PLANEJAMENTO PAROQUIAL DE PASTORAL
ORIENTAÇÕES E ROTEIRO
ARQUIDIOCESE DE FLORIANÓPOLIS
FLORIANÓPOLIS – 2002
APRESENTAÇÃO
OS CONSELHOS DE JETRO
Jetro,
sogro de Moisés, “ouviu falar de tudo quanto Deus tinha feito em favor de
Moisés e de Israel, seu povo, quando o Senhor fizera Israel sair do Egito” (Ex
18,1). Foi, então, visitar Moisés no deserto, “onde estava acampado no monte de
Deus” (v. 5).
Jetro
alegrou-se ao ouvir Moisés falar sobre o que o Senhor fizera ao faraó e aos
egípcios por causa de Israel, sobre as dificuldades que o Povo de Deus
enfrentara e como fora salvo. Por tudo isso, louvou o Senhor e lhe ofereceu
holocaustos.
Um dia, porém, acompanhou de
perto os trabalhos de Moisés. Viu que ele sentou-se para julgar as questões do
povo, o qual ficou diante de Moisés o dia inteiro. Então, não se conteve, e
disse a seu genro: “Que estás fazendo com o povo? Por que apenas tu ficas aí
sentado, com tanta gente parada diante de ti desde a manhã até à tarde?” Moisés
respondeu ao sogro: “É que o povo vem a mim para consultar a Deus. Quando têm
alguma questão, vêm a mim para que eu decida e lhes comunique os decretos e as
leis de Deus”. Mas o sogro de Moisés disse-lhe: “Não está bem o que fazes.
Acabarás esgotado, tu e este povo que está contigo. É uma tarefa acima de tuas
forças. Não poderás executá-la sozinho. Agora, escuta-me: vou dar-te um
conselho, e que Deus esteja contigo. Tu deves representar o povo diante de Deus
e levar até ele os problemas. Esclarece o povo a respeito dos decretos e das
leis, e dá-lhe a conhecer o caminho a seguir e o que deve fazer. Mas procura
entre todo o povo homens de valor, que temem a Deus, dignos de confiança e
inimigos do suborno, e estabelece-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e
de dez. Eles julgarão o povo em casos cotidianos. A ti levarão as questões de
importância maior, decidindo eles mesmos as menores.
Assim eles repartirão contigo o peso e tu ficarás aliviado. Se assim
procederes, serás capaz de manter-te de pé quando Deus te der ordens, e o povo
poderá chegar em segurança a seu destino” (Ex 18,14b-23).
Moisés seguiu as orientações do
sogro. Pôde, assim, realizar melhor suas responsabilidades e o povo foi
altamente beneficiado.
Creio que na descrição dessa
situação vivida pelo Povo de Deus temos um dos primeiros casos de “planejamento
pastoral”, planejamento que consiste, justamente, na divisão de
responsabilidades, para que os objetivos que se pretendem atingir possam ser
alcançados de forma eficiente, rápida e tranqüila.
É o que pretende mostrar este
“PLANEJAMENTO PAROQUIAL DE PASTORAL – Orientações e Roteiro”, que o Conselho
Arquidiocesano de Pastoral coloca em suas mãos, convidando-o e incentivando-o a
pôr em prática, em sua paróquia, o planejamento de pastoral, como foi previsto
e recomendado nas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja na Arquidiocese.
Florianópolis, agosto de 2002.
Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Florianópolis
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
I CONTEXTUALIZAÇÃO
II MOTIVAÇÕES DE FÉ
III FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA
IV PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS DE UM PLANEJAMENTO
1 VANTAGENS
2 FORMAS
DE ENCAMINHAMENTO
3 PERSONAGENS
4 PROCESSO
5 ESCLARECIMENTOS
V PASSOS
DO PLANEJAMENTO
1 COMEÇAR
O PLANEJAMENTO
2 GARANTIR
DE PLANEJAMENTO
3 VER
A REALIDADE
4 JULGAR-ILUMINAR
A REALIDADE
5 FIXAR
O OBJETIVO GERAL
6 AGIR
NA REALIDADE
7 AVALIAR
O PLANEJAMENTO
8 RETOMAR
O PLANEJAMENTO
VI ESQUEMA DE UM PLANO DE PASTORAL
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO
A nossa Arquidiocese está em
processo de conhecimento e implementação das Diretrizes da Ação Evangelizadora
definidas em 2001. Um dos aspectos práticos mais imediatos que as Diretrizes
nos apontam é que “toda Paróquia deverá elaborar seu Plano de Pastoral,
considerando sua realidade sócio-cultural, seus desafios pastorais e suas
urgências próprias, tendo como pano de fundo estas Diretrizes. Para a
elaboração de seu Plano Paroquial de Pastoral, deverá promover assembléias, que
envolvam o maior número possível de agentes” (Diretrizes da Arquidiocese, p.
46).
Nós, cristãos católicos, fazemos
parte de uma Igreja bem estruturada e organizada, com hierarquia forte, com
muita infraestrutura - igrejas, salões - e com normas
e doutrinas bem definidas. São valores importantes, mas, por causa deles muitas
vezes somos levados a nos esquecer que, em primeiro lugar, a identidade de
nossa Igreja está em sermos comunidade, grupos de pessoas
seguidoras de Jesus Cristo e de seu projeto de vida para todos.
Só em comunidade é que podemos
ser verdadeiros seguidores e seguidoras de Jesus, e nossa missão é continuar a
missão de Jesus, anunciando a boa notícia do Reino de Deus a todos
as pessoas, para que todos possam sentir a presença concreta do Deus da
Vida. Para sermos verdadeiras comunidades, não basta estarmos juntos, ou
repetirmos a mesma profissão de fé, mas é preciso que estejamos em sintonia,
como verdadeiros cúmplices em um projeto comum. Não podemos nos apegar às
nossas estruturas já prontas, mas precisamos aproveitar-nos do que já temos,
para descobrir, constantemente, a melhor forma de realizarmos nossa ação
evangelizadora.
Este roteiro tem o objetivo de
auxiliar nossas paróquias a realizarem seu Planejamento Paroquial de Pastoral.
Após algumas reflexões sobre o atual contexto eclesiológico
e pastoral, sobre nossas motivações de fé e a fundamentação bíblica e teológica
do planejamento, constam alguns princípios pedagógicos de um planejamento
pastoral. Por fim, a parte central deste roteiro: os passos concretos de um
planejamento paroquial de pastoral, seguindo a metodologia ver-julgar-agir-avaliar.
É preciso considerar que, sendo
um simples roteiro, este texto não deve ser considerado como algo fechado. Cabe
aos participantes de cada processo de planejamento, em cada paróquia, a
liberdade e a responsabilidade de fazerem as devidas adaptações.
I CONTEXTUALIZAÇÃO
Com o Concílio Vaticano II, a
Igreja voltou às fontes bíblicas e retomou sua própria identidade e imagem,
como povo peregrino de Deus. Ela se situa numa história
No Brasil, a CNBB encaminhou
medidas claras para que toda a ação da Igreja em nível nacional fosse
planejada. Estimulada pelo intercâmbio com as Igrejas da América Latina,
através das conferências de Medellín, Puebla e Santo
Domingo, e pelo dinamismo das paróquias e das comunidades, das pastorais e dos
movimentos, a ação evangelizadora da Igreja no Brasil foi marcada por
vivacidade e crescimento. A CNBB publica, a cada quatro anos, as Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil. Em grandes linhas, essas diretrizes propõem
que a ação da Igreja leve sempre em conta a realidade sócio-cultural do país,
aponte para novos rumos, descubra novos caminhos, responda às perguntas e
anseios do mundo de hoje.
