I. Indicações Bíblicas sobre a Função de Maria
a) Maria como a Rainha Mãe
Existe
uma palavra aramaica, Gebirah, que significa "Rainha Mãe.
Tradicionalmente, ao lado do trono do Rei, existe um segundo trono. Muitos
afirmariam que o segundo trono pertenceu à esposa do Rei, mas em Israel ele
pertencia à mãe do Rei. A Gebirah era uma posição oficial e que era
conhecida por todos (inclusive por Jesus e seus discípulos). Sua função era ser
advogada do povo; qualquer pessoa que tinha um pedido ou solicitava uma
audiência com o Rei fazia-o através dela. Ela era uma intercessora,
apresentando os desejos e interesses do povo para o Rei. Isto não significa que
o Rei era inacessível, ou que o povo tinha medo ou era incapaz de falar com
ele. Isso meramente significava que o Rei honrava sua mãe e tratava os pedidos
dela com especial consideração. Da parte das pessoas do povo, elas se sentiam
muito próximos à ela, como se fossem também seus filhos.
Tal
função é mencionada em:
Seu lugar específico de honra e intercessão é
dramaticamente ilustrado em 1Reis 2,13-21:
"Então
veio Adonias, filho de Hagite, a Bate-Seba, mãe de Salomão. Perguntou ela: 'De
paz é a tua vinda?'. Respondeu ele: 'É de paz'. E acrecentou: 'Uma palavea
tenho que dizer-te'. Disse ela: 'Fala'. Disse ele: 'Bem sabes que o reino era
meu, e todo o Israel tinha posto a vista em mim para que eu viesse a reinar,
ainda que o reino se transferiu e veio a ser de meu irmão; pois foi feito seu
pelo Senhor. Agora um só pedido te faço; não mo rejeites'. Ela lhe disse:
'Fala'. Ele disse: 'Peço-te que fales ao rei Salomão (pois não to recusará),
que me dê por mulher a Abisague, a sunamita'. Respondeu Bate-Seba: 'Muito bem, eu
falarei por ti ao rei'. Quando Bate-Seba foi ter com o rei Salomão, para
falar-lhe por Adonias, o rei se levantou a encontrar-se com ela, inclinou-se
diante dela, e se assentou no seu trono. Mandou que pusessem um trono para a
mãe do rei, e ela se assentou à sua mão direita. Disse ela: 'Só um pequeno
pedido te faço, não mo rejeites'. E o rei lhe disse: 'Pede, minha mãe, porque
não to recusarei'. Disse ela: 'Dê-se Abisague, a sunamita, por mulher a
Adonias, teu irmão'".
De
particular importância são as seguintes observações:
1. Adonias supunha que a rainha-mãe poderia
defender seu interesse perante o Rei; ou seja, ele confiava nela.
2. A reação do Rei é notável: ele se levantou
para vir ao encontro de sua mãe e prestou-lhe o seu respeito.
3. Um trono foi providenciado para ela; ela se
sentou à direita do Rei.
4. Seu poder de intercessão é enfatizado pela
repetição da idéia de que o rei "não a recuse".
O mesmo fazemos hoje com Maria. Nós acredimos que
ela se aproximará do Rei para defender os nossos interesses. Porém, neste
instante, muitos protestantes dirão: "Não podemos chegar até Ele por meio
de ninguém; podemos tratar diretamente com Deus". Sim, podemos e devemos
fazê-lo. Porém, duvido que o mesmo protestante que usou esse argumento JAMAIS
pediu a um amigo seu para que orasse por ele ou com ele. Pedimos a nossos
amigos para que orem conosco ou por nós, não porque achamos que é impossível se
aproximar diretamente de Deus, mas porque formamos uma família em Cristo e
porque é agradável. Nós nos preocupamos com os outros e pedimos sempre a Deus
para que conceda os interesses daqueles que amamos. Por que limitar esse
cuidado e assistência somente àqueles que estão vivos hoje na terra? São Paulo
nos diz que somos rodeados por uma nuvem de testemunhas - será que essas testemunhas
não demonstram um mínimo de preocupação para conosco? O Apocalipse no nos diz
que as preces dos santos elevam-se como incenso perante Deus (Ap 8,4). Por quem
estariam orando? Em Tobias, lemos: "Quando tu e Sara fazíeis oração, era
eu (arcanjo Rafael) quem apresentava as vossas súplicas diante da glória do
Senhor e as lia" (Tobias 12,12).
