O ESPAÇO DA CELEBRAÇÃO
Pe.
Marcelo Rezende Guimarães
“Jesus disse a Pedro e João: “Ao entrarem na cidade
encontrarão um homem carregando
uma bilha de agua;
sigam-no até a casa em que ele
entrar, edigam ao dono da
casa: o Mestre pergunta-te: Onde
está a sala em que comerei
a Páscoa com os meus discípulos?
Ele mostrará no andar ali
superior uma grande sala
mobiliada, efaçam os preparativos".
Foram, pois, e acharam tudo como
Jesus lhes dissera; e
prepararam a Páscoa" (Lc 22, 9-13).
Com o mesmo carinho que os discípulos
prepararam o lugar da ceia, nós preparamos e organizamos o espaço da celebração,
como quem acolhe a graça e a energia de nosso Deus que se comunica conosco no
aqui e no agora de nossa história.
Os primeiros cristãos, com o
cuidado de não reproduzir as religiões existentes, afirmavam que não precisavam
de templos – porque, diziam eles, como colocar em um só lugar Aquele que domina
o céu e a terra? -, cediam suas casas ou reservavam uma casa para a liturgia
comunitária.
De fato, o espaço da celebração
não é a casa de Deus. A casa de Deus é cada um de nós e somos nós como Igreja.
A verdadeira casa de Deus é a comunidade de fiéis que formam o corpo de Cristo.
O espaço da celebração é a casa da casa de Deus, o lugar
que abriga a assembléia dos cristãos e cristãs, convocados pelo Pai, em Cristo,
na força do Espírito.
O
espaço: sacramento de nossa aliança com Deus
Se olharmos para a realidade
profunda de cada um de nós e da humanidade como um todo, percebemos a
importância do espaço na constituição de nosso ser. Não apenas ocupamos lugar
no espaço, mas somos o espaço que ocupamos. Por isso, hoje, a luta por um canto
de terra para plantar, por um lugar na cidade para morar, é, sobretudo, a luta
pela dignidade de cada um na sociedade em que vivemos.
Os estudos da
psicologia profunda – e a experiência de cada um certamente confirma! –
revelam esta unidade entre aquilo que a gente é e o espaço que nós vivemos. O
espaço revela nosso ser. O “diga-me como moras e eu te direi quem és” tem um
certo fundo de verdade.
Da mesma forma, o espaço
litúrgico apresenta-se como sacramento, através do qual fazemos a experiência
da aliança com Deus, nos constituímos como Igreja de Cristo e recebemos o seu
Espírito. Recomenda-se que as igrejas
e todos os espaços sejam consagrados ou
abençoados.
Critérios para organizar o espaço
da celebração
Para organizar o espaço de nossas
celebrações, é bom lembrar, em primeiro lugar, que o espaço da celebração é o
espaço da assembléia, o lugar reunião da comunidade. Deve facilitar a
comunicação entre os irmãos e irmãs e deixá-los o mais à vontade possível.
Como sacramento, o espaço deve
ser digno e belo, sinal da beleza de Deus. O que não significa, de maneira
nenhuma, luxo ou requinte, mas apenas bom gosto! A importância espiritual da
beleza não quer dizer que no espaço da celebração vamos permitir enfeites
desnecessários. É importante lembrar que o os objetos devam ser úteis, isto é,
servir a alguma finalidade na dinâmica da celebração, e serem, ao mesmo tempo,
verdadeiros.
Devemos cuidar para que o espaço
seja despojado e simples, levando-nos ao essencial. Assim como há poluição nas
cidades e nos lugares da natureza, podemos ter poluição no espaço da
celebração. Tantas coisas, tantos objetos, folhagens, cartazes, que perdemos o
sentido do que realmente é importante. Uma regra prática que pode nos ajudar é
a de evitar duplicações: por exemplo, se temos uma cruz grande não precisamos
ter outra sobre o altar...
(A íntegra do artigo foi
publicada no Jornal Integração da Diocese de S. Cruz do Sul, julho de 1999, p.
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Perguntas para reflexão pessoal e
em grupos:
1. O que se entende por espaço litúrgico ou espaço da
celebração?
2. Qual é a verdadeira casa de Deus?
3. O que deve ter um espaço litúrgico para favorecer a
comunicação e a participação da assembléia?
4. Quem deve cuidar da preparação do espaço da celebração?
5. De que jeito a organização do espaço litúrgico será um sinal
da beleza de Deus?.