CARTA
DE BRASÍLIA,
CONTRA
A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO
Os membros e representantes da
Frente Parlamentar da Família e Apoio a Vida,
Frente Parlamentar Contra a Legalização do Aborto,
Frente Parlamentar Evangélica,
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB
Lideranças Nacionais de Denominações Evangélicas,
Movimento Nacional Pró-vida Pró-Família,
Movimento Pró-Vida Família de Anápolis,
Associação Nacional Mulheres Pela Vida,
Missões Evangélicas Brasileiras,
Federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida,
Associação Brasileira dos Juristas pela Vida,
LIBRA – São Paulo – Liga das Mulheres Eleitoras do Brasil,
Associação dos Ex-Alunos de Direito Canônico da Arquidiocese de São
Paulo
ATINI – Voz Pela Vida,
e ainda, de diversas entidades da sociedade civil,
reunidos na cidade de Brasília-DF, no dia 08 de maio de 2007, durante
manifesto público com o tema: “GRANDE CLAMOR AOS CÉUS CONTRA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO
NO BRASIL”, firmam a presente Carta de Brasília, dirigida ao Presidente da
República, ao Presidente do Congresso Nacional e à sociedade brasileira, de
forma geral, apresentando posição contrária à legalização do aborto no
Brasil, considerando que:
- aborto é ato de extermínio de uma vida humana, visto que a ciência
declara que ela tem início com a fecundação, o que o faz como fato científico,
não podendo ser questionada pela fé, religião, filosofia, ou qualquer outro
segmento;
- que o aborto é uma clara violação à vontade de Deus, revelada nas
Escrituras Sagradas, nos mandamentos escritos do “Não Matarás” e do “Amar a
Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
- que a livre interrupção da gravidez é uma afronta à Declaração Universal
dos Direitos do Homem que define que “todo o indivíduo tem direito à vida”
(artigo 3º) e a Constituição Brasileira que tem como cláusula pétrea, o seu
artigo 5º, definindo como garantia fundamental a inviolabilidade do direito à
vida; bem como o artigo 4° do Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil
é país signatário, portanto, com força constitucional;
- que o bebê ainda não nascido não é parte do corpo da mulher, mas uma
vida absolutamente distinta e com corpo autônomo;
- que a mulher tem o direito de decidir engravidar ou não, mas não o
direito de vida e morte sobre o filho;
- que o aborto é um atentado contra a saúde física, mental, emocional e
espiritual da mulher;
- no aborto, há pelo menos quatro vítimas: a criança, a mulher, a
família e a sociedade;
- que o aborto é ato contra a consciência e a dignidade humana;
- que o aborto nunca é uma solução dignificante, nem para quem o
pratica, nem para a mulher que a ele se submete, e muito menos para a criança
inocente; pelo contrário, o aborto provocado, mesmo nos países desenvolvidos
onde é legalizado, constitui fator de agravamento de risco de mortalidade
materna;
- que a prática do aborto fomenta a intolerância e a discriminação
contra as pessoas portadoras de necessidades especiais, visto que tem como um
dos objetivos impedir o nascimento de crianças com anomalias e malformação
congênitas;
- que nos Estados Unidos tem-se notícias de que a indústria do aborto é
a 4ª economia e que estaria nas mãos do crime organizado;
- que há interesses escusos por parte dos grupos que financiam ricas
campanhas pela legalização do aborto no Brasil, como o controle populacional, a
constituição de uma “raça superior” e interesses econômicos (vendas de tecidos
de fetos abortados);
- por fim, que o povo brasileiro tem se expressado, em sua esmagadora
maioria, contrário ao aborto, conforme bem o comprova a última pesquisa Ibope,
realizada em março de 2005, em que 97% se posiciona contrário à legalização do
aborto;
Os que subscrevem este documento também registram repúdio:
- às últimas declarações do atual Ministro da Saúde, Dr. José Gomes
Temporão, que classificou o aborto como questão de saúde pública ao declarar
que, ao ano, morrem milhares de mulheres em razão de aborto, quando os dados
oficiais do próprio Ministério da Saúde não contabilizam sequer duzentas
mortes; e que conclui por um número de abortos realizados, baseando-se em
números e dados estatísticos questionáveis e inadequados, que misturam abortos
espontâneos com provocados, realidades inteiramente distintas e inassimiláveis,
tanto do ponto de vista jurídico, como ético, moral e médico;
- às declarações de parlamentares congressistas, que usam como
argumentos os mesmos dados e números inadequados, para defender a aprovação de
proposições que tramitam no Congresso Nacional, prevendo a interrupção da
gravidez, sem o cuidado de observarem que os verdadeiros dados, disponíveis do
Sistema Único de Saúde - SUS e do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística - IBGE, apontam, nos últimos anos, para uma contínua e expressiva
redução da taxa de mortalidade materna decorrente de aborto no Brasil.
