Natal do Senhor
B (Missa da Aurora)
Pe.
Geraldo Morujão
1ª Leitura
Isaías 62, 11-12
11Eis o que o Senhor proclama até aos confins da terra: «Dizei à filha
de Sião: Eis que vem o teu Salvador. Com Ele vem o
seu prémio e precede-O a sua recompensa. 12Serão
chamados ‘Povo santo’, ‘Resgatados do Senhor’; e tu serás chamada ‘Pretendida’,
‘Cidade não abandonada’».
A leitura recolhe dois versículos do III Isaías, referidos à Jerusalém
restaurada após o exílio. «Até aos confins da terra»: a perspectiva
universalista típica da última parte de Isaías corresponde bem à realidade de
um «Natal para todos».
«Filha de Sião, Filha de Jerusalém», forma
poética de o profeta se dirigir aos habitantes da cidade, e mesmo a todos os
israelitas (como aqui sucede). A Igreja é o novo «Israel de Deus», «o monte Sião» (Gal 4, 26; 6, 16; Hebr 12, 22; Apoc 14, 1; 21). «Sião»
(etimologicamente lugar seco) era a cidadela da capital, Jerusalém. Inicialmente
designava a fortaleza conquistada por David aos jebuseus,
a colina oriental de Jerusalém (Ofel), que começou a
ser chamada «cidade de David», para onde este transladou a Arca da Aliança. Quando
Salomão construiu o Templo, a Norte de Sião, e para
lá levou a arca, também se começou a dar a esse lugar o nome de Sião. Depois veio a designar o conjunto da cidade de
Jerusalém, ou todos os seus habitantes e mesmo todo o povo de Israel. Na
tradição cristã, veio a dar-se uma confusão acerca da localização topográfica
do monte Sião, ao situá-lo no Cenáculo, na colina ocidental
da cidade alta. Esta confusão parece ter origem em que o Cenáculo foi
considerado a sede da primitiva Igreja de Jerusalém, o novo «monte Sião», segundo Hebr 12, 22 e Apoc 14, 1. Actualmente a
Arqueologia veio esclarecer estes locais.
2ª Leitura
Tito 3, 4-7
Caríssimo: 4Ao manifestar-se a bondade de Deus nosso
Salvador e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos, 5não pelas obras
justas que praticámos, mas em virtude da sua
misericórdia, pelo baptismo da regeneração e
renovação do Espírito Santo, 6que Ele derramou abundantemente sobre nós, por
meio de Jesus Cristo nosso Salvador, 7para que, justificados pela sua graça,
nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna.
Esta belíssima síntese soteriológica bem podia
ser uma espécie de fórmula de fé corrente na Igreja primitiva que tenha sido
inserida na Carta.
5 O «banho de regeneração e renovação do Espírito Santo» é o Baptismo, que nos faz nascer de novo (Jo
3, 3.5) e que nos torna «nova criatura» (Gal 6, 15; 2 Cor 5, 17). O Natal é ocasião
propícia para meditar também no nosso natal, o Baptismo,
e para daí tirar consequências práticas: «reconhece,
ó cristão, a tua dignidade; tornado participante da natureza divina, não
regresses à antiga baixeza duma vida depravada; lembra-te de que Cabeça e de
que Corpo és membro. Pelo Baptismo, tornaste-te
templo do Espírito Santo» (S. Leão Magno, Homilia para o dia de Natal).
Evangelho
São Lucas 2, 15-20
15Quando os Anjos se afastaram dos pastores em direcção
ao Céu, começaram estes a dizer uns aos outros: «Vamos a Belém, para vermos o
que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer». 16Para lá se dirigiram
apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando
O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E
todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria guardava
todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. 20Os pastores
regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e
visto, como lhes tinha sido anunciado.
A leitura mostra a reacção dos pastores
perante o anúncio do nascimento de Jesus que bem pode marcar a atitude do
cristão ao tomar consciência do Natal de Jesus: a decisão (tão presente nos
nossos vilancetes), de ir a Belém, apressadamente,
sem delongas nem escusas ao encontro pessoal com Jesus, Maria e José
18 Os «pastores» contaram as maravilhas daquela noite, mas os
conterrâneos não os deveriam tomar muito a sério. Como poderia o Messias
revelar-se a gente tão miserável, mal conceituada e tida por pecadora?
19 «Maria» ensina-nos a viver o mistério do Natal no recolhimento,
ponderação e intimidade com Jesus.