Via-Sacra no Coliseu 2008

 

Presidida pelo Papa, com meditações do cardeal chinês Joseph Zen Ze-Kiun

 

ROMA, quinta-feira, 20 de março de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o texto da Via-Sacra que se recitará na noite desta Sexta-feira Santa, no Coliseu de Roma, sob a presidência do Papa, com meditações e orações escritas pelo cardeal Joseph Zen Ze-Kiun, S.D.B., bispo de Hong Kong.

* * *

 

DEPARTAMENTO PARA AS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS

DO SUMO PONTÍFICE

 

VIA-SACRA

NO COLISEU

 

PRESIDIDA PELO SANTO PADRE

BENTO XVI

 

 

 

 

SEXTA-FEIRA SANTA

DO ANO 2008

 

MEDITAÇÕES E ORAÇÕES

 

DE SUA EMINÊNCIA REVERENDÍSSIMA

 

o Senhor Card. JOSEPH ZEN ZE-KIUN, S.D.B.

 

Bispo de Hong-Kong

 

APRESENTAÇÃO

Quando Sua Santidade o Papa Bento XVI, por intermédio do Eminentíssimo Senhor Cardeal Tarcísio Bertone, me pediu para preparar as meditações para a Via-Sacra de Sexta-feira Santa deste ano no Coliseu, aceitei a tarefa sem a mínima hesitação. Compreendi que tal gesto do Santo Padre era ditado pelo seu desejo de manifestar a própria solicitude ao grande continente asiático e envolver neste solene exercício de piedade cristã particularmente os fiéis da China, para quem a Via-Sacra é uma devoção muito sentida. O Papa quis que eu trouxesse ao Coliseu a voz daquelas irmãs e daqueles irmãos distantes.

Com certeza o protagonista desta Via dolorosa é Nosso Senhor Jesus Cristo, tal como no-Lo apresentam os Evangelhos e a tradição da Igreja. Mas atrás d’Ele há tanta gente do passado e do presente, estamos nós. Nesta noite, deixemos que a multidão dos nossos irmãos distantes, mesmo no tempo, esteja espiritualmente presente no meio de nós. Provavelmente eles, mais do que nós hoje, viveram no seu corpo a Paixão de Jesus. Na sua carne, Jesus foi de novo preso, caluniado, torturado, escarnecido, arrastado, esmagado sob o peso da cruz e pregado naquele madeiro como um criminoso.

Obviamente, no Coliseu, esta noite não estamos só nós. Estão presentes, no coração do Santo Padre e no nosso coração, todos os «mártires vivos» do século vinte e um. «Te martyrum candidatus laudat exercitus».

Pensando na perseguição, vêm ao pensamento também os perseguidores. Ao redigir o texto destas meditações dei-me conta, com grande espanto meu, de ser pouco cristão. Tive de fazer grande esforço para me purificar dos sentimentos de pouca caridade que nutria por quantos fizeram sofrer Jesus e por aqueles que, no mundo de hoje, estão a fazer sofrer os nossos irmãos. Somente quando coloquei diante de mim os meus pecados e as minhas infidelidades é que consegui ver-me entre os perseguidores e pude desfazer-me em preces de arrependimento e gratidão pelo perdão do Mestre misericordioso.

Disponhamo-nos, pois, para meditar, cantar, rezar a Jesus e com Jesus por quantos sofrem por causa do seu nome, por aqueles que O fazem sofrer a Ele e aos seus irmãos, e por nós mesmos, pecadores e às vezes também seus perseguidores.

ORAÇÃO INICIAL

O Santo Padre:

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

R/. Amen.

Jesus Salvador, encontramo-nos reunidos neste dia, nesta hora, e neste lugar que nos recorda inumeráveis servas e servos vossos, que, séculos atrás, por entre os rugidos dos leões esfomeados e os gritos da multidão burlesca, se deixaram despedaçar até à morte por fidelidade ao vosso nome. Nós, hoje, vimos aqui exprimir-Vos a gratidão da vossa Igreja pelo dom da salvação realizada por meio da vossa Paixão.

Os coliseus multiplicaram-se através dos séculos, nos lugares onde os nossos irmãos em diferentes partes do mundo, continuando a vossa Paixão, ainda hoje são duramente perseguidos. Unidos convosco e com os nossos irmãos perseguidos de todo o mundo, iniciamos de coração comovido este caminho pela Via dolorosa que um dia percorrestes com tanto amor.

