5º DOMINGO DA QUARESMA A
13 de Março de 2005
(Fonte: www.ecclesia.pt)
Tema do 5º Domingo da Quaresma
Neste 5º Domingo da Quaresma, a liturgia garante-nos que o
desígnio de Deus é a comunicação de uma vida que ultrapassa definitivamente a
vida biológica: é a vida definitiva que supera a morte.
Na primeira leitura, Jahwéh
oferece ao seu Povo exilado, desesperado e sem futuro (condenado à morte) uma
vida nova. Essa vida vem pelo Espírito, que irá recriar o coração do Povo e
inseri-lo numa dinâmica de obediência a Deus e de amor aos irmãos.
O Evangelho garante-nos que Jesus veio realizar o desígnio
de Deus e dar aos homens a vida definitiva. Ser “amigo” de Jesus e aderir à sua
proposta (fazendo da vida uma entrega obediente ao Pai e um dom aos irmãos) é
entrar na vida definitiva. Os crentes que vivem desse jeito experimentam a
morte física; mas não estão mortos: vivem para sempre em Deus.
A segunda leitura lembra aos cristãos que, no dia do seu Baptismo, optaram por Cristo e pela vida nova que Ele veio
oferecer. Convida-os, portanto, a ser coerentes com essa escolha, a fazerem as
obras de Deus e a viverem “segundo o Espírito”.
LEITURA I – Ez 37,12-14
AMBIENTE
Ezequiel é chamado “o profeta da esperança”. Desterrado na
Babilónia desde
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorre entre
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrola-se a
partir de
O texto que nos é proposto como primeira leitura pertence
à segunda fase. Faz parte da famosa “visão dos ossos calcinados” (cf. Ez 37). Ezequiel descreve a visão de uma planície cheia de
ossos calcinados e sem vida; mas, na visão do profeta, o Espírito do Senhor
sopra sobre os ossos calcinados e eles são revestidos de pele, de músculos e
ganham vida. Nesta parábola, os ossos calcinados representam o Povo de Deus,
que jaz abandonado, sem esperança e sem futuro, no meio da planície mesopotâmica.
MENSAGEM
A situação de desespero em que estão os exilados é uma
situação de morte. Eles sentem-se próximos da ruína e do aniquilamento e não
vêem no horizonte quaisquer perspectivas de futuro. O texto define esta
situação de ausência total de esperança como “estar no túmulo”.
No entanto, é aqui que Deus entra. Jahwéh
vai transformar a morte em vida, o desespero em esperança, a escravidão
Em termos concretos, Jahwéh
promete ao Povo o regresso à sua terra, restaurando a esperança dos exilados
num futuro de felicidade e de paz… Mas Deus vai fazer ainda mais: vai derramar
o seu Espírito (o “ruah”) sobre o Povo condenado à
morte.
Esta referência à acção do
Espírito de Deus na revivificação do homem coloca-nos
no mesmo contexto de Gn 2,7: no homem que criou do
barro, Deus infundiu o seu “hálito de vida” (“neshamá”)
para o tornar um ser vivente; aqui, sobre o Povo que
jaz no túmulo, Deus “infunde o seu Espírito” (“ruah”
- Ez 37,14). Trata-se, portanto, de uma nova criação.
No entanto, o “ruah”, que aqui é
transmitido ao Povo que jaz no túmulo, é mais do que a simples “força vital”,
que dá vida física ao homem: é a vida divina que transforma completamente os
homens, fazendo com que os corações de pedra – duros, insensíveis,
auto-suficientes – se transformem em corações de carne, sensíveis e bons,
capazes de amar Deus e os irmãos (cf. Ez 36,26-27).
Esta nova criação vai, portanto, muito mais longe do que a antiga criação.
Então, com um coração de carne capaz de compreender o
amor, o Povo reconhecerá a bondade de Deus, a sua fidelidade à Aliança e às
promessas que fez ao seu Povo.
