PRIMEIRA CARTA DE SÃO CLEMENTE AOS CORÍNTIOS
(Fonte: Agnus Dei)
INTRODUÇÃO
A Igreja de Deus estabelecida transitóriamente em Roma à Igreja de Deus
estabelecida transitóriamente em Corinto, aos eleitos santificados na vontade
de Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo: que a graça e a paz vos sejam dadas em
plenitude da parte de Deus todo-poderoso, por Jesus Cristo.
CAPÍTULO
I
1Por causa das desgraças e calamidades que repentina e continuamente
se abateram sobre nós, talvez estejamos a tratar tardiamente dos acontecimentos
que se deram entre vós, meus caros, e daquele motim, não conveniente a eleitos
de Deus, iniciado por algumas pessoas irrefletidas e audaciosas, de uma forma
sórdida e ímpia, surgido de tal ponto de loucura, que o vosso nome, dantes
estimado, acatado e celebrado por todos, fosse seriamente denigrido.
2Ora, quem é que esteve entre vós e não elogiou vossa fé
extraordinária e firme? Quem não admirou vossa piedade consciente e suave em
Cristo? Quem não louvou a tradição da vossa hospitalidade generosa? Ou quem não
vos felicitou por vossa doutrina perfeita e segura?
3Fazíeis tudo sem distiguir as pessoas e andáveis dentro dos
preceitos de Deus, sujeitando-vos aos vossos guias e respeitando devidamente os
vossos anciãos. Aos jovens, transmitíeis conceitos prudentes e honrosos; às
mulheres, recomendáveis para que cumprissem todos os seus deveres com
consciência irrepreensível, de forma santa e pura, amando convenientemente seus
maridos; e ainda as ensináveis a administrar a vida doméstica dentro das normas
de obediência e da mais absoluta discrição.
CAPÍTULO
II
1Vós todos ainda possuíeis sentimentos de humildade, isentos de
qualquer vaidade, mais dispostos a submeter-vos do que a submeter, dando com
mais gosto do que esperando receber. Contentando-vos com o que Cristo vos dava
como alimento e meditando sobre suas palavras, vós as guardáveis com tanto
cuidado no coração mesmo enquanto tínheis sofrimentos pairando diante dos
vossos olhos.
2Assim, uma paz profunda e abençoada comunicava-se a todos, e um
desejo insaciável de praticar o bem, assim como a plena efusão do Espírito
Santo, eram produzidos em todos.
3Repletos de uma santa vontade, em bom zelo, levantáveis as vossas
mãos piedosamente para o Deus onipotente, suplicando-lhe sua misericórdia
quando cometíeis involuntariamente alguma falta.
4Dia e noite, travava-se entre vós uma luta em favor da total
fraternidade, para conseguir, pela misericórdia e conscienciosidade, a salvação
de todos os seus eleitos.
5Autênticos e incorruptos vós éreis, não possuíeis malícia uns para
com os outros.
6Toda revolta e todo cisma vos causavam horror. Ficáveis
entristecidos ao ver as faltas dos outros; o que os outros cometiam, tínheis
como vossas próprias faltas.
7Não havia por que vos arrepender de qualquer omissão de bondade, já
que estáveis dispostos a toda boa ação.
8Ornados por uma conduta virtuosa e honrosa, cumpríeis todas as
vossas ações em seu temor. Os mandamentos e as justas normas do Senhor estavam
escritos sobre as fibras dos vossos corações.
CAPÍTULO
III
1Plena reputação e prosperidade vos foi concedida, cumprindo-se a palavra
da Escritura: "O bem amado comeu e bebeu, engordou e encheu-se de
comida, e tornou-se desobediente".
2Daí nasceram o ciúme e a inveja, a discórdia e a revolta, a
perseguição e a desordem, a guerra e o cativeiro.
3Desta forma, os desonrados levantaram-se contra os honrados, os
desrespeitados contra os respeitados, os insensatos contra os sensatos, os
jovens contra os anciãos.
4Por isso, afastou-se para longe a justiça e a paz no exato momento
em que cada um abandonou o temor de Deus e obscureceu o olhar em sua fé, não
andando conforme o que prescreve os seus mandamentos, não se conduzindo da
maneira digna de Cristo. Ao invés, cada qual anda segundo os desejos de seu
coração perverso, admitindo em si um ciúme injusto e ímpio, ciúme este que
gerou a morte para o mundo.
CAPÍTULO
IV
1Porque assim está escrito: "E aconteceu, após alguns dias,
que Caim oferecesse a Deus um sacrifício com os frutos da terra e também, por
sua vez, Abel oferecesse das primícias dos rebanhos e de suas gorduras.
2E Deus olhou para Abel e seus dons, não reparando, porém, em Caim e
seus sacrifícios.
3Então Caim se entristeceu muito e seu rosto se abateu.
4Então o Senhor falou a Caim: 'Por que te tornaste sombrio e por que
teu rosto anda abatido? Acaso não pecaste? Ora, embora tua oferenda seja
correta, tua escolha não o foi.
5Acalma-te, pois a oferenda voltará a ti e poderás dispor dela'.
6Então Caim falou a Abel, seu irmão: 'Vamos para a planície'. E
ocorreu que, enquanto estavam na planície, Caim se levantou contra Abel, seu
irmão, e o matou".
7Vide, irmãos: foram o ciúme e a inveja que produziram o
fratricídio.
8Por causa do ciúme, nosso pai Jacó teve que fugir da presença de
Esaú, seu irmão.
9O ciúme fez com que José fosse perseguido à morte e acabasse preso.
10Foi o ciúme que obrigou Moisés a fugir da presença do faraó, rei
do Egito, na hora de ouvir um de seus compatriotas: quem é que te constituiu
árbitro e juiz sobre nós? Não queres matar-me, da mesma forma como ontem
mataste o egípcio?
11Por causa do ciúme, Aarão e Maria foram expulsos do acampamento.
12O ciúme conduziu Datã e Abirão vivos para o Mundo dos Mortos, por
se revoltarem contra Moisés, servo de Deus.
13Por ciúme, Davi não apenas obteve inveja da parte dos
estrangeiros, como também foi perseguido por Saul, rei de Israel.
CAPÍTULO
V
1Agora, para colocarmos fim aos exemplos antigos, passemos aos
atletas que nos tocam de perto; verifiquemos os nobres exemplos da nossa
geração.
2Por ciúme e inveja foram perseguidos e lutaram até à morte as
nossas colunas mais elevadas e retas.
3Fixemos nossos olhos sobre os valorosos apóstolos:
4Pedro, que por ciúme injusto não suportou apenas uma ou duas, mas
numerosas provas e, depois de assim render testemunho, chegou ao merecido lugar
da glória.
5Por ciúme e discórdia, Paulo ostentou o preço da paciência.
6Sete vezes acorrentado, exilado, apedrejado, missionário no Oriente
e no Ocidente, recebeu a ilustre glória por sua fé.
7Ensinou a justiça no mundo todo e chegou até os confins do
Ocidente, dando testemunho diante das autoridades. Assim, deixou o mundo e foi
buscar o lugar santo, ele, que se tornou o mais ilustre exemplo da paciência.
CAPÍTULO
VI
1A esses homens de conduta santa, ajuntou-se grande multidão de
eleitos que, por ciúme, suportaram muitos insultos e torturas, transformando-se
no mais belo exemplo entre nós.
2Por ciúmes, mulheres foram perseguidas, como Danaídes e Dircês, e
sofreram afrontas cruéis e sacrílegas, percorrendo a segura trajetória da fé e
obtendo o nobre prêmio, elas, que eram fracas de corpo.
3Foi o ciúme que separou esposas e maridos, afrontando a palavra de
nosso pai Adão: "Ela é osso dos meus ossos e carne da minha carne".
4Ciúme e intriga destruíram grandes cidades e eliminaram nações
poderosas.
CAPÍTULO
VII
1Caríssimos, ao vos escrever tais coisas, não apenas vos levamos à
refletir, mas também advertimos a nós mesmos, já que nos encontramos no mesmo
campo de batalha, nos esperando a mesma luta.
2Abandonemos, assim, as opiniões vazias e tolas, voltando-nos para a
gloriosa e santa regra da tradição.
3Vejamos o que é belo, agradável e aceito aos olhos daquele que nos
criou.
4Fixemos a vista no sangue de Cristo e compreendamos o quanto é
precioso aos olhos do Pai pois, derramando-o por nossa salvação, ofereceu-o ao
mundo inteiro pela conversão.
5Percorramos todas as gerações e aprendamos que de geração em
geração o Senhor deu possibilidade de conversão àqueles que a Ele quiseram
retornar.
6Noé anunciou a conversão e os que a aceitaram se salvaram.
7Jonas anunciou a ruína aos ninivitas; os que fizeram penitência de
seus pecados, por suas súplicas, reconciliaram-se com Deus e alcançaram a
salvação, ainda que fossem estranhos a Deus.
CAPÍTULO
VIII
1Sobre a conversão falaram os ministros da graça de Deus, sob
inspiração do Espírito Santo.
2Sobre a conversão também falou o próprio Senhor de tudo, ao jurar: "Tão
certo como vivo - diz o Senhor - não quero a morte do pecador, mas sua
conversão". E acrescentou:
3"Convertei-vos de vosso erro, casa de Israel! Dize aos
filhos do meu povo: 'ainda que os vossos pecados se amontoassem da terra até o
céu, ainda que estes fossem mais vermelhos que a púrpura e mais negros que o
saco, se vos voltardes para mim de todo coração e disserdes: 'Pai!', eu vos
atenderei como se fosses um povo santo'".
