Mês Vocacional 2006 -
Dia do Padre
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, Mg
1 - Aos caríssimos SEMINARISTAS,
no início deste semestre letivo, no Seminário, deixo-lhes algumas sementes
desejando sejam elas cultivadas em suas vidas nessa etapa de formação presbiteral;
- Não deixem entrar em suas vidas
o individualismo e se esforcem, cada vez mais, para uma autêntica vida
comunitária, vivenciando-a, dia a dia, pela partilha, pela solidariedade; que a
base seja sempre o mandamento do Senhor:”Amai-vos uns
aos outros como Eu vos amei”.
-Centralizem essa vivência
- Queiram ser realmente
sacerdotes, pastores, profetas e se deixem guiar pelo Espírito de Deus e suas
mediações, para que sejam presbíteros maduros, equilibrados, de sólida
personalidade, acolhedores, honestos, e transparentes;
- Que sejam homens do diálogo com
Deus e com os irmãos, o homem de Deus para o povo de Deus, homem da Palavra, de
palavra e feito palavra.
2 - Aos caríssimos irmãos, “COOPERADORES DA “ORDEM EPISCOPAL”. Pensei em deixar-lhes
também uma mensagem pelo Dia do Padre, festa de São João Maria Vianney. Coloco em suas mãos o que os Bispos do Brasil
responderam quando lhes foi perguntado:
Que sinais fundamentais precisam
marcar a vida do presbítero hoje no Brasil?
Assim destacaram:
a) - Discípulo de Jesus Cristo,
Pastor e Missionário na Igreja e no mundo
- a vivência do chamado de Deus
Pai para seguir Jesus Cristo, na graça do Espírito Santo.
- o seguimento a Jesus Cristo
Verbo Encarnado, Missionário (o enviado do Pai), pobre (despojado), servo (que
doa a vida) marca de tal modo sua vida que recebe a graça do Espírito Santo
para que tenha os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (cf. Fil.
2,5);
b) - Homem que vive a comunhão
eclesial
-Amor à Igreja Povo de Deus e
Corpo de Cristo, concretizando-se no amor à Igreja Particular;
-Sentido de pertença à Igreja
particular, consciente de que faz parte de um presbitério e só na comunhão com
ele pode exercer a missão (cf. DGAE 1999-2003 Nºs
327-328) e vivenciar a sacramentalidade da
fraternidade presbiteral que também se expressa pela
partilha dos dons recebidos e, entre estes, os bens. Aprender a viver em equipe
e a travar constante combate contra os interesses individualistas;
- Clareza de que é ordenado para a missão na Igreja particular ou onde esta
propuser e não para um Movimento ou um determinado grupo de pessoas;
- Comunhão com o Bispo, com os
irmãos presbíteros e com o povo que lhe é confiado, para ser sinal de Jesus
Cristo obediente ao Pai até a morte e morte de cruz;
- Expressar a atenção e amor para
com os seminaristas e todos o jovens, que vão
descobrindo o chamado para o seguimento a Jesus Cristo como Ministro ordenado.
c) - Pastor-servo:
- vivenciador
da caridade de Jesus Cristo, o Bom Pastor, que entregou sua vida;
- Homem com maturidade, com
equilíbrio e firmeza. Pessoa feliz porque realizada;
- Capacidade para relacionar-se
com as pessoas numa realidade de pluralidade, sabendo acolhê-las, escutá-las,
dar-lhes atenção, orientá-las para o encontro com Jesus Cristo e respeitá-las
no processo de vivência da fé;
- Missionário disposto a sair de
si para ir ao encontro das pessoas vencendo o espírito de individualismo e de
fechamento e expressando sempre que considera muito importante a aproximação
das pessoas sem colocar-se como “mais importante”.
- Assume de modo bem concreto e
sincero o amor aos pobres, convencido de que o ministério ordenado não lhe traz
privilégios mas lhe convida para manifestar a
misericórdia de Deus especialmente para com os pobres;
- Simplicidade de vida, desapego;
- Profeta que aprende a escutar a
voz de Deus
- Abertura para criatividade a
partir do Evangelho, das orientações da Igreja e da realidade em que vive o
povo de Deus;
- Dedicado em sua formação
intelectual para melhor servir o Povo de Deus;
- Alegria em estar sempre com o
povo através das atividades pastorais e de outras oportunidades, sendo sinal da
esperança que é Jesus Cristo;
- Assume e propõe momentos de
oração com a comunidade;
- Que aprende a planejar, avaliar
e coordenar as ações evangelizadoras;
- Que expressa o amor do Pai, a
compaixão do Filho e a sutileza do Espírito Santo, na certeza de que o protagonismo é sempre o Espírito de Deus;
- Aprender a administrar tudo que
pertence à Paróquia como um bem comum e não como um bem pessoal que poderá lhe
trazer “vantagens”;
- Aprende a conhecer os vários
movimentos, grupos, pastorais e os seus respectivos carismas para ajudar-lhes a
avançar na participação da vida e da comunidade.
d) - Guiado pelo Espírito Santo
- Mergulhado no Evangelho (homem
Palavra), na vida do povo, com atenção especial para com os pobres. Testemunha
da comunhão eclesial, para estar sempre apaixonado por Jesus Cristo, cultivando
essa paixão, pois Jesus é Cristo é o caminho para a santidade. Assim, poderá
ser homem de oração.
- Convencido de que recebe a
graça do Espírito Santo para deixar-se guiar por Ele, pois sempre antecede a
ação do presbítero e das outras pessoas;
- Homem, não cheio de amarguras,
mas alegre e feliz porque chamado para seguir Jesus Cristo pastor-servo, o bom
pastor. Isto não quer dizer que não enfrente dificuldades;
- Amor profundo à Eucaristia e
aos demais sacramentos;
- Consciência da pertença à
Igreja particular que lhe possibilita viver o ministério com o carisma de
presbítero diocesano: o cuidado com todo o rebanho;
- Guiado pelo Espírito de Deus
para seguir de tal modo Jesus Cristo, que não se deixa levar pelos aplausos
quando as ações são elogiadas, nem tão pouco pelo desânimo quando “tudo vai por
água a baixo”;
- Seguidor de Jesus Cristo célibe, que entrega totalmente sua vida à missão para a
qual foi consagrado
e)-
Agindo no mundo
- conhecendo a realidade em que
vivem as pessoas, para ajudá-los a descobrir sua dignidade.
Com meu abraço,
Dom Eurico dos Santos Veloso
Fonte:Arquidiocese de Juiz de Fora-MG