Se pedimos para nossos irmãos
vivos para orarem por nós, poderíamos deixar de fazer o mesmo para aqueles que
já se encontram presentes diante de Deus? E se pedimos para aqueles que estão
diante de Deus, como poderíamos deixar de pedir a intercessão daquela que é a
mãe do Rei? A Tradição (aquela mesma Tradição - lembre-se disso - que nos deu a
Bíblia) nos diz que quando Jesus estava agonizando na cruz, disse certas
palavras a seu discípulo [João] que são aplicadas a cada um de nós; tais
palavras são: "Eis aí a tua Mãe..."
b. Maria como a Arca da Nova Aliança
Este ponto nos dirige diretamente para o dogma da
Imaculada Conceição de Maria; entretanto, tratarei mais detalhadamente sobre
esse assunto (bem como suas objeções) um pouco mais abaixo. A Arca da Antiga
Aliança abrigava os Dez Mandamentos, que eram a Palavra de Deus. Na Bíblia, São
João chama também Jesus de Palavra (=Verbo) de Deus e Maria, por carregá-lo em
seu ventre, tornou-se a Arca da Nova Aliança. A Arca da Aliança é santa e pura.
Se Maria tivesse o pecado original, ela não poderia ser pura e,
conseqüentemente, também não poderia ser a Arca da Nova Aliança. Este conceito
é apresentado na Bíblia quando comparamos o Antigo Testamento com o Novo
Testamento. Observe estas semelhanças:
* Antigo Testamento: quando o rei Davi dançou de júbilo porque
ele estava na presença da Arca, que continha a Palavra de Deus - "Quando
a Arca do Senhor entrava na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava
olhando pela janela. E vendo ao rei Davi, que ia saltando e dançando diante do
Senhor, o desprezou no seu coração" (2Samuel 6,16).
Novo Testamento:
quando o profeta João Batista saltou de júbilo no ventre de sua mãe, Isabel.
Ele fez isto quando ouviu a voz de Maria, que estava grávida de Jesus, o qual
também é chamado de Palavra (=Verbo) de Deus - "Ao ouvir Isabel a
saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do
Espírito Santo" (Lucas 1,41).
Se tudo isto é verdade, que Maria é a Arca da Nova
Aliança, então ela deve ter sido pura e não poderia haver qualquer tipo de
pecado em sua alma. O fato de que Maria tenha nascido sem pecado original tem
sido um ensinamento muito claro não apenas da Igreja Católica como também dos
fundadores do Protestantismo. Apenas recentemente algumas denominações
protestantes se afastaram desta doutrina tradicional do Cristianismo.
"É uma doce e piedosa crença esta de que a alma de Maria não
possuía o pecado original; assim, sua alma estava completamente purificada do
pecado original e embelezada com os dons de Deus, por ter recebido de Deus uma
alma pura. Portanto, desde o primeiro momento de sua vida, ela estava livre de
todo o pecado"
(Martinho Lutero, "Sermão sobre o Dia da Conceição da Mãe de Deus",
1527).
Não há outro "símbolo" que eu gostaria de discutir antes de
falar de Maria no Novo Testamento e tal símbolo é o de Maria como "portão
de entrada". A melhor explicação que vi sobre esse assunto foi postado em
uma lista de discussão - embora não me lembre qual, nem o nome de seu autor.
Apresento essa explicação logo abaixo, com um mínimo de edição da minha parte,
e peço desculpas de não poder dar o devido crédito ao autor, pelo motivo
exposto.
Quando Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém, ele
montava um jumentinho, o qual ainda não havia sido montado por ninguém (Mc
11,2-10). Ele também foi encerrado em uma sepultura nova, a qual também não
havia sido usada antes (Jo 19,41). Estas coisas não eram necessárias, mas assim
aconteceu - tanto com o jumentinho quanto para a sepultura usados por Cristo,
mas jamais usados por qualquer outra pessoa - simplesmente para indicar o
quanto especial era Jesus.
