
a) enquadrar a catequese na evangelização, como fora
solicitado pelas Exortações Apostólicas Evangelii Nuntiandi (Paulo VI,
1975) e Catechesi Tradendae (João Paulo II, 1980);
b) assumir no DGC os conteúdos da fé propostos pelo Catecismo
da Igreja Católica (CaIC).
c) recolher o fundamental do Concílio Vaticano II, do
Magistério da Igreja no pós-concílio, da vida da Igreja e do mundo
contemporâneo;
2.3- Destinatários. Segundo o DGC, ao número 11, “os destinatários do
Diretório são principalmente os bispos, as Conferências Episcopais e, em geral,
quantos, sob o mandato deles, desempenham uma responsabilidade no campo da
catequese. É óbvio que o Diretório pode ser um instrumento válido para a
formação dos candidatos ao sacerdócio, para a formação permanente dos
presbíteros e para a formação dos catequistas” e de todos os leigos e leigas.
Podemos interpretar como um lapsus, da redação e da
revisão, o fato de os(as) religiosos(as) não serem explicitamente citados aqui,
pois evidentemente este Diretório é válido também tanto para a formação dos(as)
candidatos(as) à Vida Religiosa como para a formação permanente dos religiosos
e das religiosas.
Exposição Introdutória
O anúncio
do evangelho no mundo contemporâneo
Esta
exposição introdutória pretende estimular os pastores e os agentes da catequese
a tomarem consciência da necessidade de olhar para o campo semeado e a fazê-lo
a partir de uma perspectiva da fé e de misericórdia.
14 - 15. A parábola do
Semeador é fonte inspiradora para a evangelização. A qualidade de terreno é
muito variada, com tensões, conflitos e os problemas do mundo. A semente do
Evangelho fecunda a história dos homens e preanuncia uma colheita abundante.
Jesus faz também uma advertência: somente o coração bem disposto germina a
Palavra de Deus.
Um olhar ao
mundo, a partir da fé
16. Os cristãos, inseridos nos
mais variados contextos sociais, olham o mundo com os mesmos olhos com que Jesus contemplava a
sociedade do seu tempo. À luz da história, o mundo se mostra ao mesmo tempo
“criado e conservado pelo amor do Criador, reduzido à servidão do pecado e
libertado por Cristo crucificado e ressuscitado, com a derrota do Maligno”.
O cristão
sabe que a cada realidade e evento humano subjazem ao mesmo tempo:
- a ação
criadora de Deus;
- a força
que deriva do pecado;
- o
dinamismo que nasce da Páscoa de Cristo.
É
importante que a catequese saiba iniciar os catequizandos a uma leitura
teológica dos problemas do mundo.
O campo do
mundo
17. A Igreja vê com profunda dor uma multidão inumerável de
pessoas humanas concretas e irrepetíveis, que sofrem sob o peso intolerável da
miséria. Por meio da catequese, na qual o ensinamento social da Igreja ocupe o
seu lugar, ela deseja suscitar no coração do
cristão o empenho pela justiça e a opção ou amor preferencial pelos
pobres, de modo que a sua presença seja realmente luz que ilumina e sal que
transforma.
Os direitos
humanos
18. A Igreja é muito sensível a tudo aquilo que ofende a
dignidade da pessoa humana, por isso seu olhar abrange os indicadores
econômicos, sociais, culturais e religiosos. Ela busca o progresso integral das
pessoas e dos povos. A Igreja percebe, com alegria, que uma corrente benéfica
já se alastra e permeia todos os povos da terra, tornando-os cada vez mais
conscientes da dignidade da pessoa humana. Esta consciência se manifesta pelo
respeito dos direitos humanos.
19. Em numerosos lugares e em aparente contradição com a
sensibilidade pela dignidade da pessoa, os direitos humanos são violados. A
obra evangelizadora da Igreja, neste vasto campo dos direitos humanos, tem uma
tarefa irrenunciável: promover a descoberta da dignidade inviolável de cada
pessoa humana.
