«SAI DE TUA TERRA E VAI»

Pe. Raniero Cantalamessa
Advento 2003 na Casa Pontifícia
Primeira pregação


Santo Padre, Veneráveis Padres, irmãos e irmãs;



A beatificação de Madre Teresa de Calcutá, em 19 de outubro passado, pôs ante os olhos de todos que existe uma só e autêntica grandeza no mundo, e é a santidade. Contemplando a multidão que enchia cada rincão da Praça de São Pedro e da Via della Conciliazione no momento em que exibia a imagem da beata e o coro cantava Aleluia, esta verdade saltava à vista. Que outra pessoa no mundo é honrada assim? Por uma multidão tão numerosa e sobretudo reunida aqui não por ordem de ninguém, como com freqüência ocorre nas grandes convocações dos regimes totalitários, mas espontaneamente, por pura admiração e amor à pessoa?


Era uma confirmação da verdade do célebre pensamento de Pascal. Existem no mundo três ordens ou níveis possíveis de grandeza: a ordem dos corpos em que se sobressaem as pessoas ricas, de extraordinária beleza ou aparência física, a ordem da inteligência e do gênio em que se destacam artistas, escritores, cientistas, e a ordem da santidade em que, depois de Cristo, se sobressaem a Virgem e os santos (Pensamentos 793 Br). Uma distância quase infinita, escreve Pascal, separa a segunda ordem da primeira, mas uma ordem infinitamente mais infinita separa a terceira ordem da segunda, a ordem da santidade da do gênio. «Uma gota de santidade --dizia o músico Gounod-- vale mais que um oceano de gênio». A glória da santidade não acaba com o tempo, mas dura eternamente. A teoria de santos que temos adiante no mosaico frontal desta capela nos recorda precisamente isto e nos acompanha nesta meditação alentando-nos a seguir-lhes.


Na carta apostólica Novo millennio ineunte, o Santo Padre diz que a santidade «é a perspectiva na qual deve situar-se todo o caminho pastoral da Igreja». Esta santidade, explica, é sobretudo dom objetivo que nos procurou Cristo com sua morte redentora e que recebemos no batismo; mas, acrescenta, «o dom se traduz por sua vez em um compromisso que deve governar toda a existência cristã» (1).


Em outras ocasiões me detive na santidade de Cristo como dom gratuito do qual apropriar-se mediante a fé, fazendo o que amo chamar o «golpe de audácia» na vida espiritual; esta vez, após a esteira de Madre Teresa, queria insistir na santidade de Cristo como modelo a imitar na vida.


A tal propósito, no cartão de convite para estas pregações de Advento, cita-se um pensamento de Madre Teresa. Diz: «Hoje a Igreja necessita de santos. Isto exige combater nosso apego às comodidades que nos leva a eleger uma mediocridade cômoda e insignificante. Cada um de nós tem a possibilidade de ser santo e o caminho para a santidade é a oração. A santidade é para cada um de nós um simples dever».


1. Na fonte da santidade


Na vida de Madre Teresa descobrimos qual é o ato inicial do qual parte normalmente a aventura da santidade, a «primeira pedra» do edifício. Para consolo nosso, descobrimos que este ato pode ocorrer em qualquer idade da vida. Em outras palavras, nunca é demasiado tarde para começar a fazer-se santos. Santa Teresa de Ávila viveu durante muitos anos uma vida bastante ordinária e não sem compromissos, quando sucedeu a mudança que fez dela o que sabemos.

O mesmo aconteceu na vida de sua homônima Madre Teresa de Calcutá. Até a idade de 36 anos ela era uma religiosa da Congregação de Loreto, certamente fiel à sua vocação e dedicada a seu trabalho, mas nada fazia prever nela algo extraordinário. Foi durante uma viagem em trem de Calcutá a Darjeeling por seu retiro espiritual anual quando ocorreu o fato que mudou sua vida. A voz misteriosa de Deus lhe dirigiu um convite claro: deixa tua ordem, tua vida anterior e se ponha à minha disposição para uma obra que eu te indicarei. Entre as filhas de Madre Teresa, este dia --em 10 de setembro de 1946-- é recordado com o nome de «dia da inspiração».