A questão mais significativa é que, apesar das aparências,
Deus não abandona o seu Povo à morte. Mesmo quando tudo parece perdido e sem
saída, Deus lá está, transformando o desespero em esperança, a morte
ACTUALIZAÇÃO
Reflectir as seguintes questões:
• Na nossa existência pessoal passamos, muitas vezes, por
situações de desespero, em que tudo parece perder o sentido. A morte de alguém
querido, o desmoronar dos laços familiares, a traição de um amigo ou de alguém
a quem amamos, a perda do emprego, a solidão, a falta
de objectivos, lançam-nos muitas vezes num vazio do
qual não conseguimos facilmente sair. A Palavra de Deus garante-nos: não
estamos perdidos e abandonados à nossa miséria e finitude…
Deus caminha ao nosso lado; em cada instante Ele lá está, tirando vida da
morte, “escrevendo direito por linhas tortas”, dando-nos a coragem de “sair do
sepulcro” e avançar mais um passo ao encontro da vida plena.
• Mais: Deus recria-nos, cada dia, oferecendo-nos o
Espírito transformador e renovador, que elimina dos nossos corações o orgulho e
o egoísmo (afinal, os grandes responsáveis pelo sofrimento, pela injustiça,
pela violência) e transformando-nos em pessoas novas, com um coração sensível
ao amor e às necessidades dos outros.
• Ver os telejornais ou ler os jornais é – mais do que nos
mantermos a par dos passos que o mundo vai dando – um autêntico exercício de
masoquismo: parece que só há dramas, sofrimentos, injustiças e violências, como
se o mundo fosse um imenso campo de morte. No entanto, nós os crentes sabemos
que, apesar do sofrimento que faz parte da condição de fragilidade em que vivemos, Deus está presente na história humana, criando vida
e oferecendo a esperança aos homens nesses mil e um gestos de bondade, de ternura
e de amor que acontecem a cada instante (e que não chegam aos jornais ou às objectivas da televisão porque “não vendem” e, por isso,
não são notícia). A Palavra Deus que hoje nos é proposta sugere que o crente –
pelo simples facto de acreditar em Deus – deve ser um
arauto da esperança.
• É sempre Deus – e só Deus – que oferece aos homens a
vida e a esperança… No entanto, Deus age no mundo através de homens – como
Ezequiel – que distribuem a vida nova de Deus, com palavras e com gestos. Já
pensei que Deus me chama a ser uma luz de esperança no
mundo? Tenho consciência de que é através dos meus gestos e das minhas palavras
que Deus oferece a sua vida aos homens meus irmãos?
SALMO RESPONSORIAL – SALMO 129 (130)
LEITURA II – Rom 8,8-11
AMBIENTE
Já dissemos, noutras circunstâncias, que a Carta aos
Romanos é um texto sereno e didáctico, no qual Paulo
faz uma espécie de resumo do seu pensamento teológico e expõe a sua concepção
daquilo que é essencial na mensagem cristã. Numa época (anos 57/58) em que
existem problemas graves de entendimento e de perspectiva entre os cristãos
vindos do judaísmo e os cristãos vindos do paganismo, Paulo sublinha a unidade
da revelação e da história da salvação: Deus tem um projecto
de salvação e de vida plena, que se destina a todos os
homens, sem excepção.
Depois de provar que todos os homens (judeus e pagãos)
vivem no domínio do pecado (cf. Rom 1,18-3,20), mas que a “justiça de Deus”
oferece a vida a todos, sem distinção (cf. Rom 3,21-5,11), Paulo mostra como é
que, através de Jesus Cristo, essa vida se comunica ao homem (cf. Rom
5,12-8,39).
Indo mais ao pormenor: como é, então, que a vida de Deus
se comunica ao homem? Paulo desenvolve o seu pensamento de acordo com a
seguinte sequência: a obediência de Cristo ao plano
do Pai fez com que a graça da salvação fosse oferecida a todos os homens (cf.
Rom 5,12-20); acolhendo essa graça e aceitando receber o Baptismo,
os homens tornam-se todos participantes do dom de Deus (cf. Rom 6,1-23); a
adesão a Cristo faz os homens livres das cadeias do egoísmo e do pecado e
transforma-os em homens novos (cf. Rom 7,1-25); e é o Espírito (dado ao crente
no baptismo) que potencia essa vida nova (cf. Rom
8,1-39).