A cultura e
as culturas
20. A Gaudium et Spes sublinha a grande importância da
ciência e da técnica na gestação e no desenvolvimento da cultura moderna. A
mentalidade científica que delas emana modifica profundamente a cultura e os
modos de pensamento, com grandes repercussões humanas e religiosas. Todavia, a
consciência de que este tipo de racionalidade não pode explicar todas as coisas
ganha sempre mais terreno. A reflexão sobre a linguagem mostra, por exemplo,
que o pensamento simbólico é uma forma de acesso ao mistério da pessoa humana,
contrariamente inacessível, que integre
sua afetividade, dando sentido mais pleno à sua vida.
21. Hoje se constata um desejo crescente de revalorizar as
culturas autóctones. a) Há lugares onde se toma viva consciência de que as
culturas tradicionais são agredidas por influências externas dominantes. b)
Constata-se a enorme influência dos meios de comunicação. A evangelização
encontra na inculturação um de seus maiores desafios. À luz do Evangelho, a
Igreja deve assumir todos os valores positivos da cultura e das culturas e
rejeitar aqueles elementos que impedem as pessoas e os povos de alcançarem o
desenvolvimento de suas autênticas potencialidades.
A Situação
religiosa e moral
22. Na cultura atual existe uma persistente difusão da
indiferença religiosa: a) O ateísmo, como negação de Deus, numa visão
autonomista do homem e do mundo segundo a qual esse mundo se explicaria por si
mesmo, sem ser necessário recorrer a Deus;
b) Constata-se um retorno ao sagrado, de modo amplo e vital, o despertar
da procura religiosa.
23.Percebe-se um obscurecimento da verdade ontológica da
pessoa humana, um relativismo ético que tira à convivência civil qualquer ponto
seguro de referência moral. A evangelização encontra no terreno religioso moral
um ambiente de atuação privilegiado, para anunciar Deus e testemunhá-lo diante
do mundo. Esta é a missão primordial da Igreja. E à catequese cabe proporcionar
o encontro com o Deus e fortalecer o vínculo permanente de comunhão fraterna.
A Igreja no
campo do mundo
A fé dos cristãos
24. A renovação catequética, desenvolvida na Igreja durante
as últimas décadas, está dando frutos positivos. Deu origem a uma tipologia de
cristãos conscientes de sua fé e coerente
com esta em sua vida. Favoreceu neles: a) uma nova experiência vital de
Deus; b) uma redescoberta mais profunda de Jesus Cristo; c) o sentir-se mais
co-responsável pela missão da Igreja no mundo; d) a tomada de consciência das
exigências sociais da fé.
25. Há os que são tocados pela atmosfera de secularismo e de
relativismo ético: a) os não- participantes, para estes, redespertá-los para a
fé é um verdadeiro desafio para a Igreja; b) os de sentimentos religiosos
sinceros e com uma religiosidade popular, necessitam reposicionar e amadurecer
a sua fé sob uma luz diversa.
26. Há um certo número que esconde a própria identidade
cristã. Estas situações exigem uma nova evangelização, o anúncio missionário e
a catequese, tendo como prioridade os jovens e adultos.
A vida
interna da comunidade eclesial
27. A Igreja acolheu o
Concílio Vaticano II e o fez frutificar. As quatro constituições - Sacrosanctum Concilium, Lumem Gentium, Dei Verbum e
Gaudium et Spes- fencundaram a Igreja: a) a vida litúrgica é compreendida
mais profundamente; b) o povo de Deus adquiriu uma consciência mais viva do
sacerdócio comum, radicado no Batismo; c) adquiriu um sentido mais vivo da
Palavra de Deus; d) a missão da Igreja no mundo é sentida de maneira nova, a
exigência de uma evangelização ligada à promoção humana.