Em comum acordo com a Igreja no
Brasil e em particular comunhão com as dioceses de Santa Catarina, articuladas
pela CNBB–Regional Sul IV, nossa Igreja
arquidiocesana também entendeu e assumiu o caminho do planejamento pastoral.
Desde a década de
Muitas paróquias já têm o hábito
de fazer planejamentos, e as Diretrizes reforçam esta prática, apontando para
que todos o façam. No entanto, muitos querem planejar a ação evangelizadora,
mas encontram dificuldades; é por isso que apresentamos este texto, com o
objetivo de motivar, esclarecer e trazer dicas práticas de como proceder para
realizar da melhor forma possível o planejamento pastoral em cada paróquia.
II MOTIVAÇÕES DE FÉ
Relação entre reflexão e ação:
Tudo o que fazemos poderia ser feito de modo diferente. Muitas vezes, tomam-se
decisões e fazem-se coisas de maneira improvisada, sem refletir muito sobre o
que se faz. Não se reflete bastante, nem antes, nem durante, nem depois. Na
verdade, porém, nunca agimos sem planejar, pois não existe ação totalmente
impensada. A diferença é que umas vezes pensamos mais e outras vezes pensamos
menos. Não existe improvisação total. Mas, mesmo quando pensamos bem e
bastante, sempre haverá o imprevisível. Por isso mesmo, é preciso garantir um
bom espaço para a reflexão e o planejamento da ação: antes, durante e depois.
Quando pensamos mais e bastante, quando preparamos a ação, começamos a fazer
coisas diferentes, fazemos melhor o que temos que fazer, fazemos
coisas que nem imaginávamos ter condições de fazer.
Em todas as atividades humanas
usam-se, hoje, todos os meios cabíveis para uma melhor administração dos
recursos, planejamento das ações, retorno de
expectativas, etc.. Temos muito a aprender do mundo, sobretudo com a ciência
humana da administração: gerência, planejamento participativo, gestão popular,
etc. Tanto mais, então, deveríamos fazer nós, cristãos, no que diz respeito às
coisas de Deus e da Igreja, que é sinal e instrumento do Reino.
A diferença de nossa ação
evangelizadora: Somos cristãos, filhos e filhas de Deus. Esta é nossa
distinção! Por isso, toda a nossa ação deve ser marcada por essa distinção, por
essa graça. Pois, tudo o que somos e temos, o que podemos e fazemos, é dom de
Deus. Toda a nossa vida deve estar orientada para Deus. Disse São Paulo: “quer
comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória
de Deus” (1 Cor 10,31). Em tudo, até nas coisas mais corriqueiras, somos
chamados a ser santos. Quanto mais na sublime missão do anúncio e do testemunho
do Evangelho!
Se somos
como o mundo é, se fazemos simplesmente o que o mundo faz, ou, pior, se nem
conseguimos fazer as coisas divinas tão bem como o mundo faz as suas..., onde
está a nossa diferença? “Os pagãos não fazem a mesma coisa?” (Mt 5,47), indagou
Jesus, pedindo um amor mais exigente. “Entre vocês não deve ser assim...” (Mc 10,43), advertiu Jesus, reclamando maior disposição para
o serviço. “Sede prudentes como as serpentes ...” (Mt
10,16), aconselhou Jesus, ao enviar os seus discípulos em missão.
Vê-se que nós, cristãos, temos
que ser diferentes. Numa Igreja que se identificou como Povo de Deus,
sacramento da comunhão, sinal da salvação para todos os povos, temos que buscar
todos os meios para que todos os batizados se sintam cada vez mais
participantes do serviço da evangelização. Não é mais possível permitir que a
Igreja continue a ser separada entre agentes e espectadores. O planejamento
pastoral tem, precisamente, este objetivo: fazer com que todos descubram seus dons e carismas, a fim de que, em unidade,
todos se tornem servidores do Evangelho.
Ação pensada, organizada e
avaliada: Antes de partir para o céu, Jesus nos deixou seu mandato missionário,
como encargo de todos os seus discípulos e discípulas (Mt 28,18-20; Mc 16,15). A evangelização é obra comunitária. A Igreja se faz
no próprio ato de evangelizar. Por sua vez, a evangelização acontece também no
ato do planejamento comum. Planejar a evangelização já é evangelizar! Nesse
sentido, temos muito a aprender com Jesus Cristo. Em seus muitos ensinamentos,
ele nos deixou claro que toda a nossa ação evangelizadora deve ser pensada,
organizada e avaliada.
Nossa pastoral deve ser pensada.
Por exemplo: nas parábolas do homem que vai construir uma torre e do rei que
vai fazer uma guerra (Lc 14,25-33), Jesus nos diz que
nossa ação tem que ser pensada, temos que ponderar
sobre o investimento a ser feito, para não acontecer que tenhamos que deixar as
coisas pelo caminho, fazê-las pela metade, não sermos fiéis no seu seguimento
até o fim.
Nossa pastoral deve ser
organizada. Por exemplo: o próprio Jesus organizou a ação pastoral dos 72
discípulos (Lc 9,1-6; 10,1-12; Mc
6,7-13). Chamou-os, enviou-os dois a dois, mostrou-lhes aonde ir, ensinou-lhes
o que dizer e fazer, indicou-lhes as atitudes a tomar
diante da rejeição, confiou-lhes o anúncio do Reino, que era o específico de
sua própria missão.
Nossa pastoral deve ser avaliada.
Por exemplo: no retorno dos discípulos (Mc 6,30-32; Lc 9,10; 10,17), Jesus chamou-os à parte, retirou-se com
eles para um lugar deserto, para descansar, para ouvi-los contar o que haviam
feito e ensinado.
A necessidade atual do
planejamento pastoral: O planejamento pastoral depende do jeito de ser Igreja.
Nos últimos séculos, a Igreja havia perdido o sentido do planejamento. Por
diversos motivos, deixou de confiar no planejamento pastoral que aprendera a
fazer com Javé, com Jesus e com as primeiras
comunidades. Começou a confiar mais nas coisas prontas, nas estruturas e leis,
nos cargos e funções. Deixou-se fascinar pelo poder, pela organização
centralizadora, pela conquista, pelo combate às heresias. Em vez de crescer com
a obra da evangelização, manteve-se apenas pela sacramentalização,
isto é, pela mera administração dos sacramentos, sem a devida preparação e
conversão. Exatamente por isso, afastou-se muito do plano divino da salvação e,
portanto, de sua missão evangelizadora.
Nossas Diretrizes da Ação
Evangelizadora da Igreja na Arquidiocese de Florianópolis têm como objetivo
primeiro a garantia de uma caminhada comum, de unidade pastoral, de
concentração das forças vivas. Queremos, na Arquidiocese, evangelizar
primeiramente pelo testemunho do amor cristão. Disse Jesus: “Nisso saberão que
vocês são meus discípulos: se vocês se amarem...” (Jo
13,35). Ele continuaria, dizendo-nos: “se vocês agirem em comum, se tiverem uma
mesma caminhada, se perseguirem um mesmo objetivo...”.
Para tanto, como primeiro e
grande sinal de unidade pastoral, as Diretrizes propõem que cada paróquia faça
seu planejamento pastoral.
III FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA
O plano de Deus na primeira
Aliança: Toda a história da revelação de Deus e de nossa salvação está marcada
pelo planejamento. O Antigo Testamento está cheio de palavras e acontecimentos
que fundamentam o planejamento pastoral. A teologia da revelação insiste no
divino processo pedagógico: Javé vê o sofrimento do
povo, analisa a realidade, escolhe parceiros, corrige os erros, coordena as
ações, estabelece instituições de mediação entre ele e o povo, prevê o futuro,
etc.
Em tudo isso, podemos perceber,
com os olhos da fé, que havia um plano divino, o qual ia sendo seguido e
executado, ao mesmo tempo com decisão e paciência.
