ABORTO E TRAUMATISMOS PSICOLÓGICOS
Pergunte e Responderemos-413/1996
Publicamos, a seguir, o artigo
sobre as conseqüências psicológicas do aborto, da autoria do Dr. L. Clemente de
S. Pereira Rolim, especialista
As observações do Dr. Pereira Rolim são de grande atualidade, pois dissipam graves
ilusões relativas ao "aborto como solução". A experiência de
numerosas mulheres que cometeram aborto, ensina que
ele fere não somente a criança, mas também a mãe - e quiçá para o resto da vida
-, provocando remorso por um ato cometido como pretenso alívio de uma situação
indesejada.
INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ E
SEQÜELAS PSICOLÓGICAS
Às vezes, pretende-se justificar
o aborto como a única saída para situações angustiantes que uma gravidez não
desejada pode trazer. Há inclusive alguns países que admitem a angústia da
mulher como
indicação
para abortar. No entanto, a pior angústia vem depois do aborto. Esta é a
conclusão a que chegou a Dra. Mary Simon, psicóloga da Clínica Ginecológica
Universitária de Würzburg (ALEMANHA), em uma pesquisa
publicada na conceituada revista DEUTSCHE TAGESPOST (4-VII-92).
É interessante constatar que os
transtornos psicológicos causados pelo aborto são poucas vezes mencionados na
literatura médica especializada. Daí a razão deste artigo que, sem se ater a
considerações morais ou éticas e sem chutometrias,
visa a mostrar a realidade crua dos fatos. Os dados que são apresentados a
seguir, foram todos obtidos de países onde o aborto é
legal há mais de trinta anos e realizado nas melhores condições de higiene e
assepsia, como é o caso da Inglaterra, da Checoslováquia,
do Japão, da Alemanha e dos Estados Unidos. Além da referência supra citada, remetemos o leitor aos artigos relacionados na
bibliografia.
TRANSTORNOS PSÍQUICOS
Basicamente, três tipos de
fenômenos psíquicos ocorrem nas mulheres que fazem aborto:
Sentimentos de remorso e culpa
(60% das mulheres);
Oscilações de ânimo e depressões
(30 a 40%);
Choro imotivado, medos e
pesadelos (35%).
Quanto ao sentimento de culpa, já
tentaram atribui-lo a crenças
religiosas.
Certamente, há sentimentos de culpabilidade originados por convicções
religiosas, mas a maior parte destes sentimentos posteriores
ao aborto têm muito pouco que ver com a crença religiosa. O aborto viola
algo de muito profundo na natureza da mulher. Ela é naturalmente a origem da
vida e é normal que a mulher grávida esteja consciente de que cresce uma
criança dentro dela. A mulher que aborta voluntariamente,
sabe que matou o seu filho. Não é, pois, de admirar o aparecimento de
sentimentos de culpa, de autocensura e de estados
depressivos.
Um psiquiatra sensato disse uma
vez que é mais fácil tirar a criança do útero da mãe, do que fazê-la
desaparecer do seu pensamento.
Inclusive em países de cultura
não cristã, como o Japão (onde o aborto livre é legal há 42 anos), há estudos
de grande amplitude, mostrando que 73% das mulheres que praticaram o aborto se
sentiam "angustiadas" com o que tinham feito. Porém, voltando ao trabalho
da Dra. M. Simon, o que mais chama a atenção, não são as seqüelas psíquicas que
ocorrem pós aborto, mas sim os mecanismos que as mulheres desenvolvem para se
libertarem dos seus complexos de culpa. Novamente três tipos de mecanismos
ocorrem: repressão, projeção e confrontação. Vejamos cada um deles em
particular.
Repressão
A Dra. Simon explica que 61% das
mulheres que entrevistou, evitam pensar no aborto e reprimem estes
pensamentos, desenvolvendo então sintomas de origem psíquica (psicossomáticos):
dores de cabeça, vertigens, tonturas e cólicas abdominais. Este fenômeno
também é muito conhecido na medicina como somatização.
É um dado significativo: em 70% das mulheres surgem pensamentos de como seriam
as coisas se a criança abortada vivesse agora, e 52% delas se incomodam ao
verem mulheres grávidas, porque lhes recordam seus próprios filhos abortados.
Projeção
Aqui as mulheres projetam para
outros a responsabilidade do próprio aborto. Em geral, são mulheres instáveis
psiquicamente, mas, sobretudo, dependentes economicamente do pai da criança.
Cedem à pressão do marido, do parceiro ou mesmo do ambiente, e abortam.
Posteriormente, quando culpam o
marido pelo aborto, aparecem
verdadeiras
neuroses sexuais: sentimentos de ódio, frigidez e depressões caracterizam a
convivência matrimonial-sexual de inúmeros casais que fizeram o aborto.
Estatísticas recentes comprovam que, só nos Estados Unidos, 50% dos casais que
fizeram aborto se separaram após o mesmo.