28. Reconhecemos, também,
carências e dificuldades: a) enfraqueceu-se o sentido da pertença eclesial; b)
constata-se uma desafeição para com a Igreja; c) posições parciais e opostas na
interpretação e aplicação do Vat.II
conduziram a fragmentações e prejudicaram o testemunho de comunhão. A
ação evangelizadora da Igreja, e nesta a catequese, deve buscar uma sólida
coesão eclesial e aprofundar uma eclesiologia de comunhão, para gerar nos
cristãos, uma profunda espiritualidade.
Situação da
catequese: a sua vitalidade e os seus problemas
29. Aspectos positivos: a) O
grande número de sacerdotes, religiosos (as), e leigos (as) que se consagram à
catequese com grande entusiasmo e perseverança; b) o caráter missionário da
catequese e a sua propensão em assegurar a adesão à fé; c) o incremento da
catequese de adultos; d) o pensamento catequético ganhou mais profundidade e
densidade.
30. Alguns problemas:
a) o conceito de catequese como escola da fé; b) O conceito de Revelação e
Tradição e quase que exclusiva alusão à Sagrada Escritura. A inter-relação
entre a Sagrada Escritura, Tradição e Magistério, cada qual faz segundo seu
próprio modo; c) uma apresentação mais equilibrada de toda a verdade do
mistério de Cristo - uns só insistem na humanidade outros só na divindade.
Problemas de conteúdos: a) lacunas
doutrinais no que concerne à verdade sobre Deus e sobre o homem, sobre o pecado
e a graça e sobre os Novíssimos; b) uma ligação fraca e fragmentária com a
liturgia; c) não se dá a devida atenção às exigências e à originalidade da
pedagogia da fé; d) saber transmitir o Evangelho no limite do horizonte
cultural dos povos; e) a formação para o apostolado e para a missão.
A semeadura
do Evangelho
31. O semeador envia os seus operários para anunciar o
Evangelho a todo o mundo, comunicando-lhes a força do Espírito.
Como ler os
sinais dos tempos
32. À luz
da fé e com uma atitude de compaixão, valendo-se das ciências humanas, a Igreja
busca descobrir o sentido da situação atual, no âmbito da história da salvação.
Desafios
33.
Desafios e orientações que devemos assumir: a) ser um válido serviço à
evangelização; b) os adultos são os destinatários privilegiados, em seguida as
crianças, adolescentes e jovens; c) deve plasmar a personalidade cristã,
seguindo a pedagogia cristã (da fé); d) anunciar os mistérios essenciais do
cristianismo, promovendo a experiência trinitária; e) ter como tarefa
prioritária a preparação e a formação de catequistas de fé profunda.
Primeira Parte
A catequese na missão evangelizadora da Igreja
Introdução - A Primeira parte” [que corresponde à
2ª do Diretório antigo] é articulada em três capítulos e enraíza de
forma mais acentuada a catequese na Constituição DV, colocando-a no
quadro da evangelização presente em EN e CT. Propõe-se, além
disso, um esclarecimento da natureza da catequese”.
35. Objetivo: “definir o caráter próprio da catequese”
(35 a). I cap.: estrutura teológica da catequese a partir do
conceito de Revelação (DV) e do Ministério da Palavra. Os conceitos de Palavra
de Deus, Evangelho, Reino de Deus e Tradição da DV “fundam o
significado de catequese” (35 a) e o conceito de Evangelização “é
referencial obrigatório para a catequese”. II cap.: “a catequese no
quadro da evangelização” e sua relação “com as demais formas de ministério da
palavra”. III cap.: a catequese em si mesma = natureza eclesial,
finalidade ligada à comunhão com Jesus Cristo, deveres e inspiração
catecumenal. - Evolução semântica do termo catequese; aqui: magistério
pós-conciliar... EV, CT, RM.