Jesus e o planejamento da ação
pastoral: Quando o Verbo de Deus se fez gente no meio de nós, também atuou de
modo planejado. Jesus evangelizou as multidões, contando com a colaboração de
72 discípulos, dentre os quais escolheu 12 apóstolos, dos quais três eram
amigos íntimos, sendo um deles o líder de todos. Jesus aprendeu na oração qual
era a vontade divina, formou a consciência e a ação dos seus seguidores. Ele
anunciou seu programa de governo, pôs em prática as
ações de libertação, implantou as bases de seu Reino, parou a meio do caminho
para fazer avaliação. Ele detectou os obstáculos à sua missão, enfrentou seus
adversários, previu seu fim trágico, preparou os discípulos para o seu
desaparecimento, garantiu-lhes sua presença permanente através de seu Espírito.
Em toda a história do ministério
pastoral de Jesus de Nazaré, podemos constatar que havia um plano divino. A
encarnação do Verbo passou pela encarnação desse plano, pela inserção do plano
divino no meio da realidade humana. Não foi um plano executado de cima pra
baixo, de fora pra dentro. O plano da salvação contou com seguidores e
adversários, com avanços e recuos. A salvação humana deu-se de modo processual,
histórico, planejado.
O planejamento das primeiras
comunidades: Toda a história da Igreja, em sua missão evangelizadora, segue
também um plano divino. Desde os primeiros tempos, Deus conta com agentes
humanos, com suas mais diversas particularidades: temperamentos, capacidades,
defeitos, etc. Inspirados pelo Espírito Santo, os apóstolos Pedro e Paulo e as
primeiras comunidades planejaram a obra da evangelização: de Jerusalém para a Samaria, para todas as nações conhecidas da época, até
chegar ao centro do império romano. Formaram novas comunidades, aprenderam
línguas diferentes, estabeleceram ministérios diversos, deixaram sucessores,
venceram adversários, superaram conflitos, adaptaram o Evangelho às novas culturas,
etc.
Através das primeiras
comunidades, o Espírito de Deus agia onde, como e quando queria,
tudo renovando, tudo purificando, tudo integrando à nova religião, à fé
A retomada do plano divino: A
proposta de salvação, expressa na conversão dos
corações, na transformação das estruturas, no empenho pela justiça social, no
amor aos necessitados, etc., perdeu muito de seu vigor inicial. O fascínio pelo
poder, a centralização clerical e a sacramentalização
são marcas de uma evangelização que não se servia da força do planejamento, ou
seja, da ação pensada de modo coerente com o plano salvífico
de Deus. É claro que a obra da evangelização continuou. Por obra de santos e
santas, de mártires, de missionários e missionárias, de
fundadores de ordens e congregações, o Evangelho continuou a difundir-se
entre os povos.
Mas, era necessário um retorno às
fontes, uma re-fundação, uma retomada do plano divino
de salvação, uma renovação do mistério do Evangelho. Foi o que a Igreja fez com
o Concílio Vaticano II (1962-1965).
IV PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS
DE UM PLANEJAMENTO
1 VANTAGENS:
Percebemos, através das
motivações e do próprio projeto de Jesus, a importância do planejamento de toda
a nossa ação pastoral. Sempre que se pensa em planejamento, este deve ser
assumido como um processo onde todos são chamados a pensar no que fazem, por
que fazem, e aonde querem chegar.
Os benefícios de um planejamento
são muitos. Vejamos alguns. O planejamento ajuda a:
• trabalhar
melhor;
• não
perder de vista os objetivos;
• confrontar
tudo que acontece com os objetivos que queremos alcançar;
• aproveitar
melhor os recursos disponíveis;
• evitar
esforços inúteis ou duplicados;
• entender
com mais clareza o próprio trabalho;
• tornarmo-nos mais competentes.
É preciso tomar consciência de
que planejamento não é uma camisa de força. Na verdade, ele é um roteiro de
ação. Ele prevê determinados passos; mas deixa em aberto a possibilidade de
outros passos e outros caminhos. Ele possibilita que se avance pouco a pouco,
até se conseguir o melhor.
Os defeitos de um planejamento
são corriqueiros entre nós. Deve-se evitá-los a todo custo. Não se faz
planejamento:
• só
para ter um plano bonito e apresentar aos outros;
• para
constar no arquivo;
• para
fazer figura diante do bispo;
• para
obrigar todo mundo a trabalhar do mesmo jeito;
• para
se proibir a criação de coisas novas.
2 FORMAS
DE ENCAMINHAMENTO:
O jeito de fazer um planejamento
dá um novo rosto à Igreja. Criar um processo de planejamento é envolver toda a
comunidade no espírito evangelizador. Quanto à participação do povo, há
diversas formas de planejamento:
a) Planejamento para o povo. A participação do povo é nula
quanto à preparação, elaboração e execução. Uma pessoa ou um pequeno grupo
planeja tudo, para o povo obedecer e executar. Tudo é imposto, sem vez e voz
para o povo. Isso torna o povo incapaz de dar sua opinião e de caminhar num
processo.
b) Planejamento “com” o povo. O povo é chamado só para dar
alguma opinião, é consultado sobre algumas questões menos essenciais, para
parecer que existe participação. Mas o processo continua sendo conduzido por um
líder, ou por algumas pessoas.
c) Planejamento do povo ou pelo povo. O povo é que planeja
junto. Ele se torna o sujeito, o protagonista do processo a ser encaminhado. O
planejamento é feito pelo próprio povo, de modo que se torna planejamento do
povo. Aqui entra a co-responsabilidade e a comunhão, tanto na preparação, como
na elaboração e execução.
Somente esta última forma é que
provocará uma vivência e convivência de um testemunho cristão libertador. Ao
fazer planejamento dessa forma já se está evangelizando. Ele já é um momento, aliás bastante significativo, da evangelização.
A real participação de todos e
todas é importante. A participação de todos é fundamental, porque:
• é
uma necessidade humana e, portanto, direito de todos;
• desenvolve
a consciência crítica;
• capacita
para a partilha do poder;
• cria
espírito de comunhão e de participação na obra evangelizadora;
• leva
o grupo a promover o seu próprio desenvolvimento.
É importante perguntar-se sempre:
De que adianta ter um plano extraordinário, sem as pessoas capazes de
executá-lo?
3 PERSONAGENS:
Planejar apenas, não é a solução.
A questão é como envolver a todos e a todas. Portanto, é fundamental
trabalharmos num processo participativo. Poderíamos nos perguntar: A quem
convidar? A quem envolver? Como envolver?
Nas Diretrizes da Ação
Evangelizadora da Igreja
A qualidade de um planejamento
passa pelos seus participantes, caso contrário teremos
um processo “faz de conta”. Quem não é capaz de participar do planejamento,
também não é capaz de executar o que foi planejado. Fica, portanto, impossibilitado
de entender o processo. Não se pode exigir de quem não atuou no planejamento,
que atue na execução.
O ato de planejar faz parte da
educação de todos nós. À medida que nos envolvemos, aprendemos e nos
comprometemos com aquilo que fazemos. À medida que planejamos, aprendemos a
planejar melhor. Mais ainda, aprendemos a nos evangelizar, através da partilha
de idéias, sugestões, convicções. O planejamento é sinal de comunhão.
É incentivando a participação,
que descobrimos talentos. A multiplicação dos agentes evangelizadores depende
em grande parte do nível de participação que lhes é oferecido. Portanto, se os
agentes continuarem a receber o plano de presente, de cima pra baixo, sem
participar do processo de planejamento, fica difícil, senão impossível,
melhorar o trabalho pastoral.
4 PROCESSO:
O processo de preparação, de
elaboração e execução de um planejamento, não é principalmente questão de
técnica. É preciso, antes de tudo, a vivência de atitudes e posturas que venham
ajudar a sua condução.