4Em outra parte, ainda fala: "Lavai e purificai-vos. Afastai
dos meus olhos as maldades de vossas almas. Deixai vossas maldades e aprendei a
praticar o bem; procurai a justiça, socorrei o oprimido, fazei justiça ao
órfão, defendei a viúva, e então vinde para colocarmos as coisas em ordem - diz
o Senhor. E se os vossos pecados forem como a púrpura, os tornarei brancos como
a neve; se forem escarlate como a lã, os farei alvos. Se vos dispuserdes a me
escutar, comereis os bens desta terra; porém, se não quiserdes me ouvir, a
espada vos devorará - assim fala a boca do Senhor".
5No desejo de levar a todos os seus amados a participarem da
conversão, fortaleceu-vos por sua vontade toda-poderosa.
CAPÍTULO
IX
1Por isso, obedeçamos sua vontade excelsa e gloriosa. Supliquemos,
prostrados, pela piedade e bondade. Recorramos à sua misericórdia. Abandonemos
a vaidade, a discórdia e o ciúme que conduz à morte.
2Fixemos o olhar naqueles que serviram com perfeição a sua magnífica
glória.
3Tomemos, por exemplo, Henoc, que, encontrado justo em sua
submissão, foi arrebatado e não se encontrou indício de sua morte.
4Noé, reconhecido fiel, recebeu o encargo de anunciar o renascimento
do mundo e o Senhor salvou, por ele, os seres que entraram em harmonia na sua
arca.
CAPÍTULO
X
1Abraão, proclamado "o amigo", se revelou fiel em sua
submissão à palavra de Deus.
2Por obediência, ele saiu de sua terra, deixou seus parentes e a
casa do pai, saindo de uma terra pequenina, parentes sem importância, uma casa
modesta, para herdar as promessas de Deus. Pois é Ele quem lhe diz:
3"Deixa tua terra, teus parentes e a casa de teu pai, para
te dirigires à terra que te mostrarei. Farei de ti um povo grande.
Abençoar-te-ei e engrandecerei teu nome; serás abençoado. Abençoarei os que te
abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Em ti, todas as tribos da
terra serão benditas".
4Outra vez, ao se separar de Lot, falou-lhe Deus: "Levanta
teus olhos e mede o espaço existente entre ti, entre o norte e o sul, leste e
mar: pois toda essa terra vos darei e à tua descendência para sempre.
5Farei tua descendência como o pó da terra: se alguém conseguir
contar o pó da terra então saberá também contar a tua descendência".
6E ainda diz: "Conduziu Deus a Abraão para fora e lhe falou:
'Levanta os olhos para o céu e conta os astros, se é que consegues contá-los.
Assim será a tua descendência'. Abraão acreditou em Deus e isso lhe foi
imputado como justificação".
7Por causa da fé e da hospitalidade, foi-lhe dado um filho na
velhice e, por obediência, ele o ofereceu como sacrifício a Deus sobre um dos
montes que Ele lhe mostrou.
CAPÍTULO
XI
1Por causa da hospitalidade e piedade, Lot salvou-se de Sodoma,
quando a terra em redor foi castigada com fogo e enxofre. Desta forma, Deus
deixou claro que não abandona aqueles que esperam nele, mas que entrega os
ímpios ao castigo e ao suplício.
2Sua mulher acompanhava-o na saída, no entanto, não compartilhava
sua fé e crença, transformando-se num sinal disso, a ponto de reduzir-se a mera
estátua de sal até os dias de hoje, para que todos, assim, possam se inteirar
que Deus pune os desconfiados e os de alma dupla para escárnio de todas as
gerações.
CAPÍTULO
XII
1Por causa da fé e hospitalidade, Raabe, a prostituta, se salvou.
2Pois quando Jesus, filho de Navé, mandou espiões para Jericó, o rei
daquela nação ficou sabendo que haviam chegado homens para explorar a terra;
então mandou homens para os prenderem e, após presos, matarem-nos.
3Raabe, a hospitaleira, recebeu-os e os ocultou sob a palha do linho
no andar superior.
4Quando os emissários do rei se apresentaram e lhe falaram: "Aqui
entraram os espiões que vieram reconhecer nosso território. O rei manda que os
entregueis", ela respondeu-lhes: "De fato, os homens que
procurais entraram em minha casa, porém já se retiraram e continuam seu
caminho". E ela apontou-lhes em direção oposta.
5Então ela falou aos espiões: "Disto sei e me convenci: o
Senhor vos entregou esta terra porque o medo e pânico se apossaram de seus
habitantes. Quando a conquistardes, salvai a mim e a casa de meu pai".
6Os espiões responderam: "Será como falaste! Quando nos
vires aproximar, reúnam-se todos os teus parentes sob o teto da tua morada e
todos serão salvos; porém, aqueles que estiverem do lado de fora
perecerão".
7Como outro sinal, propuseram-lhe ainda que dependurasse algo vermelho
na casa, tornando evidente que, pelo sangue do Senhor, viria a redenção para
todos aqueles que cressem e esperassem em Deus.
8Vede, amados: nesta mulher não houve apenas fé, mas também o dom da
profecia.
CAPÍTULO
XIII
1Portanto, tornemo-nos humildes, irmãos, deixando de lado toda a
ostentação, o orgulho, o excesso e a ira, e cumpramos o que está escrito. Pois
assim diz o Espírito Santo: "Não se orgulhe o sábio em sua sabedoria,
nem o forte em sua força, nem o rico em sua riqueza, mas aquele que se gloriar,
glorie no Senhor, procurando-O e praticando o direito e a justiça".
Antes de mais nada, recordemos as palavras ditas por Jesus, mestre da equidade
e grandiosidade.
2Pois foi ele que disse isto: "Sede misericordiosos para
obterdes misericórdia. Perdoai para que sejais perdoados. Assim como fizerdes,
assim vos será feito. Da forma como derdes, assim vos será dado. Do modo como
julgardes, assim sereis julgados. Como fizerdes o bem, assim vos será feito.
Com a medida que medirdes, também vos será medido em troca".
3Com este mandamento e estes preceitos, fortaleçamo-nos, para que
possamos andar humildes e submissos às suas santas palavras. Pois a sagrada
palavra assim reza:
4"Para quem hei de olhar senão para o manso e pacífico e
para aquele que respeita os meus oráculos?".
CAPÍTULO
XIV
1É justo e santo, irmãos, tornarmo-nos submissos a Deus do que
seguirmos aqueles que se deixam guiar pela arrogância e orgulho, aos promotores
do ciúme.
2Estaremos nos expondo não a um prejuízo qualquer, mas a um grande perigo,
se nos entregarmos aos caprichos dos homens, que buscam a discórdia e a revolta
para nos separar da boa conduta.
3Sejamos bondosos uns para com os outros, seguindo a misericórdia e
doçura do nosso Criador.
4Pois assim está escrito: "Os mansos habitarão a terra, os
inocentes serão deixados sobre ela enquanto os pecadores serão exterminados
dela".
5E em outro ponto: "Vi o ímpio gabar-se orgulhoso como os
cedros do Líbano; passei e ele não mais existia; então procurei seu lugar e não
encontrei. Guarda a inocência e observa a justiça pois se consagra a memória do
homem que guarda a paz".
CAPÍTULO
XV
1Unamo-nos, pois, àqueles que mantêm a paz na santidade e não aos
que defendem a paz por pura hipocrisia.
2Pois é dito em algum lugar: "Este povo me honra com os
lábios, mas seu coração está longe de mim".
3E novamente: "Abençoavam com a boca, mas amaldiçoavam com o
coração".
4E novamente: "Amavam-no com os lábios, mas mentiam-lhe com
a língua; o coração não era sincero para com Ele, nem se mantinham fiéis à sua
aliança.
5Por isso, tornem-se mudos os lábios ímpios que proferem maldades
contra os justos". E ainda: "Que o Senhor extermine todos os
lábios ímpios, a língua arrogante e todos os que dizem: 'Engrandecemos a nossa
língua, em nossos lábios estão o poder! Quem é o nosso Senhor?'.
6Por causa da miséria dos pobres e dos gemidos dos desamparados,
levantar-me-ei agora - diz o Senhor - e os colocarei a salvo.
7Julgarei seu caso com isenção".
CAPÍTULO
XVI
1Porque Cristo pertence aos humildes e não aos se elevam acima da
comunidade.
2O cetro da majestade de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, não veio
com ares de arrogância e orgulho, muito embora assim pudesse ter feito, mas com
humildade, como, sobre ele, o Espírito Santo anunciou. Pois disse:
3"Senhor, quem deu crédito à nossa palavra? A quem se
revelou o braço do Senhor? Nós anunciamos na presença Dele: Ele é como o
escravo, como a raiz numa terra sedenta! Não possui beleza, nem brilho. Nós o
vimos: não tinha beleza, nem aparência agradável. Ao invés, sua beleza era
desprezível e perdia para a beleza dos homens. Um homem açoitado, trabalhado e
acostumado a sofrer fraquezas; menosprezado, afastou o rosto e não contou para
nada.
4Ele carrega nossos pecados e sofre por nós. Vimos nele um homem
atormentado, açoitado e humilhado.
5Foi coberto de chagas por causa de nossos pecados; tornou-se
debilitado por causa de nossos crimes; o castigo que nos educa para a paz caiu
sobre ele e nós fomos curados, graças às suas chagas.