1o
Capítulo
Revelação e sua transmissão mediante a Evangelização
36 - 41. Após uma premissa tirada do CaIC (o ser humano
capaz de Deus), apresenta a Revelação a partir da DV numa perspectiva personalista
(36), trinitária e salvífica (37), histórica (fatos e
palavras, binômio inseparável), conforme a pedagogia divina (progressivamente,
etapas - 38), modelo da evangelização e catequese (39). Jesus Cristo: “Palavra
única, perfeita e insuperável” é o centro desta revelação através da encarnação
(assume nossa história). Daí o cristocentrismo da evangelização e
catequese que implica o discipulado (41)
43 - 45. A Igreja sob ação do E. Santo é
transmissora da Revelação; há uma insistência sobre o fundamento nos Apóstolos;
a tradição apostólica perpetua-se na Igreja que no seu todo, pastores e
fiéis, vigia por sua conservação e transmissão (43). Nela se mantém vivo e
íntegro o Evangelho. Relação entre Tradição, Escritura e Magistério. A Igreja
evangeliza pela palavra e sacramentos. Ao falar da obediência da fé ressalta-se
tanto a dimensão existencial (adesão livre ao Evangelho da graça), quanto
intelectual (assentimento do intelecto e vontade) 45.
46 - 48. Descreve a Evangelização a partir da EN,
como processo complexo a ser vivido na sua totalidade (anúncio, testemunho,
ensinamento, sacramentos, amor ao próximo, fazer discípulos) e bipolaridade:
testemunho e anúncio, palavra e sacramento, mudança interior e transformação
social (46). Nos passos da AG expõe a dinâmica do processo
evangelizador: testemunho, diálogo, caridade, anúncio e apelo à conversão,
catecumenato e iniciação cristã, formação da comunidade cristã por meio dos
sacramentos e ministérios (47). Aprofunda no nº 48, colocando a caridade e
inculturação em primeiro lugar”; a catequese (1ª aparição!) “inicia na
fé... aqueles que se convertem a Jesus Cristo ou que retomam o caminho de sua
seqüela, incorporando-os ou reconduzindo-os à comunidade cristã”.
49. O processo evangelizador no seu conjunto
apresenta três etapas ou momentos essenciais (49): 1) ação missionária para os não fiéis e os
que vivem na indiferença; 2) ação catequética e de iniciação para os que optam
pelo Evangelho e os que precisam completar ou estruturar sua iniciação; 3) ação
pastoral para cristãos maduros no seio da comunidade. Esta distinção irá
relativizar o conceito de catequese permanente (nota 64).
50. O ministério da Palavra (anúncio, palavra humana)
é intimamente vinculado às “obras que Deus realizou e continua a realizar”
(liturgia), ao testemunho e ação transformadora, com uma forte dimensão
pneumatológica. Entretanto, falando dos ministros da palavra, sua força maior
recai sobre os ministros ordenados, quase que relativizando a força do sacerdócio
batismal: (cf nota 55 do nº 50), pelo qual os catequistas leigos não
seriam propriamente ministros da palavra; aí cita-se muito João Paulo II
e se esquece da EN 73, que chama a catequese como um autêntico ministério
(cf CNBB, Formação de Catequistas 18 nota 13). Este fechamento é um
dos pontos fracos do DGC.
51. São consideradas 5 formas do ministério da Palavra
(nº 51): convocação e chamado à fé, iniciação, educação permanente à fé,
liturgia e teologia. A catequese é a segunda, relacionada com os “sacramentos
da iniciação, tanto se estes devem ser ainda recebidos [adultos], quanto
se já o foram” (51b). Esta catequese possui seis formas: 1) Adultos não
batizados [catecumenato]; 2) Adultos
batizados que desejam retornar à fé; 3) os que precisam completar sua
iniciação; 4) crianças e jovens que se iniciam na fé. E se acrescentam: 5) a
educação familiar cristã; 6) ensino religioso escolar, ambos com funções de iniciação.