No Antigo Testamento também existem símbolos que
prefiguram pessoas ou eventos do Novo Testamento. A pessoa ou evento do Novo
Testamento que é prefigurada no Antigo é chamada de arquétipo. O arquétipo no
Novo Testamento é sempre importante. Adão, por exemplo, é símbolo de Cristo,
cf. Rm 5,14. O profeta Ezequiel refere-se a uma porta que é o símbolo de Maria:
O príncipe é o símbolo de Cristo. E a porta prefigura Maria, já que
através de seu ventre que Jesus veio ao mundo. Tal passagem demonstrava que a
porta estava reservada para o príncipe, prefigurando que o ventre de Maria
estava reservado apenas para Jesus. Como no caso do jumentinho e da nova
sepultura, como vimos acima, era adequado e oportuno que a graça de Deus guiou
Maria a aceitar uma vida de virgindade consagrada, de maneira que sua
Virgindade Perpétua é sinal que aponta para a extraordinariedade de Jesus
Cristo.
c. Maria como Intercessora
Ainda que todos os cristãos tenham o poder de
interceder uns pelos outros, a pureza e santidade do intercessor aumentam o
poder da súplica. A Bíblia está repleta de exemplos do Senhor
"escutando" as preces dos justos. Eis alguns casos:
Agora, uma vez que a Bíblia demonstra tão claramente que aqueles que são
justos ou corretos são ouvidos pelo Senhor, e já que também sabemos que aqueles
que se encontram no céu não são impuros nem injustos (caso contrário não teriam
como resistir à presença de Deus), então nós podemos afirmar que as preces dos
santos têm um poder e eficácia muito maiores do que às daqueles que ainda se
encontram sobre esta terra, que ainda caminham na imperfeição. De acordo com
isto, percebemos que as orações intercessórias de Maria, que é a Mãe de Deus e mais
pura que qualquer outra pessoa humana, têm um poder ainda mais especial.
II. A Antiga Tradição Cristã a respeito de Maria
Também os "reformadores"
[protestantes] foram fiéis defensores de Maria:
"Não
se pode negar que Deus escolheu e destinou Maria para ser a Mãe de Seu Filho,
garantindo-lhe a mais alta honra. Isabel chama Maria de "Mãe do
Senhor" porque a unidade da pessoa nas duas naturezas de Cristo era tal
que ela poderia ter dito que o homem mortal gerado no ventre de Maria era, ao
mesmo tempo, o Deus eterno"
(João Calvino, citado em "Corpus Reformatorum" v.45, p.348).
III. A Virgindade Perpétua de Maria
Todos os cristãos crêem que Maria era virgem quando
deu à luz a Jesus. "Mas Maria disse ao anjo: 'Como pode ser isso se não
conheço varão?' E o anjo lhe respondeu: 'O Espírito Santo virá sobre ti e o
poder do Altíssimo te encobrirá. Então a criança que irá nascer será chamada
santa, o Filho de Deus'" (Lucas 1,34-35).
Quando José ficou sabendo que Maria estava grávida,
ele já era noivo dela, embora ainda não vivessem juntos. Ele quis romper o
compromisso pois sabia que aquela criança não era sua.
"Enquanto
assim decidia, eis que o Anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo:
'José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi
gerado vem do Espírito Santo"
(Mateus 1,20). Tudo isto foi previsto no Antigo Testamento e aconteceu para que
se cumprissem as profecias dadas por Deus ao povo judeu: "Pois sabei
que o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem concebeu e dará à luz um
filho e pôr-lhe-á o nome de Emanuel" (Isaías 7,14).
O ensinamento da Bíblia sobre esta matéria é tão
claro que todas as denominações cristãs concordam sobre a sua interpretação. Os
católicos crêem que Maria permaneceu virgem e não teve outros filhos. Algumas
denominações, porém, afirmam que Maria teve outros filhos. Elas dizem isto por
causa que a Bíblia às vezes menciona os "irmãos do Senhor". Mas, nos
tempos bíblicos, todos os membros da família, inclusive primos, eram
considerados "irmãos". E também vemos que, na Bíblia, o termo
"irmão" é várias vezes usado para se referir a pessoas que não são
irmãos no mesmo sentido em que entendemos a palavra hoje. Eis alguns exemplos
bíblicos:
O "irmão" em
questão nesta passagem é Lot. Mas, era Lot irmão de Abrão? Não. Ele era o filho
de Arão, irmão falecido de Abrão (v. Gênese 11,26-28). Portanto, Lot era
sobrinho de Abrão.