Conta-se que um camponês ficou
impaciente, certo dia, porque seu milharal demorava a crescer. Resolveu, então,
dar uma ajudazinha: andou pela plantação e foi puxando, esticando todos os pés de milho para
apressar o crescimento. No dia seguinte, a plantação estava toda seca: o milho,
com raízes danificadas pelo puxão fora de hora, não resistiu.
Esta parábola nos ensina que é
preciso:
a) Dar tempo para os frutos amadurecerem e não queimar etapas:
Trata-se de um processo de crescimento e não de uma solução mágica.
b) Amar a verdade em vez de cultivar as aparências: O
planejamento participativo terá o rosto do grupo, com suas grandezas, mas
também com suas limitações. Crescerá e se aperfeiçoará, na exata medida em que
o grupo cresce e se aperfeiçoa.
c) Confiar na criatividade de todos: O “novo” aparece de baixo
para cima. Muita novidade é sufocada, porque sempre aparece alguém dizendo que
“não é assim que se faz”.
d) Entender o poder como um serviço e não como um posto, um
cargo, um privilégio: No planejamento participativo, o poder é circular, isto
é: todos os membros são chamados a exercer seus carismas, numa comunidade
democrática que promova o rodízio das lideranças.
e) Promover a intervenção de todos: Todos os que participam,
devem ser considerados capazes de dar sua opinião. Não se pode esquecer que
deverão ser os mesmos que executaram o planejamento, os que, na hora de agir,
irão pôr em prática as decisões.
f) Descentralizar a ação: Dar um voto de confiança aos
participantes do planejamento e considerá-los capazes de gerenciar em conjunto
as ações a serem realizadas.
g) Dar passos lentos, mas seguros: Evitar queimar etapas,
pulando por cima dos passos indicados e da capacidade das pessoas.
h) Criar clima de mística: A espiritualidade garante a unidade e
o sentido de toda a ação, em todo o processo de planejamento.
i) Planejar já é um novo modo de evangelizar: O processo de
planejamento participativo já é um modo novo de fazer pastoral, de evangelizar,
de viver a mística cristã.
5 ESCLARECIMENTOS:
Em nossa ação evangelizadora,
quando se trata de organizar o andamento de nosso trabalho pastoral, facilmente
confundimos alguns conceitos.
Por isso, queremos esclarecer os
seguintes termos:
Planejamento é o processo de
tomar decisões sobre o trabalho a ser feito. Não se faz numa reunião. Ele
acompanha todo o trabalho que se vai realizando. O próprio planejamento é que
vai indicando os caminhos para serem seguidos. O planejamento nunca termina; é
um processo permanente.
Plano é o registro por escrito das
decisões tomadas em conjunto. É o resultado concreto do planejamento. O
registro por escrito do planejamento ajuda a organizar melhor o trabalho. O
plano vai sendo redigido de acordo com as etapas do planejamento. Pode ser
modificado, no decorrer da caminhada, ou mesmo ao final, se ou quando se
percebe que há a necessidade de correção, ou de algum acréscimo. O plano é para
ser usado, consultado, anotado, revisto que nem mapa ou roteiro de um viajante. Deve
ter um prazo definido para ser executado. Depois, deve ser avaliado.
Prioridades são frentes de ação
escolhidas por todos, para serem postas em primeiro lugar, para aparecem
primeiro. Elas têm a primazia sobre todo outro tipo de ação pastoral. Devem ser
levadas em conta por todas as comunidades, pastorais,
movimentos que elaboram projetos de ação.
Programas são indicações gerais
de ação, em que se descrevem os pormenores e as intenções da paróquia, como um
todo. São as grandes linhas de orientação pastoral. Formam a plataforma de ação
pastoral de toda a paróquia em conjunto.
Projetos são os empreendimentos,
eventos, obras, ações a serem realizados por determinada comunidade, pastoral
ou movimento, dentro de determinado tempo, por determinadas pessoas, em favor
de determinados objetivos. Cada projeto é apresentado com seus prazos, datas,
locais, agentes e destinatários. Os projetos devem ter em conta as prioridades
e os programas gerais da paróquia. É pela execução do cronograma dos projetos
que o plano vai sendo posto em prática.
Calendário é o conjunto de todos
os eventos a serem realizados no decorrer de cada ano. Deve ser elaborado ao
final de cada ano, em vista do ano seguinte. É feito por todos os agentes de
pastoral (coordenadores de comunidades, pastorais, movimentos, organismos,
etc.), levando em conta as prioridades, programas e projetos comuns a toda a
paróquia. Nele constam as datas, horários, atividades e locais de cada evento.
Trata-se de uma agenda paroquial, que seja fiel ao Plano de
Pastoral, com suas prioridades, programas e projetos.
V PASSOS
DO PLANEJAMENTO
O planejamento participativo é
feito com decisão e paciência, na obediência ao Espírito e à realidade. Ele
conta com a graça de Deus e as inspirações do Espírito Santo, mas também com as
técnicas humanas da administração e gerência, de planejamento e orçamento, de
reengenharia e metodologia.
Quanto mais uma paróquia se
habituar à prática do planejamento, mais ela poderá enriquecê-lo e
sofisticá-lo. Como este roteiro tem a intenção de favorecer e estimular a
iniciação de nossas paróquias ao planejamento, oferece apenas os passos mais
significativos. Em cada um deles, são apresentadas as motivações bíblicas e
metodológicas, bem como as ações concretas para sua execução.
Para facilitar a realização do
Planejamento Paroquial de Pastoral, os seguintes passos são fundamentais:
1 COMEÇAR
O PLANEJAMENTO:
1. Reunir o CPP: ler juntos este roteiro, debatê-lo, introjetá-lo e assumi-lo.
2. Convencer-se mutuamente sobre a necessidade e as vantagens do
Planejamento Paroquial de Pastoral. Tomar a firme decisão de realizar o
planejamento.
3. Criar uma comissão para conduzir o planejamento (com
coordenador/a e secretário/a).
4. Criar clima de espiritualidade e oração. Encarregar um grupo
de pessoas que garantam a oração, durante todo o processo de planejamento.
5. Convidar alguém (que entenda de planejamento pastoral) para
ajudar em todo o processo.
6. Lançar a proposta do planejamento a todos os paroquianos,
através de motivações bíblicas, teológicas e pastorais.
7. Criar estratégias metodológicas, que possibilitem maior
participação e representatividade (reuniões por comunidades, por assuntos
temáticos, mini-assembléias, etc.).
8. Definir um prazo para começar e terminar o planejamento de
pastoral (um ano, por exemplo!).
9. Distribuir os passos do planejamento no decurso desse prazo
definido.
10. Agendar datas para reuniões e
assembléias:
- pode-se
reservar um tempo para o processo do planejamento, nas próprias reuniões
ordinárias do CPP;
- é
necessário, porém, agendar reuniões extraordinárias do CPP específicas para o
Planejamento de Pastoral;
- pode-se
reservar um tempo para o processo do planejamento na Assembléia Paroquial de
Pastoral anual;
- se
for preciso, pode-se agendar uma Assembléia Extraordinária para o Planejamento
de Pastoral.
2 GARANTIR
DE PLANEJAMENTO:
1. Registrar todos os dados em arquivo à parte, formando assim
um banco de dados sobre cada passo da caminhada (atas, textos, fotos, vídeos,
etc.). Esses dados são úteis tanto para a história da paróquia quanto para
futuros planejamentos.
2. Redigir, passo a passo, o Plano Paroquial de Pastoral, que
será a conclusão concreta e objetiva do planejamento.
3. Celebrar cada passo do processo, com orações, leituras
bíblicas, atos penitenciais, missas, etc. (nas reuniões do CPP, nas
Assembléias, nos encontros e celebrações da comunidade, conforme o caso).
