MARTÍRIO
DE SÃO CIPRIANO (+258), BISPO DE CARTAGO
Fonte: Livro "Escola da Fé 1: Sagrada Tradição" pp. 68-70
(Fonte: Agnus Dei)
No dia
décimo oitavo das calendas de outubro pela manhã, grande multidão se reuniu no
campo de Sexto, conforme a determinação do procônsul Galério Máximo. Este,
presidindo no átrio Saucíolo, no mesmo dia ordenou que lhe trouxessem Cipriano.
Chegado este, o procônsul interrogou-o: "És tu Táscio Cipriano?"
O bispo Cipriano respondeu: "Sou".
O procônsul
Galério Máximo: "Tu te apresentastes aos homens como papa do sacrílego
intento?" Respondeu o bispo Cipriano: "Sim".
O procônsul
Galério Máximo disse: "Os augustíssimos imperadores te ordenaram que te
sujeites às cerimônias". Cipriano respondeu: "Não faço".
Galério
Máximo disse: "Pensa bem!" O bispo Cipriano respondeu: "Cumpre
o que te foi mandado; em causa tão justa, não há que discutir".
Galério
Máximo deliberou com o seu conselho e, com muita dificuldade, pronunciou a
sentença, com esta palavras: "Viveste por muito tempo nesta sacrílega
idéia e agregaste muitos homens nesta ímpia conspiração. Tu te fizeste inimigo
dos deuses romanos e das sacras religiões, e nem os piedosos e sagrados
augustos príncipes Valeriano e Galieno, nem Valeriano, o nobilíssimo César,
puderam te reconduzir à prática de seus ritos religiosos. Por esta razão, por
seres acusado de autor e guia de crimes execráveis, tu te tornarás uma advertência
para aqueles que agregaste a ti em teu crime: com teu sangue ficará salva a
disciplina". Dito isto, leu a sentença: "Apraz que Tarcísio
Cipriano seja degolado à espada". O bispo Cipriano respondeu: "Graças
a Deus!"
Após a
sentença, o grupo dos irmãos dizia: "Sejamos também nós degolados com
ele". Por isto houve tumulto entre os irmãos e grande multidão o
acompanhou. E assim Cipriano foi conduzido ao campo de Sexto. Ali tirou o manto
e o capuz, dobrou os joelhos e prostrou-se em oração ao Senhor. Retirou depois
a dalmática, entregando-a aos diáconos e ficou de alva de linho e aguardou o
carrasco, a quem, quando chegou, mandou que os seus lhe dessem vinte e cinco
moedas de ouro. Os irmãos estenderam diante de Cipriano pano de linho e toalha.
O bem-aventurado quis vendar os olhos com as próprias mãos. Não conseguindo
amarrar as pontas, o presbítero Juliano e o subdiácono Juliano o fizeram.
Desde modo
morreu o bem-aventurado Cipriano. Seu corpo, por causa da curiosidade dos
pagãos, foi colocado ali perto, de onde, à noite, foi retirado e, com círios e
tochas, hinos e em grande triunfo, levado ao cemitério de Macróbio Candiano,
administrador, existente na via Mapaliense, junto das piscinas. Poucos dias
depois, morreu o procônsul Galério Máximo.
Mártir santíssimo
Cipriano foi morto, no dia décimo oitavo das calendas de outubro, sob Valeriano
e Galieno imperadores, reinando, porém, nosso Senhor Jesus Cristo, a quem a
honra e a glória pelos séculos dos séculos. Amém.