Graças aos documentos que saíram à luz durante o processo de beatificação, conhecemos hoje as palavras exatas que Jesus lhe disse: «Desejo religiosas indianas, Missionárias da Caridade, que sejam meu fogo de amor entre os mais pobres, os enfermos, os moribundos, as crianças da rua. Quero que tu conduzas para mim os pobres… Rejeitarias fazer isto por mim?». E também; «Há conventos com muitas religiosas que se ocupam das pessoas ricas e favorecidas, mas para meus indigentes não existe absolutamente nenhum».


Na vida de Madre Teresa se renova neste momento a experiência de Abraão, a quem um dia Deus disse: «Sai de tua terra, e de tua pátria, e da casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrarei» (Gên 12, 1). O «Sai!» dirigido a Abraão é diferente da ordem dirigida mais tarde a Lot de sair de Sodoma (Cf. Gên 19, 15). Nada indica que Ur dos Caldeus tivesse um ambiente particularmente corrupto e que Abraão não pudesse salvar-se ficando onde estava. Em seu Tríptico Romano, o texto poético publicado este ano, o Papa reflete sobre os prováveis sentimentos de Abraão ante a proposta divina: «Por que devo sair daqui? Por que devo deixar Ur dos Caldeus?» (2).


As mesmas perguntas, sabemos, se fez Madre Teresa. Foi uma laceração interior. Ao arcebispo Périer confia: «Fui e continuo sendo muito feliz como religiosa de Loreto, para deixar o que amo e expor-me a novas fadigas e sofrimentos que serão grandes». Dirigindo-se a Jesus diz: «Por que não posso ser uma perfeita religiosa de Loreto? … Por que não posso ser como todas as demais? … O que me pedes é demasiado grande para mim… Busca uma alma mais digna e mais generosa».


Repete-se também nisto uma constante da Bíblia. Moisés dizia «Eu não fui nunca homem de palavra fácil» (Ex 4, 10), e Jeremias: «Sou demasiado jovem…» (Jr 1, 6). Mas Deus sabe distinguir quando as objeções de seus chamados nascem de uma resistência à sua vontade e quando nascem ao contrário de medo a enganar-se e a não estar à altura da missão. Por isso não se ofende por seus pedidos de explicações. Não se deteve ante a pergunta de Maria: «Como será isto?», enquanto que repreendeu Zacarias e lhe deixou mudo pela mesma questão (Cf. Lc 1, 18). A pergunta de Maria não nascia da dúvida, mas do legítimo desejo de saber que devia fazer para realizar o que Deus lhe pedia.


Ao final, Madre Teresa, como Maria, disse a Deus seu pleno fiat, «Sim». O disse com os feitos que conhecemos e o disse com alegria. A palavra grega traduzida em latim com fiat é ‘genoito’. Na tradução se perde lamentavelmente uma nuança importantíssima: ‘genoito’ está no modo optativo, não concessivo como fiat: não expressa simples assentimento ou resignação a que uma coisa ocorra (é como dizer: «se não pode fazer de outro modo, de acordo, fiat voluntas tua!»); expressa, ao contrário, desejo, impaciência, alegria de que ocorra uma coisa. Por isto se chama modo «optativo». «Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9,7): uma palavra que Madre Teresa não se cansava de fixar em suas filhas, mas que sobretudo mostrou com seu sorriso toda a vida.


2. O grão da granada


Neste ponto, está claro qual é o ato fundamental, aquela «primeira pedra» sobre a qual se apóia a santidade de Madre Teresa e de toda santidade cristã: é a resposta a um chamado, e a obediência a uma inspiração divina, discernida e reconhecida como tal. Simone Weil, que não era uma santa mas admirava perdidamente a santidade, fala do «assentimento que a alma nestes momentos dá a Deus, como algo imperceptível, em meio de todas as inclinações carnais, um minúsculo grão de granada, que ainda decide seu destino para sempre» (3).


Todos os grandes empreendimentos de santidade da Bíblia e da história da Igreja repousam sobre um «sim» dito a Deus no momento em que Ele revela pessoalmente a alguém sua vontade. Da fé-obediência de Abraão, a Escritura faz depender toda a história sucessiva do povo eleito: «Por tua descendência se bendirão todas as nações da terra, em pagamento de ter oferecido tu minha voz» (Gên 22, 18); da fé-obediência de Maria, Deus quis fazer depender o início da nova e eterna aliança.