3 VER
A REALIDADE:
A evangelização requer
conhecimento adequado da realidade a ser evangelizada. É impossível
evangelizar, isto é, anunciar uma boa notícia (de conversão pessoal, de
libertação histórica, de justiça social, de transformação da realidade, etc.), sem que se procure
conhecer a realidade (das pessoas e da sociedade) em que essa boa notícia será
ouvida e acolhida. O semeador do Evangelho deve conhecer os terrenos em que a
semente é lançada.
Sofremos hoje a tentação do
imediatismo! O mundo de hoje nos leva a sermos muito pragmáticos, práticos,
eficientes. Por isso, temos pressa de agir. Queremos ver logo os resultados.
Quantas vezes, ao parar para planejar nossa ação, já vamos logo perguntando: “o
que vamos fazer?” Esta não é, porém, a primeira pergunta a se fazer num
verdadeiro planejamento de ação pastoral.
A primeira pergunta deve
voltar-se para a realidade em que vamos atuar: Onde vamos desenvolver nossa
ação? Quem são as pessoas que desejamos atingir? Quais suas necessidades,
preocupações, angústias, alegrias, ideais, valores, cultura...? Qual sua
situação econômica, política, social, religiosa? Como as instituições civis, as
outras igrejas e religiões vêem a Igreja Católica? Como irão acolher o nosso
anúncio?
Nenhum olhar sobre a realidade é
neutro. Cada ponto de vista é a vista de um ponto. Ao
observar e coletar dados da realidade, já se tem uma pré-compreensão dessa
realidade e já se faz uma opção de ação. Qual deve ser nosso ponto de vista?
Como devemos ver a realidade?
O olhar de Deus inspira nosso
olhar. O olhar do agente de pastoral deve assemelhar-se ao olhar de Deus, um
olhar que se direciona à ação salvadora, que tem como objetivo
transformar a realidade. Por exemplo: No Antigo Testamento, Javé
diz: “Eu vi a opressão de meu povo no Egito, ouvi os gritos de aflição diante
dos opressores e tomei conhecimento de seus sofrimentos” (Ex 3,7). No Novo
Testamento, Jesus Cristo vê a multidão faminta e diz: “Tenho compaixão dessa
multidão. Já faz três dias que estão comigo, e não têm nada para comer” (Mt
15,32).
A caridade pastoral direciona o
olhar. O agente de pastoral observa a realidade a partir de um ponto de vista
bastante específico: a partir do próprio impulso para a caridade pastoral, para
o anúncio de uma boa nova, para o empenho pela justiça. Nosso ponto de vista é
ao mesmo tempo pessoal e comunitário. É como comunidade cristã que olhamos o
mundo ao nosso redor!
Pode-se “ver” a realidade de
muitos modos. Por ex.: a partir do lugar em que se está; a partir da
experiência que se tem; a partir de quem participa da Igreja; a partir de
estudos científicos (estatística, demografia, sociologia, etc.); a partir de
pesquisas e questionários. Existem, também, modos diferentes de se conseguir as
respostas desejadas.
A história pastoral da
Arquidiocese de Florianópolis mostra uma preocupação constante com esse
conhecimento da realidade. Dois exemplos: a) O 12º Plano de
Pastoral (1992-1996) fez uma radiografia da realidade a partir de três ângulos
de visão: elementos de nossa história; aspectos da realidade conjuntural vivida
na ocasião; faces de nossa realidade pastoral, sua organização, sua ação e as
preocupações que apresentavam; b) As atuais Diretrizes, com
criatividade, nos fazem olhar a realidade de um jeito novo: “é necessário,
antes de tudo, um rápido olhar sobre a realidade social que nos envolve, e
sobre a realidade eclesial em que vivemos, para detectar aí os desafios à nossa
evangelização, na forma de ameaças, oportunidades e apelos” (Diretrizes da
Arquidiocese, p. 11).
Qual a abrangência de nosso
olhar? Como cristãos, devemos ter sempre o olhar alargado sobre todo o mundo,
um olhar dilatado, uma visão global. Mas, para o Planejamento Paroquial de
Pastoral interessa um olhar sobre o âmbito da paróquia: sua geografia e
história, seu povo e sua cultura, seus problemas e conquistas. A visão global
ajuda a ver de modo mais claro o mundo da paróquia, pois se pode observar
melhor como os grandes desafios sociais e culturais afetam particularmente a
comunidade, o bairro e a cidade em que vivemos.
Como proceder, então?
1) Reler e meditar o texto acima.
2) Reunir um grupo de pessoas que ajude o CPP e a comissão do
planejamento a observar a realidade.
3) Ter o desejo sincero de querer conhecer, com a maior
profundidade possível, a realidade. Deixar-se questionar pela realidade. Não
ter medo de ver, ouvir, sentir o mundo ao redor, com seus valores e suas
angústias. Não ter receio de pôr a mão nas feridas da própria Igreja.
4) Delimitar o enfoque com qual se quer olhar a realidade:
sobre que aspectos do social (político, econômico, cultural, ideológico, etc.)
e do eclesial (lideranças, catequese, liturgia, vocações, etc.) seria necessário buscar informações?
5) Definir os dados que se quer ter, com vistas à ação
pastoral.
6) Dispor-se a um levantamento da realidade. Perguntar-se: como
esse levantamento será feito? Com quem? Em que prazo? Com que custos? Através
de que estratégias? Seria bom um questionário a ser levado a campo?
7) No caso de um questionário, como elaborá-lo e em vista de
que resultados? Se for decidido por um questionário, preparar perguntas
diretas, capazes de oferecer as respostas desejadas. Pode-se contar com a ajuda
de especialistas (que entendem de estatísticas e de levantamento da realidade).
8) Aproveitar a observação pessoal, entrevistas, pesquisa em
livros, revistas, jornais, etc. Consultar pessoas que, por competência, estudo
e vivência, conhecem melhor a comunidade.
9) Servir-se das Diretrizes da Arquidiocese, no capítulo sobre
os desafios sociais e eclesiais à evangelização, para auxiliar na observação da
realidade paroquial (Diretrizes da Arquidiocese, pp. 11-22).
10) Valer-se de documentos da sociedade civil (do IBGE, por
exemplo), da imprensa, de estatísticas e levantamentos já feitos.
11) Prestar atenção às contínuas mudanças da sociedade. Hoje, é
preciso atualizar constantemente nossa visão da realidade.
12) Considerar os mais diversos aspectos de nossa realidade:
urbana, semi-urbana e rural, conforme a situação de cada paróquia ou
comunidade.
13) Sugestão de aspectos a serem considerados:
- Aspectos
pessoais: Quem são as pessoas com quem lidamos? Quais seus sonhos, medos,
problemas, conquistas, alegrias? Como vivem? Que influências sofrem?
- Aspectos
sociais: Como as pessoas se relacionam? Como são as famílias? Que valores são
vividos e apreciados? Que preconceitos há na comunidade? Que tipo de lazer é
procurado pelas famílias, pelos jovens? Que tipo de educação é oferecido às
crianças e jovens? Quais os acessos à saúde e à educação? Como está a situação
das drogas?
- Aspectos
políticos: Que nível de participação as pessoas têm na
comunidade? Que interesse têm pelas eleições para líderes políticos? Que tipo
de governo desejam? Como a autoridade é exercida nas famílias, entre os jovens,
na comunidade?
- Aspectos
econômicos: De que vivem as pessoas? Onde trabalham? Que tipo de empregos lhe é
oferecido? Como moram? A que classe social pertencem?
Qual a relação entre ricos e pobres?
- Aspectos
religiosos: Em que as pessoas acreditam? Qual o nível de prática religiosa da
maioria? Que devoções cultivam? Como relacionam fé e vida? Que tipo de igrejas
ou religiões freqüentam?
