ACERCA DA NOVA EDIÇÃO DA
INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO
Congregação
para o Culto Divino
(Fonte:
Revista Litúrgica)
Acerca da nova edição da
«Instrução Geral do Missal Romano», a Congregação para o Culto Divino e a
Disciplina dos Sacramentos publicou na revista «Communicationes» 32/2(2000),
pp. 171-174, duas respostas que defendem a legítima liberdade na celebração da
Santa Missa e, por isso, damo-las a conhecer aos leitores.
A posição do celebrante no altar durante a Missa
Prot. N. 2036/00/L
(original italiano)
Foi perguntado à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos
Sacramentos se o enunciado do n. 299 da Institutio Generalis Missalis Romani
constitui uma norma segundo a qual, durante a liturgia eucarística, a
posição do sacerdote versus absidem deva considerar-se excluída.
A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, re
mature perpensa et habita ratione dos precedentes litúrgicos, responde:
Negative et ad mentem.
A mens compreende diversos elementos a ter em conta.
Antes de mais, deve ter-se presente que a palavra expedit não
representa uma forma obrigatória, mas uma sugestão que se refere quer à
construção do altar a pariete seiunctum (separado da parede), quer
à celebração versus populum (de frente para o povo). A cláusula ubi
possibile sit (onde seja possível) refere-se a diversos elementos
como, por exemplo, a topografia do local, a disponibilidade de espaço, a
existência de um anterior altar de valor artístico, a sensibilidade da
comunidade que participa nas celebrações na igreja de que se trata, etc.
Reafirma-se que a posição de frente para a assembleia parece mais conveniente
porquanto torna mais fácil a comunicação (cf. Editorial de Notitiae 29
[1993] 245-249), sem se excluir, contudo, a outra possibilidade.
No entanto, qualquer que seja a posição do sacerdote celebrante, é claro
que o Sacrifício Eucarístico é oferecido a Deus Uno e Trino, e que o sacerdote
principal, Sumo e eterno, é Jesus Cristo, que actua através do ministério do
sacerdote que preside visivelmente como Seu instrumento. A assembleia litúrgica
participa na celebração em virtude do sacerdócio comum dos fiéis, o qual tem
necessidade do sacerdote ordenado para ser exercido na Sinaxis Eucarística.
Deve-se distinguir a posição física, relacionada especialmente com a
comunicção entre os diversos membros da assembleia, e a orientação
espiritual e interior de todos. Seria um grave erro imaginar que a
orientação principal do acto sacrificial seja para a comunidade. Se o sacerdote
celebra versus populum, o que é legítimo e muitas vezes aconselhável, a
sua atitude espiritual deve ser sempre versus Deum per Iesum Christum, como
representante de toda a Igreja. Também a Igreja, que assume forma concreta na
assembleia que participa, está toda voltada versus Deum como primeiro
movimento espiritual.
Segundo parece, a antiga tradição, embora não fosse unânime, era que o
celebrante e a comunidade orante estivessem voltados versus orientem, ponto
donde vem a luz que é Cristo. Não são raras as igrejas antigas cuja construção
estava «orientada» de modo que o sacerdote e o povo no acto de fazer a oração
pública se voltassem versus orientem.
Cabe pensar que, quando havia dificuldades de espaço ou de outro tipo, a
ábside representava idealmente o oriente. Hoje, a expressão versus orientem significa
frequentemente versus absidem, e quando se fala de versus populum não
se pensa no ocidente, mas sim voltado para a comunidade presente.
Na antiga arquitectura das igrejas, o lugar do Bispo ou do sacerdote
celebrante encontrava-se no centro da ábside e, sentado, dali escutava a
proclamação das leituras voltado para a comunidade. Ora aquele lugar da
presidência não é atribuído à pessoa humana do Bispo ou do presbítero, nem aos
seus dotes intelectuais e nem sequer à sua santidade pessoal, mas ao seu papel
de instrumento do Pontífice invisível que é o Senhor Jesus Cristo.
Quando se trata de igrejas antigas ou de grande valor artístico, deve-se,
além disso, ter em atenção a legislação civil a respeito das alterações ou
reestruturações. Um altar adventício pode não ser sempre uma solução condigna.
Não convinha dar excessiva importância a elementos que sofreram alterações
ao longo dos séculos. O que permanecerá sempre é o acontecimento celebrado
na liturgia: ele é manifestado mediante ritos, sinais, símbolos e palavras, que
exprimem diversos aspectos do mistério, sem contudo o esgotarem, porque os
transcende. Aferrar-se a uma posição e absolutizá-la poderia tornar-se uma
rejeição de algum aspecto da verdade que mereça respeito e acolhimento.
Vaticano, 25 de Setembro de 2000.
Jorge A. Card. Medina Estévez
Prefeito
@ Francesco Pio Tamburrino
Secretário
Posições dos fiéis na Missa e local da reserva do
SSmo. Sacramento
Prot. N. 2372/00/L
(original inglês)
1. Com o n. 43 da Institutio Generalis Missalis Romani, a
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos pretende proibir
os fiéis de se ajoelharem durante qualquer parte da Missa excepto durante a
Consagração, isto é, proibir os fiéis de se ajoelharem depois do Agnus Dei e
depois da recepção da Sagrada Comunhão?
R: Negative.
2. Com os nn. 160-162, 244 ou outros da Institutio Generalis Missalis
Romani, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
pretende que os fiéis deixem de se ajoelhar ou de se inclinarem em sinal de
reverência ao Santíssimo Sacramento imediatamente antes de receberem a
Sagrada Comunhão?
R: Negative.
3. Com os nn. 314-315 ou outros da Institutio Generalis Missalis Romani,
a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos pretende que,
nas igrejas paroquiais, se deve preferir uma capela separada para a reserva do
Santíssimo Sacramento a uma localização destacada e central dentro do corpo
principal da igreja, portanto visível para os fiéis durante a celebração da
Missa?
R: Negative, et ad mentem.
Mens: Dentro das normas especificadas na lei, compete ao Bispo diocesano, na
sua função de moderador da Sagrada Liturgia na Igreja particular a ele
confiada, julgar sobre o local mais apropriado para a reserva do Santíssimo
Sacramento, tendo em mente antes de tudo a finalidade de encorajar e
possibilitar que os fiéis visitem e adorem o Santíssimo Sacramento.
Cidade do Vaticano, 7 de Novembro de 2000
Jorge A. Card. Medina Estévez
Prefeito
@ Francesco Pio Tamburini
Arcebispo Secretário