6Todos, como ovelhas, andávamos desviados; o homem havia se
desviado de sua rota.
7O Senhor o entregou em resgate por nossos pecados e ele não
abriu a boca diante dos maus tratos. Como cordeiro, foi conduzido ao matadouro
e, como ovelha, na frente do tosquiador permaneceu calado, sem abrir a boca. Na
humilhação foi levantada sua condenação.
8Quem pregava sua geração já que sua vida será tirada da terra?
9Por causa das iniquidades do meu povo, ele será levado à morte.
10E Eu entregarei os ímpios como reféns de sua sepultura e os
ricos em troca da sua morte, pois não cometeu mal algum, nem culpa foi
encontrada em sua boca. Mas o Senhor quer purificá-lo de suas feridas.
11Se oferecerdes um sacrifício por vosso pecado, vossa alma verá
descêndência pela longa vida.
12O Senhor quer arrancar o tormento de sua alma, mostrar-lhe a
luz e formá-lo na consciência, justificando o justo que bem serviu a muitos;
ele próprio tomará sobre si os pecados deles.
13Por isso terá multidões como herança e distribuirá os troféus
dos poderosos pelo fato de sua alma ser entregue à morte e ele ter sido contado
entre os ímpios.
14E ele próprio suportou os pecados de muitos e se entregou pelos
pecados deles".
15Ele próprio ainda diz: "Eu, porém, não sou mais que um
verme, não sou homem, mas último entre os homens e escória do povo.
16Todos os que me viram, zombaram de mim, murmuraram com os
lábios e moveram a cabeça em sinal de negação. Confiou no Senhor, que o livre;
se o quiser bem, que o salve".
17Vede, amados, que exemplo nos foi dado! Se o Senhor assim se
humilhou, o que faremos nós que chegamos, por Ele, ao jugo de sua graça?
CAPÍTULO
XVII
1Tornemo-nos imitadores daqueles que em peles de carneiros e ovelhas
percorriam a terra, anunciando a chegada de Cristo: pensemos em Elias e Eliseu,
também em Ezequiel, nos profetas e, além destes, naqueles que receberam
testemunho favorável.
2Abraão recebeu magnífico testemunho, sendo proclamado 'amigo de
Deus'. Mesmo assim, contemplando a glória de Deus, confessou em sua humildade: "Eu,
por mim, sou terra e cinza".
3Também sobre Jó se escreveu desta forma: "Jó, porém, era
justo e irrepreensível; verdadeiro, temente a Deus e afastado de todo o
mal".
4Apesar disso, ele próprio se acusa, dizendo: "Ninguém é
isento de impureza, mesmo que sua vida se resumisse a um só dia".
5Moisés foi chamado de 'fiel servidor em toda a casa de Deus' e
através de seu ministério, Deus castigou o Egito com pragas e sofrimentos.
Contudo, mesmo sendo tão magnificamente exaltado, não se excedeu em palavras
grandiloquentes, mas, ao revelar-lhe o oráculo da sarça, falou apenas: "Quem
sou eu para me enviares? Tenho a voz fraca e dificuldade para falar".
6E novamente assim fala: "Não passo de vapor que sai da
panela quente".
CAPÍTULO
XVIII
1O que dizer de Davi e seu testemunho? A ele, Deus falou: "Descobri
um homem segundo o meu coração: Davi, filho de Jessé. Em eterna misericórdia eu
o ungi".
2Mas também ele falou para Deus: "Tende piedade de mim, ó
Deus, segundo a tua grande piedade e, segundo a tua grande misericórdia, apaga
o meu pecado.
3Lava-me sempre mais de minha iniquidade e purifica-me do meu
pecado, pois reconheço a minha injustiça e o meu pecado está sempre diante de
mim.
4Pequei somente contra ti e pratiquei o que é mau perante os
Vossos olhos; para que estejas justificado em tuas palavras e venças, se te
julgarem.
5Eis que fui concebido na iniquidade e no pecado minha mãe me
carregou em seu seio.
6Eis que amaste a verdade e me revelaste os obscuros mistérios da
tua sabedoria.
7Hás de me aspergir com hissopo e serei purificado; hás de me
lavar e tornar-me-ei mais branco do que a neve.
8Hás de fazer-me ouvir o som da alegria e da festa e os ossos
humilhados se rejubilarão.
9Afasta o rosto de meus pecados e apaga todas as minhas
iniquidades.
10Cria um coração puro em mim, ó Deus, e forma um espírito firme
em meu peito.
11Não me afastes de tua presença e não retires de mim teu santo
espírito.
12Restitui-me a alegria da tua salvação e confirma-me com um
espírito magnâmico.
13Ensinarei teu caminho aos pecadores e os ímpios hão de
converter-se para ti.
14Livra-me de ações sanguinárias, ó Deus, Deus de minha salvação.
15Minha língua exaltará a tua justiça. Senhor, hás de me abrir a
boca e meus lábios proclamarão o teu louvor.
16Se tivesses desejado um sacrifício, te-lo-ia oferecido, porém,
não te agradas com holocaustos.
17Para Deus, sacrifício é o espírito arrependido. Deus não
desprezará um coração contrito e humilhado".
CAPÍTULO
XIX
1A humildade e a modéstia de homens tão grandes e santos foram
aprovados pela sua obediência. Os que receberam as palavras Dele em temor e
verdade não só nos tornaram melhores como também as gerações que nos
precederam.
2Assim, após participarmos de muitas grandes e gloriosas ações,
corramos para a meta de paz que nos foi proposta desde o início. Fixemos o
nosso olhar sobre o Pai e Criador de todo o mundo e agarremo-nos aos seus
magníficos e excelsos dons de paz e benefícios.
3Olhemos para Ele em espírito e consideremos com os olhos da alma
sua generosa vontade. Reconheçamos o quanto é indulgente para com toda a sua
criação.
CAPÍTULO
XX
1Os céus movem-se por Sua disposição e lhe submetem na paz.
2O dia e a noite percorrem o caminho por Ele demarcado, sem jamais
se impedirem mutuamente.
3Sol, lua e demais astros giram conforme Sua determinação, em
harmonia e sem desvio algum pelas órbitas prescritas a cada um deles.
4A terra, submissa à Sua vontade, fecunda nas estações próprias e
provém sustento aos homens, animais e todos os seres vivos, sem se rebelar nem
se afastar da ordem por Ele desejada.
5As profundezas insondáveis dos abismos e os subterrâneos
inexplorados se mantêm conforme as Suas leis.
6O mar imenso, encerrado dentro da bacia que o contém, não
ultrapassa os limites a ele imposto mas, assim como lhe foi ordenado, o
obedece.
7Pois foi Ele quem disse: "Até aqui chegarás e tuas ondas se
quebrarão em ti mesmo".
8O oceano, intransponível aos homens, bem como os mundos atrás dele,
ordenam-se pelas mesmas leis do Senhor.
9As estações da primavera, verão, outono e inverno se sucedem umas
às outras em paz.
10A força dos ventos cumpre, por sua vez, o serviço dele sem se
desfalecer; as fontes perenes, criadas para gôzo e saúde, oferecem os peitos -
sem interrupção - para dar vida aos homens. Até os animais mais pequeninos
fazem suas reuniões dentro da paz e harmonia.
11O grande Criador e Senhor de tudo ordenou todas essas coisas para
que existissem em paz e concórdia, já que deseja o bem de todas as criaturas,
mostrando-se generoso demais em relação a nós que nos refugiamos em sua
misericórdia por nosso Senhor Jesus Cristo.
12A Ele glória e majestade pelos séculos dos séculos. Amém.
CAPÍTULO
XXI
1Amados, cuidai para que vossos benefícios tão numerosos não se
transformem em condenação para nós, o que acontecerá se não formos dignos Dele
e não realizarmos em concórdia o que é bom e agradável a Seus olhos,
2pois está dito em alguma parte: "O Espírito do Senhor é uma
lanterna que penetra até o fundo do coração".
3Consideremos o quanto está próximo, de forma que nada do que
pensamos, nada do que calculamos permanece-Lhe oculto.
4Assim, é justo que não nos afastemos da Sua vontade.
5Devemos preferir chocar homens tolos e insensatos, exaltados e
cheios da arrogância de seus discursos, do que a Deus.
6Reverenciemos o Senhor Jesus, cujo sangue foi derramado por nós.
Respeitemos nossos chefes. Honremos os anciãos. Eduquemos os jovens a temerem a
Deus. Guiemos nossas mulheres para o bem.
7Que elas manifestem o desejo da pureza, a pura intenção na
suavidade. Que, pelo silêncio, demonstrem a moderação de sua linguagem. Que o
amor não fique dependente das inclinações, mas que seja praticado de modo santo
e igual entre todos aqueles que temem a Deus.
8Que nossos filhos participem da educação em Cristo, aprendendo o
quanto pode a humildade perante Deus, o quanto o amor consegue perante Deus, o
quanto o temor Dele é bom e excelso, salvando a todos os que nele vivem
santamente em pura intenção.
9É Ele que investiga nossos pensamentos e desejos. É o sopro Dele
que está presente em nós e que pode ser retirado por Ele quando quiser.
CAPÍTULO
XXII
1A fé em Cristo garante todas essas coisas, pois é Ele mesmo que
assim nos convida, pelo Espírito Santo: "Filhos, vinde e escutai-me:
hei de ensinar-vos a temer a Deus.
2Quem é o homem que quer vida e aprecia ver dias bons?