- Experiências
anteriores: O que já foi feito na ação pastoral? O que deu certo e o que
errado? Por quê? Quais foram nossas grandes conquistas e deficiências?
- Interferências
externas: Que valores da sociedade interferem na dinâmica paroquial? Como as
novelas, jogos, eventos, etc. interferem na vida paroquial?
14) Feita a coleta de dados, é preciso
catalogar o resultado, tabular os dados obtidos.
15) Analisar cada problema detectado:
- Como
aparece o problema?
- Quais
suas possíveis causas?
- O
que este problema tem a ver com a construção do Reino?
- O
que pode contribuir para diminuir ou aumentar o problema?
- Que
pistas podemos apontar para a solução do problema?
- Como
tem sido a pastoral paroquial até agora frente a este problema?
16) Fazer uma análise sobre os dados coletados, em reuniões do CPP
e/ou com toda a comunidade. Contar, se possível, com a
ajuda de algum assessor (sociólogo, demógrafo, estatístico, pastoralista,
teólogo, etc.) para analisar os fenômenos da realidade, com suas causas e
conseqüências. Tirar as conclusões preliminares.
17) Pôr por escrito todos os dados coletados e a análise feita.
4 JULGAR-ILUMINAR
A REALIDADE:
Além da análise social, nós,
cristãos, julgamos a realidade com os olhos de Deus. Julgamos a realidade não
com os nossos critérios, com um julgamento humano de condenação ou de
absolvição. Para nós, julgar a realidade é analisá-la à luz da fé, iluminá-la
com a Palavra de Deus. É perguntar-se: O que Deus diria de nossa realidade? O
que nela há de bom e de mau, segundo os critérios de Deus? O que nela está de
acordo ou é contrário ao plano de salvação de Deus?
Como nosso interesse pela
realidade é conhecê-la para melhor evangelizar, é preciso buscar luzes na
Palavra de Deus e nos documentos da Igreja para uma melhor compreensão, um
discernimento adequado. Queremos descobrir o que Deus estaria pedindo de nós.
A Escritura nos leva a fazer um
confronto entre o que Deus quer e sonha e o comportamento humano. Em toda a
Escritura, há diversas passagens
Não se pode esquecer ainda “o que
o Espírito diz às igrejas” (Ap 2,7.11.17.29;
3,6.13.22), aos fiéis de sete igrejas da Ásia Menor. Faz-lhes elogios, mas
também advertências e reprovações. Faz-lhes promessas e garante-lhes sua
assistência permanente, convidando-os a continuarem unidos no amor e na
fidelidade.
Como se vê, a realidade humana
dos tempos bíblicos é marcada por luzes e sombras. Também a nossa situação,
quando julgada com os olhos e os juízos de Deus, revelará angústias e
esperanças, retrocessos e avanços, perdas e ganhos. Importante é permanecer diante
da Palavra de Deus, ouvi-la e praticá-la. Ela é espelho com o qual vemos e
julgamos o mundo em que vivemos.
Como proceder, então?
1) Reler e meditar o texto acima.
2) Reunir passagens ou elaborar uma síntese da Palavra de Deus
e de documentos da Igreja, que possam iluminar a realidade observada e
analisada.
3) Servir-se da mística de nossas Diretrizes, presente na
explicitação de cada item de nosso Objetivo Geral (Diretrizes da Arquidiocese,
pp. 25-40).
4) Refletir em grupo e tirar um tempo para a oração, para dar
espaço à graça divina e ouvir o que Deus tem a dizer sobre a realidade e sobre
nossa ação.
5) Contar, se possível, com a ajuda de algum assessor (pastoralista, teólogo, etc.), para iluminar a realidade com
a luz da Palavra de Deus. Um retiro espiritual pode ser muito útil nesse ponto
da caminhada.
6) Comparar a realidade com os ideais do Reino. Perceber a
distância entre ambos.
7) Reconhecer os desafios com os quais a realidade se
constitui. Classificar os desafios, segundo se nos apresentam: como
oportunidades, ameaças ou apelos.
8) Fazer uma relação das urgências que requerem prioridade,
porque não podem esperar.
9) Para evitar o risco de sermos tarefeiros, e discernir o que
realmente Deus e a realidade querem de nós, é preciso, antes de determinar “o
que fazer”, responder às seguintes questões:
- o
que queremos afinal?
- para
quem vamos fazer o trabalho?
- para
que serve o nosso trabalho?
- a
quais interesses queremos servir?
- que
comportamentos queremos incentivar?
- que
tipo de relação humana queremos criar?
- que
prioridade devemos privilegiar? por
quê?
- com
que recursos espirituais contamos?
- que
dificuldades podemos prever?
- que
cruzes devemos assumir?
10) Pôr por escrito todas as reflexões feitas, na forma de
motivações de fé e de princípios doutrinais que deverão inspirar a ação que
será proposta.
5 FIXAR
O OBJETIVO GERAL:
Quem não sabe aonde vai, nunca
chega. Por isso, é preciso um Objetivo Geral. Ele é o resultado do confronto
entre o ver e o julgar. Para isso, é preciso muita humildade e paciência.
Deve-se evitar a tentação de se saber antes o que se quer e o que se vai fazer.
É a luz e a graça de Deus que vão apontar o caminho.
Do encontro entre os sinais dos
tempos (a realidade) e os sinais de Deus (a Palavra), é que sai a definição do
Objetivo Geral. Ele é a expressão do resultado que se quer alcançar, por meio
do Plano de Pastoral. É o ideal concreto que se quer conseguir na Paróquia. Ele
deve responder a duas questões: O que se quer fazer? Para quê se quer fazer?
Ele pode ter uma formulação
diferente do Objetivo Geral da Arquidiocese. Mas, não pode estar em contradição
com os objetivos da Igreja como um todo.
O Objetivo Geral deve:
- Ser
o elemento integrador de toda a atividade a ser desenvolvida na paróquia, pelas
comunidades, pastorais e movimentos.
- Sinalizar
nossa utopia, nossos sonhos, o fim último de nossa ação.
- Comprometer-nos
com o aqui e o agora, em vista do ideal a ser alcançado.
- Expressar
sempre nossa missão de evangelizar.
- Relacionar-se
com a realidade coletada e analisada.
- Estar
de acordo com o Objetivo Geral da Arquidiocese.
- Ser
uma frase que sintetize claramente o que se quer.
- Ser
uma frase curta, de fácil memorização.
Como proceder, então?
1) Reler e meditar o texto acima.
2) Retomar os dados da realidade coletados e analisados.
Retomar os textos da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja e de nossas
Diretrizes.
3) Confrontar a realidade com a fé; os sinais dos tempos com a
Palavra de Deus.
4) Elaborar juntos o Objetivo, numa fórmula que responda aos
critérios acima apresentados e que alcance o consenso de todos os participantes
do planejamento.
5) Redigir, em breves parágrafos, um texto que explicite e
aprofunde os itens do Objetivo aprovado.
6 AGIR
NA REALIDADE:
A Sagrada Escritura está cheia de
chamados à ação. Os cristãos têm uma missão específica: ir pelo mundo, anunciar
o Evangelho, ensinar os povos a observar os mandamentos divinos, curar os
doentes, evangelizar os pobres, transformar o mundo. O amor que Deus tem por
nós, é ao mesmo tempo um dom e uma tarefa, uma graça e um compromisso. “De
graça recebestes, de graça deveis dar” (Mt 10,8). “Se Deus nos amou assim, nós
também devemos amar-nos uns aos outros” (1 Jo 4,11).
