Questões de Relacionamento.


       Pe. Tarcisio Arsênio Rech
        CNP
           Regional Sul 3

 

 

INTRODUÇÃO

  Numa sociedade marcada por relações verticais de dominação  de um sobre os outros, numa sociedade de cultura machista e dominação, numa sociedade marcada fortemente pela cultura Senhor x escravo, numa sociedade onde os interesses dos mais fortes se impõem pela força, numa sociedade.... soam aos nossos ouvidos e corações as palavras de Jesus: “Entre vocês não seja assim”.


   AVANÇOS
   
 A valorização da Teologia do Batismo, a partir do Concílio Vaticano II,  tem ajudado como Igreja a nos vermos “como iguais” e  tem encurtado o caminho entre o chamado bispo “príncipe da Igreja” e os seus subordinados.


 A Pastoral Presbiteral, e toda caminhada de reflexão dos presbíteros do Brasil, nos têm ajudado a clarear e buscar, um modo mais sincero, atender o apelo do mestre: “entre vocês não seja assim.”


 Entre seres humanos o relacionamento deve ser, no mínimo, de cuidado, respeito, justiça e verdade.
 Entre cristãos e cristã, sem esquecer estes, deve ser ainda de fraternidade e de misericórdia – superando aqueles.
 Entre ministros  deve ser de cooperação  e colaboração no ministério.



No Evangelho de São João (Capítulo 10) o próprio Jesus se apresenta com modelo para o nosso de bispos e presbíteros: “do pastor que conhece”. Conhecer no sentido vital, de ser participante, “cúmplice”, no sentido da empatia. Portanto, um relacionamento personalizado. O bispo deve saber perder tempo com os seus presbíteros. Partilhar vida, conviver e sentir as dores e angústias, as alegrias e esperanças dos seus presbíteros. Criar o clima de diálogo e de confiança. Afinal de contas, formamos um presbitério, mais ainda uma família presbiteral. Não somos apenas uma junção de presbíteros com o seu bispo, mas vínculos profundos de homens maduros nos devem unir, verdadeiros  presbíteros. Adultos que se relacionam como pessoas, cristãos e ministros ordenados. O conhecimento não poderá ser apenas teórico, ou de ter ouvido falar, deverá ser experiencial, vivencial. Sim, sonhamos com verdadeiros pais, dando atenção aos presbíteros em maiores dificuldades, com o coração de Cristo Misericordioso.

Também crescemos muito no cuidado da pessoa do presbítero. Quanto esforço por este país no sentido de cuidar dos irmãos mais idosos, doentes: são casas  de repouso e saúde, retiros, cursos, planos de saúde... A Pastoral Presbiteral nos tem ajudado muito. É uma questão de própria consciência dos presbíteros, mas muitos bispos foram  parceiros e companheiros nesta luta e nestas conquistas. Aqui vale também citar o esforço na formação permanente e os resultados aí conquistas.


  A valorização dos presbíteros que atuam nas linhas de frente, em situações limite. Temos verdadeiros heróis, no anonimato, talvez não sejam os melhores sob o ponto de vista da intelectualidade, de se vestir, de se portar, mas abnegados na dedicação ao povo. Há vários bispos que olham com amor e carinho, e diríamos, olham com misericórdia para esses nossos irmãos. Obrigado por estas atitudes.

 
 Há grupos de presbíteros que cultivam espiritualidade específicas e se unem para o estudo e aprofundamento. Vários bispos têm ajudado a cultivar este clima.


 Estes elementos positivos, nossas conquistas num relacionamento mais humano, fraterno e misericordioso se deve sim a uma mudança de postura de muitos bispos, se deve também, por presbíteros que são capazes dessas mesmas atitudes.
 
  DESAFIOS

 Alguns desafios são de ordemØ estrutural ou material: distâncias geográficas, presbitérios numerosos, escassez de recursos econômicos, tem dificuldades a formação e verdadeiros comunidades ou famílias presbiteriais. Na falta de padres, ordena-se sem muito critério. As mãos são impostas a quem aparece.


 Relações funcionais: bispos  que, talvez, precisam trabalhar melhor em si o poder-serviço – é uma questão de conversão, também vale para os presbíteros. Autoritarismos que infantilizam presbíteros não criam comunhão, precisamos mutuamente nos educar na mística do serviço.  Temos visitas pastorais, visitas para atividades, visitas de trabalho, porém carecemos do informal, do saber perder tempo com a pessoa – gratuidade. Relacionamento funcional, frio, sem calor humano não gera presbitério.


 Acima falávamos de muitos para em situações limites, porém ignorados, parece que a atenção é dirigida prioritariamente a um mesmo grupo na diocese.


 Nas transferências de padres, com razão, se tem reclamado da falta de continuidade. A mesma coisa deve ser dito na nomeação de novos bispos ou transferência, muitas vezes,  joga-se por terra a caminhada da diocese, desrespeita-se a caminhada, não dos presbíteros, mas também de todo povo.


 Há problemas na vivência do celibato, ignorar isto é querer tapar o sol com a peneira. A que assombra aos presbíteros é uma certa tolerância com o homossexualismo. Parece que belas e brilhosas cerimônias e vestimentas estão encobertando o fato a alguns bispos, ou simplesmente, o que é pior, fazem como se não enxergassem. Há uma sensação no ar de que são protegidos e até incentivados. É um capítulo muito sério que precisa ser enfrentado.

 A questão da competição, carreirismo e busca de compensações econômicas, com altos salários, vida acomodada de vários irmãos nossos, nos tem preocupado.  Parece que também na Igreja, como em instâncias governamentais, temos medo de mexer em privilégios e “direitos adquiridos”, alguns são “imexíveis”.


 Falta espírito associativo – pergunta-se: que vantagens vou ter? Que vou ganhar com isso? Isto se deve em grande parte pela má compreensão que se tem da ANPB. Nunca quis e não pretende ser um sindicato reivindicador, mas uma ajuda fraterna, um somar forças, um construir juntos. A atitude de uma pessoa, neste caso,  não pode ser motivo para massacrar uma bela organização.


 No plano institucional precisamos estudar melhor nossoØ relacionamento:

Pelo estatuto, em virtude do sacramento da ordem, presbíteros e diácono devem ter uma relação diferenciada com a CNBB. Deixamos de ser Comissão Nacional de Presbíteros com subsidiária da CNBB. Não podemos e nem queremos a tensão permanente de instituições paralelas, mas também não a submissão passiva que nos levaria ao infantilismo. Somos presbíteros e como tal queremos  ser tratados. Está aí a ANPB com sua caminhada. Precisamos garantir um diálogo sereno e maduro entre Bispos e Presbíteros, não deixando que o “mal entendido” com os leigos aconteça.