MENSAGEM
O Espírito é, verdadeiramente, a personagem central do capítulo
8 da Carta aos Romanos (o termo “pneuma” – “espírito”
– aparece trinta e quatro vezes na Carta aos Romanos; e, dessas trinta e
quatro, vinte e uma são neste capítulo). De acordo com a perspectiva teológica
de Paulo, o Espírito é o responsável pelo facto de a
vida nova que Deus oferece ao homem crescer e se desenvolver.
Neste capítulo, Paulo desenvolve uma das suas mais famosas
antíteses: “carne”/”Espírito”. “Viver segundo a carne”
significa, em Paulo, uma vida conduzida à margem de Deus: o “homem da carne” é
o homem do egoísmo e da auto-suficiência, cujos valores são o ciúme, o ódio, a
ambição, a inveja, a libertinagem (cf. Gal 5,19-21);
“viver segundo o Espírito” significa, em Paulo, uma vida vivida na órbita de
Deus, pautada pelos valores da caridade, da alegria, da paz, da fidelidade e da
temperança (cf. Gal 5,22-23).
Paulo recorda aos crentes, no texto que nos é proposto,
que o cristão, no dia do seu baptismo, optou pela
vida do Espírito. A partir daí, vive sob o domínio do Espírito – isto é, vive
aberto a Deus, recebe vida de Deus, torna-se “filho de Deus”. Identifica-se,
portanto, com Cristo; e assim como Cristo – depois de uma vida vivida “no
Espírito” (isto é, depois de uma vida de renúncia ao egoísmo e ao pecado e de
opção por Deus e pelas suas propostas) – ressuscitou e foi elevado
definitivamente à glória do Pai, assim o cristão está destinado à vida nova, à
vida plena, à vida eterna.
É, pois, o Espírito – presente naqueles que renunciaram à vida da “carne” e aderiram a Jesus – que
liberta os crentes do pecado e da morte, que os transforma em homens novos e
que os leva em direcção à vida plena, à vida
definitiva.
ACTUALIZAÇÃO
Para a reflexão, considerar os seguintes dados:
• Na verdade, no dia do meu baptismo,
eu escolhi a vida “segundo o Espírito” (provavelmente, fui baptizado
muito pequenino, numa altura em que não tinha consciência plena do que isso
significava; mas, mais tarde, tive a oportunidade – em vários momentos da minha
caminhada cristã – de validar e confirmar essa opção inicial). A minha vida tem
sido coerente com essa opção? A minha vida tem-se desenrolado à margem de Deus
e das suas propostas (“vida segundo a carne”) ou na escuta atenta e consequente dos projectos de Deus
(“vida segundo o Espírito”)?
• O baptizado é alguém que
escolheu identificar-se com Cristo – isto é, alguém que escolheu viver na
obediência aos planos do Pai e no dom da vida em favor dos irmãos. O exemplo de
Cristo garante-me: uma vida gasta desse jeito não termina no fracasso, mas na
vida definitiva, na felicidade total. A realização plena do homem não está nos
valores efémeros (muitas vezes propostos como os
valores mais fundamentais), mas no amor e no dom da vida. É daí que brota a
ressurreição.
ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – Jo
11, 25a.26
EVANGELHO – Jo 11,1-45
AMBIENTE
O Evangelho segundo João procura apresentar Jesus como o
Messias, Filho de Deus, enviado pelo Pai para criar um Homem Novo. No “Livro
dos Sinais” (cf. Jo 4,1-11,56), o autor apresenta –
recorrendo aos “sinais” da água (cf. Jo 4,1-5,47), do
pão (cf. Jo 6,1-7,53), da luz (cf. Jo 8,12-9,41), do pastor (cf. Jo
10,1-42) e da vida (cf. Jo 11,1-56) – um conjunto de
catequeses sobre a acção criadora e vivificadora do
Messias.
O texto que hoje nos é proposto é, exactamente,
a quinta catequese (a da vida) do “Livro dos Sinais”. Trata-se de uma narração
única, que não tem paralelo nos outros três Evangelhos.