3Guarda tua língua do mal e teus lábios da traição.
4Afasta-te do mal e faze o bem.
5Procura e persegue a paz.
6Os olhos do Senhor estão voltados para os justos e seus ouvidos
para as suas súplicas. Mas a face do Senhor se volta contra os que praticam o
mal, destruindo a memória deles sobre a terra.
7O justo clama e o Senhor o atende, livrando-o de todas as
tribulações.
8Muitos são os flagelos do pecador, já a misericórdia cerca os
que esperam no Senhor.
CAPÍTULO
XXIII
1O Pai todo-poderoso e misericordioso tem entranhas para os que O
temem e, assim, distribui de forma bondosa e amorosa Suas graças àqueles que se
aproximam Dele com o coração simples.
2Não hesitemos por causa disso, nem se orgulhe nossa alma por causa
dos Seus dons ricos e magníficos.
3Que nunca se aplique a nós a passagem da Escritura que diz: "Infelizes
os que hesitam no coração e desconfiam na alma; aqueles que dizem: 'Tais
promessas já escutamos na época de nossos pais e eis que envelhecemos e nada
disso aconteceu'.
4Ó insensatos, comparai-vos à uma árvore; reparai na videira que,
primeiro perde as folhas e então brota, a seguir vêm a folha, então a flor e,
depois disso, a uva verde é seguida da uva madura". Considerai como,
em pouco tempo, o fruto da árvore se torna maduro.
5É bem assim que a vontade de Deus se cumpre, em ritmo veloz e
inesperado, como a própria Escritura nos atesta: "Virá logo e não
tardará. Subitamente o Senhor entrará no seu santuário, o Santo a quem
esperais".
CAPÍTULO
XXIV
1Amados, observemos como o Senhor não cessa de dar-nos provas de
que, no futuro, a ressurreição se concretizará. Deu-nos prova dela
primeiramente ressuscitando Jesus Cristo dos mortos.
2Amados, vejamos como se dá a ressurreição a seu tempo.
3O dia e a noite nos manifestam a ressurreição: dorme a noite,
ressuscita o dia; o dia se retira, chega a noite.
4Exemplifiquemos com os frutos da terra: como e de que modo faz-se a
semeadura?
5O semeador sai e espalha, semente por semente, pela terra lavrada,
que caem secas e nuas sobre a terra e aí se desfazem; desta decomposição, a
grandiosa providência do Senhor as ressuscita, de forma que, de uma, aumentam
para muitas e produzem fruto.
CAPÍTULO
XXV
1Consideremos o sinal prodigioso que ocorre na região oriental, isto
é, nas terras próximas da Arábia.
2Aí existe um pássaro chamado fênix, único na espécie e que vive
quinhentos anos. Quando está para morrer, ergue seu próprio sepulcro usando
incenso, mirra e outras plantas aromáticas e, ao completar seu tempo, aí se
introduz e morre.
3De sua carne em decomposição nasce uma larva que se alimenta da
matéria putrefata do animal morto e cria asas; quando se torna forte, levanta o
sepulcro onde se encontram os restos de seu ancestral e carrega-o, voando da
terra da Arábia até a cidade do Egito chamada Heliópolis.
4E, em plena luz do dia, aos olhos de todos, transporta e depõe
aqueles restos sobre o altar do sol; a seguir, retoma o vôo de volta.
6Então os sacerdotes examinam os calendários e percebem que ele
chegou ao se completarem quinhentos anos.
CAPÍTULO
XXVI
1Devemos, então, considerar grandioso e estranho o fato de o Criador
operar a ressurreição de todos aqueles que lhe serviram santamente na confiança
de uma boa fé, se ele ilustra até por um pássaro a grandeza de sua promessa?
2Lê-se em alguma parte: "Hás de me ressuscitar e eu te
louvarei". E: "Deitei-me e adormeci; levantei-me porque tu
estás comigo".
3E Jó adverte novamente: "Ressuscitarás minha carne que
suportou todo esse sofrimento".
CAPÍTULO
XXVII
1Que nossas almas se apeguem por uma esperança assim Àquele que é
fiel em Suas promessas e justo em Seus juízos.
2Aquele que proibiu a mentira, tampouco haverá de mentir, pois nada
junto a Deus é impossível, exceto a mentira.
3Portanto, que se acenda novamente dentro de nós a fé Nele e
reconheçamos que todas as coisas estão próximas Dele.
4Com apenas uma palavra de sua grandeza, estabeleceu tudo e, com uma
só palavra, pode destruir tudo.
5Quem diria a Ele: "O que fizeste?", e quem
resistiria à força do seu poder? Fará tudo quando e como quiser. Nada das
coisas que ordenou haverá de passar.
6Tudo está diante de Seus olhos, nada escapa de Sua determinação.
7Os céus anunciam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de
Suas mãos. O dia comunica a façanha ao dia, a noite transmite seu conhecimento
à noite. Não há palavras nem discursos em que suas vozes não são ouvidas.
CAPÍTULO
XXVIII
1Já que vê tudo e ouve tudo, temamos a Ele e abandonemos os maus
desejos das ações desonestas, para nos pouparmos por Sua piedade dos futuros
juízos.
2Para onde poderia algum de nós fugir de Sua mão forte? Qual mundo
receberia alguém que desertou Dele? Pois, em algum lugar, diz a Escritura:
3Para onde fugirei e onde me esconderei de Tua face? Se subir ao
céu, lá estás. Se me retiro para as extremidades da terra, lá está a tua
direita. Se me atiro nos abismos, lá está o Teu Espírito.
4Portanto, para onde poderia alguém ir para escapar Daquele que tudo
envolve?.
CAPÍTULO
XXIX
1Logo, aproximemo-nos Dele com alma santa, levantando mãos puras e
imaculadas para Ele, amando nosso Pai bondoso e misericordioso, que nos admitiu
como herdeiros.
2Porque assim está escrito: "Quando o Altíssimo distribuiu a
herança aos povos, na hora de disseminar os filhos de Adão, definiu territórios
para os povos conforme a multidão dos anjos de Deus. Tornou-se herança do
Senhor o povo de Jacó e sua partilha foi Israel".
3E em outra parte se diz: "Eis que o Senhor toma para si um
povo no meio dos povos, assim como um homem toma as primícias de sua eira, e deste
povo há de proceder o Santo dos santos".
CAPÍTULO
XXX
1Uma vez que formamos a porção santa, façamos tudo o que leva à
santificação. Fujamos da maledicência, abraços impuros e impúdicos, bebedeiras,
modismos temporários, cobiças abomináveis, adultério detestável e soberba
hedionda.
2Pois Deus, como se lê, resiste aos soberbos, porém, concede graça
aos humildes.
3Portanto, unamo-nos àqueles a quem Deus concede a graça.
Revistamo-nos de concórdia, sejamos continentes humildes, mantendo-nos
afastados de toda murmuração e calúnia, justificando-nos mais pelas obras do
que pelas palavras.
4Pois assim se diz: "Quem muito fala, terá resposta. Qual
homem eloqüênte imaginaria que isso fosse justo?"
5Bem-aventurado o homem, nascido de mulher, que vive pouco. Não te
tornes pródigo em palavras.
6Venha nosso louvor de Deus e não de nós. Deus odeia aquele que
louva a si próprio.
7O testemunho de nossas boas ações seja dado pelos outros, como
assim também aconteceu com nossos pais, que foram justos.
8A arrogância, a presunção e a audácia se assentam sobre aqueles que
foram malditos por Deus. A discrição, a humildade e a mansidão habitam junto
daqueles que foram abençoados por Deus.
CAPÍTULO
XXXI
1Dessa forma, desejemos a bênção Dele e vejamos quais são os
caminhos que levam à bênção. Voltemos aos acontecimentos desde o princípio.
2Por que nosso pai Abraão foi abençoado? Não seria porque ele
praticou a justiça e a verdade pela fé?
3Isaac, conhecendo o porvir e cheio de confiança, deixou-se levar
alegremente ao sacrifício.
4Jacó, humildemente, abandonou a terra por causa de seu irmão e foi
para junto de Labão, vivendo ali como seu servo, recebendo os doze cetros de
Israel.
CAPÍTULO
XXXII
1Se alguém refletir com sinceridade sobre cada uma dessas coisas,
reconhecerá a magnificência dos dons de Deus a Jacó.
2É dele que procederão todos os sacerdotes e levitas que servirão ao
altar de Deus. Dele [procede] o Senhor Jesus, segundo a carne. Dele [procede],
através de Judas, os reis, príncipes e chefes. Por sua vez, os outros cetros de
Jacó também gozarão de não pouca honra, uma vez que Deus anunciou: "Tua
descendência será numerosa como as estrelas do céu".
3Assim, todos atingiram à glória e à grandeza, não por si mesmos,
nem por suas obras ou pela justiça praticada, mas por vontade Dele.
4Também igualmente entre nós, que fomos chamados por Sua vontade em
Cristo Jesus, já que não nos justificamos a nós mesmos, nem por nossa sabedoria
ou inteligência, ou pela piedade ou obras que tenhamos praticado na santidade
do coração, mas através da fé, pela qual o Deus todo-poderoso justificou a
todos desde sempre: a Ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
CAPÍTULO
XXXIII
1Então, o que faremos, irmãos? Deveríamos renunciar à prática do bem
e desertar de Seu amor? Jamais permita o Senhor que isso aconteça conosco. Ao
contrário, devemos nos esforçar para cumprir toda a obra boa com
disponibilidade entusiástica,
2já que o próprio Criador e Senhor de tudo se regozija de suas
obras.
