Dom Geraldo M. Agnelo
Cardeal Arcebispo de Salvador
Presidente da CNBB
“A Eucaristia é um tesouro inestimável: não só a sua celebração, mas também o
permanecer diante dela fora da Missa permite-nos beber na própria fonte da
graça. Uma comunidade cristã que queira contemplar melhor o rosto de Cristo,
segundo o espírito que sugeri nas cartas apostólicas Novo millennio ineunte e
Rosarium Virginis Mariae, não pode deixar de desenvolver também este aspecto do
culto eucarístico, no qual perduram e se multiplicam os frutos da comunhão do
corpo e sangue do Senhor” (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia n.25).
A celebração da Santa Missa não esgota o culto de adoração e ação de graça,
ainda que seja o centro do próprio culto, mas se prolonga no culto eucarístico
fora da missa. O dom que recebemos do Senhor é precioso testamento que nos
deixou para permanentemente dele usufruirmos.
Quando Jesus, na quinta feira santa, celebrou a primeira Missa para perpetuar,
através da Igreja, a oferta do seu sacrifício, antecipou a promessa que nos
deixou antes da Ascensão: “Eu estarei convosco sempre até o fim do mundo” (Mt
28, 20). Ele permanece conosco, caminha conosco através de sinais sensíveis, no
Sacramento do altar, sob os quais a nossa fé encontra a
sua presença real.
Temos a reserva do Santíssimo Sacramento, que permanece após a celebração da
Missa, nos relaciona sempre com o próprio sacrifício da cruz celebrado na
comunidade cristã em cada missa. A celebração da Eucaristia é o centro,
portanto, da Igreja, dos demais sacramentos e de sua atividade apostólica. A
Igreja cresce e vive pela Eucaristia. Na catequese e na pastoral deve se
insistir no apreço e valorização da centralidade da missa acima de todas as
demais formas de
Culto eucarístico.
O fim primeiro e originário da reserva das sagradas espécies é a administração
do viático ao doente moribundo. Em conseqüência pode-se distribuir a comunhão
fora da missa para os que não puderam dela participar e para os enfermos.
A adoração de Nosso Senhor Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento é dever de toda a Igreja pública e privadamente. Importante é pois que o local e o tabernáculo, onde se conservam as espécies do Santíssimo Sacramento, sejam visíveis aos fiéis, dispostos com dignidade e com segurança, e que também os fiéis conheçam bem outros gestos de adoração
que são devidos, como a genuflexão e outros cuidados.
As procissões são formas de expressar a fé, culto e veneração ao Santíssimo
Sacramento; é manifestação pública do amor e respeito do povo de Deus a Cristo
Eucarístico. Entre todas, ocupa lugar proeminente a que se faz todos os anos na
solenidade do Corpo e do Sangue, Corpus Christi. Desde séculos adquiriu direito
de cidadania e se converteu em manifestação popular de fé e de adoração na
maioria dos povos católicos.
É conveniente que a procissão se faça imediatamente depois da missa, na qual se consagra a hóstia sagrada para a procissão. A procissão sempre terminará com a bênção com o Santíssimo Sacramento ao povo presente.
Os Congressos eucarísticos internacionais, nacionais e diocesanos têm como fim promover o culto eucarístico no povo cristão. São acontecimentos especiais de aprofundamento e renovação, de vivência e compromisso eucarístico. São manifestação externa de uma Igreja orante e expressão viva de fé na presença sacramental de Cristo. Os Congressos tem uma preparação, celebração e prolongamento.
A exposição do Santíssimo Sacramento pode ser ocasião para recitação de uma
parte da Liturgia das Horas, especialmente nas casas religiosas.
Durante a exposição, as preces, cantos, leituras e silêncio devem se organizar de maneira que os fieis, atentos à oração, de dediquem a Cristo, o Senhor, presente no Sacramento, concentrando sua mente e sentimentos no mistério eucarístico.
O costume da visita ao Santíssimo Sacramento há muito é
observado. Paulo VI, em 3 de setembro de 1965, publicou a encíclica Mysterium
Fidei. Nela fala expressamente da visita ao Santíssimo Sacramento quando exorta
a promoção do culto eucarístico. E o Concílio Vaticano II, na Presbyterorum
Ordinis, dispõe que se cumpra com fidelidade o ministério sacerdotal, e se
tenha com gosto de coração o colóquio cotidiano com Cristo na visita e culto à
Santíssima Eucaristia.
Na visita ao Senhor Sacramentado, e em todas as demais formas de culto à
Eucaristia, o fiel, como afirma João Paulo II, na Dominicae Coenae, n. 3,
mostra ao Senhor o que a mesma palavra eucaristia significa: “o agradecimento,
o louvor por nos ter redimido com sua morte, e feito participes de sua vida
imortal, mediante sua ressurreição”.