A cena situa-nos em Betânia, uma
aldeia a Este do monte das Oliveiras, a cerca de três quilómetros
de Jerusalém. O autor da catequese coloca-nos diante de um episódio – um triste
episódio – familiar: a morte de um homem. A família mencionada, constituída por
três pessoas (Marta, Maria e Lázaro), parece conhecida de Jesus: no vers. 5, diz-se que Jesus amava
Marta, a sua irmã Maria e Lázaro. A visita de Jesus a casa desta família é,
aliás, mencionada em Lc 10,38-42; e João tem o cuidado
de observar que a Maria, aqui referenciada, é a mesma que tinha ungido o Senhor
com perfume e lhe tinha enxugado os pés com os cabelos (vers.
2) (cfr. Jo
12,1-8).
MENSAGEM
A família de Betânia apresenta
algumas características dignas de nota… Em primeiro lugar, o autor da narração
não faz qualquer referência a outros membros, para além de Maria, Marta e
Lázaro: não há pai, nem mãe, nem filhos. Além disso, João insiste no grau de
parentesco que une os três: são “irmãos” (vers.
1.2b.3.5.19.21.23.28.32.39). A palavra “irmão” (“adelfós”)
será a palavra usada por Jesus, após a ressurreição, para definir a comunidade
dos discípulos (Jo 20,17); e este apelativo será
comum entre os membros da comunidade cristã primitiva (Jo
21,23).
Por outro lado, notemos a forma como é descrita a relação
entre Jesus e esta família de irmãos… Trata-se de uma família amiga de Jesus,
que Jesus conhece e que conhece Jesus, que ama Jesus e que é amada por Jesus,
que recebe Jesus em sua casa.
Um facto abala a vida desta
família: um irmão (Lázaro) está gravemente doente. As “irmãs” mostram o seu
interesse, preocupação e solidariedade para com o “irmão” doente e informam
Jesus.
A relação de Jesus com Lázaro é de afecto
e amizade; mas Jesus não vai imediatamente ao seu encontro; parece, até,
atrasar-se deliberadamente (vers. 6).
Com a sua passividade, Jesus deixa que a morte física do “amigo” se consume.
Provavelmente, na intenção do nosso catequista, o pormenor significa que Jesus
não veio para alterar o ciclo normal da vida física do homem, libertando-o da
morte biológica; veio, sim, para dar um novo sentido à morte física e para
oferecer ao homem a vida eterna.
Depois de dois dias, Jesus resolve dirigir-se à Judeia ao encontro do “amigo”. No entanto, a oposição a
Jesus está, precisamente, na Judeia e, de forma
especial,
Ao chegar a Betânia, Jesus
encontrou o “amigo” sepultado há já quatro dias. De acordo com a mentalidade
judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia. Quando
Jesus chega, Lázaro está, pois, verdadeiramente morto. Jesus não elimina a
morte física; mas, para quem é “amigo” de Jesus, a
morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida
definitiva.
Por esta altura, entram em cena as “irmãs” de Lázaro.
Marta é a primeira. Vem ao encontro de Jesus e insinua a sua reprovação: Jesus
podia ter evitado a morte do amigo, se tivesse estado presente, pois onde Ele
está reina a vida. No entanto, mesmo agora, Jesus poderá interceder junto de
Deus, Deus atendê-lo-á e devolverá a vida física a Lázaro. Marta acredita em
Deus; acredita que Jesus é um profeta, através de quem Deus actua
no mundo; mas ainda não tem consciência de que Jesus é a vida do Pai e que Ele
próprio dá a vida.
Jesus inicia a sua catequese dizendo-lhe: “teu irmão
ressuscitará”. Marta pensa que as palavras de Jesus são uma
consolação banal e que Ele se refere à crença farisaica, segundo a qual
os mortos haveriam de reviver, no final dos tempos, quando se registasse a última intervenção de Deus na história humana.
Isso ela já sabe; mas não chega: esse último dia ainda está tão longe…
Jesus, no entanto, não fala da ressurreição no final dos
tempos. O que Ele diz é que, para quem é amigo de Jesus, não há morte, sequer.