3Foi Ele que firmou os céus com poder soberano e os ornamentou com
inesgotável sabedoria. Separou, também, a terra da água que a cerca,
assentando-a sobre a firmeza de Sua própria vontade. Aos animais que povoam [a
terra], chamou-os à existência por sua ordem. Ele fez o mar e os seres que nele
habitam, encerrando-os aí com seu poder.
4Além disso tudo, com Suas mãos santas e puras, Ele modelou a mais
excelente, a maior de Suas obras: o homem. E imprimiu nele os traços de Sua
própria imagem,
5pois assim falou Deus: "Façamos o homem à nossa imagem e
semelhança. E Deus criou o homem; varão e mulher os criou".
6E, enfim, quando terminou todas essas obras, achou-as boas,
abençoou-as e lhes disse: "Crescei e multiplicai-vos".
7Reparemos que todos os justos ornamentaram-se de boas obras e
também o próprio Senhor teve prazer em ornar-se com boas obras.
8Já que temos tal exemplo, submetemo-nos sem demora à sua vontade e,
com todas as forças, pratiquemos as obras da justiça.
CAPÍTULO
XXXIV
1O bom trabalhador aceita, desinibidamente, o pão que ganhou com seu
trabalho. Já o preguiçoso e negligente foge do olhar de seu senhor.
2Portanto, é necessário que estejamos dispostos a executar as boas
obras, já que elas derivam Dele.
3E foi assim que nos preveniu: "Eis o Senhor! Sua recompensa
está diante Dele, para retribuir a cada um conforme suas obras".
4Assim nos exorta a confiarmos Nele de todo o coração, para que não
sejamos preguiçosos nem indolentes para nenhuma boa obra.
5Nossa glória e segurança estão Nele! Submetamo-nos à sua vontade!
Pensemos no grande número de anjos que estão prontos para servirem à Sua
vontade.
6Assim diz a Escritura: "Milhares e milhares estavam diante
dele e centenas de milhares o serviam e clamavam: 'Santo, Santo, Santo é o
Senhor dos exércitos. Toda a criação está cheia de sua glória'".
7Também nós, reunidos harmoniosamente com a mesma finalidade,
conscientes de nosso dever, clamamos a ele sem nos cansarmos, numa só voz, para
nos tornarmos participantes das Suas grandiosas e magníficas promessas,
8pois é Ele quem diz: "Nenhum olho viu, nenhum ouvido
escutou e nenhum coração humano penetrou o que Deus de grande preparou para os
que Nele confiam."
CAPÍTULO
XXXV
1Meus amados, como são ricos e admiráveis os presentes de Deus!
2Vida em imortalidade, esplendor em justiça, verdade em liberdade,
fé em confiança, continência em santidade... e tudo isso chegou ao nosso
conhecimento.
3Então, o que não há de estar preparado para os que nele aguardam? O
Criador e Pai dos séculos, o próprio Santíssimo conhece a grandeza e a beleza
de seus dons.
4Lutemos, assim, para sermos contados no número dos que Nele
esperam, para nos tornarmos participantes de Seus dons prometidos.
5Porém, como dar-se-á isso, amados? Fixando nossa mente com
confiança em Deus, procurando o que Lhe é agradável e aceito, cumprindo o que
convém à Sua santa vontade, seguindo o caminho da verdade, afastando de nós
toda injustiça, maldade, ambição, dissensões, malignidade, dolos, murmurações,
difamações, recusas de Deus, soberba, jactância, vaidade e falta de
hospitalidade.
6Os praticantes de tais obras são réus do ódio de Deus, [mas] não
apenas os que as praticam, como também quem as aprovam.
7Assim diz a Escritura: "Porém Deus disse ao pecador: 'Para
que explicas os meus mandamentos e pronuncias sobre a minha aliança?
8Detestaste a disciplina e abandonaste minhas palavras. Quando
vias um ladrão, corrias com ele; combináveis com os adúlteros. Tua boca estava
cheia de malícia e tua língua provocava enganos. Tranqüilamente difamavas teu
irmão e entregavas ao escândalo o filho de tua mãe.
9Era o que fazias enquanto Eu me calava. Impiamente supunhas que
Sou semelhante a ti.
10Hei de confundir e obrigar-te a ver-te de frente.
11Compreendei, afinal, estas coisas, vós que esqueceis de Deus,
para que não vos arrebate como um leão e já não se encontre quem vos liberte.
12Um sacrifício de louvor há de Me glorificar e aí está o caminho
no qual lhe mostrarei a salvação de Deus'".
CAPÍTULO
XXXVI
1Amados irmãos, este é o caminho no qual encontramos a nossa
salvação: Jesus Cristo, o sumo-sacerdote de nossas oferendas, o protetor e
auxílio em nossa fraqueza.
2Por ele, olhamos para o alto dos céus. Através dele, descobrimos a
face imaculada e soberana de Deus. Através dele, abriram-se os olhos do nosso
coração. Através dele, nossa inteligência obtusa e obscura se abre ao encontro
da luz. Através dele, o Senhor quis que saboreássemos do conhecimento imortal. Sendo
Ele o esplendor de Sua grandeza, é tanto maior que os anjos, tendo recebido em
herança um nome superior ao deles.
3Pois assim está escrito: "Aquele que fez os ventos serem
seus anjos e as chamas do fogo serem seus servos".
4Assim falou o Senhor a respeito de seu Filho: "Meu Filho és
tu. Hoje Eu te gerei: pede-Me e Eu te darei as nações como herança e os confins
da terra como possessão".
5E outra vez Lhe diz: "Senta-te à minha direita, até que
ponha teus inimigos como escabelo de teus pés".
6Quem seriam estes inimigos? [Certamente,] os maus e os que se opõem
à Sua vontade.
CAPÍTULO
XXXVII
1Irmãos, militemos com todo entusiasmo sob Suas ordens
indiscutíveis.
2Observemos nos soldados que servem sob as bandeiras dos nossos
imperadores, como cumprem as ordens com disciplina, prontidão e submissão.
3Nem todos são comandantes, nem todos são chefes de mil, nem chefes
de cem, nem chefes de cinqüenta e assim por diante, mas cada qual cumpre, em
seu próprio posto, as ordens emanadas pelo chefe supremo e demais autoridades.
4Os grandes nada podem sem os pequenos e os pequenos nada podem sem
os grandes. Em tudo existe alguma mistura e aí está a vantagem.
5Exemplifiquemos com o nosso corpo: a cabeça sem os pés nada é; nem,
tampouco, os pés sem a cabeça. Até os menores membros do corpo são úteis e
necessários ao resto do corpo. Todos convivem e atuam em submissão unânime para
salvarem todo o corpo.
CAPÍTULO
XXXVIII
1Que se conserve, portanto, por inteiro o corpo que formamos em
Jesus Cristo e cada um se submeta a seu próximo, conforme o carisma que lhe foi
dado.
2O forte cuide do fraco e o fraco, por sua vez, respeite o forte. O
rico preste serviço ao pobre e o pobre, por sua vez, renda graças a Deus, que
lhe deu o suficiente para suprir sua falta. O sábio manifeste sua sabedoria não
por palavras, mas por obras. O humilde não dê testemunho de si mesmo, mas permita
que o outro o dê a seu favor. O casto em sua carne não se envaideça pois sabe
que é Outro quem lhe dá a continência.
3Afinal, irmãos, analisemos de que matéria fomos feitos, como e quem
fomos ao entrarmos no mundo, de que sepulcro e escuridão nosso oleiro e criador
nos tirou para nos introduzir em Seu mundo, Ele que preparou para nós todos os
Seus dons antes mesmo que nascêssemos.
4Já que temos tudo isso Dele, devemos render-Lhe graças por tudo. A
Ele, a glória pelos séculos. Amém.
CAPÍTULO
XXXIX
1Ignorantes e insensatos, loucos e incultos zombam e escarnecem de
nós, querendo dar importância às suas idéias.
2O quanto pode um mortal, qual a força de alguém que nasceu da
terra?
3Está escrito: "Não havia forma aos meus olhos, mas percebi
um hálito e uma voz que dizia:
4'Como haveria de ser puro um mortal diante do Senhor ou
irrepreensível um homem por causa de suas obras? Se nem Deus pode confiar em
seus servos e se junto a seus anjos encontrou algo de errado?'
5Nem o céu é puro diante Dele, como, então, poderiam ser [puros]
os hóspedes dos ranchos de barro, aos quais pertencemos, sendo nós do mesmo
barro? Esmagou-os como vermes e entre a manhã e a noite deixaram de existir.
Pereceram porque não podem se ajudar por si próprios.
6Soprou sobre eles e morreram por não terem sabedoria.
7Grita! Talvez alguém te escute ou vejas algum dos santos anjos.
Realmente a cólera consome o tolo e o ciúme mata aquele que se desviou.
8Tenho visto alguns tolos deitando raízes, mas logo são
consumidos como alimento.
9Que seus filhos sejam mantidos longe da salvação, que sejam
desprezados ao baterem à porta dos humildes e não se encontre quem os liberte.
Aquilo que para eles estava preparado seja alimento dos justos, não encontrando
eles saídas para seus males".
CAPÍTULO
XL
1Sendo óbvias todas essas coisas e tendo nós sondado as profundezas
do conhecimento de Deus, devemos fazer com ordem tudo aquilo que o Senhor nos
mandou cumprir nos tempos determinados:
2Mandou-nos oferecer os sacrifícios e celebrar o culto, não ao acaso
ou desordenadamente, mas com tempos e horas marcadas.
