ATO DE SE REUNIR
Os ritos iniciais (CNBB, Doc 43, n. 231-261)
Jacques Trudel S.J.
(www.cnbb.org.br)
Por que ritos iniciais? Formar
uma comunidade celebrante
A Igreja se reúne. Quem celebra é
a Igreja. Batizados deixam suas ca¬sas para celebrar Cristo na sua vida e sua
vida
Passar da rua para a celebração
necessita tempo. É preciso rito, diria o pequeno Príncipe, preparar o coração.
Observem: o artista principal se apresenta depois de outras bandas; o deputado
discursa no fim; comes e bebes precedem o jantar. An¬tes da Ceia,
Jesus lavou os pés. Para celebrar bem é preciso preparar o coração com ritos
preliminares.
A partir desta finalidade é que
devemos compreender os ritos iniciais, e "segun¬do as circunstâncias,
desenvolver ou sublinhar mais um ou outro elemento, evitando acentuar tudo ao
mesmo tempo" (n. 234). Os ritos ini¬ciais terão feições diversas de acordo
com a realidade.
No Brasil, sentimos necessidade de
celebrações afetuosas e alegres, inseridas no chão da vida, onde o cor¬po tenha
a sua vez e cada um se sinta aco¬lhido. Isso será facilitado pelos ritos
iniciais.
Como fazer?
Antes de qualquer rito. Formar
comunidade já começa na
organização do espaço celebrativo e na acolhida. Que
bom se
presidente e ministros pudessem acolher as pessoas na chegada, criando um clima
de convivên¬cia.
Uma
palavra inicial do animador(a) pode ajudar a criar o
clima. Palavra que brota do cora¬ção e que testemunha a fé (não a leitura de trecho de folheto).
"Que bom a gente estar aqui para celebrar!"
Poucas palavras para situar a celebração no tempo litúrgico, não para resumir as leituras. Talvez fazer a recordação da
vida que enraiza a celebração; ou deixar para antes
das leituras.
Canto
inicial, canto de todos e que dura até o final da procissão de entrada. Cantar juntos o mistério celebrado une as
vozes e os corações. Valorizar a procissão com a entrada dos ministros diversos; levar cruz, velas,
e, conforme o tempo, círio, incenso,
etc. Se oportuno, procissão dançada como expressão de fé orante:
“Em certos povos, o canto é instintivamente acompanhado do bater de mãos, de
movimentos ritmados e de passos de dança dos participantes” (A Liturgia Romana
e a inculturação, 1994, n. 42).
Saudar a comunidade. Após o sinal
da cruz e a saudação ritual (falada ou cantada), o missal prevê uma palavra
espontânea de quem preside ou de outro ministro. Pode ser bom saudar os visitantes ou
pessoas específicas em ocasiões
especiais (pais, mães, batizandos etc.) até com canto de boas-vindas e palmas.
Reconhecer-se povo santo e
pecador. O rito penitencial confessa o Cristo que salva. É mais desenvolvido na
quaresma enquanto caminho de conversão.
No tempo pascal, preferir as invocações ou a bênção - as¬persão da água benta (com
muita água). Quantas possibilidades! Ministros leigos podem formular intenções,
orientar um exame de consciência, sugerir um ges¬to; o rito pode ser complementado
com cantos de índole penitencial, refrões, atitudes corporais, símbolos,
elementos visuais etc.
O
hino do Glória, antiqüíssimo em uso na Igreja, merece
ser sempre cantado, embora o canto da versão oficial seja um tanto difícil. Mas
já dispomos da letra do hino em forma de estrofe, o que facilita o canto.
Oração
do dia (Coleta). Os ritos iniciais encerram-se sempre com a oração do dia,
elemento mais antigo destes ritos. No diretório da missa com crianças (n. 40),
diz-se: "sempre haja pelo menos um elemento introdutório que seja
concluído pela coleta".
Perguntas para reflexão pessoal e
em grupos
1. Qual seria a função de uma
equipe de acolhida nas celebrações?
2. Por que e para que existem os
ritos iniciais da missa?
3. Como realizar os ritos iniciais de tal maneira que forme de uma comunidade disposta a ouvir atentamente a Palavra e celebrar dignamente e Eucaristia?