Santa Maria Mãe
de Deus
(Pe. Geraldo Morujão)
1ª Leitura
Números 6, 22-27
22O Senhor disse a Moisés: 23«Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes:
Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: 24‘O Senhor te abençoe e te
proteja. 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. 26O
Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’. 27Assim invocarão o meu
nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei».
24-26 Esta é uma bênção própria da liturgia judaica, ainda hoje usada. É
tripla e crescente: com três palavras a primeira; com
5 palavras e com 7 as seguintes (no original hebraico). A tríplice invocação do
Senhor, faz-nos lembrar a bênção da Igreja, em nome
das Três Pessoas da SS. Trindade.
Quando, ao começar o ano civil, nos saudamos desejando Ano Novo feliz, aqui temos as felicitações, isto é, as
bênçãos que o Senhor – e a Igreja – nos endereça.
2ª Leitura
Gal 4, 4-7
Gálatas 4, 4-7
Irmãos: 4Quando chegou a plenitude dos tempos,
Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, 5para resgatar
os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos.
6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações
o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!». 7Assim, já não és escravo,
mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus.
O texto escolhido para hoje corresponde à única vez que S. Paulo, em
todas as suas cartas, menciona directamente a Virgem
Maria. Não deixa de ser interessante a alusão à Mãe de Jesus, sem mencionar o
pai, o que parece insinuar a maternidade virginal de Maria.
5 Segundo o pensamento paulino, Cristo, sofrendo e
morrendo, satisfaz as exigências punitivas da Lei, que
exigia a morte do pecador; assim «resgatou os que estavam sujeitos à Lei» e mereceu-nos
vir a ser filhos adoptivos de Deus. O Natal é a festa do nascimento do Filho de Deus e também a
da nossa filiação divina.
6 «Abbá». Porque somos realmente filhos de Deus, podemos dirigirmo-nos a Ele com a
confiança de filhos pequenos e chamar-Lhe, à maneira das criancinhas: «Papá». «Abbá»
é o diminutivo carinhoso com que ainda hoje, em Israel, os filhos chamam pelo
pai (abbá). S. Paulo, escrevendo em grego e para destinatários que na maior
parte não sabiam hebraico, parece querer manter a mesma expressão carinhosa e
familiar com que Jesus se dirigia ao Pai, a qual teria causado um grande impacto nos próprios discípulos, porque jamais um
judeu se tinha atrevido a invocar a Deus desta maneira; esta é a razão pela
qual a tradição não deixou perder esta tão significativa palavra original de
Jesus.
Evangelho
Lc 2, 16-21
São Lucas 2, 16-21
Naquele tempo, 16os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e
encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram,
começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos
os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria conservava todas
estas palavras, meditando-as em seu coração. 20Os pastores regressaram,
glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes
tinha sido anunciado. 21Quando se completaram os oito dias para o Menino ser
circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido
concebido no seio materno.
Texto na maior parte coincidente com o do Evangelho da Missa da Aurora
do dia de Natal (ver notas supra).
21 Repetidas vezes se insiste
em que o nome de Jesus é um nome designado por Deus: o nome, etimologicamente,
significa aquilo que Jesus é na realidade, «Yahwéh
que salva».