PRIMEIRA ESTAÇÃO

 

Jesus em agonia no Horto das Oliveiras

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São Marcos 14, 32-36

Chegaram a uma propriedade chamada Getsémani, e Jesus disse aos discípulos: «Ficai aqui, enquanto Eu vou rezar». Tomou consigo Pedro, Tiago e A minha alma*João e começou a encher-Se de pavor e angústia. Disse-lhes então: . Avançando um pouco, caiu por+está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai terra e orava para que, se fosse possível, se afastasse d'Ele aquela hora. Abbá – ó Pai – tudo Te é possível: afasta de Mim este cálice! Todavia,*Dizia:  .+não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres

MEDITAÇÃO

Jesus sentia medo, angústia e uma tristeza de morte. Escolheu três companheiros, que, porém, depressa caíram de sono, e começou a rezar sozinho: «Afaste-se de Mim esta hora… afasta de Mim este cálice… todavia, Pai, seja feita a vossa vontade».

Viera ao mundo para fazer a vontade do Pai, mas nunca como naquele momento tinha provado, na sua profundidade, a amargura do pecado e sentiu-Se perdido.

Na Carta aos Católicos da China, Bento XVI recorda o vidente, no livro do Apocalipse de São João, que chora à vista do livro sigilado da história humana, do «mysterium iniquitatis». Somente o Cordeiro imolado é capaz de tirar aquele selo.

Em muitas partes do mundo, a Esposa de Cristo está atravessando a hora tenebrosa da perseguição, como outrora Ester ameaçada por Haman, como a «Mulher» do Apocalipse ameaçada pelo dragão. Estejamos vigilantes e acompanhemos a Esposa de Cristo na oração.

ORAÇÃO

Jesus, Deus omnipotente que Vos fizestes fraqueza por causa dos nossos pecados, a Vós soam-Vos familiares os gritos dos perseguidos, que são o eco da vossa agonia. Eles perguntam: Porquê esta opressão? Porquê esta humilhação? Porquê esta longa escravidão?

Assomam à mente as palavras do Salmo: «Despertai, Senhor. Porque dormis? Levantai-Vos. Não nos rejeiteis para sempre! Porque escondeis a vossa face? Esqueceis Vós a nossa miséria e tribulação? A nossa alma está prostrada no pó e colado à terra o nosso corpo. Levantai-Vos, Senhor. Vinde em nosso auxílio» (Sal 43, 24-26).

Não, Senhor! Vós não usastes este Salmo no Getsémani, mas dissestes: «Seja feita a vossa vontade!» Teríeis podido mobilizar doze legiões de anjos, mas não o fizestes.

Senhor, o sofrimento amedronta-nos. Assalta-nos a tentação de nos agarrarmos aos meios fáceis de sucesso. Fazei que não tenhamos medo do medo, mas confiemos em Vós.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Stabat mater dolorosa

iuxta crucem lacrimosa

dum pendebat Filius.

SEGUNDA ESTAÇÃO

 

Jesus traído por Judas e abandonado pelos seus

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São Marcos 14, 43a.45-46

No mesmo instante – ainda Jesus falava – apareceu Judas, um dos Doze. . E beijou-O. Depois+Mestre*Aproximou-se logo de Jesus e disse-Lhe:  deitaram-Lhe as mãos e prenderam-No. Então, os discípulos abandonaram-No e fugiram todos. Seguia-O certo jovem, que só trazia um lençol sobre a pele. Agarraram-no. Mas ele largou o lençol e fugiu nu.

MEDITAÇÃO

Traição e abandono por parte daqueles que Ele tinha escolhido como apóstolos, a quem tinha confiado os segredos do Reino, em quem tinha depositado plena confiança. Ou seja, falência completa! Que sofrimento, que humilhação!

Mas tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que tinham dito os profetas. Caso contrário, como se poderia conhecer a monstruosidade do pecado, que é precisamente traição do amor?

A traição colhe-nos de surpresa sobretudo quando provém dos pastores do rebanho. Como puderam fazer-Lhe isto? O espírito é forte, mas a carne é fraca. Tentações, ameaças e extorsões quebram a vontade. Tanto escândalo! Quanta amargura no coração do Senhor!

Não nos escandalizemos! As deserções, nunca faltaram nas perseguições. Tal como depois, frequentemente, se davam os regressos. Naquele jovem que largou o lençol e fugiu nu (cf. Mc 14, 51-52), intérpretes renomados viram o futuro evangelista Marcos.

