Oração, jejum e esmola na Quaresma
(Mons. Bruno Forte)
O caminho de regresso a Deus que representa o tempo de Quaresma –iniciado pela
Igreja na Quarta-feira de Cinzas passada-- tem na oração, no jejum e na esmola
três pontos de apoio fundamentais, segundo explica monsenhor Bruno Forte,
membro da Comissão Teológica Internacional.
Para o teólogo italiano --que a
partir do próximo domingo pregará os exercícios espirituais à Cúria Romana--, o
contexto atual reclama mais que nunca viver a Quaresma «como um caminho de
regresso profundo desde o coração da vida a Deus», segundo explicou aos
microfones de Rádio Vaticano.
«Cenários internacionais de
conflito e de violência» impõem a necessidade de «redescobrir o caminho da paz
como via de diálogo e de justiça», algo que «passa por meio da conversão do
coração de cada um de nós», reconhece.
Também, a sociedade secularizada
do Ocidente evidencia a necessidade de «redescobrir os horizontes de esperança»
--acrescenta--, algo que «só o Deus vivo pode dar». Por isto «é importante
voltar a Deus» seguindo a Jesus, «caminho, verdade e vida».
Para isso a Quaresma recorda
três meios: a oração, o jejum e a esmola. Para o cristão --descreve monsenhor
Forte-- «orar significa deixar-se amar pelo Pai, pôr-se em atitude de escuta,
de docilidade interior» e apresentar-lhe «tudo o que somos, nossas expectativas e esperanças»; é viver «a oração como um sacrifício
de louvor e de intercessão».
A oração também «significa
unir-nos a Jesus, na Igreja e seu corpo na história» e abrir-nos «ao sopro do
Espírito Santo, que faz novas todas as coisas»; «em resumo, a oração na
Trindade é a que devemos descobrir cada vez mais», constata.
Por outro lado, o jejum
--prossegue o teólogo italiano-- «na grande tradição espiritual, tem um sentido
escatológico, como quando se espera um momento importante»; é como «passar a um
segundo plano a necessidade física de alimentar-se» ao estar «nutrido por este
desejo e esta espera».
Na tradição cristã, o jejum
«representa, sobretudo, a dimensão da espera do Senhor» --declara-- «e a
abertura do coração, despojando-se de tudo o que é obstáculo ao dom de sua
vinda».
No tempo quaresmal --continua--
«o jejum representa ser peregrinos para o grande dom da Páscoa e, portanto,
redescobrir a necessidade e o desejo de Deus como alma profunda de nossa
existência, dispondo-nos a estar vazios de nós mesmos para estarmos repletos
d'Ele».
Por sua parte, longe de ser só
um gesto de dar, «a esmola é uma atitude de coração»: «é um coração humilde,
arrependido, misericordioso, compassivo, que busca reproduzir nas relações com
os demais a experiência de misericórdia que cada um de nós vive na relação com
Deus», afirma monsenhor Bruno Forte.
Por isso a esmola «é atenção, é
concretizar, é discernimento, é dom»: «todas elas dimensões que foram
experimentadas pelo fiel quando contempla o amor de Deus que lhe acolhe e lhe
perdoa».
Monsenhor Bruno Forte lança
finalmente um convite para esta Quaresma: redescobrir o valor do sacrifício;
«um pequeno sacrifício, um gesto de amor, possivelmente humilde, escondido, mas
autêntico, que custe algo e que seja feito por louvor e amor a Deus e por
alguém que sofra e tenha necessidade».
De fato, «sem sacrifício não há
amor», assim como «sem amor o sacrifício seria simplesmente constrição exterior», adverte.
«O sacrifício é oferecimento de
amor --conclui monsenhor Forte--. E não devemos esquecer o grande exemplo que
nos deu Jesus» e recordar «que tanto amou Deus o mundo que não se reservou o
seu próprio Filho, mas que o entregou por todos nós». (Fonte: Agência Zenit)