"FUI UMA MORTA-VIVA" "FUI
UM VIVO-MORTO"
Pergunte e Respónderemos 408 1996
Em síntese: Vai, a seguir,
comentado o triste significado do aborto para a criança que, inocente, é
condenada a morrer no seio materno. A ocasião para se pôr em relevo este
aspecto da questão é a entrevista concedida a VEJA de 13/12/95, pp. 7-10, por
Joana Leal Lima, que foi vítima de estupro, engravidou e conseguiu que lhe
extraíssem a criança. Um jornalista, Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, faz as vezes da
criança que comenta as declarações de sua mãe, feliz por haver abortado.
***
A revista VEJA, em sua edição de
13/12/1995, pp. 7-10, publicou a entrevista concedida por Joana Leal Lima,
mulher de 41 anos de idade e 5a. série completa. Foi estuprada, engravidou e,
após quase três meses, conseguiu que lhe extraíssem a criança no Hospital do Jabaquara
A seguir, transcreveremos de
VEJA, o relato dos fatos. E acrescentar-lhe-emos a resposta que aos mesmos quis
dar o Pe. Luiz Carlos Lodi
da Cruz, da diocese de Anápolis (GO), fazendo as vezes
da criança eliminada do seio materno. Na verdade, quando se trata de aborto,
não se deveria considerar apenas o grave incômodo da gestante, mas também o
atroz sofrimento da criança, cujos direitos são violados como se fosse uma
coisa (coisa má) e não o que ela realmente é: uma pessoa humana.
O PANO DE FUNDO: "FUI UMA
MORTA-VIVA"
"Por banal, a notícia saiu
sem destaque no Diário do Grande ABC, de São Paulo, no dia 28 de outubro de
1992. Tinha apenas dois parágrafos e começava assim: A ajudante geral J.L.L.,
38 anos, foi estuprada na manhã de anteontem, no Parque Aliança,
"FUI UM VIVO-MORTO"
Escreve Luiz Carlos Lodi da Cruz:
"A revista
Veja na edição de 13/12/95 apresentou no artigo Fui uma morta-viva
a angústia de uma mulher, Joana, que após sofrer um estupro, decidiu fazer
aborto.
Desejaria agora dar uma resposta
proporcional ao agravo sofrido pela criança na referida publicação.
Como ela, indefesa e agora já
morta, não pode exercer o legítimo 'direito de resposta', proponho-me fazer as vezes do nascituro, entrevistando-o e imaginando que
respostas ele daria às minhas indagações. O nome fictício do entrevistado (que
nem sequer pôde ser batizado) será Nonato, que significa 'não nascido'.
JORNALISTA: "Nonato, você
foi gerado de um estupro, que uma senhora casada sofreu de um ladrão
desconhecido. Você era ou não era um ser humano?"
NONATO: "Desde que fui
concebido, recebi de meu pai e minha mãe 46 cromossomas,
nos quais estava gravado todo o meu código genético, desde a cor dos meus olhos
até minhas impressões digitais. Recebi também de Deus naquele momento uma alma
espiritual e imortal. Desde a fecundação, eu já era gente. Quando me mataram,
já estava com quase todos os órgãos formados".
JORNALISTA: "Sua mãe Joana
percebeu logo sua presença no seu útero?"
NONATO: "Não. Demorou quase
três meses para suspeitar que eu estava lá, por causa
do atraso da menstruação".
JORNALISTA: "E depois que
ela descobriu que trazia você dentro de si? Ela saltou de alegria?"
NONATO: "Não. O ódio pela
agressão física de meu pai foi transferido para mim. Ela nunca quis-me chamar filho: Isto aqui não vai nascer. Isto não é
um filho."
JORNALISTA: "O que você
passou a representar para ela?"
NONATO: "Uma violência a ser
eliminada, uma sujeira a ser tirada. Dizia ela de mim: essa coisa está
violentando o meu corpo, está-me matando".
JORNALISTA: "Qual foi a reação de sua mãe quando encontrou pessoas dispostas a
assassiná-lo?"