ORAÇÃO

Senhor, quem foge da vossa Paixão fica sem dignidade. Tende piedade de nós. Despojamo-nos diante da vossa majestade. Mostramo-Vos as nossas chagas, inclusive as mais vergonhosas.

Jesus, abandonar-Vos é abandonar o sol. Querendo desfazer-nos do sol, caímos na escuridão e no frio.

Pai, partimos para longe da vossa casa. Não somos dignos de voltar a ser recebidos por Vós. E todavia Vós ordenais que sejamos lavados, vestidos, calçados e nos seja colocado o anel no dedo.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Cuius animam gementem,

contristatam et dolentem

pertransivit gladius.

TERCEIRA ESTAÇÃO

 

Jesus é condenado pelo Sinédrio

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São Marcos 14, 55.61b-62a.64b

Os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus, para Lhe darem a morte, mas não o encontravam. O Sumo Sacerdote começou a  Jesus respondeu:+És Tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?*interrogá-Lo:  .+Sou* E todos sentenciaram que Jesus era réu de morte.

MEDITAÇÃO

O Sinédrio era a corte de justiça do povo de Deus. Ora esta corte condena Cristo, o Filho de Deus bendito, julgando-O réu de morte.

O Inocente é condenado «porque blasfemou»: declaram os juízes e rasgam as vestes. Mas nós sabemos, pelo Evangelista, que o fizeram por inveja e ódio.

São João diz que, no fundo, o Sumo Sacerdote tinha falado em nome de Deus: só deixando condenar o seu Filho inocente é que Deus Pai pôde salvar os irmãos d’Ele culpados.

Através dos séculos, falanges de inocentes foram condenados a sofrimentos atrozes. Alguém grita que é uma injustiça, mas são eles, os inocentes, que em comunhão com Cristo, o Inocente, expiam os pecados do mundo.

ORAÇÃO

Ó Jesus, não Vos preocupais com fazer valer a vossa inocência, interessado, como estais, apenas em restituir ao homem a justiça que perdeu por causa do pecado.

Éramos vossos inimigos, não havia modo de podermos alterar a nossa condição. E fizestes-Vos condenar para nos dar o perdão. Ó Salvador, não permitais que nos façamos condenar a nós mesmos no último dia. «Iudex ergo cum sedebit, quicquid latet apparebit; nil inultum remanebit. Iuste iudex ultionis, donum fac remissionis ante diem rationis».

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

O quam tristis et afflicta

Fuit illa benedicta

Mater Unigeniti!

QUARTA ESTAÇÃO

 

Jesus é renegado por Pedro

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São Marcos 14, 66-68.72

Pedro estava em baixo, no pátio, quando chegou uma das criadas do Sumo Sacerdote. Ao vê-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe: «Tu também estavas com o Nazareno, com Jesus». Mas ele negou: «Não sei nem entendo o que dizes». E logo cantou um galo pela segunda vez. Então, lembrou-se Pedro daquilo Antes de um galo cantar duas vezes, três vezes Me*que Jesus lhe tinha dito:  hás-de negar». E rompeu em largo pranto.

MEDITAÇÃO

«Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei» (Mc 14, 31). Pedro era sincero, quando disse isto; mas não se conhecia a si mesmo, não conhecia a própria fraqueza. Era generoso, mas esquecera-se de que tinha necessidade da generosidade do Mestre. Pretendia morrer por Jesus, quando era Jesus que tinha de morrer por ele, para o salvar.

A «pedra»… Ao fazer de Simão a «pedra» sobre a qual há-de fundar a Igreja, Cristo implicou o apóstolo na sua iniciativa de salvação. Pedro pensou ingenuamente que podia dar qualquer coisa ao Mestre, quando tudo lhe era dado gratuitamente por Ele, incluindo o perdão depois de O ter renegado.

Jesus não desdisse a escolha que fizera de Pedro para fundamento da sua Igreja. Depois do arrependimento, Pedro tornou-se capaz de confirmar os seus irmãos.

ORAÇÃO

Senhor, quando Pedro fala iluminado pela revelação do Pai, em Vós reconhece Cristo, Filho do Deus vivo. Ao contrário, quando se fia da sua razão e da sua boa vontade, torna-se obstáculo à vossa missão. A presunção fá-lo renegar a Vós, seu Mestre, enquanto o humilde arrependimento o há-de novamente confirmar como rocha sobre a qual edificais a vossa Igreja. A vossa escolha de confiar a continuação da obra de salvação a homens fracos e vulneráveis manifesta a vossa sabedoria e o vosso poder.