3Foi Ele quem fixou, por sua decisão altíssima, onde e quais
ministros deverão fazê-los, para que tudo fosse feito de forma santa, sendo
aceito por sua vontade.
4Aqueles que fazem suas oferendas dentro dos tempos determinados,
são-Lhe agradáveis e abençoados, já que seguem as determinações do Senhor e não
pecam.
5Pois ao sumo-sacerdote foram confiadas tarefas particulares, aos
sacerdotes um lugar próprio, aos levitas certos serviços e o leigo liga-se
pelas ordenações exclusivas dos leigos.
CAPÍTULO
XLI
1Irmãos, cada qual de nós agrade o Senhor em sua função, vivendo em
boa consciência, não transgredindo as regras de seu ofício e exercendo-o com
toda a dignidade.
2Irmãos, nem por toda parte são oferecidos sacrifícios perpétuos ou
votivos, de expiação e remissão, mas apenas em Jerusalém. E lá mesmo não se
oferece em qualquer parte, mas apenas na frente do santuário, sobre o altar, e
só depois que o sumo-sacerdote e os seus auxiliares, acima mencionados, examinarem
atenciosamente a oferenda.
3Aqueles que praticam algo contra aquilo que agrada Sua vontade
recebem a morte como castigo.
4Irmãos, vede que, quanto maior o conhecimento com que somos
distingüidos, maior o perigo a que nos expomos.
CAPÍTULO
XLII
1Os apóstolos receberam em nosso favor a boa-nova da parte do Senhor
Jesus Cristo. E Jesus Cristo foi enviado por Deus.
2Portanto, Cristo vem de Deus e os apóstolos [vêm] de Cristo. Esta
dupla missão realizou-se em perfeita ordem por vontade de Deus.
3Munidos de instruções e plenamente assegurados pela ressurreição de
Nosso Senhor Jesus Cristo, confiantes na Palavra de Deus, saíram a evangelizar
a próxima vinda do Reino de Deus na plenitude do Espírito Santo.
4Assim, proclamando a palavra nos campos e nas cidades,
estabeleceram suas primícias, como bispos e diáconos, dos futuros fiéis, após
prová-los pelo Espírito.
5E não se trata de inovação... há séculos que as Escrituras falam de
bispos e diáconos, pois assim se lê em algum lugar: "Quero estabelecer
os bispos deles na justiça e os seus diáconos na fé".
CAPÍTULO
XLIII
1Por que estranhar que os apóstolos, a quem Cristo confiou, da parte
de Deus, tal obra, tenham instituído os acima mencionados? Ora, até o
bem-aventurado e servo fiel em toda casa, Moisés, assinalou tudo o que lhe fôra
ordenado nos santos livros. Seguiram-no os demais profetas, juntando os seus
testemunhos às leis por ele instituídas.
2No momento de irromper o ciúme a respeito do sacerdócio e de se
disputarem as tribos, isto é, qual delas deveria ostentar esse título glorioso,
ordenou ele aos doze chefes de tribo que lhe trouxessem bastões com o nome de
cada tribo gravado. Tomando tais bastões, amarrou-os, assinalou-os com os anéis
dos chefes e os depositou sobre a mesa de Deus na tenda do testemunho.
3Então fechou a tenda, selando as chaves da mesma forma que os
bastões.
4Disse-lhes, então: "Irmãos, a tribo cujo bastão brotar será
a escolhida por Deus para exercer o sacerdócio e ministrar seu culto".
5Ao amanhecer, reuniu todo Israel, os seiscentos mil homens, mostrou
os selos aos chefes, abriu a tenda do testemunho e retirou os bastões. E
ocorreu que o bastão de Aarão não só germinara como também produzira fruto.
8Então, o que lhes parece, irmãos? Acaso Moisés não sabia,
previamente, que era isso o que ocorreria? Sem dúvida sabia-o. Mas, para que
não irrompesse uma revolta em Israel, agiu dessa maneira, para que fosse
glorificado o nome do verdadeiro e único Deus. A Ele, a glória pelos séculos
dos séculos. Amém.
CAPÍTULO
XLIV
1Também os apóstolos sabiam, por Nosso Senhor Jesus Cristo, que
haveria contestações a respeito da dignidade episcopal.
2Por tal motivo e como tivessem pleno conhecimento do porvir,
estabeleceram os acima mencionados e deram, além disso, instruções no sentido
de que, após a morte deles, outros homens comprovados lhes sucedessem em seu
ministério.
3Os que assim foram instituídos por eles ou, mais tarde, por outros
eminentes homens com a aprovação de toda a Igreja, servindo de modo
irrepreensível ao rebanho de Cristo, com humildade, pacífica e abnegadamente,
recebendo o testemunho favorável por longo tempo e da parte de todos, não é
justo, em nossa opinão, serem depostos de seus ministérios.
4E não será pequena a nossa falta se depusermos do episcopado
aqueles que ofereceram, de maneira santa e irrepreensível, os sacrifícios.
5Bem-aventurados os presbíteros que nos precederam na caminhada e
terminaram sua jornada carregados de frutos e perfeição. Não têm a temer que
alguém os remova do lugar para eles preparado.
6Vemos que vós afastastes a alguns de boa índole de um ministério
que eles honraram de forma digna.
CAPÍTULO
XLV
1Irmãos, cheios de zelo, disputai pelas coisas que levam à salvação.
2Vós vos aprofundastes nas verdadeiras Escrituras Sagradas, que nos
vêm do Espírito Santo.
3Sabeis que elas não são injustas, nem contêm falsificação. Lá não
encontrareis que homens justos foram depostos por homens santos.
4Ao contrário, os justos foram perseguidos por pecadores, foram
encarcerados por ímpios, foram apedrejados por trasgressores da lei, foram
assassinados por homens cheios de ciúmes abomináveis e criminosos.
5Tais sofrimentos eles suportam com glória.
6O que diríamos então, irmãos? Acaso Daniel foi lançado à cova por
homens tementes a Deus?
7E quanto a Ananias, Azarias e Misael: foram eles lançados à
fornalha ardente por homens que praticavam o culto excelso e glorioso do
Altíssimo? De modo algum! Então, quem praticou tais coisas? Foram indivíduos
odiosos, cheios de maldade e que nutriam tal fúria que mandavam à tortura todos
aqueles que serviam a Deus com santa e irrepreensível intenção, esquecendo-se
que o Altíssimo é defensor e escudo daqueles que servem a seu Santíssimo Nome
com consciência pura. A Ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
8Os que perseveraram na paciência, receberam glória e honra como
herança, foram exaltados e inscritos no livro da memória de Deus, por todos os
séculos dos séculos. Amém.
CAPÍTULO
XLVI
1Irmãos, temos que nos apegar a tais exemplos,
2pois está escrito: "Apegai-vos aos santos porque os que a
eles se apegam serão santificados".
3E, de novo, em outra parte, se diz: "Junto ao homem puro
serás puro. Junto ao eleito serás eleito. Junto ao perverso serás
perverso".
4Apeguemo-nos, pois, aos puros e justos porque são esses os eleitos
de Deus.
5Por que entre vós existem disputas, ódios, contendas, cismas e
guerras?
6Acaso não temos um só Deus, um só Cristo e um só Espírito da graça
derramado sobre nós e uma só vocação em Cristo?
7Por que insistimos em separar e despedaçar os membros de Cristo, nos
revoltando contra o próprio corpo, chegando a uma loucura tal que nos
esquecemos que somos membros uns dos outros? Lembrai-vos das palavras de Nosso
Senhor Jesus,
8porque foi Ele quem disse: "Ai daquele homem! Melhor seria
que não tivesse nascido do que escandalizar um dos meus eleitos. Mais lhe
valeria amarrar uma pedra em seu pescoço e afundar no mar do que perverter um
dos meus eleitos".
9Vosso cisma perverteu a muitos, atirou muitos no desânimo, colocou
muitos na dúvida, entristeceu-nos a todos. E vossa revolta se prolonga...
CAPÍTULO
XLVII
1Tornai a ler a epístola do bem-aventurado apóstolo Paulo.
2O que vos escreveu primeiro, no início do evangelho?
3Na verdade, estava ele inspirado pelo Espírito quando vos comunicou
normas sobre si próprio, sobre Cefas e Apolo, pois já então formáveis partidos.
4Mas o partidarismo daquele tempo importou num pecado muito menor
para vós já que vos agrupáveis em torno dos apóstolos e de um homem aprovado
por eles.
5Refleti, porém: quem são os que vos pervertem neste momento e como
enfraqueceram o renome da vossa caridade tão celebrada por todos.
6Uma vergonha, meus caros, uma vergonha muito grande e indigna de
uma conduta em Cristo ouvir-se que a Igreja dos coríntios, tão inabalável e
antiga, se rebele contra os presbíteros por causa de uma ou duas pessoas.
7E tal rumor não chegou apenas até nós, mas atingiu também a outros
que possuem as mesmas convicções que nós, a ponto de se proferirem blasfêmias
ao nome do Senhor por causa da vossa insensatez, por armar perigo para vós
próprios.
CAPÍTULO
XLVIII
1Arranquemos esse mal o mais rápido possível. Lancemo-nos aos pés do
Senhor e peçamos-lhe, entre lágrimas, que se compadeça de nós, reconciliando-se
conosco, trazendo-nos de volta a uma prática santa e pura de nossa
fraternidade.