53 - 57. O texto
aprofunda inicialmente a conversão e a fé, vistas nas perspectivas do CaIC,
DV e EN (54). Relevam-se na fé os aspectos de entrega a Deus e adesão à
verdade (ação objetivo-subjetiva da pessoa humana) e a ação da graça (ação de
Deus). O princípio da interação está presente: “A fé comporta uma
transformação de vida... em todos os níveis da existência cristã: vida
interior.... atividades econômicas” (55). A conversão possui uma dimensão
permanente que implica (56): a)o interesse pelo evangelho, b) aprofundamento
da conversão inicial, c) profissão de fé (conhecimento da fé e
aprendizado da vida cristã, caminho espiritual, renúncias, lutas, alegrias...
caminho catecumenal), d) busca da perfeição: o primeiro anúncio (missão)
está a serviço do primeiro item; a catequese está em função do segundo e
terceiro (aprofundamento e profissão de fé) e a educação
permanente (pastoral), do quarto (57: cf nº 49).
58. A Evangelização em seu sentido amplo requer uma
atenção especial para com três situações sócio-religiosas: 1. os que não
conhecem o Evangelho - para eles a catequese se desenvolve no interior do catecumenato
batismal; 2. Comunidades cristãs que irradiam o testemunho evangélico -
estas precisam de uma intensa ação pastoral da Igreja; aí a catequese às
crianças e jovens tem dimensão de iniciação cristã e aos adultos são
destinatários da formação cristã; 3. Grupos de batizados que perderam o
sentido da fé: necessitam de uma nova evangelização; a opção será pela
ação missionária (primeiro anúncio) e catequese de base (58). Diversas
situações convivem no mesmo território, de modo que os limites entre cuidado
pastoral, nova evangelização e atividade missionária nem
sempre são identificáveis.
59. O conjunto das ações evangelizadoras devem levar em
conta: a) A missão ad gentes é a principal missão da Igreja e modelo
exemplar do conjunto da ação missionária. b) O modelo de toda a catequese, quer
em suas formas, como objetivos e dinamismos, é o catecumenato batismal.
c) A catequese de adultos é a principal forma de catequese, para a qual as
outras estão orientadas (59).
Conclusão: a
catequese, situada dentro da evangelização, recebe dela o dinamismo missionário
que a fecunda e configura na sua identidade; por isso, o ministério da
catequese mostra-se como um serviço eclesial fundamental na realização do
mandato missionário de Jesus.
2o Capitulo
A catequese no processo de Evangelização
60. Apresenta a catequese relacionada com as
demais formas do Ministério da Palavra, relacionando também catequese
com ensino religioso escolar e educação familiar.
Catequese e Primeiro Anúncio
61 - 62. Ligada ao primeiro anúncio aos não
crentes (“ide”) a catequese visa amadurecer a conversão inicial e integrar na
comunidade cristã (“aquele que crer”). Muitas vezes pessoas que aderem à
catequese não estão convertidos e precisam de uma verdadeira evangelização.
Na situação de missão ad gentes esta catequese se realiza no âmbito do pré-catecumenato.
Na situação de nova evangelização se realiza por meio da catequese
kerigmática (pré-catequese) pois orienta a uma sólida opção de fé. A
catequese, que é propriamente educação da fé, supõe esta opção,
conversão.
Catequese e os Sacramentos da Iniciação
63 - 68. A catequese como parte da missão da igreja, tem
um antes (ações que preparam) e um depois (ações que derivam). O momento da
catequese é o que corresponde ao período em que se estrutura a conversão. Os
convertidos, através do ensino e um aprendizado devidamente
prolongado no decorrer de toda a vida, são iniciados no mistério da salvação e
num estilo de vida evangélica. (63). A catequese lança os fundamentos do
edifício cristão. Tem um elo com a ação missionária (antes) e ação
pastoral (depois) (64). É elemento fundamental da iniciação cristão,
especialmente o batismo. “O elo que une a catequese ao Batismo é a profissão
de fé, que é ao mesmo tempo elemento interior a este sacramento e meta
da catequese. Três características da catequese de iniciação: a) Formação
orgânica e sistemática; b) Aprendizado de toda vida cristã (iniciação
integral), seguimento de Cristo... assumir compromissos; c) Formação de base,
concentração no essencial da experiência cristã, nas certezas mais fundamentais
da fé. Enfim: não é mero ensino, mas formação para a vida cristã; é essencial e
não entra em questões disputadas nem se aventura na pesquisa teológica;
incorpora na comunidade que vive, celebra e testemunha a fé.
