QUE DIFICULDADES
estão presentes
no imaginário coletivo brasileiro
que impede a
compreensão deste ensino como área de conhecimento?
(Prof. Antonio Boeing – São Paulo/SP)
(www.cnbb.org.br)
A dimensão religiosa durante toda
a história da humanidade tem ocupado lugar de destaque na organização da vida
das pessoas e das sociedades. Com o avanço das ciências modernas alguns
pensadores passaram a afirmar que a religião estaria no fim, mas isto não se
verificou, antes pelo contrário, suas expressões multiplicaram-se
em diferentes contextos e culturas. Isto porque, como afirma Mircea Eliade: “Ser - ou, antes
tornar-se - ser humano, significa ser religioso”. Por isso, para uma aproximação e conhecimento
do ser humano, é preciso considerar a centralidade da dimensão religiosa.
Ao analisarmos o imaginário da
cultura brasileira percebemos que nem sempre o campo religioso foi contemplado
com seriedade nas pesquisas. Uma das razões é a presença marcante da idéia de
que algumas questões não devem ser discutidas, dentre elas, estão especialmente
a política, o futebol e a religião. Está forma de
proceder acaba por colocar entraves que impedem um debate sistemático e
científico sobre três dimensões que ocupam boa parcela da vida dos brasileiros
e exercem grande influência sobre ela. Uma vez que “não se pode” discutir
política, delega-se aos “entendidos”, daí resulta a corrupção, utilização das
coisas públicas como se fossem privadas, além da omissão e do descaso com a
nação. No futebol não é diferente, pois é comandado por cartolas e alguns
“sabedores” desta área, decorrem dessa postura a divinização de alguns poucos e
o abandono de milhões de atletas que mal ganham para sobreviver.
Quando o assunto é religião, aí
sim é que as coisas se complicam, pois está impregnado no imaginário brasileiro
que está área de forma nenhuma se discute. Esta atitude por um lado delega para
os “entendidos”, sejam eles líderes das religiões consideradas “legítimas” ou
líderes que atuam, até certo ponto, na cladestinidade;
por outro faz com que cada indivíduo, a partir de sua experiência setorizada, julgue-se expert
neste campo. Estas atitudes contribuem para inviabilizar estudos sistemáticos
sobre as manifestações religiosas, além de impedir a visibilidade dos
objetivos, funções, razões de ser e incidência desta dimensão sobre a vida dos
adeptos. Resulta também numa certa ingenuidade diante do fenômeno religioso,
como se ele tivesse sido criado pelas divindades e por isso intocável e
absoluto. Posturas como estas continuam desencadeando e legitimando milhões de
morte em nome de crenças e convicções religiosas fanatizadas.
No campo acadêmico também se
constata alguns entraves, especialmente a partir da concepção evolucionista ao
afirmar que com o avanço das ciências modernas a religião se tornaria
supérflua, isto porque entendiam que as questões e dramas do ser humano seriam
resolvidos cientificamente. Esta idéia ocupou grande parte dos meios acadêmicos
que, ainda hoje, seguem pensando que não é possível fazer ciência sobre o
fenômeno religioso e suas manifestações. Mas, há por outro lado, um forte
movimento em diferentes espaços e níveis acadêmicos espalhados pelo país que,
pela seriedade das pesquisas e análise interdisciplinar da complexidade do
campo religioso, o colocam