Toda vez que Deus faz uma
observação e um julgamento sobre a realidade, tem como objetivo interferir nela
e transformá-la. Por exemplo: No Antigo Testamento, após dizer que viu a
opressão do povo, Javé acrescenta: “Desci para
libertá-los das mãos dos egípcios e faze-los
sair desse país para uma terra boa e espaçosa, terra onde corre leite e mel”
(Ex 3,8). Também Jesus, após ver a multidão faminta, diz: “Não quero mandá-los
embora sem comer, para que não desfaleçam pelo caminho” (Mt 15,32).
No Planejamento de Pastoral, este
é o momento de selecionar e programar atividades. Como foi visto desde o início, a observação
da realidade e o julgamento divino sobre ela têm como intenção abrir pistas
para se discernir qual deve ser nossa ação. Deve-se
priorizar ações e escolher atividades que possam transformar a realidade que
foi até aqui observada e julgada com os nossos olhos e os olhos de Deus. É
preciso lembrar, ainda uma vez, que somente agora é que se decide sobre a ação
a ser praticada. Sem uma observação e um julgamento divino sobre a realidade, nossa
ação deixa de ser evangelizadora e transformadora. Tornamo-nos ativistas,
tarefeiros.
Para esse momento, é importante
contar com a graça iluminadora de Deus. É preciso deixar-se possuir pelo desejo
de agir como Deus age, de fazer o que Deus quer, de ser simples operários de um
Reino que não é nosso, mas de Deus. Nesta hora, todos os participantes, de
todas as comunidades, pastorais, movimentos e organismos, são postos à prova! É hora de decidir juntos o que se vai fazer juntos. O maior
fruto do Planejamento de Pastoral irá se revelar aqui: a superação do
individualismo, a força da comunhão.
Quatro virtudes deverão ser
buscadas para nossa ação pastoral: unidade, criatividade, visibilidade e objetividade.
- Unidade, porque, sem ela, em vez agentes
do Reino, estaremos compactuando com o reino da divisão e da maldade.
Disse Jesus: “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos
amardes uns aos outros” (Jo 13,35).
- Criatividade, porque somos chamados a continuar não uma
obra qualquer, mas a do próprio Jesus, que disse: “Quem crê em mim fará as
obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas” (Jo
14,12).
- Visibilidade, porque se não falarmos do que fazemos,
acabarão dizendo que nada fazemos. Disse Jesus: “Se eles se calarem, as pedras
gritarão” (Lc 19,40). E ainda: “O que vos digo na
escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do
ouvido, proclamai-o sobre os telhados” (Mt 10,27).
- Objetividade, porque a ação pastoral trabalha com
prioridades e não com escolhas confusas; porque as propostas da ação pastoral
devem ser claras. Disse Jesus: “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O
que passa disso vem do Maligno” (Mt 5,37).
Como proceder, então?
1) Reler e meditar o texto acima.
2) Organizar (dividir, listar, ordenar, agrupar, juntar) a
realidade observada e analisada, para responder adequadamente aos desafios que
ela representa?
3) Rever a ação pastoral realizada até aqui. Diante do Objetivo
Geral assumido, analisar: Como enxugar o que já se faz? Que atividades poderão
ser deixadas de lado? Que pastorais poderiam ser assumidas
por outras afins? Que atividades poderiam ser concentradas por determinadas
lideranças, pastorais ou movimentos, a fim de que haja pessoas liberadas para
novas frentes? O que precisaria ser mais valorizado?
4) Ousar novo tipo de ação pastoral. Deixar-se questionar pelos
novos desafios: Que outras frentes de trabalho terão que ser abertas? Que
situações da realidade precisariam receber mais presença de nossa ação
pastoral? O que está ao nosso alcance realizar?
5) Comparar o que existe com o que deveria existir.
6) Fazer opções claras: Que pastorais ou organismos são
essenciais à vida da paróquia (sem as quais, não haveria paróquia)?
7) Retomar as indicações práticas das Diretrizes da
Arquidiocese, adaptando-as à Paróquia. A partir das Diretrizes da Arquidiocese,
que pastorais ou frentes de ação pastoral, devem existir na Paróquia?
(Diretrizes da Arquidiocese, pp. 45-52).
8) Definir as prioridades pastorais, relacionando-as com as
prioridades e destaques da Arquidiocese: Grupos de Reflexão e Formação de
Lideranças; Escola de Ministérios e Missões Populares. Como estas prioridades e
destaques estarão presentes no Plano de Pastoral Paroquial? As prioridades
devem:
- responder
aos desafios verificados no “ver”.
- ser
atraentes, para cativar o interesse de todos.
- ser
ao mesmo tempo abrangentes e aglutinadoras.
- alcançar
todos os campos da evangelização.
- dizer
respeito a todos.
- concentrar
atividades.
9) Elaborar programas e projetos: O que fazer? Onde fazer?
Quando fazer? Como fazer? Quem vai fazer? Com que
recursos materiais?
10) Prestar atenção ao seguinte: Não é o
número coisas que se faz ou de frentes de ação que se enfrenta, que vai definir
a eficiência de nossa evangelização. No fundo e no final das contas, o que vale
é a ação de Deus realizada através de nós.
11) Criar estruturas e espaços que forem necessários para
responder aos novos desafios.
12) Definir responsabilidades e lideranças para cada programa e
projeto.
13) Pôr por escrito todo o conjunto de ações propostas.
14) Concluir e publicar o Plano Paroquial de Pastoral, que será
formado por: dados da realidade observada; princípios de fé; Objetivo Geral e
sua explicitação; propostas de ação.
15) Definir um prazo de vigência do Plano, em sintonia com as
Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil,
16) Usar de todos os meios para que o Objetivo Geral esteja sempre
presente na ação pastoral e evangelizadora: musicá-lo, montar celebrações sobre
ele, fazer dele o conteúdo de retiros para lideranças, captar a espiritualidade
e a mística que ele contém, transformá-lo numa oração
a ser repetida nas celebrações, nos grupos, nas famílias, na catequese...
7 AVALIAR
O PLANEJAMENTO:
A avaliação é um processo
permanente. Através dela, se confrontam os resultados conseguidos com os
objetivos propostos. É a oportunidade para se fazer algum ajuste, ou mesmo
alguma mudança de direção da ação. É a hora de colher
os frutos, ou de penitenciar-se pelas falhas e omissões.
A Sagrada Escritura traz diversas
ocasiões
Quem não se avalia, continua
repetindo sempre os próprios erros. A avaliação pastoral carrega consigo um
forte tom penitencial. A avaliação pode propor uma mudança de vida, de rota. A
avaliação exige metanóia, conversão, convergência
contínua ao Plano de Pastoral, que passa a ser um sinal concreto dos planos de
Deus para a paróquia.
Como proceder, então?
1) Reler e meditar o texto acima.
2) Identificar problemas e acertos durante a execução da
programação.
3) Confrontar constantemente os resultados com o Objetivo, com
as prioridades, os programas e os projetos assumidos: Quanto
conseguimos? Fomos eficientes? Qual foi a qualidade do trabalho? Fizemos
bem, ou apenas fizemos? Os resultados foram válidos? Construíram algo? Como se
sentem as pessoas? Produziram-se bons relacionamentos?
4) Procurar descobrir as causas dos erros, para acertar da
próxima vez.
5) Estar pronto para efetuar adaptações, correções, ajustes a
qualquer hora.
6) Dispor-se a aceitar sugestões e críticas, e fazer delas
trampolim para uma ação mais eficaz.
7) Criar formas diversas para que a avaliação se faça de forma
espontânea e para que se concretize a eventual necessidade de correção.
8) Abrir espaços para avaliação junto ao povo (pequenos
questionários a serem preenchidos após as missas, ou na secretaria).
9) Propiciar momentos, nas reuniões ordinárias do CPP, para
avaliar os programas e projetos.
10) Contar com 2 ou 3 pessoas que tenham a tarefa específica de
chamar a atenção de todos sobre a caminhada, através de comentários pessoais,
observações que tenham coletado da comunidade, críticas ouvidas no meio do
povo, memorizações do processo.