Jesus é “a ressurreição e a vida”. Para os seus amigos, a morte física é apenas
a passagem desta vida para a vida plena. Jesus não evita a morte física; mas
Ele oferece ao homem essa vida que se prolonga para sempre. Para que essa vida
definitiva possa chegar ao homem é necessário, no entanto, que o homem adira a
Jesus e O siga, num caminho de amor e de dom da vida
(“todo aquele que vive e acredita em mim, nunca morrerá”). A comunidade de
Jesus (a comunidade dos que aderiram a Ele e ao seu projecto)
é a comunidade daqueles que já possuem a vida definitiva. Eles passarão pela
morte física; mas essa morte será apenas uma passagem para a verdadeira vida. E
é essa vida verdadeira que Jesus quer oferecer. Confrontada com esta catequese
(“acreditas nisto?”), Marta manifesta a sua adesão ao que Jesus diz e professa
a sua fé no Senhor que dá a vida (“acredito, Senhor, que tu és o Messias, o
Filho de Deus que havia de vir ao mundo”).
Maria, a outra irmã, tinha ficado
A cena da ressurreição de Lázaro começa com Jesus a chorar
(vers. 35). Não é pranto ruidoso, mas sereno… Jesus
mostra, dessa forma, o seu afecto por Lázaro, a sua
saudade do amigo ausente. Ele – como nós – sente a dor, diante da morte física
de uma pessoa amada; mas a sua dor não é desespero.
Jesus chega junto do sepulcro de Lázaro. A entrada da
gruta onde Lázaro está sepultado, está fechada com uma
pedra (como era costume, entre os judeus). A pedra é, aqui, símbolo da definitividade da morte. Separa o mundo dos vivos do mundo
dos mortos, cortando qualquer relação entre um e outro.
Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra”: para os
crentes, não se trata de duas realidades sem qualquer relação. Jesus, ao
oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física. A morte
física não afasta o homem da vida.
A acção de dar vida a Lázaro
representa a concretização da missão que o Pai confiou a Jesus: dar vida plena
e definitiva ao homem. É por isso que Jesus, antes de mandar Lázaro sair do
sepulcro, ergue os olhos ao céu e dá graças ao Pai (vers.
41b-42): a sua oração demonstra a sua comunhão com o Pai e a sua obediência na
concretização do plano do Pai. Depois, Jesus mostra Lázaro vivo na morte,
provando à comunidade dos crentes que a morte física não interrompe a vida
plena do discípulo que ama Jesus e o segue.
A família de Betânia representa
a comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs. Todos eles conhecem Jesus, são
amigos de Jesus, acolhem Jesus na sua casa e na sua vida. Essa família também
faz a experiência da morte física. Como é que deve lidar com ela? Com o
desespero de quem acha que tudo acabou? Com a tristeza de quem acha que a morte
venceu, por algum tempo, até que Deus ressuscite o “irmão” morto, no final dos
tempos (perspectiva dos fariseus da época de Jesus)?
Não. Ser amigo de Jesus é saber que Ele é a ressurreição e
a vida e que dá aos seus a vida plena, em todos os momentos. Ele não evita a
morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus, apenas a
passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva. Para os “amigos” de Jesus
– para aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a
Deus e um dom aos irmãos – não há morte… Podemos chorar a saudade pela partida
de um irmão, mas temos de saber que, ao deixar este mundo, ele encontrou a vida
plena, na glória de Deus.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode fazer-se a partir dos seguintes elementos:
• A questão principal do Evangelho deste domingo – e que é
uma questão determinante para a nossa existência de crentes – é a afirmação de
que não há morte para os “amigos” de Jesus – isto é, para aqueles que acolhem a
sua proposta e que aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos
irmãos. Os “amigos” de Jesus experimentam a morte física; mas essa morte não é destruição e aniquilação: é, apenas, a passagem para a vida
definitiva. Mesmo que estejam privados da vida biológica, não estão mortos:
encontraram a vida plena, junto de Deus. A história de Lázaro pretende
representar essa realidade.