Catequese e a educação permanente à fé
69 - 72. Dá prosseguimento à educação de base (catequese
de iniciação). Este processo permanente acontece na comunidade, particularmente
na mesa da Palavra (Evangelho) e mesa Eucarística. Destinatários: toda
comunidade. Meta: amor a Deus e aos irmãos, abertura ao mundo, ação
missionária. A homilia ocupa lugar privilegiado (70). Formas desta educação permanente:
estudo da Palavra de Deus (lectio divina), leitura cristã dos
acontecimentos (doutrina social), catequese litúrgica, catequese
ocasional, ensino teológico. É preciso que todas estas formas estejam bem
conexas no projeto catequético (nº 71). Observação: conforme todo espírito do
documento e principalmente da nota 64 do nº 51, o conceito de catequese
se restringe às atividades de iniciação cristã tanto de crianças e
jovens, como principalmente de adultos; a educação da fé, aprofundamento
da vida cristã de pessoas já verdadeiramente iniciadas na fé, seria uma
atividade da formação permanente e não propriamente catequese (e
isto é função de toda pastoral da Igreja). Entretanto, em vários lugares
mantém-se a terminologia catequese permanente (82, 232, 235, etc.).
Catequese e Ensino Escolar da religião
73 - 76. Está no âmbito do ministério da palavra. Distinto
da catequese, mas complementar. Torna presente o Evangelho no processo pessoal
de assimilação, sistemática e crítica, da cultura, veiculada na escola. É uma
disciplina escolar e deve apresentar o evento cristão com a mesma seriedade e
profundidade das outras, num diálogo inter-disciplinar. Conteúdo: visão cristã
da origem do mundo, sentido da história, fundamento dos valores éticos, função
da religião na cultura, destino da humanidade, relação com a natureza (73). Destinatários
(mais do que na catequese, aqui se deveria falar de interlocutores): os
católicos têm direito a conhecer mais profundamente a pessoa de Cristo; deve-se
oferecer um ensino confessional às famílias e alunos que escolhem tal ensino. Na
escola católica é parte indispensável de sua tarefa pedagógica. Na escola
pública ou não confessional onde o ERE é comum a católicos e não
católicos, deve assumir dimensão ecumênica e de conhecimento inter-religioso. Em
outras ocasiões o ERE terá um caráter mais cultural dando realce à
religião católica e poderá ter a dimensão de uma preparação evangélica. (74)
Concluindo: a educação cristã das crianças e adolescentes está intimamente
relacionada com a família, catequese e ERE. Na prática deve-se levar em
conta as diferentes variáveis que se apresentam, para agir com realismo e
prudência pastoral. Nisto têm função importante as dioceses e conferências
episcopais.
3o Capítulo
Natureza, finalidade e tarefas da catequese
77. O cap. anterior estudou a relação da catequese
com as demais ações eclesiais. Aqui se analisa a catequese enquanto tal:
sua natureza e finalidade (comunhão com JCristo), seus deveres e sua inspiração
catecumenal (metodologia para respeitar a gradualidade do processo
catequético).
78 - 79. A natureza da catequese é antes de tudo eclesial.
É um ato da Igreja que transmite a fé que ela vive; esta transmissão
(durante todo o documento se usa este conceito e, não tanto, comunicação,
muito mais vital) acontece de um modo ativo: o catecúmeno e catequizando recebe
a fé que lhe é entregue(traditio) e a restitui (reditio)
enriquecida “culturalmente”. A Igreja é Mãe, educadora, alimenta a fé de seus
filhos com o Evangelho.
82-83. Finalidade: é a comunhão, intimidade com
Jesus Cristo. A catequese aprofunda a primeira adesão a Ele (80) e une o
cristão a tudo a que Cristo se sentia unido: ao Pai, E. Santo, Igreja, irmãos,
missão (81). Daí o cristocentrismo, que é trinitário; a profissão de fé
trinitária é ponto de partida e de chegada da catequese. A Fé cristológica
(Jesus é o Senhor) une-se à fé trinitária (Creio no Pai, Filho e Espírito
Santo). É uma fé eclesial, individual, mas, também, comunitária (eu creio,
nós cremos).
