MARAVILHAS
DO MISTÉRIO DO NATAL
Frei
José Ariovaldo da Silva, OFM
Um
dos maiores prazeres que sinto é o de sair para o sertão e, lá, de noite,
contemplar o céu estrelado. É algo realmente encantador... São milhões e milhões
de estrelas e astros... Quem será capaz de contá-los? E fico imaginando também
a imensidão desse espaço. Até onde vai? Aonde termina? Se é que em algum lugar
termina... As distâncias nem podem ser mais contadas em quilômetros, mas
De
repente, descobrindo-me tão pequeno no meio desta imensidão cósmica, lembro-me
do Natal e levo como que um susto. Mas, no embalo deste susto, também mergulho
numa contemplação que (usando a expressão poética de Ruben Alves) “me faz
cócegas na alma”. Lembro-me que o Verbo eterno, criador de tudo isso, se faz
pequenino, muito pequenino, micro-pequenino sobre
este nosso chão tão pequeno. Aqui, por obra do Espírito Santo, torna-se um
embriãozinho humano no seio da Virgem Maria. Depois, após longos meses de
carinhosa gestação, a criança vem à luz, frágil como toda criança, dependente
dos cuidados da mãe. Aliás, não teve nem mesmo um lugar para nascer. Foi nascer
num estábulo, deitado sobre as palhas de uma manjedoura, entre o boi e o burro.
Ei-lo: o Verbo criador deste universo infindo, feito
mínimo do mínimo, micro-pequenino sobre este minúsculo
planeta terra... É muita humildade! É amor demais por nós que, em nosso orgulho,
nos rebelamos contra Ele.
O
Verbo eterno de Deus criador, subsistindo na condição de Deus, se abaixa à
condição de um simples ser humano feito servo de todos e, desta maneira, vem
nos resgatar a “cidadania” divina que havíamos perdido... O Verbo eterno se
faz nosso irmão e, desta maneira, podemos agora sentir Deus como nosso “parente”
mais próximo, ou seja, nosso Pai. Consequentemente, na qualidade de filhos
e filhas de Deus, sentimo-nos também “parentes”,
os mais próximos, uns dos outros, irmãos e irmãs, irmanando-nos todos na busca
da paz. E então cantamos: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens
por ele amados” (Lc 2,14).
Por isso a Igreja, na voz do ministro que preside a celebração litúrgica
da festa de Natal, reza com alegria e confiança: “Ó Deus, que admiravelmente
criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade,
dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa
humanidade...” (Oração do dia de Natal). E o povo todo responde com entusiasmo:
“Amém” (que quer dizer: É isso mesmo! E que assim seja!).
Depois, na Liturgia eucarística do mesmo dia,
diante de Deus, nosso Pai santo, a Igreja também proclama: “Por ele (Cristo),
realiza-se hoje o maravilhoso encontro que nos dá vida nova
Enfim, depois de participamos neste dia da entrega maior de Jesus pela
nossa salvação, isto é, depois de participarmos do seu mistério pascal na
divina Eucaristia, depois que recebemos o seu corpo entregue e o seu sangue
derramado, sob as espécies de pão e vinho, então a Igreja faz esta belíssima
oração: “Ó Deus de misericórdia, que o Salvador do mundo hoje nascido, como
nos fez nascer para a vida eterna, nos conceda também sua imortalidade. Por
Cristo, nosso Senhor”. E todos respondem de novo com confiança renovada: “Amém!”
(isto é: Que assim seja de verdade!) (Oração depois da comunhão).
Perguntas para reflexão pessoal e em grupos
1. Que sentimentos e recordações significativas o Natal evoca em você?
2.
O que celebramos na liturgia do Natal?
3. Que esperanças o Natal alimenta em nós?
4. Qual a melhor maneira de celebrar o Natal?