Páscoa da Ressurreição do Senhor - Missa da Vigília

(Pe. Geraldo Morujão)

 

Última leitura:

 

Rom 6, 3-11

 

Irmãos: 3Todos nós que fomos baptizados em Cristo fomos baptizados na sua morte. 4Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. 5Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo por morte semelhante à sua, também o estaremos por uma ressurreição semelhante à sua. 6Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destruído o corpo do pecado e não mais fôssemos escravos dele. 7Quem morreu está livre do pecado. 8Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, 9sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer, a morte já não tem domínio sobre Ele. 10Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida é uma vida para Deus. 11Assim vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.

 

Esta leitura resume o tema central da Vigília Pascal: a passagem da morte à vida em Cristo e em nós pelo Baptismo. A nossa Páscoa é a transposição deste mistério da Morte e Ressurreição de Cristo para a nossa própria vida.

3-4 S. Paulo faz apelo à simbologia do Baptismo por imersão: o facto de ser imergido para dentro da água representa a morte e sepultura; o emergir da água, já tornado “nova criatura”, significa a ressurreição, a nova vida divina. S. Paulo, ao dizer que nós “fomos baptizados na sua morte”, quer dizer que nos unimos pelo Baptismo tão intimamente à morte de Cristo, destruidora de todo o pecado, que também nós morremos para o pecado, a tal ponto que este já não deve dominar mais a nossa vida. A nossa vida tem que ser uma vida de ressuscitados: “vivos para Deus, em Cristo Jesus(v. 11). Mas nós não somos uns meros beneficiários, estranhos ao mistério pascal de Cristo: a nossa nova vida é uma vida em Cristo Jesus, pois estamos incorporados nele pela fé e pelo amor, feitos membros do seu Corpo, sendo Ele a Cabeça.

 

Evangelho

São Mateus 28, 1-10

1Depois do sábado, ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram visitar o sepulcro. 2De repente, houve um grande terramoto: o Anjo do Senhor desceu do Céu e, aproximando-se, removeu a pedra do sepulcro e sentou-se sobre ela. 3O seu aspecto era como um relâmpago e a sua túnica branca como a neve. 4Os guardas começaram a tremer de medo e ficaram como mortos. 5O Anjo tomou a palavra e disse às mulheres: «Não tenhais medo; sei que procurais Jesus, o Crucificado. 6Não está aqui: ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver o lugar onde jazia. 7E ide depressa dizer aos discípulos: ‘Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis’. Era o que tinha para vos dizer». 8As mulheres afastaram-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e grande alegria, e correram a levar a notícia aos discípulos. 9Jesus saiu ao seu encontro e saudou-as. Elas aproximaram-se, abraçaram-Lhe os pés e prostraram-se diante d’Ele. 10Disse-lhes então Jesus: «Não temais. Ide avisar os meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão».1 A outra Maria: a mãe de Tiago e José (Mt 27,61).

 

Observar o sepulcro. Sabemos por Lc 24, 1 que iam levar perfumes, coisas que não tinham podido fazer antes, devido ao rigor do descanso sabático (Lc 23, 56).

6 Ressuscitou como tinha dito. Os Evangelhos relatam três anúncios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus (Mt 16, 21; 17, 23; 20, 19).

9 Saiu-lhes Jesus ao encontro. Pelo que se diz em Lc 24, 22-23, o Senhor só teria aparecido depois de as mulheres terem levado a mensagem do Anjo aos Apóstolos. Como não é de crer que Jesus tivesse aparecido duas vezes seguidas à Madalena, alguns exegetas crêem que esta aparição é a mesma que S. João relata com mais pormenor (Jo 10, 11-18): S. Mateus teria simplificado as coisas, generalizando para as mulheres em geral a aparição a uma só mulher (Lagrange e outros).

10 Que partam para a Galileia. Esta ordem está de acordo com o plano de Jesus (cf. Mt 26, 32). Por falta de fé, os Apóstolos não fazem assim. Jesus condescende com a sua fraqueza e aparece-lhes ainda em Jerusalém, aparições a que S. Mateus não se refere.

N.B. – No domingo de Páscoa podem ver-se mais comentários sobre a Ressurreição, especialmente nas notas ao Evangelho.