Vinte questões da Santa Sé para preparar
o Sínodo sobre a Eucaristia
Será celebrado em Roma em outubro de 2005
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 1º de junho de 2004 (ZENIT.org).- A sondagem com vinte questões que
a Santa Sé acaba de lançar para preparar o próximo Sínodo dos Bispos de outubro
de 2005 servirá para avaliar a participação e o espírito com o qual os
batizados celebram e vivem o sacramento da Eucaristia.
O «Questionário» começa estabelecendo estas perguntas: «Que importância se dá, na vida de vossas comunidades e dos fiéis, à celebração da Eucaristia? Como é a freqüência na participação da Santa Missa aos Domingos? Nos dias de semana? Por ocasião das grandes festas do ano litúrgico? Existem estatísticas --mesmo aproximadas-- a esse respeito?».
O texto constitui o último capítulo dos «Lineamenta» («Linhas de orientação»), documento com cujas respostas a Secretaria do Sínodo dos bispos redigirá o «Instrumentum Laboris» («Documento de trabalho») que servirá como base para os debates da assembléia sinodal, que terá lugar exatamente de 2 a 29 de outubro de 2005.
Seu título é «A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja».
Na introdução dos «Lineamenta» se explica que com este documento «espera-se, portanto, que se encorajem as Conferências Episcopais, as Igrejas Orientais sui iuris, os Dicastérios da Cúria Romana e a União dos Superiores Gerais na reflexão e verificação pastoral».
Ao mesmo tempo, convida «todos os componentes da Igreja a darem o sua contribuição, para que as respostas ao questionário dos Lineamenta sejam completas e significativas, e assim se possa realizar um profícuo trabalho sinodal».
Os leigos podem apresentar suas respostas através de seu bispo local.
«Para um conveniente andamento do processo sinodal, as respostas deverão ser recebidas nesta Secretaria Geral antes do 31 de Dezembro de 2004.», pedem os «Lineamenta».
Na introdução, o documento explica os motivos pelos quais o Papa, após uma consulta, escolhei como tema para o Sínodo a Eucaristia.
«Não há dúvida de que, hoje, existe na Igreja uma “urgência eucarística”, não já derivada de uma incerteza de fórmulas, como acontecia no tempo do Vaticano II, mas porque a hodierna praxe eucarística carece de uma nova e amorosa expressão, feita de gestos de fidelidade Àquele que se faz Presente a quantos hoje continuam a procurá-l’O: “Mestre, onde moras?”», afirma o documento.
Publicamos a seguir o texto integral do «Questionário».
QUESTIONÁRIO
1. A Eucaristia na vida da Igreja: Que importância se dá, na vida das vossas comunidades e dos fiéis, à celebração
da Eucaristia? Como é a frequência na participação da Santa Missa aos Domingos? Nos dias de semanas? Por ocasião das grandes festas do ano litúrgico? Existem estatísticas – mesmo aproximadas – a esse respeito?
2. A doutrina eucarística e a
formação: Que esforços se fazem para transmitir às vossas comunidades e a cada
fiel a doutrina integral e completa sobre a Eucaristia? Nomeadamente, que uso
se faz do Catecismo da Igreja Católica, nn. 1322-1419, e da Encíclica Ecclesia
de Eucharistia, tanto por parte dos sacerdotes, dos diáconos, das pessoas
consagradas, como dos leigos empenhados na pastoral? Como se garante a formação
da fé na Eucaristia: na catequese de iniciação? Nas homilias? Nos programas de
formação permanente para sacerdotes, diáconos permanentes, seminaristas,
pessoas consagradas, leigos?
3. Percepção do mistério eucarístico: Qual a ideia dominante que os sacerdotes
e os fiéis das vossas
comunidades têm da Eucaristia: sacrifício? Memorial do mistério pascal? Preceito dominical? Banquete fraterno? Acto de adoração? Outras...? Na prática, prevalece alguma destas dimensões? Quais os motivos dessa preferência?
4.