Em seu livro autobiográfico Dom e Mistério, o Santo Padre João Paulo II escreve: «No outono de 1942 tomei a decisão definitiva de entrar no seminário» (4): o seguimento do texto indica muitas explicações que não se oferecem, mas que se intuem. Essa decisão foi precedida também de um chamado; foi a decisão de responder a um convite, como é toda vocação sacerdotal. Agora sabemos aquilo que construiu Deus sobre essa decisão, sobre aquele «Aqui estou, eu irei», pronunciado no distante 1942.


Imagino o estupor e a comoção de Madre Teresa no ocaso de sua vida, quando recordava aquela viagem em trem. O que Deus havia sabido realizar com seu pequeno e sofrido «sim»! Que projeto grandioso tinha já na mente que ela não conhecia! Não posso pensar em sua alma ao final da vida mais que cantando um surpreendido e comovido «Engrandece minha alma ao Senhor… Porque o Poderoso fez obras grandes em mim».


Ao início deste ano, as Missionárias da Caridade me concederam a honra de pregar-lhes os exercícios espirituais de preparação ao capítulo geral celebrado em Calcutá (na realidade, eram elas que me pregavam exercícios com a extraordinária seriedade, pobreza e oração incessante). Pareceu-me advertir, desde o primeiro encontro, o desejo de Madre Teresa desde o céu de que o primeiro capítulo celebrado após sua morte fosse ocasião para um comovido e coral Magnificat a Deus de parte de suas filhas por aquilo que havia feito em sua vida e continuava fazendo na delas. O transmiti com simplicidade às presentes e, ao encerrar o capítulo, a Madre Geral, Irmã Nirmala, confiou que isto havia sido de fato, e antes de tudo, o capítulo geral.


Na vida de cada um de nós, como na vida de Madre Teresa, houve um chamado; de outra forma não estaríamos aqui. Inclusive nosso «sim» foi talvez um «sim» na obscuridade, sem saber onde nos levará. A anos de distância, não devemos ter medo de reconhecer o que Deus soube construir sobre aquele pequeno «sim», apesar de nossas resistências e infidelidades, e entoar também nós um comovido e agradecido «Engrandece minha alma ao Senhor».

 

3. As boas inspirações


Mas agora devemos lembrar-nos da máxima dos antigos a propósito do culto aos santos: «Imitari non pigeat quod celebrare delectat»: não devemos deixar de imitar o que nos agrada celebrar (5). O caso de Madre Teresa nos recorda uma coisa essencial para nossa santificação: a importância de obedecer às inspirações. Isto não é algo que se deva praticar uma só vez na vida. Ao primeiro, decisivo chamado de Deus, seguem muitos outros convites discretos que chamamos as boas inspirações. Da docilidade a estes depende todo nosso progresso espiritual.


Entende-se facilmente por que a fidelidade às inspirações é caminho mais breve e mais seguro à santidade. Esta não é obra do homem; não basta por isso ter um programa de perfeição bem claro para poder levá-lo a cabo progressivamente. Não existe um modelo de perfeição idêntica para todos. Deus não faz santos em série, não ama a clonagem. Cada santo é uma invenção inédita do Espírito. Deus pode pedir a um santo o oposto do que pede a outro. Que há de comum, para seguir em tempos próximos a nós, entre Escrivá de Balaguer e Madre Teresa? Contudo, os dois são santos para a Igreja.


Não sabemos portanto desde o princípio qual é em concreto a santidade que Deus quer de cada um de nós; somente Deus a conhece e nos revela segundo avança o caminho. Com isso consegue que para alcançar a santidade o homem não pode limitar-se a seguir as regras gerais que valem para todos. Deve entender o que Deus lhe pede e somente a ele. Pensemos em que haveria ocorrido se José de Nazaré tivesse se limitado a seguir fielmente as regras da santidade então conhecidas, ou se Madre Teresa tivesse se obstinado em observar as regras canônicas vigentes nos institutos religiosos. O que Deus quer em particular de cada um se descobre através dos acontecimentos da vida, da palavra da Escritura, da orientação do diretor espiritual; mas o meio principal e ordinário são precisamente as inspirações da graça. Estas são as solicitudes interiores do Espírito no profundo do coração através das quais Deus não só dá a conhecer o que pede, mas ao mesmo tempo comunica a força necessária para realizá-lo si a pessoa aceita.