2Porque é esta a porta da justiça aberta para a vida, conforme está
escrito: "Abri-me as portas da justiça: por elas quero entrar e louvar
o Senhor.
3É esta a porta do Senhor: por ela entrarão os justos".
4Entre as muitas portas abertas, a porta da justiça é a porta de
Cristo. Bem-aventurados todos aqueles que entram por ela e guiam seus passos na
santidade e justiça, cumprindo todas as coisas impertubavelmente.
5Que alguém tenha fé, que seja capaz de expor o conhecimento, que
seja sábio em discernir os discursos, que seja santo em suas ações.
6Quanto maior parecer, mais se deve ser humilde, procurando o
proveito de todos e não o próprio.
CAPÍTULO
XLIX
1Quem possui a caridade em Cristo, cumpra os mandamentos de Cristo.
2Quem poderia descrever o vínculo da caridade de Deus?
3Quem seria capaz de exprimir a magnificência de sua beleza?
4É indescritível a altura a que nos leva o amor.
5O amor nos une a Deus, o amor cobre os pecados, o amor suporta
tudo, o amor é grandioso em tudo. Nada há de mesquinho e soberbo na caridade. A
caridade não conhece cisma, a caridade não se revolta, a caridade realiza tudo
com harmonia, na caridade todos os eleitos de Deus atingiram a perfeição. Sem
caridade, não há nada que agrade a Deus.
6Na caridade o Senhor nos acolheu. Pela caridade que teve conosco,
Nosso Senhor Jesus Cristo deu Seu sangue por nós, segundo a vontade de Deus;
sua carne por nossa carne, sua alma por nossas almas.
CAPÍTULO
L
1Amigos, vede como a caridade é grande e admirável e como não há
como descrevê-la de forma perfeita.
2Quem seria capaz de chegar até ela a não ser aqueles a quem Deus os
torna dignos. Peçamos e supliquemos por Sua misericórdia, para vivermos
irrepreensíveis na caridade sem a parcialidade humana.
3Desde Adão, passaram todas as gerações até o dia de hoje. Mas os
que foram perfeitos no amor segundo a graça de Deus tomaram posse da terra dos
santos e hão de manifestar-se quando o Reino de Cristo estiver à vista.
4Pois está escrito: "Entrai nos aposentos por um instante,
até que passe minha ira e meu furor. Então me lembrarei do dia favorável e hei
de ressuscitar-vos de vossos túmulos".
5Amigos, somos felizes quando cumprimos os mandamentos de Deus na
harmonia da caridade, para que nossos pecados sejam perdoados pela caridade.
6Porque a Escritura diz: "Bem-aventurados aqueles que
tiveram perdoadas suas iniqüidades e encobertos seus pecados. Bem-aventurado o
homem a quem Deus não imputa pecado e em cuja boca não se encontra a
fraude".
7Estas bem-aventuranças dizem respeito aos que foram escolhidos por
Deus, através de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem se dê a glória pelos séculos
dos séculos. Amém.
CAPÍTULO
LI
1Peçamos perdão de nossas quedas e faltas ocorridas pela sugestão do
inimigo. Mas também devem considerar nossa comum esperança aqueles que se
tornaram os líderes dessa revolta e cisão.
2Pois os que vivem no temor e na caridade preferem ver-se a si
mesmos atormentados do que os seus irmãos. Preferem ser censurados do que ver
censurada a concórdia que nos foi transmitida por tão bela e santa tradição.
3Mais vale ao homem confessar publicamente suas faltas do que
endurecer o coração, da mesma forma como endureceu o coração daqueles que se
revoltaram contra Moisés, servo de Deus, e que foram castigados mais tarde,
4pois desceram vivos para o inferno, onde a morte os apascentará.
5O faraó, seu exército, todos os chefes do Egito, os carros e os que
neles estavam não foram lançados ao Mar Vermelho por outro motivo. Aí pereceram
porque endureceram seus corações insensatos, após os sinais e milagres
realizados por Moisés, servo de Deus, no Egito.
CAPÍTULO
LII
1Irmãos, o Senhor não necessita de absolutamente nada. Não precisa
de nada de ninguém, exceto que o confessem.
2Pois assim diz Davi, Seu eleito: "Hei de exaltar o Senhor e
isso Lhe agradará mais do que um novilho que possua chifres e patas. Que O
vejam os pobres e se rejubilem".
3E novamente: "Oferece a Deus um sacrifício de louvor.
Cumpre teus votos ao Altíssimo. 'Invoca-Me no dia da tua tribulação: Eu te
livrarei e me renderás glórias'.
4Porque, para Deus, sacrifício é o espírito humilhado."
CAPÍTULO
LIII
1Caríssimos, conheceis - e como conheceis bem - as Sagradas
Escrituras: vos aprofundastes nos oráculos de Deus. Escrevemos isto para
simplesmente vos recordar das coisas.
2Quando Moisés subiu a montanha e aí passou, humildemente, quarenta
dias e quarenta noites fazendo jejum, Deus lhe falou: "Desce depressa
porque teu povo pecou. Aqueles que conduziste para fora da terra do Egito
pecaram e afastaram-se do caminho que prescreveste pois fizeram para si ídolos
de metal".
3E o Senhor ainda acrescentou: "'Eu já te disse e volto a
repetir: vi este povo e quão dura é sua cabeça. Deixa-me exterminá-lo, apagarei
seu nome sob os céus e farei de ti uma nação grandiosa e admirável, muito mais
numerosa do que esta'.
4Mas Moisés respondeu-lhe: 'Senhor, não faças isso! Perdoa o
pecado deste povo ou tira de mim o livro dos vivos'".
5Ó grande caridade! Ó perfeição insuperável! O servo fala com
liberdade com o seu Senhor: exige perdão para o povo ou implora que seja
destruído junto com ele.
CAPÍTULO
LIV
1Quem, dentre vós, for nobre, compassivo e cheio de caridade,
2diga: "se é por minha causa que há revolta, discórdia e
cisma, eu me retiro, parto para onde quiserdes e faço o que for pedido pela
comunidade, desde que apenas o rebanho de Cristo viva em paz com os presbíteros
constituídos".
3Quem agir dessa maneira obterá grande glória em Cristo e será
recebido em toda a parte, "pois do Senhor é a terra e sua
plenitude".
4É isso o que fizeram e ainda fazem os que trilham, sem remorsos, o
caminho de Deus.
CAPÍTULO
LV
1Porém, tomemos também exemplos dentre os gentios: quando surge uma
peste, muitos reis e príncipes se entregam à morte por inspiração de algum
oráculo, para salvar o sangue de seus cidadãos. Muitos outros se retiram de
suas cidades, para que a revolta não se estenda.
2Conhecemos muitos dentre os nossos que se entregaram à prisão para
resgatarem outros. Muitos se entregaram à escravidão para sustentar os demais
com o dinheiro pago.
3Muitas mulheres, fortalecidas pela graça de Deus, realizaram
difíceis tarefas.
4A bem-aventurada Judite, durante o cêrco da cidade, pediu aos
presbíteros a permissão para se ausentar do acampamento dos estrangeiros.
5Expondo-se ao perigo, saiu por amor à pátria e ao povo em cêrco. E
o Senhor entregou Holofernes na mão de uma mulher.
6Perfeita na fé, Ester expôs a si mesma num perigo não menor, para
salvar da proximidade da morte as doze tribos de Israel. Pelo jejum e
humilhação, suplicou ao Senhor que tudo vê, o Deus dos séculos. E este, vendo a
humildade de sua alma, salvou o povo em favor daquela que se expusera ao
perigo.
CAPÍTULO
LVI
1Supliquemos também nós pelos que vivem no pecado, para que recebam
doçura e humildade, para não cederem a nós, mas à vontade de Deus. Assim se
tornará frutífera e perfeita a lembrança misericordiosa que deles tivemos
diante de Deus e dos santos.
2Aceitemos a correção fraterna, a qual, amados, ninguém deve julgar
mal. A exortação que damos uns aos outros é boa e muito útil, pois nos une à
vontade de Deus.
3É isso que testemunha a santa Escritura: "Castigou e tornou
a me castigar o Senhor, mas não me entregou à morte.
4A quem o Senhor ama, castiga e açoita como a seu filho."
5O texto continua: "Há de me castigar, como justo em
misericórdia, e há de me corrigir. E enquanto isso, que nenhum óleo dos
pecadores unja a minha cabeça."
6E novamente diz: "Bem-aventurado o homem que o Senhor
corrigiu. Não recuses a repreensão do todo-poderoso, pois Ele faz sofrer e
novamente restabelece.
7Bateu e suas mãos curaram.
8Seis vezes arrancar-te-á as dificuldades; na sétima, o mal não
te atingirá.
9Na fome, preservar-te-á da morte. Na guerra, [preservar-te-á] do
fio da espada.
10Proteger-te-á do açoite da língua, não temerás males vindouros.
11Rirás dos injustos e maus, e não temerás os animais selvagens.
12Até os animais selvagens viverão em paz contigo.
13Verás que tua casa gozará de paz e não faltará comida na tua
tenda.
14Verás que tua descendência será grande e os teus filhos como a
erva miúda do campo.
15Descerás ao túmulo como o trigo amadurecido, colhido no tempo
certo, ou como feixe da eira, recolhido na hora exata"
16Caríssimos, vede quão grande é a proteção para aqueles que aceitam
a correção do Senhor, pois Ele nos corrige como bom Pai, para encontrarmos
misericórdia por sua santa correção.