Acaso era Labão irmão de
Jacó? Não, ele era seu tio.
A explicação, então, é simples: não existe palavra hebraica ou aramaica
para "parente". Os escritores teriam assim que usar os termos
"irmão" ou "irmã", ou escrever "o filho da irmã do meu
pai". É evidente que preferiam usar a palavra "irmão".
Assim
voce vê que, em termos bíblicos, "irmão", "irmã" e
"irmãos" pode significa parentes próximos, parentes de sangue ou até
mesmo amigos íntimos como, por exemplo:
Também pode significar um aliado:
Alguns também vêem nas palavras: "José não conheceu Maria até o
momento em que deu à luz a Jesus" um significado de que, após o nascimento
de Jesus, ela teve relações com José. Contudo, na Bíblia, o termo "até
que" simplesmente significa "o que se deu no passado" e não tem
a mesma conotação que temos em português, significando "algo que aconteceu
após". A Bíblia menciona uma mulher que não teve filhos até "o tempo
de sua morte" (v. 2Samuel 6,23). Será, então, que produziu descendentes
após sua morte?
Uma pesquisa cuidadosa no Novo Testamento nos
mostrará que realmente existe um exagero de expressão se dissermos que Maria
teve outros filhos:
Quando Jesus foi encontrado no templo, com a idade
de 12 anos (Lucas 2,41-51), não se menciona a existência de outros filhos,
embora toda a família tivesse peregrinado junto. O povo de Nazaré refere-se a
Jesus como "o filho de Maria" (Marcos 6,3) e não como "um dos
filhos de Maria". A expressão grega inplica que Ele era seu único filho.
Na verdade, ninguém nos Evangelhos é chamado de filho de Maria, ainda quando
são chamados de "irmãos do Senhor".
Existe ainda um outro ponto que requer uma
compreensão da antiga cultura oriental. Em tal cultura, o termo
"irmão" era usado para se referir aos mais velhos - parentes com mais
idade cuja função era dar conselhos aos mais novos. Em João 7,3-4, encontramos os
"irmãos" de Jesus aconselhando-o a deixar a Galiléia e ir para
Judéia, para que seus discípulos pudessem ver as suas obras. Se os
"irmãos" forem compreendidos neste sentido, conforme a cultura
oriental, eles certamente seriam mais velhos que Jesus, o que elimina de vez a
possibilidade de serem seus irmãos de fato, já que todos nós sabemos que Jesus
era o filho primogênito de Maria.
Finalmente, devemos considerar o que aconteceu aos
pés da Cruz (João 19,26-27). Se Tiago, José, Simão e Judas fossem mesmo irmãos
de Jesus, porque Jesus fez vistas grossas a esse fato e confiou Sua mãe ao Seu
discípulo João? O Evangelhos nos diz que "a partir dessa hora, o discípulo
a recebeu em sua casa". Por que ela iria para a casa de um discípulo se
ela tinha pelo menos mais quatro filhos?
IV. Maria, a Mãe de Deus
O fato de que Maria é a Mãe de Deus é meramente
lógico:
Uma mulher que
dá à luz a um filho é a mãe desse filho + Maria deu à luz a Jesus = Maria é a
Mãe de Jesus
Maria
é a mãe de Jesus + Jesus é Deus (é uma Pessoa Divina - 2ª Pessoa da Santíssima
Trindade) = Maria é a Mãe de Deus
Ou, simplesmente, podemos ler na Bíblia:
Agora, mais um pouco de lógica:
Maria é "a mãe do meu Senhor" + O Senhor é Deus = Maria é
"a Mãe do meu Deus"
Para contradizer esta verdade é necessário afirmar
que Jesus não é Deus ou dizer que Maria não deu à luz a Jesus. Algumas
denominações protestantes evitam chamar Maria de Mãe de Deus porque eles acham
que isso a coloca no mesmo nível de Deus [como se ela fosse uma deusa]. Ao
invés, eles preferem dizer que ela era a mãe do "homem Jesus Cristo".
