Textos da festa do SAGRADO CORAÇÃO DE
JESUS
23 de junho
Pe. Geraldo Morujão
1ª leitura
Oseias
11, 1.3-4.8c-9
Eis o que diz o Senhor: 1«Quando
Israel era ainda criança, já Eu o amava; do Egipto
chamei o meu filho. 3Eu ensinava Efraim a andar e
trazia-o nos braços; mas não compreenderam que era Eu quem cuidava deles. 4Atraía-os
com laços humanos, com vínculos de amor. Tratava-os como quem pega um menino ao
colo, inclinava-Me para lhes dar de comer. 8cO meu coração agita-se dentro de
Mim, estremece de compaixão. 9Não cederei ao ardor da minha ira, nem voltarei a
destruir Efraim. Porque Eu sou Deus e não homem, sou
o Santo no meio de ti e não venho para destruir».
O profeta do reino do Norte,
ainda antes da sua invasão pelos exércitos da Assíria e da queda de Samaria (721 a. C.), depois de ter
denunciado audazmente os pecados e a infidelidade do povo nos capítulos 4 a 11,
tem uma das mais enternecedoras passagens de todo o
Antigo Testamento, que nos revelam em linguagem humana o que se pode chamar “a
psicologia de Deus”, com um “coração que se agita e estremece de compaixão”! (.
8). Não obstante a infidelidade (prostituição) do povo, Deus permanece fiel ao
seu amor misericordioso; Ele cuida do seu povo com a ternura de mãe e coração
de pai, ensinando-o a caminhar, tomando-o nos braços (v. 3), inclinando-se
sobre ele para o alimentar e atraindo-o com laços de
amor (v. 4).
3 “Efraim”.
Designação corrente nos profetas para indicar o Reino do Norte, cuja principal
tribo era a de Efraim, correspondente ao nome dum dos
filhos de José.
9 “Eu sou Deus, e não homem”.
Porque Deus é Deus, a sua justiça nunca anda separada da misericórdia, como
tantas vezes sucede entre os homens, que se deixam dominar pela ira e
indignação. É assim a misericórdia do Coração de Cristo, o coração de Deus a
pulsar em carne humana.
2ª leitura
Efésios
3, 8-12.14-19
Irmãos: 8A mim, o último de todos
os santos, foi concedida a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza
de Cristo 9e de manifestar a todos como se realiza o mistério escondido, desde
toda a eternidade, em Deus, criador de todas as coisas. 10E agora é por meio da
Igreja, que se dá a conhecer aos principados e potestades celestes a multiforme
sabedoria de Deus, realizada, 11conforme o eterno desígnio,
O texto pertence à parte final da
secção doutrinal da carta. Nos vv. 1-13 aparece Paulo a falar da sua missão, de
acordo com plano misterioso de Deus. Nos vv. 14-19 temos uma bela oração de
louvor a Deus e de súplica pelos fiéis, a fim de que “sejais totalmente
saciados na plenitude de Deus”, isto é, na plenitude da vida cristã que deriva
do Pai e se nos dá em Cristo, pela adesão a Ele, cabeça da Igreja. Mas não se
trata de uma simples adesão exterior, mas da que procede do amor com que se
procura corresponder à “profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo o
conhecimento” (v. 19).
Evangelho
São João 19, 31-37
31Por ser a Preparação da Páscoa,
e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia
aquele sábado – os judeus pediram a Pilatos que se
lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. 32Os soldados vieram e quebraram
as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele. 33Ao
chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, 34mas um dos
soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
35Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe
que diz a verdade, para que também vós acrediteis. 36aconteceu para se cumprir
a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado». 37Diz ainda outra
passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que
trespassaram».
A crucifixão, reservada a escravos (cf. Filp 2, 7), era a
pena de morte mais tremenda e mais horrível; a morte dava-se após uma dolorosíssima agonia, com febre, sede, cãibras que causavam
uma asfixia lenta; para que o sofrimento não se prolongasse por vários dias os
soldados podiam partir as pernas (crurifrágio) aos
condenados para a asfixia ser mais rápida, ou dar-lhes um golpe de lança no
coração. Foi este segundo modo de proceder que tiveram para com a Jesus, apesar de já morto. No golpe da lança, no sangue e
na água que brotaram da ferida do peito, um fenómeno
fisiologicamente explicável (soro do pericárdio ou exsudação pleural…), S. João
vê muito mais do que uma confirmação da morte de Jesus; contempla o cumprimento
das Escrituras e o sacrifício do verdadeiro cordeiro pascal (cf. Ex 12, 46; Nm 9, 12; Salm 34, 21; Zac 12, 10; Apoc 1, 7) e parece
insinuar, para além do dom da vida eterna (o sangue: cf. 6, 53-54) e do
Espírito Santo (a água: cf. 4, 14; 7, 38-39; 3, 5), os
Sacramentos da iniciação cristã, a Eucaristia e o Baptismo
e a própria Igreja, a nova Eva a sair do lado do novo Adão.
35 “Ele bem sabe que diz a
verdade”: há quem queira ver aqui uma espécie de juramento, a saber, o apelo a
uma segunda testemunha abonatória, o próprio Cristo glorioso, ou mesmo o Pai,
não faltando quem pense numa glosa. De qualquer modo, uma afirmação tão solene
faz apelo a factos reais, que excluem uma simbologia
desvinculada da história. E, de facto, uma história
como a da Paixão e Morte do Senhor não se inventa; é mesmo verdade; é
impossível vê-la doutra forma. A testemunha
privilegiada foi certamente o discípulo amado de Jesus.
36-37 “Para se cumprir a Escritura: cf. Ex 12, 46; Zac 12, 10; Nm 9, 12; Salm 34, 21; Apoc 1, 7.