Protegei os homens que escolhestes, Senhor, para que as portas do inferno não prevaleçam contra os vossos servos.

Fixai em nós o vosso olhar como fizestes com Pedro naquela noite, depois do canto do galo.

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Quæ mærebat et dolebat

pia mater, cum videbat

Nati pœnas incliti.

QUINTA ESTAÇÃO

 

Jesus é julgado por Pilatos

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São Marcos 15, 12-15

Pilatos tomou novamente a palavra e perguntou-lhes: «Então, que hei-de fazer d’Aquele que chamais o Rei dos Judeus?» E eles gritaram de novo: «Crucifica-O». Pilatos replicou-lhes: «Mas que mal fez Ele?» Mas eles gritaram mais ainda: «Crucifica-O». Então, Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado.

MEDITAÇÃO

Pilatos parecia poderoso, tinha direito de vida e de morte sobre Jesus. Sentia gosto em ironizar com o «Rei dos Judeus», mas na realidade era fraco, vil e servil. Temia o imperador Tibério, temia o povo, temia aqueles sacerdotes que entretanto no coração desprezava. Entregou Jesus para ser crucificado, quando sabia que era inocente.

Na fugaz tentativa de salvar Jesus, chega a dar a liberdade a um perigoso homicida.

Inutilmente procurava lavar aquelas mãos gotejando sangue inocente.

Pilatos é imagem de todos aqueles que detêm a autoridade como instrumento de poder e descuidam a justiça.

ORAÇÃO

Jesus, com a vossa coragem em declarar-Vos rei, procurastes despertar Pilatos para a voz da sua consciência. Iluminai a consciência de tantas pessoas constituídas em autoridade, para que reconheçam a inocência dos vossos seguidores. Dai-lhes a coragem de respeitar a liberdade religiosa.

Muito difusa é a tentação de adular o poderoso e oprimir o fraco. E os poderosos são aqueles que estão constituídos em autoridade, aqueles que controlam o comércio e os mass-media; mas, há também a gente que se deixa facilmente manipular pelos poderosos para oprimir os fracos. Como podia gritar «Crucifica-O!» aquela gente que Vos conhecera como amigo compassivo, como alguém que só tinha feito bem a todos?

 

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;

adveniat regnum tuum;

fiat voluntas tua, sicut in cælo, et in terra.

Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;

et dimitte nobis debita nostra,

sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;

et ne nos inducas in tentationem;

sed libera nos a malo.

Quis est homo qui non fleret,

matrem Christi si videret

in tanto supplicio?

SEXTA ESTAÇÃO

 

Jesus é flagelado e coroado de espinhos

V/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.

R/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Evangelho segundo São Marcos 15, 15b.17-19

Pilatos, depois de ter mandado flagelar Jesus, entregou-O para ser crucificado. Então, os soldados revestiram-Lhe um manto de púrpura e puseram-Lhe uma coroa de espinhos, que haviam tecido. Depois começaram a  Batiam-Lhe na cabeça com uma cana,+Salve, ó Rei dos Judeus!*saudá-Lo:  cuspiam-Lhe em cima e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d'Ele.

MEDITAÇÃO

A flagelação, então em uso, era uma punição aterradora. Aquele horrível flagellum dos Romanos arrancava a carne aos pedaços. E a coroa de espinhos, para além das dores agudíssimas que causava, representava ainda um escárnio à divindade do divino Prisioneiro, bem como os escarros e as bofetadas.

Torturas tremendas continuam a surgir da crueldade do coração humano – não sendo as psíquicas menos atrozes do que as físicas – e, frequentemente, as próprias vítimas se tornam algozes. Será sem sentido tanto sofrimento?

ORAÇÃO

Não, Jesus! É que Vós continuais a recolher e a santificar todos os sofrimentos: os dos doentes, os daqueles que morrem de miséria, os de todos os discriminados; mas entre todos refulgem os sofrimentos pelo vosso nome.

Pelos sofrimentos dos mártires, abençoai a vossa Igreja; que o seu sangue se torne semente de novos cristãos. Cremos firmemente que os seus sofrimentos, apesar de na hora parecerem uma derrota completa, trarão a verdadeira vitória à vossa Igreja. Senhor, dai constância aos nossos irmãos perseguidos!

Todos:

Pater noster, qui es in cælis:

sanctificetur nomen tuum;