NONATO: "Experimentou um
grande alívio e alegria. Chamou-os anjos de branco, por terem compreendido sua
angústia e estarem dispostos a ajudá-la!"
JORNALISTA: "E ninguém
pensou em você, Nonato?"
NONATO: "Não. A violência
sofrida por mamãe devia então recair sobre mim, apesar de eu ser absolutamente
inocente".
JORNALISTA: "Foi dolorosa a
sua morte?"
NONATO: "Dolorosíssima.
Não apenas pela desintegração do meu corpo, aspirado em pedacinhos, mas pelo
sentimento de rejeição de toda a humanidade. Para todos, eu nunca passei de uma
coisa a ser jogada fora".
JORNALISTA: "Se você
houvesse nascido, poderia fazer algo por sua mãe?"
NONATO: "Poderia dar-lhe
tudo que dá um bom filho à mãe: desde gratidão e amor até o amparo em sua
velhice. Quem sabe se eu não conseguiria superar, em reconhecimento por ela,
todos os meus irmãos legítimos?"
JORNALISTA: "Sua mãe nega
qualquer arrependimento pelo seu aborto. Você acha que ela não sofreu dano pela
sua morte?"
NONATO: "Certamente
que sim, por mais que ela queira negar.
Sua consciência deve estar agora
mais oprimida do que nunca. A angústia de sofrer violência transformou-se agora
em angústia por ter causado violência. E isto vai
acompanhá-la por toda a vida."
JORNALISTA: "Após a sua
morte, você teve direito a um velório e a um enterro?"
NONATO: "Não. Fui jogado
numa lata de lixo do hospital. Não recebi lamentos nem flores. Mas mamãe
entregou um ramalhete aos que me mataram, como forma
de agradecimento".
JORNALISTA: "Se você
estivesse entre nós e pudesse falar, que diria aos
deputados que querem legalizar o aborto em caso de estupro?"
NONATO: "Se eles ouvissem
minha história, certamente pensariam diferente. Nas campanhas pelo aborto
fala-se muito da mulher e esquece-se o único inocente no caso: a criança. E é
ela quem vai ter que pagar com a morte pela aflição de sua mãe".
Pe.
Luiz Carlos Lodi da Cruz
3. OBSERVAÇÃO FINAL
No caso de estupro, entende-se
que a gestante sinta especialmente o incômodo de trazer no seio um filho
indesejado. Isto, porém, não justifica a condenação do inocente à morte. O que
a Moral Católica pede à mulher, em tais circunstâncias, é que leve a gestação a
termo e entregue a criança recém-nascida a quem se queira interessar por ela:
um casal disposto a adotá-la ou uma instituição beneficente, como é no Rio de
Janeiro o Educandário Romão de Mattos Duarte, Rua Paulo VI, 60 (Flamengo), CEP
22230-080; FONE (021) 225-6194.
Assim evitar-se-á o assassínio da
criança, que realmente é atroz, e traumatiza profundamente a própria mãe, pois
a mulher traz em si o senso da maternidade e repudia espontaneamente matar o
filho.
Aliás, é
oportuno lembrar os meios aplicados para provocar o aborto; 1 ) injeção
de sal no líquido amniótico, que faz a criança contorcer-se de dores; 2)
penetração, na placenta, de instrumento perfurante, do qual o bebê tenta
defender-se como um pequeno lutador; 3) sucção com aspirador, que reduz a
criança a pedaços. Estes são recolhidos em lixeira ou aproveitados (por causa
da sua juventude celular) para implantação em organismos de adultos enfermos ou
para a fabricação de cosméticos.
"Por que
nunca são mencionados os meios usados para abortar?
Qualquer argumento em favor do
aborto provocado é construído no terreno emocional e baseado no egoísmo e
desamor tão freqüentes em todos nós. No século da razão e da
ciência o aborto provocado deveria ser uma questão fechada, não mais sujeita a
discussões" (Professora Dra. Maria Helena Fraga, em Cartas dos
Leitores no JB de 28/12/95, p.8).