As boas inspirações têm algo em comum com a inspiração bíblica, deixando um lado naturalmente à autoridade e ao alcance que são essencialmente diferentes. «Deus disse a Abraão..», «O Senhor falou a Moisés»: este falar do Senhor não era, desde o ponto de vista da fenomenologia, distinto do que sucede nas inspirações da graça. A voz de Deus, inclusive no Sinai, não ressoava no exterior, mas dentro do coração em forma de claridade, de impulsos, originados pelo Espírito Santo. Os Dez Mandamentos não foram gravados pelo dedo de Deus em pedra, mas no coração de Moisés, quem depois os gravou na pedra. «Homens movidos pelo Espírito Santo falaram de parte de Deus» (2Ped 1, 21); eram eles os que falavam, mas movidos pelo Espírito Santo, repetiam com a boca o que ouviam no coração.


Toda fidelidade a uma inspiração é recompensada por inspirações cada vez mais freqüentes e mais fortes. É como se a alma se treinasse para chegar a uma perfeição cada vez mais clara da vontade de Deus e para uma facilidade para cumpri-la.

4.O discernimento dos espíritos


O problema mais delicado a respeito das inspirações foi sempre o de discernir as que vêm do Espírito de Deus das quais vem do espírito do mundo, das próprias paixões ou do espírito maligno.


O tema do discernimento dos espíritos sofreu nos séculos uma notável evolução. Ao princípio, concebia-se como o carisma que servia para distinguir, entre as palavras, orações e profecias pronunciadas na assembléia, quais procederiam do Espírito de Deus e quais não. Em seguida, isto serviu sobretudo para discernir as próprias inspirações e para guiar as próprias eleições. A evolução não é arbitrária; trata-se de fato do mesmo dom, se aplicado a objetos diferentes.

Existem critérios de discernimentos que poderíamos chamar objetivos. No terreno doutrinal, estes se resumem para Paulo no reconhecimento de Cristo como Senhor. «Ninguém, falando com o Espírito de Deus, pode dizer “Anátema é Jesus!”; e ninguém pode dizer: “Jesus é o Senhor!” senão com o Espírito Santo»”(2Cor 1, 3); para João se resumem na fé em Cristo e em sua encarnação: «Queridos, não vos fieis de qualquer espírito, mas examinai se os espíritos vêm de Deus, pois muitos falsos profetas saíram ao mundo. Podereis reconhecer nisto o espírito de Deus: todo espírito que confessa Jesus Cristo, vindo na carne, é de Deus; e todo espírito que não confessa Jesus, não é de Deus» 1 JO 4, 1-3).

No terreno moral, um critério fundamental vem da coerência do Espírito de Deus consigo mesmo. Este não pode pedir algo que seja contrário à vontade divina, como se expressa na Escritura, no ensinamento da Igreja e nos deveres do próprio estado. Uma inspiração divina jamais pedirá realizar atos que a Igreja considera imorais, por muitos aparentes argumentos contrários à carne que seja capaz de sugerir nestes casos; por exemplo, que Deus é amor e por isso tudo o que se faz por amor é de Deus.


Se um religioso desobedece seus superiores, ainda com um objetivo louvável, certamente não será uma inspiração da graça, porque a primeira inspiração que Deus manda é precisamente a de obedecer. Madre Teresa esperou pacientemente a que a autoridade eclesiástica reconhecesse sua inspiração antes de colocá-la por obra.


Às vezes, contudo, estes critérios objetivos não bastam porque a eleição não é entre o bem e o mal, mas entre um bem e outro bem, e se trata de ver o que é que Deus quer em uma circunstância precisa. Foi sobretudo para responder a esta exigência que Santo Inácio de Loyola desenvolveu sua doutrina sobre o discernimento.