• No dia do nosso baptismo,
escolhemos essa vida plena e definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes
garante a eternidade. A nossa vida tem sido coerente com essa opção? A nossa
existência tem sido uma existência egoísta e fechada, que termina na morte, ou
tem sido uma existência de amor, de partilha, de dom da vida, que aponta para a
realização plena do homem e para a vida eterna?
• Ao longo da nossa existência nesta terra, convivemos com
situações em que somos tocados pela morte física daqueles a quem amamos… É
natural que fiquemos tristes pela sua partida e por eles deixarem de estar
fisicamente presentes a nosso lado. A nossa fé convida-nos, no entanto, a ter a
certeza de que os “amigos” não são aniquilados: apenas encontraram essa vida
definitiva, longe da debilidade e da finitude
humanas.
• Diante da certeza que a fé nos dá, somos convidados a
viver a vida sem medo. O medo da morte como aniquilamento total torna o homem
cauteloso e impotente face à opressão e ao poder dos opressores; mas
libertando-nos do medo da morte, Jesus torna-nos livres e capacita-nos para
gastar a vida ao serviço dos irmãos, lutando generosamente contra tudo aquilo
que oprime e que rouba ao homem a vida plena.
ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 5º DOMINGO DA QUARESMA
Ao longo dos dias da semana anterior ao 5º Domingo da
Quaresma, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la
pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana
para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de
padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa…
2. Inclinação no momento penitencial.
Neste domingo sob o signo da Ressurreição e da Vida, eis
uma sugestão para renovar o rito penitencial. Depois de uma breve introdução, o
presidente da assembleia, virado para a cruz,
inclina-se profundamente, assim como toda a assembleia.
Permanecer assim durante algum tempo, em profundo silêncio… Seguem-se algumas
invocações penitenciais que podem ter como resposta: “Senhor, dai-nos a Vida!”
3. Renovar a profissão de fé.
Habitualmente, dizemos o Credo com um ar demasiado
rotineiro e repetitivo… Como transmitir-lhe mais alegria e entusiasmo interior?
Uma brevíssima introdução pode motivar a uma maior atenção à recitação do
Credo. Pode-se ainda proclamar o Símbolo dos Apóstolos (dando o texto
antecipadamente, pois não é sabido de cor). Pode-se também proclamar a fórmula
do credo baptismal (dialogada)…
4. Oração na lectio divina.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio
divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Deus, nosso Pai, nós Te bendizemos, porque és o Deus da Vida. Tu o mostraste, libertando o teu povo,
desde o tempo de Isaac, de Moisés e do exílio.
Nós Te pedimos pelo teu novo Povo: levanta as comunidades
cristãs de todas as formas de morte, divisões, indiferenças, tédio, isolamento
do mundo. Venha sobre nós o teu Espírito de Vida.
No final da segunda leitura:
Pai de Jesus Cristo, nós Te damos graças porque o teu
Espírito habita em nós e porque pelo teu Baptismo nos
incorporaste ao teu Filho.
Nós Te pedimos: vê as nossas fraquezas. Abrimos as nossas
mãos para Ti, para Te pedir o teu Espírito: que Ele dê vida aos nossos corpos
mortais, que Ele nos justifique com a justiça que está em Ti.
No final do Evangelho:
Senhor Jesus, proclamamos a tua glória, porque em Ti
irradia a luz da vida e da ressurreição: associaste-te aos nossos lutos, chamas
os teus amigos a sair dos seus túmulos, tu arranca-los ao sono da morte.
Nós Te pedimos: desperta em nós a fé. Tu que libertaste
Lázaro das ligaduras, liberta-nos dos laços que nos paralisam diante do
próximo.
5. Oração Eucarística.
Pode-se escolher a Oração Eucarística IV.
6. Palavra para o caminho.
O passo da confiança
A que “empresa” estamos nós
sujeitos?
À do Espírito de Cristo ressuscitado? Ou à da carne, isto
é, aquela de todas as contingências humanas que esgotam o nosso tempo e a nossa
energia?
Ousaremos dar o passo da confiança?
Ousaremos entregar-nos a este Espírito que habita em nós
para nos comprometermos na sua plenitude de Vida?
A quem pertencemos nós?
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
Proposta para
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E
ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel
Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes
do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete,
10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
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