O ENSINO RELIGIOSO nas escolas católicas
pode ser confessional ?
(Prof. Antonio Boeing – São Paulo/SP)
(www.cnbb.org.br)
O Ensino Religioso nas escolas
católicas concretiza-se basicamente a partir de três concepções: há as que
entendem o Ensino Religioso como sendo o espaço privilegiado para a catequese,
lugar para viabilizar os princípios fundamentais da doutrina católica; uma
outra maneira se dá a partir de uma concepção ecumênica, por isso articula
tanto nos objetivos como no conteúdo programático os aspectos comuns das igrejas
cristãs; o terceiro grupo é formado pelas escolas que compreendem o Ensino
Religioso como espaço curricular para reler o fenômeno religioso no contexto da
realidade sócio-cultural, respeitando o pluralismo, sendo assim, desenvolvem as atividades como área do conhecimento que
integra o projeto político-pedagógico como as outras disciplinas.
A compreensão do Ensino Religioso
como área do conhecimento valoriza a diversidade cultural religiosa presente na
sociedade brasileira e, em decorrência, na sala de aula. Dentro dessa concepção
não tem como objetivo levar os alunos a se tornarem adeptos de uma ou outra
religião, mas sim, despertar o potencial presente em cada educando e motivá-los
a abrirem-se para a dimensão da religiosidade. O que
se verifica é que quanto mais se trabalha o Ensino Religioso como área do
conhecimento, tanto mais cresce o interesse dos educandos
no sentido de conhecerem a própria religião. É a partir dessa realidade que a
Pastoral Escolar e a Catequese adquirem maior relevância. Entendendo Pastoral
Escolar como o espaço que procurará envolver toda a comunidade educativa em
torno do carisma congregacional e missão eclesial,
para que atuem e promovam os princípios e razão de ser da escola, enquanto que
a catequese, entendida como ensino confessional, contribuirá para a iniciação
dos educandos dentro da doutrina católica.
A distinção entre Ensino Religioso, Pastoral Escolar e Catequese, dentro dessa perspectiva, dará uma grande contribuição para a formação do ser humano integral, por isso, é preciso que as escolas católicas não se fechem unicamente no confessional. Devem sim, oferecer espaços qualificados em que o ensino seja confessional, mas não dentro do currículo, pois mesmo que a escola seja privada, ela é plural na sua composição e jamais poderá esquecer que a educação é sempre pública. Quanto mais as escolas católicas estiverem abertas ao diálogo e considerarem a pluralidade religiosa, maiores serão as possibilidades de vida de toda a comunidade educativa e conseqüentemente, abrirão novas perspectivas, métodos, objetivos e conteúdos que contribuirão para fundamentar a importância do Ensino Religioso como área do conhecimento e indispensável no espaço educacional, como também da Pastoral Escolar e do Ensino Confessional.