11) Montar celebrações da penitência tendo o Objetivo Geral como
referencial para o exame de consciência. Montar celebrações de ação de graças.
12) Destacar, nas missas e celebrações da comunidade, os passos bem
sucedidos.
13) Agendar, para um semestre antes do prazo final de execução, uma
assembléia para: avaliação geral do planejamento e proposição de um novo
processo/etapa de planejamento.
8 RETOMAR
O PLANEJAMENTO:
O processo de planejamento é
interminável. Ele acontece de duas maneiras: a) Planeja-se no decorrer da
execução de um determinado Plano Paroquial de Pastoral, com o fim de realizá-lo
e continuamente avaliá-lo; b) Planeja-se ao fim da vigência de um Plano de
Pastoral, com o fim de preparar e estabelecer um novo plano.
Importante é manter o espírito e
a prática de planejamento.
VI ESQUEMA DE UM PLANO
DE PASTORAL:
QUADRO GERAL DO ROTEIRO
DO PLANEJAMENTO PAROQUIAL
DE PASTORAL
QUADRO GERAL DO ROTEIRO DO
PLANEJAMENTO PAROQUIAL DE PASTORAL
COMEÇAR O PLANEJAMENTO – livreto
p. 18
1. Reunir o CPP: ler juntos este
roteiro.
2. Convencer-se mutuamente sobre
a necessidade e as vantagens do Planejamento Paroquial de Pastoral.
3. Criar uma comissão para
conduzir o Planejamento (com coordenador/a e secretário/a).
4. Convidar alguém (que entenda
de planejamento pastoral) para ajudar em todo o processo.
5. Agendar datas para reuniões e
assembléias:
- pode-se
reservar um tempo para o processo do planejamento, nas próprias reuniões
ordinárias do CPP;
- é
necessário, porém, agendar reuniões extraordinárias do CPP específicas para o
Planejamento de Pastoral;
- pode-se
reservar um tempo para o processo do planejamento na Assembléia Paroquial de
Pastoral anual;
- se
for preciso, pode-se agendar uma Assembléia Extraordinária para o Planejamento
de Pastoral.
GARANTIR
1. Registrar todos os dados em
arquivo à parte, formando assim um banco de dados sobre cada passo da caminhada
(atas, textos, fotos, vídeos, etc.).
2. Celebrar cada passo do
processo, com orações, leituras bíblicas, atos penitenciais, missas
, etc. (nas reuniões do CPP, nas Assembléias, com a comunidade, conforme
o caso).
VER – OBSERVAR A REALIDADE – livreto p. 19
1.Coletar
dados sobre a realidade, em seus diversos aspectos: social, cultural, político, econômico,
religioso, eclesial, pastoral...
2. Responder a perguntas sobre a
realidade, tais como: Onde vamos atuar? Quem são as pessoas que queremos
atingir? Quais suas necessidades, preocupações, angústias, alegrias, ideais,
valores, cultura? Qual sua situação econômica, política, social, religiosa?
Como as instituições civis, a sociedade, as outras igrejas e religiões vêem a
Igreja?
3. Isso pode ser feito de
diversos modos: A) Nas reuniões ordinárias do CPP, através de coleta espontânea
de observações sobre esses aspectos. Em cada reunião, coletam-se dados sobre um
ou mais desses aspectos. B) Através de um questionário, com perguntas sobre a
realidade. Ele pode ser enviado aos fiéis participantes das missas, às
lideranças, aos/às religiosos/as, aos grupos de reflexão, às comunidades,
pastorais, movimentos. Deve ser diferenciado, conforme os destinatários. Com
perguntas simples e diretas.
4. Catalogar o resultado, tabular
as respostas e redigir um texto ágil sobre a realidade.
5. Quando se tiver completado o
quadro, faz-se uma reunião extraordinária do CPP ou uma Assembléia
Extraordinária, para partilhar, ordenar e ampliar o conjunto dos dados
coletados.
6. Pode-se pedir a algum assessor
(sociólogo, demógrafo, assistente social, economista, pastoralista,
teólogo, etc., conforme o caso e a necessidade), para fazer uma primeira
análise sobre esses dados.
7. Celebrar a realidade vista,
com símbolos e gestos que a retratem.
JULGAR – ILUMINAR A REALIDADE –
livreto p. 23
1. Encontrar na Palavra de Deus passagens
ou ensinamentos que possam iluminar essa realidade.
2. Servir-se de documentos da
Igreja (Papa, CNBB Nacional e Regional Sul IV) e de nossas Diretrizes para
iluminar a realidade.
3. Compor um texto que contenha
os princípios doutrinais da fé, da espiritualidade e da evangelização, que irão
inspirar a ação transformadora desta realidade.
4. Pode-se convidar algum pastoralista ou teólogo (que esteja a par da realidade
levantada), para ajudar a iluminar a realidade com os dados da fé.
5. Celebrar a mística do
Planejamento, com orações de compromisso que reflitam o desejo comum de
deixar-se guiar pela graça de Deus.
FIXAR O OBJETIVO GERAL – livreto
p. 26
1. Elaborar o Objetivo Geral da
Ação Evangelizadora da Paróquia.
2. Compor um breve texto que
aprofunde a compreensão de cada item do Objetivo Geral.
AGIR – TRANSFORMAR A REALIDADE –
livreto p. 27
1. Estabelecer prioridades
(poucas!), ao redor das quais devem girar as outras propostas de ação.
2. Decidir sobre programas e
projetos a serem executados em vista de intervenção eficaz e transformadora
sobre a realidade.
3. Definir estruturas, espaços,
agendas, recursos, etc., que sejam necessários para a execução de tais
programas e projetos.
4. Especificar as
responsabilidades (quem fica responsável por isso e aquilo!).
5. Determinar um prazo de
execução do Planejamento (de acordo com orientações da Arquidiocese).
6. Estabelecer meios para
propagação dos dados, objetivos e decisões do Planejamento.
7. Elaborar, em cada ano, o
cronograma geral de ação, insistindo sobre as prioridades e os programas e
projetos comuns.
8. Pode-se convidar algum pastoralista ou teólogo (que esteja a par do processo),
para ajudar a propor ações que intervenham na transformação da realidade.
9. Compor um texto que contenha
todas as propostas de ação (prioridades, programas e projetos).
10. Concluir e publicar o Plano
Paroquial de Pastoral, que será formado por: dados do ver, princípios do
julgar, Objetivo Geral e sua explicitação, e propostas de ação.
11. Após tudo isso,
cada comunidade, pastoral e movimento faz seu cronograma, levando em
conta o que foi decidido em comum.
12. Celebrar o empenho pela
transformação da realidade eclesial e social, com orações de súplica e
invocações ao Espírito Santo.
AVALIAR A CAMINHADA DO
PLANEJAMENTO – livreto p. 30
1. Definir os critérios que
servirão para avaliação.
2. Verificar constantemente se o
Plano, o Objetivo Geral e as prioridades estão sendo efetivados.
3. Agendar, nas reuniões
ordinárias do CPP, espaços para avaliar, permanentemente, a execução dos
programas e projetos.
4. Garantir a possibilidade de
fazer algum ajuste ou mesmo mudança de direção na ação.
5. Agendar, para um semestre
antes do prazo final de execução, uma assembléia para: avaliação geral do
Planejamento e proposição de um novo processo/etapa de planejamento.
6. Celebrar a avaliação, com ato
penitencial, tendo em conta a realização do Plano, do Objetivo geral e das
prioridades.
BIBLIOGRAFIA
BRIGHENTI, Agenor. Metodologia
para um planejamento participativo. São Paulo: Paulus,
1988.
BRIGHENTI, Agenor. Reconstruindo
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