Imaculada
Conceição da Virgem Santa Maria
1ª Leitura
Génesis 3, 9-15.20
9Depoi= s de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer q= ue estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?&raq= uo; E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 1= 4Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelh= ante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos= os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra tod= os os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulh= er, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar»= . 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.
A leitura é extraí= ;da do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítu= lo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida hu= mana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não &eacut= e; um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor per= ante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem= de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projec= to divino, a que não escapa o enigma das origens.
Se perdêssemos de vista e= ste plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade ci= entífica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse= a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda= . A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridíc= ula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo T= estamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens.
10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». De= ste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de v= ergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente= ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; es= ta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão ti= nha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontr= olo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primei= ro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).
Não resistimos a citar a= lgumas palavras da profunda reflexão antropológica de João Pa= ulo II, nas audiências gerais de Maio de 1980: «Por meio destas palavras (v. 10) desvela-se certa fractura constitutiva no interior da pess= oa humana, quase uma ruptura da origin= al unidade espiritual e somática do homem. Este dá-se conta = pela primeira vez de que o seu corpo cessou de beber da força do espírito, que o elevava ao nível da imagem de Deus. A sua ver= gonha original traz em si os sinais duma específica humilhaçã= ;o comunicada pelo corpo. (...) O corpo não está sujeito ao espírito como no estado da inocência original, tem em si um fo= co constante de resistência ao espírito e ameaça de algum = modo a unidade do homem pessoa. (...) A concupiscência, em particular a concupiscência do corpo, é ameaça específica à estrutura da auto-posse e do autodomínio, por meio do qual = se forma a pessoa humana».
14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a senten&c= cedil;a é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentado= r; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72), 9; Is 49, 23; Miq 7, 17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17= ).
15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova = da salvação que se lê na Bíblia. Não se limi= ta esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potên= cias diabólicas – «a = tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela»= ;. É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Neovulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a traduçã= ;o «esmagará»), ao= passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida l= eve, daí a tradução «atingirás»).
Mas, pergunta-se, a quem &eacut= e; que designa o pronome «esta»= ; (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mul= her. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que = em grego se diz com a palavra neutra, = sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem ve= nce o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradiçã= ;o cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se quisesse designar a descend&ecir= c;ncia – semen – teria emp= regado o neutro ipsum, e não ipsa).
Eis como se costuma explicar o = sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, to= dos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: &= eacute; que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pi= o IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluin= do o original.
2ª leitura
Efésios 1, 3-6.11-12
3Bendi= to seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis= , em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, conforme= a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, p= or Jesus Cristo, 6para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. 11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo= os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão = da sua vontade, 12para sermos um hino de louvor da sua glóri= a, nós que desde o começo esperámos em Cristo.
Este início da epí= ;stola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto = de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas.
3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado original, incluindo a Imaculada Conceição da Virgem Maria, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele. =
4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus; estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o= que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4; Rom 12, 1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8, 15-29; Gal 4, 5-7; 1 Jo 3,= 1-3). E o modelo humano mais perfeito de santidade é Maria.
A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 20, 20-22), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1 Pe 2, 5), bem como a perfeição que devemos p&ocir= c;r em tudo o que fazemos, demais que não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os r= ins e o coração» (S= alm 7, 10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo = no homem, a sua consciência, afectos e intenções. <= /p>
Evangelho
São Lucas 1, 26-38
Naquele
tempo, 26o Anjo Gabri= el foi enviado por Deus a uma cidade da
Galileia chamada Nazaré, a uma Virg= em desposada com um homem chamado
José. 27O nome da Virgem e= ra Maria. 28Tendo
entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça,
o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com
estas palavras e pensava que saudação se= ria aquela. 30Disse-lhe
o Anjo: «Não temas, Maria, porq= ue encontraste graça
diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz
um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O
Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará
eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim».
34Maria disse ao Anjo: «Como será isto,= se eu não
conheço homem?». 35O Anjo respondeu-l= he: «O
Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo
te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que v= ai nascer será
chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isab= el concebeu também
um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam
estéril 37porque a Deus nada é impossível».
38Maria disse entã= ;o: «Eis a escrava do Senhor faça-se
em mim segundo a tua palavra&= raquo;.
A cena da Anunciaç&atild= e;o, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvaçã= o, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leit= or transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosida= de de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhe= cida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril p= or ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de= ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Ma= ria!
26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».
28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:
«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, corre= spondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf= . Mt 26, 49), mas que não par= ece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire R= 11;, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretaç&atild= e;o patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêm na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; = Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).
Ó«cheia de graça»: Esta designação tem muita forç= ;a expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define= o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que est&aacu= te; cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado pass= ivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criado= ra e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é= ; a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graç= a, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em = toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio t= exto original indica.
«O Senhor está contigo»: a express&ati= lde;o é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta &agrav= e; altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não sã= ;o apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confia= da por Ele.
Chamamos a atençã= o para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita e= s tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, pa= ssou a omiti-lo.
29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural te= mor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúg= io dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que pre= cisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).
32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «e= ncontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1= , 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo= que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Ma= ria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14= ).
34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo= a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido,= se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios= ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7= , 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria apar= ece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte,= um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, poré= m, assim pensam, como também se vê no recente e interessante film= e Figlia del suo Figlio.
35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a= sua força criadora (cf. Gn 1= , 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf.= Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usad= o no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glór= ia de Deus estabelecia a sua morada (E= x 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai ge= rar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o títul= o de Maria, «Arca da Aliança»).
«O Santo que vai nascer…». O
texto admi= te várias traduções legítimas; a litúrgica,
afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução
na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso
também aquele que nascerá santo será chamado Filho de
Deus». I. de
38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a ent= rega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como = que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraã= ;o, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela apa= rece neste relato: «Maria»,<= /i> o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.=
«Faça-se…». O «= ;sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal se= ria o uso do modo imperativo génes= thô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus.