A FORMAÇÃO PARA O SERVIÇO DA CATEQUESE
1. Necessidade da formação catequética
A formação dos catequistas é atualmente uma das tarefas
mais urgentes de nossas comunidades, pois, “o catequista é de certo modo, o
intérprete da Igreja junto aos catequizandos” (DCG
35).
“Qualquer atividade pastoral que não conte para sua
realização, com pessoas realmente formadas e preparadas, coloca em risco a sua
qualidade” (DGC 234), portanto, é preciso contar com uma adequada pastoral de
catequese que possa:
Suscitar vocações para a catequese;
Distribuir melhor os catequistas entre os diversos
setores;
Organizar a formação dos catequistas (de base e
permanente);
Atender pessoal e espiritualmente os catequistas e formar
um grupo de catequistas integrado à vida da comunidade.
O objetivo principal da formação do catequista é o de
prepará-lo para comunicar a mensagem cristã,
àqueles que desejam entregar-se a Jesus Cristo. A finalidade da formação
requer, portanto, que o catequista se torne o mais capacitado possível a
realizar sua missão.
2. Critérios para a
formação do catequista
O Diretório Geral para a Catequese no nº
237, apresenta alguns critérios inspiradores para formação do catequista:
Formar catequistas com fé profunda; clara identidade
cristã e eclesial; profunda sensibilidade social
Capazes de transmitir não apenas um ensinamento, mas
também uma formação cristã integral, desenvolvendo “tarefas de iniciação, de
educação e de ensinamento”. São necessários catequistas que sejam ao mesmo
tempo, mestres, educadores e testemunhas.
Capazes de superar “tendências unilaterais divergentes” e
de oferecer uma catequese plena e
completa. Isto é, precisamos saber conjugar fé e vida, num sentido social e eclesial.
Há também necessidade de se investir na formação
específica para o leigo, grande maioria na catequese.
e, por último, o DGC aponta para a importância fundamental
da formação pedagógica. “Seria muito difícil para o catequista improvisar, na
sua ação, um estilo e uma sensibilidade para os quais não tivesse sido iniciado
durante a sua própria formação.” (DGC 237).
3. Dimensão da formação
Além dos critérios inspiradores, a formação do catequista
possui as seguintes dimensões: SER, SABER E SABER FAZER.
“A mais profunda se refere ao próprio ser do catequista, à
sua dimensão humana e cristã. A formação de fato deve ajudá-lo a amadurecer,
antes de mais nada, como pessoa, como fiel e como apóstolo. Depois há o que o
catequista deve saber para cumprir bem a sua tarefa. (...) Enfim há a dimensão
do saber fazer, já que a catequese é um ato de comunicação. A formação tende a
fazer do catequista um “educador do homem e da vida do homem” (DGC 238).
O catequista precisa estar em contínua formação humana e
cristã. Por isso, não bastam os cursinhos de início de ano. Estes são muito
mais momentos de sensibilização para o trabalho
catequético e não indicadores de
que, ao participar destes encontros, o catequista esteja em condições de
realizar bem a tarefa pastoral.
4. Elementos da formação
A formação deve levar em conta o duplo movimento de
fidelidade: a Deus e ao homem.
BÍBLICA
DOUTRINAL
LITURGICA
ESPIRITUAL
FIDELIDADE
A
DEUS
FORMAÇÃO
ANTROPOLÓGICA
PEDAGOGICA
SOCIOLOGICA
METODOLOGICA
FIDELIDADE
AO
HOMEM
A missão que o Catequista é chamado a realizar exige:
a) intensa vida
sacramental e espiritual;
b) familiaridade
com a oração;
c) profunda
admiração pela mensagem cristã;
d) uma atitude de caridade, humildade e prudência que
permita ao Espírito Santo realizar sua obra fecunda nos catequizandos.
Sendo a catequese um processo permanente de educação da
fé, também a formação do catequista deve ser permanente, pois o catequista terá
sempre coisas para aprender em toda a sua vida. “Além de testemunha, o catequista
deve ser mestre que ensina a fé. Uma formação bíblico-teológica lhe fornecerá
um conhecimento orgânico da mensagem cristã articulada a partir do mistério
central da fé, que é Jesus Cristo” (DGC 240).