Muitas mulheres também acusam os
médicos de não as ter informado o suficiente sobre as possíveis conseqüências
psíquicas do aborto. Se soubessem, antes de abortar, dos riscos para sua saúde
física e psíquica, não o teriam feito. No total, 45% das mulheres voltariam
atrás se pudessem, pois consideraram sua anterior decisão de abortar
prejudicial e equivocada.
Era freqüente, no questionário
formulado pela Dra. Simon, ler respostas do tipo: "atribuo aos que me
rodeavam uma grande parte de culpa na minha decisão de abortar" ou "o
pai da criança não a queria"; uma das pacientes declarou entre lágrimas:
"os médicos decidiram sem contar comigo; assustaram-me, dizendo que a
criança poderia nascer malformada. Se eu estivesse outra vez na mesma situação,
levaria adiante a gravidez, mesmo que meu filho fosse um débil mental. É carne
da minha carne e sangue do meu sangue: eu o amaria".
Confrontação
O terceiro e menor grupo de
mulheres entrevistadas tenta recuperar seu equilíbrio psíquico, enfrentando
conscientemente o fato do aborto, e conversam francamente com pessoas de sua
confiança (abrem-se com uma amiga, a mãe, um psicólogo ou um médico), porém
nunca com o médico que realizou o aborto. Em geral, tentam,
primeiro, reconhecer sua culpa; não a reprimem nem a projetam sobre outros, e
tampouco procuram justificar-se.
Depois, arrependem-se do que
fizeram sentindo dor e tristeza pelo filho morto.
CONCLUSÕES
Os fatos comprovam que o aborto
não é uma solução para
dificuldades
psicossociais. Pelo contrário, após o aborto persiste
a crise e se acrescenta o risco de novas e mais graves conseqüências
psíquicas. Uma mulher que, em geral, reage emocionalmente de forma instável
quando submetida a situações estressantes, responderá à tensão psicológica do
aborto com anomalias psíquicas ainda mais fortes. Por isso, as adolescentes são
mais propensas a desenvolverem seqüelas psicológicas após um aborto.
A envergadura da ruína psíquica
que sobrevêm após o aborto, é muito maior do que se pensava antes. Portanto,
pergunta-se: aqueles que
defendem
ou indicam o aborto, têm consciência do que realmente
estão
causando à mulher? Em todo o mundo, como conseqüência do grande número de
abortos que se praticam, está aparecendo um exército de mulheres com graves
neuroses pós-aborto.
Os países desenvolvidos começam a
repensar suas leis abortistas. Para citar um exemplo,
transcrevo a seguir parte de um manifesto assinado por 35 personalidades
americanas (o governador da Pensilvânia, Robert Casey;
o médico da Universidade de Chicago, Prof. Leon R. Kass e inúmeros políticos e líderes religiosos das mais
distintas confissões), publicado na revista FIRST THINGS (NEW YORK,
NOVEMBERl92):
"...Após
vinte anos de aborto sem restrições na sociedade americana, constata-se que a
mortalidade infantil continua sendo uma das mais altas dos países
industrializados; continua a haver cada vez mais casos de maus tratos às
crianças (e mais graves); continuam os abortos clandestinos... O aborto livre
não satisfez a nenhuma verdadeira necessidade das mulheres, nem lhes devolveu a
dignidade. De fato, produziu exatamente o contrário: estimulou a
irresponsabilidade dos homens e jovens, que encontram no aborto uma escusa
fácil para fugir de suas obrigações; aumentou enormemente a exploração das
mulheres pela indústria do aborto... A licença para abortar não proporcionou
liberdade nem segurança às mulheres..."
Como médico, sinto-me no dever de
alertar as mulheres que pensam em abortar (principalmente as adolescentes) e
também a todos os colegas que atendem a estas pacientes, lembrando umas
palavras da Dra. M. Simon: "O aborto não somente aniquila uma vida humana
ainda não nascida, mas também arruina a psique da
mulher."
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1) Relatório Wynn:
Margarett and Arthur Wynn. Some consequences of induced Abortion to Children Born Subsequently,
Foundation of Education and Research in Child Bearing,
2) Klinger, A.: Demographic Consequences of the
Legalization of Abortion in
3) Kotasek, A.:
Artificial Termination of Pregnancy in
4) Meyerowitz, S.; Satloff, A.; Romano, J.: Induced Abortion for Psychiatric
Reasons. American Joumal ofPsychiatry, 127: 1153. 1971. 5)
Hendricks-Matthews, M.: Psychological Sequelae from
Induced Abortion: a Follow-up Study of Women Who Seek Post Abortion
Counseling. Doctoral Dissertation. Ann Arbor, Michigan, University Microfims International. 1983.
6) Roa - A.: EI Embrión, lo Humano y lo Humanizado. Revista Médica
de Chile, 120: 323. 1992. "