2º
Domingo da Quaresma
(Pe. Geraldo
Morujão)
1ª Leitura
Génesis 12, 1-4a
1Naqueles dias, o
Senhor disse a Abrão: «Deixa a tua terra, a tua família e a casa de teu pai e
vai para a terra que Eu te indicar. 2Farei de ti uma grande nação e
te abençoarei; engrandecerei o teu nome e serás uma bênção. 3Abençoarei
a quem te abençoar, amaldiçoarei a quem te amaldiçoar; por ti serão abençoadas
todas as nações da terra». 4aAbrão partiu, como o Senhor lhe tinha
ordenado.
1 “O Senhor disse a Abrão”. Estamos nas origens do antigo povo de
Deus, como preparação do caminho do
Evangelho: “no devido tempo Deus chamou Abraão para fazer dele um grande
povo” (Dei Verbum, 3). A aliança com
Deus implica uma série de exigências:
deixar terra, família, casa e
lançar-se para o desconhecido, “a terra
que Eu te indicar…”, fiando-se apenas na palavra de Deus. É assim que S.
Paulo há-de insistir no exemplo de fé e de obediência ao Deus de Abraão: Rom 4; cf. Hebr 11, 8-19.
2ª Leitura
2 Timóteo 1, 8b-10
Caríssimo: 8bSofre
comigo pelo Evangelho, apoiado na força de Deus. 9Ele salvou-nos e
chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio
desígnio e da sua graça. Esta graça, que nos foi dada
8 S. Paulo, nas vésperas da sua
execução pelo ano 67, no seu segundo cativeiro romano, aparece a animar o seu
discípulo a sofrer também pelo Evangelho.
9-10 Estes versículos, num contexto
exortatório, constituem mais uma das belas sínteses paulinas da salvação, em
forma de hino, em prosa ritmada; esta “salvação”
tem, como ponto de partida, um desígnio
divino gratuito e (à letra) “um
chamamento santo”, santo, não só por ser de Deus, mas por levar a Deus,
(daí a tradução litúrgica, menos formal: “chamou-nos
à santidade”).
Evangelho
São Mateus 17, 1-9
1Naquele tempo,
Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a
um alto monte 2e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou
resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3E
apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. 4Pedro disse a Jesus:
«Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma
para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». 5Ainda ele falava,
quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia:
«Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência.
Escutai-O». 6Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de
rosto por terra e assustaram-se muito. 7Então Jesus aproximou-se e,
tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». 8Erguendo os olhos,
eles não viram mais ninguém, senão Jesus. 9Ao descerem do monte,
Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do
homem ressuscitar dos mortos».
1 “A um alto monte. Os Evangelhos não dizem o nome do monte que
habitualmente se julga ser o Tabor, segundo uma tradição procedente do séc. IV,
um monte situado a
Pedro, Tiago e João, são os três predilectos de Jesus,
destinados a ser “colunas da Igreja” (Gál
2, 9) particularmente firmes, igualmente testemunhas da ressurreição da
filha de Jairo (Mc 5, 37) e da agonia
de Jesus no horto (Mt 26, 37), diríamos,
uma espécie de núcleo duro. Jesus
sabia que a sua Paixão e Morte lhes iria provocar um violentíssimo choque, por
isso quer prepará-los para enfrentarem com fé e coragem tamanha provação: Pedro
acabara de confessar Jesus como “o Messias, o Filho de Deus vivo” (Mt 16, 16); Jesus tinha-o declarado
“bem-aventurado” por essa confissão de fé, que afinal era muito frágil, pois,
logo a seguir, perante o primeiro anúncio da Paixão, Jesus havia de o
repreender pela sua visão humana (cf. Mt 16,
23).
3 “Moisés e Elias”. São os dois maiores expoentes de toda a revelação
do Antigo Testamento: representam a Lei e os Profetas a convergirem em Cristo.
9 “Não conteis a ninguém”. Esta ordem enquadra-se na chamada
“disciplina do segredo messiânico”, que tinha por fim evitar uma exagerada
exaltação do espírito dos Apóstolos; assim Jesus obviava a possíveis agitações
populares que só viriam prejudicar e perturbar a sua missão. Em Marcos esta
imposição do silêncio adquire um significado teológico muito particular.