TEXTOS DO 14º Domingo Comum A
Pe. Geraldo Morujão
1ª leitura
Zacarias 9, 9-10
Eis o que diz o Senhor: 9«Exulta
de alegria, filha de Sião, solta brados de júbilo, filha de Jerusalém. Eis o
teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro, humildemente montado num
jumentinho, filho duma jumenta. 10Destruirá os carros de combate de
Efraim e os cavalos de guerra de Jerusalém; e será quebrado o arco de guerra.
Anunciará a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio
até aos confins da terra».
A leitura é tirada da 2.ª parte
do livro de Zacarias, onde se fala do triunfo definitivo de Deus e do seu reino
universal. Este texto foi escolhido para hoje em função do Evangelho, em que
Jesus se apresenta como “manso e humilde de coração”. É um texto messiânico,
que Mateus apresenta como cumprido em Jesus (cf. Mt 21, 4-5).
9 “Filha de Sião, ou filha de
Jerusalém” são hebraísmos para designar os habitantes de Jerusalém. O
Messias será um “rei justo e triunfante”,
mas “humilde” e pacífico rei
universal (v. 10): não aparecerá montado num veloz corcel de guerra, mas num
manso “jumento”.
2ª leitura
Romanos 8, 9.11-13
Irmãos: 9Vós não estais sob o
domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. 11Mas
se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. Se o Espírito
d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que
ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos
mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. 12Assim, irmãos, não
somos devedores à carne, para vivermos segundo a carne. 13Se
viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as
obras da carne, vivereis.
Este pequenino trecho é tirado de
Rom 8, que constitui o ponto culminante da carta e a sua mais bela profunda
síntese. No centro deste genial capítulo está a presença e a acção do Espírito
Santo, a quem se atribui a vida nova em
Cristo. Esta é uma “vida sob o
domínio do Espírito”, a antítese perfeita da “vida sob o domínio da carne” (v. 9). Aqui a carne não é uma categoria platónica para designar a parte material
do ser humano, nem é a “simples natureza” humana com a conotação de fraqueza e
precariedade (sentido frequente no AT e noutros textos paulinos, por ex., em
Rom 3, 20; 1 Cor 1, 29; Gal 3, 16); trata-se antes da natureza humana ferida
pelo pecado e infectada pela concupiscência, o homem enquanto dominado pelos
apetites e paixões desordenadas.
11-13 A vida nova “por meio do Espírito” de Cristo é radicalmente inconciliável com a
vida segundo a carne, pois o Apóstolo
adverte: “se viverdes de acordo com a
carne, haveis de morrer” (v. 13). As obras
da carne são as obras pecaminosas, ditadas pelos apetites desordenados em
geral, não apenas pelo apetite sexual, como na nossa linguagem actual. O
sentido positivo da mortificação cristã está aqui bem explícito: “haveis de viver”.
São Mateus 11, 25-30
Naquele tempo, Jesus exclamou: 25«Eu
Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades
aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai,
porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai.
E ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e
aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a Mim, todos os que
andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o
meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis
descanso para as vossas almas. 30Porque o meu jugo é suave e a minha
carga é leve».