Concluem que:
- Estado Democrático é destinado a assegurar o exercício dos direitos
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade
fraterna, conforme o preâmbulo de nossa Magna Carta;
- Os fundamentos do Estado Democrático de Direito são, entre outros, a
soberania, a cidadania a dignidade da pessoa humana, conforme preceitua o
artigo 1° de nossa Constituição Federal, bem como o seu parágrafo único: ”Todo
o poder emana do povo...”
- As políticas públicas devem se efetivar objetivando o bem comum e
baseando-se em informações claras, seguras e precisas, o que não é o caso da
campanha do Governo Federal com vistas à legalização do aborto, que, dentre
outras questões, omite o número crescente de internações no SUS devidos a
abortos espontâneos, que em alguns anos superaram mais da metade do número de
internações por abortamento em geral;
- Deve ser aplicado o princípio da moralidade (Art. 37, caput, da
Constituição Federal), ao direcionar e decidir sobre as verbas públicas;
- Que as políticas de Governo não podem e não devem violar o direito à
vida, à dignidade humana ou promover e incentivar a discriminação e o
preconceito (Art. 5. caput, art. 1º, III e art. 3º, IV da Constituição Federal)
como se propõe o aborto ao determinar que os “indesejáveis” sejam eliminados .
Os presentes, no GRANDE CLAMOR CONTRA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO, ainda
lamentam:
- A vigência das Portarias do Ministério da Saúde que efetivam a prática
do aborto com verbas públicas, notadamente a Portaria 1.508/2005, que prevê
procedimento de interrupção da vida em caso de estupro nas unidades de saúde da
rede SUS, nos casos previstos em lei, autorizando o procedimento sem a feitura
sequer de um Boletim de Ocorrência Policial, aceitando, apenas, declaração e
requerimento firmado pela suposta vítima;
- A falta de um Programa Nacional de valorização da vida desde a
concepção, que preveja a construção de casas-lares de acolhida para gestantes
em situação de risco; incentivo aos programas de adoção de crianças rejeitadas;
cursos de método natural de fertilidade (Billings); campanhas de educação,
esclarecendo ser a continência sexual o único meio comprovado e
indiscutivelmente seguro de prevenção à gravidez precoce e indesejada, Aids,
HPV, hepatite, entre outras DST’s;
- Descaso com políticas públicas para com os jovens e adolescentes, em
discordância com a Carta Magna que prevê em seu Artigo 227: "é dever da
família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente com
absoluta prioridade o direito à vida...".
- A flagrante omissão do Governo em não identificar e não investigar
quais os verdadeiros interesses dos grupos que patrocinam campanhas pela
legalização do aborto no Brasil e o montante dos recursos por eles enviados ao
Brasil para realização das campanhas.
Por último, rogam ao Congresso Nacional e ao Governo Federal, que ao
contrário de terem como meta a legalização do aborto, que só apresenta graves
riscos para a mulher e que atenta contra a vida de inocentes, reforcem a
proteção à família e o apoio à vida, desde sua concepção até seu desfecho
natural, pois esta é a vontade do povo brasileiro e das religiões brasileiras.
Vontade refletida em enquetes, pesquisas, consultas e manifestações em todo
Brasil, com resultados e dados publicados pela imprensa e pela rede mundial de
computadores (internet) demonstrando que o Brasil e o povo brasileiro dizem NÃO
AO ABORTO E SIM À VIDA!
Brasília, 08 de maio de 2007.