Ele convida a observar as intenções (os «espíritos») que estão atrás de uma eleição e as reações que esta provoca (6). Sabe-se que o que vem do Espírito Santo leva consigo alegria, paz, tranqüilidade, doçura, simplicidade, luz. O que provém do espírito do mal, ao contrário, leva consigo tristeza, tribulação, agitação, inquietude, confusão, trevas. O Apóstolo declara contrapondo entre si os frutos da carne (inimizades, discórdias, ciúmes, divisões, invejas) e os frutos do Espírito, que são contudo amor, alegria, paz… (Cf. Gal 5, 19-22).


Na prática as coisas são mais complexas. Uma inspiração pode vir de Deus e, pese a isto, causar uma grande tribulação. Mas isto não se deve à inspiração, que é doce e pacífica como tudo o que provém de Deus; nasce mais da resistência à inspiração. Também um rio sereno, se encontra obstáculos, provoca redemoinhos. Se a inspiração é acolhida, o coração se encontra imediatamente em uma paz profunda. Deus recompensa cada pequena vitória neste campo, fazendo sentir a alma sua aprovação, que é a alegria mais pura que existe no mundo.


5. Deixar-se guiar pelo Espírito


O fruto concreto desta meditação deve ser uma renovada decisão para confiar-nos em tudo e para tudo à guia interior do Espírito Santo, como em um tipo de «direção espiritual». Se acolher as inspirações é importante para todo cristão, é vital para quem tem tarefas de governo na Igreja. Somente assim se permite ao Espírito de Cristo que guie Ele mesmo sua Igreja através de seus representantes humanos. Não é necessário que em uma nave todos os passageiros estejam com a orelha pregada no rádio de bordo para receber indicações sobre a rota, eventuais icebergs e as condições meteorológicas, mas é indispensável que o estejam os encarregados. De uma «inspiração divina» valentemente acolhida pelo Papa João XXIII nasceu o Concílio Vaticano II e nasceram em tempos mais próximos a nós muitos outros gestos proféticos.


É esta necessidade da guia do Espírito Santo o que inspirou as palavras do Veni Creator: Ductore sic te praevio vitemus omne noxium: «contigo como guia evitaremos todo mal». Em seu Tríptico Romano, o Santo Padre retoma esta palavra quando, falando do momento de eleger ao sucessor de Pedro, põe a boca dos presentes a oração: «tu que penetras tudo – indica!».


Devemos abandonar-nos todos ao Mestre interior que nos fala sem ruído de palavras. Como bons atores, devemos ter o ouvido atento, nas grandes e nas pequenas coisas, às vozes deste apontador escondido, para recitar fielmente nossa parte na cena da vida.


É mais fácil do que se pensa, porque Ele nos fala dentro, nos ensina cada coisa, nos instrui sobretudo. «E enquanto a vós --nos assegura João--, a união que Dele haveis recebido permanece em vós e não necessitais que ninguém vos ensine; sua unção vos ensina acerca de todas as coisas, e é verdadeira e não mentirosa» (1 Jo 2, 27). Basta às vezes com uma simples olhada interior, um movimento do coração, um instante de recolhimento e de oração. Com as palavras de uma conhecidíssima oração litúrgica pedimos a Deus, por intercessão da Beata Teresa de Calcutá, o dom de reconhecer e seguir suas inspirações divinas como as seguiu ela: «Actiones nostras, quesumus Domine, aspirando preveni et adjuvando prosequere, ut cuncta nostra oratio et operatio a te semper incipiat et per te cepta finiatur” (7). «Inspirai nossas ações, Senhor, e acompanhai com tua ajuda, para que toda nossa atividade tenha em ti seu início e em ti seu cumprimento. Por Cristo Nosso Senhor».

 



1.NMI, 30.
2.João Paulo II , Tríptico Romano, III. Monte na Região de Moria, 1 (Livraria Editrice Vaticana, 2003, p. 35.
3.S. Weil, Intuitions préchrétiennes, Paris 1967 (Trad. Ital. La grecia e le intuizioni prechristiane, Turim 1967, p. 113.s. ).
4.João Paulo II, Dom e Mistério, Livraria Editrice Vaticana, Roma 1996, p. 21.

5 Florilegium Frisingense, n. 371 (CCL, 108D):
6 Cf. S. Inácio de Loyola, Exercícios espirituais, quarta semana (ed. BAC, Madri 1963, pp. 262 ss).
7 Oração de Quinta-feira depois de Cinza.


(Tradução original italiano realizada por Zenit)