5. Conteúdos a serem aprofundados
O conteúdo desta
formação doutrinal é exigido pelas diversas partes que compõem todo o projeto
orgânico de catequese:
As três grandes etapas de história da salvação: Antigo
Testamento, Vida de Jesus Cristo e História da Igreja;
Os grandes núcleos da mensagem cristã: Símbolo, Liturgia,
Vida Moral e Oração.
A Sagrada Escritura deverá ser como a alma desta formação
e o Catecismo da Igreja Católica o ponto de referência doutrinal fundamental,
juntamente com os materiais catequéticos publicados. Além disso, precisamos
conhecer os documentos do Magistério da Igreja.
A leitura e reflexão destes livros deverão estar sempre presentes na
vida do catequista.
Para uma formação integral, “é necessário que o catequista
entre em contato, pelo menos, com alguns elementos fundamentais da psicologia
(...) As ciências sociais procuram o conhecimento do contexto sócio-cultural em
que o homem vive e pelo qual é fortemente influenciado” (DGC 242).
Além destes conhecimentos, precisamos aprender alguns
elementos da ciência da comunicação: dinâmicas de grupo, utilização dos
recursos didáticos e meios audiovisuais e também aproveitar das riquezas da
informática.
Por fim, é importante que o catequista conheça o valor do
planejamento, da avaliação e alguns princípios de metodologia.
Como se vê, a formação do catequista é algo complexo e
dinâmico. Precisamos de humildade e entusiasmo para aprender sempre.
6. Sugestões de atividades formativas
Não podemos esquecer que a formação do catequista
acontece, em primeiro lugar, na comunidade cristã. “É nesta que os catequistas experimentam a
própria vocação e alimentam constantemente a própria sensibilidade
apostólica”(DGC 246).
Para isso o coordenador procurará...
· motivar o grupo de catequistas para
reuniões mensais de preparação dos encontros catequéticos. Deve-se ver o melhor
dia e horário para cada grupo (catequese infantil, iniciação eucarística,
perseverança, adultos, especial, ...), ainda que sejam em dias diferentes para
cada grupo.
Daí a necessidade de haver coordenadores específicos para
cada grupo.
· garantir
um encontro anual para o “grupão” de catequistas se
reunir e aprofundar algum tema necessário para a sua formação integral;
· incentivar a participação dos
catequistas em cursos da paróquia, ou em encontros formativos da região, setor
e arquidiocese.
Vamos aprender a
trabalhar com representatividade? Se não der para enviar todos, insista para
que, ao menos um catequista esteja presente nestes momentos e torne-se agente
multiplicador na comunidade.
não esquecer dos
auxiliares, que se preparam para ser catequistas: eles merecem uma atenção
especial, a mesma qualidade de formação.
incentivar a participação dos catequistas na Escola da Fé
Paroquial.
“Formar os formadores”, esta deve ser uma meta constante
da equipe de coordenação da catequese. Logo, a formação “possibilitará o
crescimento do catequista no equilíbrio afetivo, no senso crítico, na unidade
interior, na capacidade de relações e de diálogo, no espírito construtivo e no
trabalho de grupo” (DGC 239). Iintegrar o
conhecimento numa vida correta, inspirada pelos valores do Evangelho para
anunciar a Palavra de Deus, é a meta do catequista.
7. Conclusão:
Ninguém nasce catequista. Aqueles que são chamados a esta
missão tornam-se bons catequistas através da prática, da reflexão e da
preparação adequada. Para colaborar na formação de discípulos de Cristo, o
catequista deve ser, em primeiro lugar, um discípulo amoroso, humilde, alegre e
fiel.
A fé foi colocada por Deus no coração do homem. A tarefa
do catequista é a de cultivar este Dom, alimentá-lo e ajudá-lo a crescer
primeiro em seu coração para que deixe transbordar esta experiência de vida
cristã para os irmãos.
Siglas utilizadas:
DCG – Diretório Catequético Geral, Sagrada Congregação
para o Clero, 1971.
DGC – Diretório Geral para a Catequese, Sagrada
Congregação para o Clero, 1997.