CAPÍTULO
LVII
1Portanto, vós que originastes a revolta, submetei-vos aos
presbíteros e deixai-vos corrigir até vos converterdes, dobrando os joelhos de
vossos corações.
2Aprendei a submeter-vos, depondo a arrogante e orgulhosa jactância
da vossa língua, pois é muito melhor para vós encontrar-vos no rebanho de
Cristo, como pequenos e escolhidos, do que serdes super-estimados, mas
excluídos da Sua esperança,
3pois é assim que se exprime a santíssima sabedoria: "Eis
que anunciar-vos-ei a palavra do meu Espírito. Dar-vos-ei a conhecer o meu
discurso.
4Já que chamei e não escutastes, me estendi e não destes atenção,
ao contrário, negligenciastes os meus conselhos e fizestes pouco caso das
minhas advertências, por isso também rirei da vossa perda, zombarei na hora em
que chegar a tua ruína e quando o tumulto se abater sobre vós, catástrofe
repentina como uma tempestade, ou quando vos visitar a tribulação e a angústia.
5Então me invocarás, porém, não vos escutarei. Pecadores me
procurarão, mas não me encontrarão, pois detestaram a sabedoria e não
estimaram, acima de tudo, o temor do Senhor, não deram atenção aos meus
conselhos, zombaram das minhas advertências.
6Por isso, comerão os frutos dos seus erros e saciar-se-ão da sua
própria impiedade.
7Serão mortos em troca do mal que provocaram aos humildes e o
julgamento aniquilará os ímpios. Porém, aquele que Me escuta, habitará sua
tenda e, confiando na esperança, viverá em paz sem temer qualquer mal."
CAPÍTULO
LVIII
1Assim, obedeçamos a seu Nome, todo santo e glorioso. Fujamos das
ameaças que a sabedoria incute contra os insubmissos, para que possamos fixar nossa
tenda confiantes no Nome santíssimo de Sua Majestade.
2Acatai ao nosso conselho e não vos arrependereis, pois Deus é vivo,
assim como vivo também são Jesus Cristo e o Espírito Santo, e vivas também são
a fé e a esperança dos eleitos no sentido daqueles que praticam os mandamentos
e preceitos de Deus com humildade, mansidão perseverante e sem hesitação, para
serem relacionados e se enfileirarem no número dos que serão salvos por Jesus
Cristo, pelo qual rendemos glória pelos séculos dos séculos. Amém.
CAPÍTULO
LIX
1Se, porém, alguns não obedecerem ao que foi dito por nós, saibam
que se envolverão em pecado e perigo não pequeno.
2Contudo, nós seremos inocentes deste pecado e pediremos em súplica
e oração constante para que o Criador de tudo conserve intacto o número dos que
foram contados entre Seus escolhidos em todo o mundo, por seu Filho mui amado,
Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual nos chamou das trevas para a luz, da
ignorância para o conhecimento da glória de seu nome.
3Ele nos ensinou a esperar em Teu Nome, princípio de toda criatura.
Tu que nos abriste os olhos do coração para Te conhecermos, ao único Altíssimo
nas alturas, Santo que repousa entre os santos:
Tu que rebaixas o orgulho dos soberbos, que desfazes as estratégias das
nações, que exaltas os humildes e humilhas os que se exaltam, que distribuis a
riqueza e a pobreza, que fazes morrer e levas à vida, que és o único benfeitor
dos espíritos e Deus de toda carne, que vigias os abismos e controlas as obras
dos homens, que és socorro nos perigos e Salvador no desespero, Criador e Bispo
de todo espírito, tu que multiplicas as raças sobre a terra e, dentre todas,
escolhes os que te amam, por Jesus Cristo, teu Filho amado, pelo qual nos
ensinaste, santificaste e glorificaste.
4Mestre, nós te pedimos: torna-te nosso socorro e nosso protetor;
salva os oprimidos entre nós; levanta os caídos; mostra-te aos que oram; cura
os fracos; leva ao bom caminho aqueles do teu povo que erram; sacia os que têm
fome; liberta nossos presos; consola os fracos; conheçam-Te todos os povos,
porque Tu és o Deus único, e Jesus Cristo é Teu Filho, e nós o Teu povo e
ovelhas do Teu rebanho.
CAPÍTULO
LX
1Pois Tu fizeste aparecer a harmonia eterna do universo através
das forças que nele operam. Tu, Senhor, criaste a terra habitada. Tu te manténs
fiel por todas as gerações, justo nos julgamentos, admirável no poder e na
majestade, sábio ao criar e providente ao sustentar a criação, bom nos dons
visíveis, benigno para com os que em Ti confiam. Misericordioso e compassivo,
perdoas nossas iniqüidades, pecados, faltas e negligências.
2Não leves em conta todo pecado de teus servos e servas,
purifica-nos, ao invés, com a purificação da tua verdade. Dirige nossos passos
para andarmos na santidade do coração e para realizarmos o que é bom e
agradável aos Teus olhos e aos olhos dos que nos governam.
3Sim, Mestre, mostra-nos a tua face para o bem na paz, para nos
protegeres com Tua mão forte e nos preservares de todo pecado por teu braço
excelso e nos livrares de todos quanto nos odeiam sem motivo
4Concede-nos harmonia e paz, a nós e a todos os habitantes da
terra, assim como as concedestes a nossos pais quando Te invocaram santamente
na fé e na verdade. Torna-nos submissos a Teu Nome todo-poderoso e todo santo,
e aos que nos governam e dirigem sobre a terra.
CAPÍTULO
LXI
1Tu, Senhor, lhes deste o poder da autoridade por tua força
magnífica e inefável, para que soubéssemos que por Ti lhes foi dada a glória e
a honra, e a ele nos submetêssemos em nada contrariando a Tua vontade.
Dai-lhes, portanto, Senhor, saúde, paz, concórdia e estabilidade a fim de que
possam exercer sem obstáculos a soberania que lhes confiaste.
2Pois Tu, Senhor dos céus, Rei dos séculos, dás aos filhos do
homem honra, glória e poder sobre o que existe na terra. Tu, Senhor, dirige sua
vontade no sentido do que é bom e agradável a Teus olhos, em Tua presença, a
fim de que exerçam a autoridade que lhes deste na paz e mansidão, e obtenham
Tua graça!
3Só Tu podes realizar esses bens e outros maiores ainda entre
nós. A Ti exaltamos pelo Sumo-Sacerdote e protetor de nossas almas, Jesus
Cristo. Por Ele Te seja dada glória e magnificência, agora e de geração em
geração, pelos séculos dos séculos. Amém.
CAPÍTULO
LXII
1Amados irmãos, escrevemo-vos o suficiente a respeito das decisões
mais acertadas para nossa religião, como também a respeito da atitude mais
favorável para as pessoas que querem levar uma vida santa na piedade e justiça.
2Citamos todos os aspectos que dizem respeito à fé, penitência,
verdadeira caridade, continência, prudência e paciência, recordando que vos é
necessário agradar santamente ao Deus poderoso em justiça, verdade e
generosidade, mantendo a concórdia pelo esquecimento da injúria, no amor e na
paz, com constante modéstia, como também nossos pais que, como mencionamos, Lhe
agradaram, mantendo-se humildes na conduta para com o Pai, Deus e Criador, e
para com todos os homens.
3Tivemos tanto mais gosto em recordá-lo quanto mais sabíamos estar
escrevendo a homens de fé e consideração, que se aprofundaram nas máximas do
ensinamento de Deus.
CAPÍTULO
LXIII
1É certo, assim, nos orientarmos por tais e tão grandes exemplos.
Curvemos nossa cabeça e ocupemos o lugar da obediência, para acalmarmos a vã
revolta e atingirmos com lisura a meta proposta dentro da verdade.
2Haveis de nos proporcionar alegria e prazer se vos submeterdes ao
que escrevemos pelo Espírito Santo, cortando pela raiz a ira nascida do ciúme,
conforme o pedido de paz e concórdia que vos fazemos por esta carta.
3Enviamo-vos homens de confiança e prudentes que, desde a juventude
até a idade mais avançada, tiveram uma conduta irrepreensível entre nós, e que
servirão de testemunhas entre vós e nós.
4Assim fizemos para que saibais que toda a nossa preocupação ia e
continua indo no sentido de que se restabeleça imediatamente a paz entre vós.
CAPÍTULO
LXIV
1No restante, que Deus, que tudo enxerga, Senhor dos espíritos, Dono
de toda carne e que escolheu o Senhor Jesus Cristo e a nós por Ele, conceda a
toda alma que tiver invocado o Seu Nome magnífico e santo, fé, temor, paz,
paciência, generosidade, continência, pureza e prudência para agradar ao Seu
Nome pelo Sumo-Sacerdote e nosso chefe, Jesus Cristo, pelo qual Lhe seja
rendida glória, majestade, poder e honra, agora e por todos os séculos dos
séculos. Amém.
CAPÍTULO
LXV
1Aos nossos enviados, Cláudio Efebo e Valério Bito, junto com
Fortunato, enviai-os rapidamente de volta na paz e com alegria, para que logo
nos tragam notícias sobre a harmonia e paz, pela qual tanto rezamos e
suplicamos e assim, mais depressa, nos alegremos da boa ordem entre vós.
2A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco e com todos os
eleitos de Deus, através Dele por toda a parte. Por Jesus, seja dada a Deus
glória, honra, poder e majestade, o trono eterno, desde todos os séculos e para
todos os séculos dos séculos. Amém.