Isto, porém, trai a verdade e coloca a teologia protestante num dualismo
previsível. Cristo Jesus é UMA pessoa e não duas. Ele é UMA pessoa que possui
duas naturezas: é inteiramente humano e inteiramente divino. As duas naturezas,
contudo, são unidas em UMA só Pessoa. Podemos dizer que as nossas mães são mães
da nossa "natureza"? Não, mas simplesmente dizemos que elas são
nossas mães - de nós, como pessoas. Eu não estou dizendo que Maria gerou ou deu
vida à natureza divina de nosso Senhor, uma vez que ele é UMA Pessoa e não duas.
A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade "se fez carne" - isto é o que
chamamos de "encarnação" (do latim caro que signica carne.
De onde ele obteve a carne? Se Jesus é Deus e Maria é Sua mãe, como é
logicamente possível dizer que Maria não é a Mãe de Deus?
V. A Imaculada Conceição de Maria
Comecemos com as objeções... A posição protestante
pode ser resumida da seguinte forma:
Para começar, há evidência escriturística para a
pureza única de Maria (imaculada conceição) - basta comparar a Arca da Aliança
que guardava os Dez Mandamentos e Maria como a Arca da Nova Aliança e como a
porta (v. parte I, item b). Porém, a objeção mais comum é o uso das palavras de
Paulo, de que "todos pecaram". A palavra usada para
"todos", na versão original em grego, que é a linguagem utilizada por
Paulo, é "pas". Tal termo, entretanto, não tem caráter
exclusivista, que não admita exceção, mas tem o significado de "esmagadora
maioria". Podemos ver na Bíblia outros exemplos em que a palavra "todos"
é usada, mas claramente admitindo exceção:
Neste texto, "todo" certamente não significa "sem exceção
alguma". Se havia todo conhecimento, sem exceção, então os romanos teriam
TODO o conhecimento de Deus!
Como
esta última objeção, também não é verdade de que Maria, tendo nascido sem
mancha do pecado original, não precisaria de um Salvador. A redenção vem da
cruz de Cristo, inclusive para Maria. Ele não nasceu sem pecado por seu próprio
mérito, mas por um ato de misericórdia da parte de Deus. Se acreditamos que
Jesus nos salva do pecado e da morte mesmo depois de termos cometido pecados
pessoais, porque deveríamos negar a idéia de que Ele salvou a mulher que
escolheu para ser a Sua Mãe do pecado e da morte antes mesmo do seu nascimento?
A imaculada conceição de Maria produziu-se pela graça da Cruz e não por
qualquer coisa que ela tenha feito ou por poder próprio dela. Maria de maneira
nenhuma é uma Salvadora. Porém, ela é a Mãe do Salvador e, como tal, precisava
ser tão pura quanto possível. Nossa fé está repleta de exemplos da obra de Deus
em formas misteriosas e miraculosas, alimentando Seu povo no deserto,
concedendo filhos àquelas que são incapazes de engravidar, curando os doentes,
ressuscitando os mortos, recebendo carne e tornando-se homem...
Observe que, em vista de tudo isso, porque nos
seria difícil acreditar que Deus misticamente aplicou os méritos e graças
obtidos no Calvário à Sua Mãe, já que ela foi digna o possível para ser a Arca
da Nova Aliança, a Mãe de Deus? Nós sabemos que, já que Ele é Deus, ele é capaz
de fazer isto se assim o quiser. A única questão que fica remanescente é:
"qual a probabilidade de Deus ter desejado para a mulher que escolheu para
trazer Jesus Cristo ao mundo ter sido tão pura e merecedora de uma graça que
nenhum outro ser humano poderia ter?". Talvez soe melhor fazendo uma
declaração negativa: "qual a probabilidade de Deus ter permitido que Jesus
Cristo viesse à carne, sendo nutrido por nove meses num ventre ou tendo nascido
ou sido amamentado e educado por uma mulher corrompida pelo pecado
original?".