84 - 85. Tarefas fundamentais: a catequese é uma
educação da fé em todas as dimensões. A fé deve ser conhecida,
celebrada, vivida e traduzida em oração. E isto sempre dentro da comunidade.
Daí quatro tarefas fundamentais (85): a) Favorecer o conhecimento da fé (atitude
= fides qua e conteúdo = fides quae) . Sua expressão e, portanto,
fonte da catequese, é o Credo. b) Educação litúrgica: celebração
dos sacramentos, catequese mistagógica; c) Formação moral: seguimento de
Cristo (a palavra seqüela usada na tradução portuguesa tem sentido
pejorativo!), através das Bem-aventuranças e Mandamentos; d) Formação na oração:
catequese sobre o Pai Nosso. Nestes quatro ítens encontram-se quatro
fontes da catequese (Credo, Liturgia, Bem-aventuranças-Mandamentos e Pai
Nosso), que constituem justamente as quatro partes do CaIC.
86. Outras tarefas igualmente importantes: 1) Educação
para a vida comunitária: partindo de Mt (evangelho da comunidade)
apresentam-se cinco atitudes da vida cristã (a) e, neste contexto comunitário,
se fala da educação para o ecumenismo (b). 2) Educação para a missão
no mundo e na Igreja (a) e neste contexto fala-se da educação para o diálogo
inter-religioso (b).
87. Considerações sobre o conjunto destas tarefas: todas elas são necessárias,
devem ser articuladas, implicam-se mutuamente; os grandes meios para
realizá-las não é somente a transmissão da mensagem, mas também
proporcionar a experiência cristã particularmente na Liturgia. Tudo isso
é dom de Deus e leva ao compromisso, testemunho. O último item deste
nº 87 (pg. 87) é importantíssimo
e de muita conseqüência para a catequese: fala do enraizamento da experiência
cristã dentro da experiência humana e aponta seis ítens
interessantes desta dimensão humana fundamental para a catequese.
88 - 90. Gradualidade da catequese: como na revelação
divina também a catequese deve ser “gradual, por etapas”. Ora, o catecumenato
batismal é a forma de catequese que mais favorece esta gradualidade, por
causa de seus “passos” bem claros, definidos e crescentes. Por isso, a partir
destes números 88-89 e ao longo de todo o documento se insiste no catecumenato
batismal como fonte inspiradora e modelo de qualquer forma de
catequese. Ou seja: a catequese pré-batismal torna-se também modelo da catequese
pós-batismal (seja para crianças e jovens, como principalmente para os
adultos). [Atenção: não confundir esta dimensão
catecumenal da catequese com o movimento catecumenal. O documento
não está canonizando o movimento catecumenal mas apontando o antigo
catecumenato batismal, de onde nasceu a catequese, como modelo mais eficaz
hoje, para a catequese]. Nos nºs 88-89 são apontados estes quatro graus da
“grande tradição catecumenal” patrística, que são aprofundados nos nºs
seguintes. No último parágrafo deste capítulo se fala que não se trata de
“reproduzir mimeticamente” o catecumenato antigo, mas de “inspirar-se nesta
escola preparatória à vida cristã”. Esta acentuação catecumenal da catequese é,
propriamente, a maior novidade apresentada pelo novo Diretório que tem,
particularmente neste ponto, grande influência da experiência e tradição
recente da catequese na Espanha. Deve-se reconhecer, por outro lado, que são
integrados alguns elementos, embora timidamente, da nossa tradição latino-americana
(dimensão experiencial, comunitária, bíblica e transformadora da catequese.
Segunda Parte
A mensagem
evangélica
A fé pode ser considerada sob
um duplo aspecto:
- como adesão a Deus (confiança, abandono...);
- como conteúdo da Revelação (conhecimento da Palavra).