Sombras na celebração da Eucaristia: Na Encíclica Ecclesia de Eucharistia (n.
10) o Papa acena a algumas “sombras” na celebração da Eucaristia. Quais os
aspectos negativos (abusos, ambiguidades) que se podem constatar no culto da
Eucaristia? Que elementos ou gestos da praxe poderão ofuscar o sentido mais
profundo do mistério eucarístico? Que razões levariam a essa situação que
desorienta os fiéis?
5. Celebração eucarística e normas litúrgicas: Notam-se na maneira de celebrar
dos sacerdotes comportamentos
que explícita ou implicitamente contradigam, a título de personalismo ou protagonismo, as normas litúrgicas estabelecidas pela Igreja Católica (cf. Instruções Gerais do Missal Romano, cap.IV; Instrução para a aplicação das Prescrições litúrgicas do Código dos Cânones das Igrejas Orientais)? Quais poderiam ser os motivos de tais comportamentos? Que elementos ou gestos da celebração da Santa Missa, bem como do culto eucarístico fora da mesma, deveriam ser, segundo as respectivas normas e disposições, particularmente cuidados para realçar o sentido mais profundo do grande mistério da fé escondido no dom da Eucaristia?
6. Os sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação: A conversão é a primeira
condição para participar
plenamente na Comunhão eucarística. Como entendem os fiéis a relação entre os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia? A celebração da Santa Missa é também festa pela salvação do pecado e da morte. Como se vai ao encontro desse regresso dos pecadores, sobretudo no Dia do Senhor, para que os fiéis possam recorrer a tempo ao sacramento da Penitência a fim de participar na Eucaristia? Na vida das comunidades cristãs, verifica-se um frequente acesso indiscriminado dos fiéis à Comunhão ou uma abstenção injustificada da mesma? Que se faz para ajudar os fiéis a discernir se se encontram nas devidas disposições para abeirar-se deste grande Sacramento?
7. O sentido do sagrado na Eucaristia: A Eucaristia é o mistério da presença
real de Deus entre nós, mas, ao
mesmo tempo, é um mistério inefável. Como deveria exprimir-se o sentido do sagrado em relação à Eucaristia? De que modo os sacerdotes e os fiéis o manifestam na celebração quotidiana da Santa Missa, nas grandes festas e tempos litúrgicos do ano? Existem atitudes ou práticas cultuais que obscureçam este sentido do sagrado?
8. A Santa Missa e a celebração da Palavra: No que diz respeito às celebrações da Liturgia da Palavra com a distribuição da Eucaristia, muitas vezes guiadas por um leigo ou ministro extraordinário, nas paróquias à espera de sacerdote: qual a extensão desse fenómeno nas vossas paróquias? Que formação específica recebem os responsáveis? Conseguem os fiéis perceber a diferença entre essas celebrações e a Santa Missa? Conhecem de forma adequada a distinção essencial entre o ministério ordenado e o não ordenado?
9. A Eucaristia e os demais sacramentos: Em que medida e com que critérios os
outros sacramentos são
celebrados durante a Santa Missa? Quando se celebram sacramentos e sacramentais durante a Santa Missa (Matrimónios, Funerais, Baptismos, etc. ) com a presença de não praticantes, de não católicos, de não crentes, que medidas se tomam para evitar a superficialidade ou a negligência em relação à Eucaristia?
10. A presença real de Cristo na Eucaristia: Os fiéis nas vossas paróquias
conservaram a fé na presença real do
Senhor no sacramento da Eucaristia? Entendem claramente o dom da Presença real do Senhor? Verificam-se na liturgia da Santa Missa ou no culto eucarístico fenómenos que comportam o risco de perder a consideração pela Presença Real? Se tais fenómenos se verificam, quais seriam as suas causas?
11. A devoção eucarística: O culto do Santíssimo Sacramento ocupa o devido
lugar na vida da paróquia e das
comunidades? Que importância dão os pastores à adoração do SS.mo Sacramento? À adoração perpétua? À Bênção do Santíssimo Sacramento? À oração pessoal diante do Tabernáculo? À Procissão do Corpus Domini? À devoção eucarística nas missões populares?
12. A Santa Missa e a vida litúrgico-devocional: Conseguem os fiéis
aperceber-se da diferença entre Santa Missa
e demais práticas devocionais, como a Liturgia das Horas, a celebração dos sacramentos e sacramentais fora da Missa, a Liturgia da Palavra, as procissões, etc.? Como se manifesta a diferença substancial entre a celebração eucarística e as outras celebrações litúrgicas e para-litúrgicas?
13. O decoro na celebração da Eucaristia: Nas vossas Igrejas dá-se a devida
atenção ao decoro da celebração
eucarística? Qual é o contexto artistico-arquitectónico em que se desenrolam as liturgias eucarísticas, tanto as solenes como as ordinárias? É evidente, já a partir dessa ambientação, que o banquete eucarístico é verdadeiramente um banquete “sagrado” (Ecclesia de Eucharistia, 48)? Com que frequência e por que motivos pastorais se celebra a Eucaristia fora dos lugares de culto?
14. Eucaristia e inculturação: Em que medida é preciso dar espaço à
inculturação na celebração do sacramento
da Eucarística, para que se evite uma mal entendida criatividade, que segue modas fantasiosas e bizarras? Na prática, que critérios se seguem em vista de uma tal inculturação? Têm-se em devida consideração, na Igreja Ocidental, as normas propostas pela Instrução De Liturgia Romana et Inculturatione? Como se vive o tema da inculturação da Eucaristia nas Igrejas Orientais?
15. A nota escatológica da Eucaristia: Dá-se suficiente relevo à nota
escatológica da Eucaristia na catequese, na
formação permanente, na homilética e na celebração litúrgica? Em que modo se exprime a tensão escatológica suscitada pela Eucaristia na vida pastoral? Como se manifesta na celebração da Santa Missa “a Comunhão dos Santos”, que é uma antecipação da realidade escatológica?
16. Eucaristia, ecumenismo, diálogo inter-religioso e seitas: Perante as
concepções da Eucaristia própria dos
irmãos separados do Ocidente, os desafios das outras religiões e das seitas, como se preserva e apresenta o mistério do Santíssimo Sacramento na sua integridade, de modo que os fiéis não sejam levados a confusões e equívocos, especialmente por ocasião de assembleias ecuménicas e inter-religiosas?
17. Eucaristia e “inter-comunhão” eclesial: “A celebração da Eucaristia não
pode ser o ponto de partida da
comunhão (Ecclesia de Eucharistia, 35). Como se aplicam as normas da chamada inter-comunhão (cf. CIC, can. 844)? Conhecem os fiéis a norma, segundo a qual, um católico não pode receber a Eucaristia nas comunidades que não possuem sacramento da Ordem (cf. Ecclesia de Eucharistia, 46)?
18. Eucaristia e vida moral: A Eucaristia faz crescer a vida moral do cristão.
Que pensam os fiéis leigos da
necessidade da graça sacramental para viver segundo o Espírito e tornar-se santo? Que pensam os fiéis da relação entre a recepção do sacramento da Eucaristia e os demais aspectos da vida cristã: a santificação pessoal, o empenho moral, a caridade fraterna, a construção da sociedade terrena, etc.?
19. Eucaristia e missão: A Eucaristia é também um dom para a missão. Têm os
fiéis consciência de que o
sacramento da Eucaristia leva à missão, que eles mesmos têm de realizar no mundo segundo o próprio estado de vida?
20. Ainda sobre a Eucaristia: Que outros aspectos não incluídos nas perguntas
precedentes deveriam ter-se em
conta relativamente ao Sacramento da Eucaristia, em vista da preparação do Instrumentum laboris para a discussão sinodal?
[Pode-se consultar o texto dos «Lineamenta», na página web do Vaticano (www.vatican.va), na seção «Cúria Romana», no
espaço reservado ao «Sínodo dos bispos».]
ZP04060103