A 2a parte do DGC aborda o segundo aspecto (o
conteúdo)
Há dois capítulos:
1. Normas e critérios para a apresentação da mensagem
2.
O conteúdo conforme o
CaIC e critérios para catecismos locais
1o Capítulo
Normas e critérios para a apresentação da mensagem
evangélica na catequese
A fonte da
catequese é a Palavra de Deus (Tradição
e Escritura)
94. A Palavra é Jesus Cristo, o Verbo feito homem, e sua
voz ressoa, por meio do Espírito Santo, na Igreja e no mundo.
A Palavra de
Deus chega a nós por meio de "obras e palavras humanas" que precisam
ser interpretadas continuamente pela Igreja, guiada pelo Espírito.
A fonte e
as fontes da mensagem da catequese
95. A Palavra de Deus é
- meditada
e compreendida por meio do senso de fé de todo o Povo de Deus, sob a orientação
do Magistério;
-
celebrada, proclamada, ouvida e interiorizada na Liturgia;
- resplende
na vida da Igreja (testemunho cristão);
-
aprofundada na pesquisa teológica;
-
manifesta-se nos genuínos valores religiosos e morais (sementes da Palavra) na
sociedade humana e nas culturas
96. Tradição, Escritura e Magistério são as
fontes essenciais da catequese.
Os
critérios para a apresentação da mensagem
97. 1. Mensagem centrada
na pessoa de Jesus Cristo (cristocentrismo) que introduz à dimensão trinitária.
2. O anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, centrado no dom
da salvação, implica numa mensagem de libertação.
3.
O caráter eclesial da mensagem
remete ao seu caráter histórico (tempo da Igreja)
4.
Uma vez que a Boa Nova se
destina a todos os povos, busca a inculturação (com integridade e pureza)
5.
Mensagem orgânica com uma
própria hierarquia de verdade.
O
Cristocentrismo da mensagem evangélica
98. No centro da catequese encontramos essencialmente uma
Pessoa: Jesus de Nazaré, Filho único do Pai. A tarefa fundamental da catequese
é apresentar Cristo; todo o resto em referência a ele.
- Jesus está no centro da história da salvação, evento
último para o qual converge toda a história sagrada. Ele é a chave, o centro e
o fim, o sentido último da história humana.
- A mensagem evangélica não provém do homem, mas é
Palavra de Deus. A catequese deve transmitir aquilo que Jesus ensina a
propósito de Deus, do homem, da felicidade, da vida mortal, da morte...
- Os Evangelhos estão no centro da mensagem catequética.
O
cristocentrismo trinitário
99 -100. Jesus remete constantemente ao Pai, de quem se
sabe Filho Único, e ao Espírito Santo, do qual se sabe Ungido. Ele é o Caminho
que introduz no mistério íntimo de Deus.
O mistério
da SS. Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Por Cristo, ao
Pai, no Espírito.
A
humanidade, criada à imagem de um Deus que é comunhão de pessoas, é chamada a
ser uma sociedade fraterna, filhos de um mesmo Pai, iguais em dignidade
pessoal.
A Igreja se
autocompreende como "um povo agregado na unidade do Pai, do Filho e do
Espírito Santo".
Uma
mensagem que anuncia a salvação
101-102. A mensagem de Jesus sobre Deus é uma boa
nova para a humanidade. Jesus, de fato, anunciou o Reino de Deus: uma nova e
definitiva intervenção de Deus, com um poder transformador tão grande e até
mesmo superior àquele que utilizou na criação do mundo. Neste sentido, Cristo
anuncia a salvação, esse grande dom de Deus que é não somente libertação de
tudo aquilo que oprime o homem, mas sobretudo libertação do pecado e do
maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por ele conhecido, de vê-1o e
de se entregar a ele.
- Cristo
anuncia Deus, Pai, operando com amor. O testemunho sobre Deus como Pai é
fundamental na catequese,
-
Cristo introduz na comunhão com o Pai (filiação divina) e promete a vida
eterna.