O ANÚNCIO DA BOA NOVA

D. Orani João Tempesta, O. Cist.
Presidente da Comissão Episcopal
para a Cultura, Educação e Comunicação Social.

 

 


Quando começamos a pesquisar e estudar como elaborar um novo projeto de Evangelização para a Igreja no Brasil que contemplasse as “Diretrizes” e também os anseios de todos com relação à pesquisa do “IBGE” e suas repercussões sobre o nosso trabalho de Evangelização com os nossos batizados, em uma das reuniões, as intervenções foram unânimes em comentar sobre a necessidade da utilização dos “Meios de Comunicação” nesse grande mutirão que estaria sendo desenvolvido.


Passaram-se os meses e o Plano Nacional de Evangelização ficou pronto com nome, datas, projetos, fases, compromissos. No plano ficou para nossa comissão a capacitação doutrinária e comunicacional para homilias, além do incentivo e elaboração de programas radiofônicos e televisivos. Eu acrescento a isso também a ação no meio impresso e também no virtual com a internet.


O desafio está agora lançado: como colocar em prática as inspirações, sonhos e anseios contidos nesse novo plano da CNBB que com muito carinho e participação foi elaborado e lançado para surtir efeitos não apenas em sua vigência (2004-2007), mas para colher frutos para o futuro da Igreja no Brasil. São sementes que agora são lançadas pedindo ao Senhor da Messe que faça brotar e crescer nos corações que acolhem essa proposta.


Mais que um Plano de Evangelização é um desafio. Daí se compreende a contradição que vemos: a adesão entusiasta e as dificuldades de compreende-lo até as críticas sufocantes e sua depreciação. O que é necessário agora é que todos abracemos as propostas do PNE e, com entusiasmo renovado, levemos adiante as inspirações nele propostas. É o lançar das redes em águas mais profundas...!


Sabemos que para existir Evangelização supõe comunidades cristãs, pessoas que caminham na fé, participação consciente, presença de qualidade na sociedade e na cultura de nossa época levando as propostas dos valores cristãos para o nosso tempo! Porém não podemos hoje deixar de levar em consideração os meios de comunicação social. Nós estamos sendo testemunhas de como a era de comunicação tem transformado mentalidades, sociedades, vidas! Durante muito tempo teve-se receio de aproximar-se de um trabalho na mídia. Estamos assistindo agora as conseqüências dessa atitude. Não podemos ter medo de trabalhar com a mídia, mas ao mesmo tempo, temos que saber como fazê-lo para que a presença da Igreja seja de qualidade e com propostas sérias para o nosso povo e para a sociedade.


O projeto “Queremos ver Jesus, Caminho Verdade e Vida” conta com a participação da mídia ligada à Igreja (paróquias, dioceses, congregações, institutos, Ongs, pessoas comprometidas, etc.) para que não só seja divulgado o projeto, mas que leve o conteúdo daquilo que o projeto propõe. E contamos com todas as mídias: escrita, falada, televisada, virtual! Só com a nossa unidade em torno de propostas concretas e trabalhando cada uma com os meios que dispõe é que chegaremos ao nosso povo com uma unidade de discurso e com passos concretos que levem o nosso povo católico a viver em suas comunidades como cristãos comprometidos com o Reino e coerentes em sua fé.


Por outro lado, trabalhando com a mídia, sabemos que não ficamos apenas com a formação do povo católico informando-o sobre essa caminhada eclesial em nosso país. Temos também o público diferenciado que é atingido. Neste tempo de tantos questionamentos religiosos, violência, corrupção, fome, miséria, desemprego, problemas familiares, e outros, o desafio é também o questionamento em saber como atingimos a sociedade com o testemunho cristão veiculado também na e pela mídia.


Temos também o desafio da presença na Cultura atual com suas transformações e onde os valores cristãos parecem sofrer rejeições. Isso além do “fogo amigo” que ocorre seja por palavras ou por atitudes entre nós. Sabemos também dos desafios da presença na Educação em todos os âmbitos, seja no Ensino Religioso, na vida Universitária e nas Escolas em geral. Convoco a todos os que trabalham e lutam nesses espaços para que, com criatividade, levem adiante esse grande projeto da Igreja no Brasil.


Os setores de nossa Comissão Episcopal já tem disponibilizado materiais para as emissoras de rádio, está em elaboração textos para formação homilética e também spots para televisão. Mas além dessas iniciativas gerais conto com a criatividade de cada meio de comunicação para que, dentro de sua característica, priorize e elabore artigos, programas, mensagens para divulgar o conteúdo do projeto e levar as pessoas ao “encontro com Jesus” no pobre, nos acontecimentos, na vida, na conversão, na oração, nos sacramentos, na Palavra, no outro.


Quando se trabalha com a Cultura, Educação e Comunicação o universo de atuação é enorme. Por mais que tenhamos iniciativas “oficiais” nunca conseguiremos chegar a todos se não houver o empenho de cada um que se sente Igreja e, ao mesmo tempo, co-responsável pela Evangelização de nosso povo. Conto com todos, desde a menor até a maior mídia que tem compromisso com a vida e a libertação de nosso povo que se engajem nesta missão que é de todos.

Já chegamos aos 30 anos do Sínodo sobre a Evangelização com a conseqüente mensagem da “Evangelii Nuntiandi” e suas palavras ainda continuam ressoando forte em nossas vidas: “Nosso século, tão marcado pelos "mass media" ou meios de comunicação social, o primeiro anúncio, a catequese ou o aprofundamento ulterior da fé, não podem deixar de se servir destes meios conforme já tivemos ocasião de acentuar.” (EM 45)


Vejo que o nosso projeto de evangelização está bem dentro desse apelo do Papa Paulo VI e os meios de comunicação social hoje não podem ficar alheios a esses apelos tão antigos e tão novos. O Doc 71 da CNBB (Diretrizes) no recorda que “os meios de comunicação de massa devem ser utilizados da maneira correta e competente, para a proclamação e inculturação do Evangelho” (DGAE 195).


Diante de nós se abre este tempo de trabalho (2004/2007), mas com repercussões que ultrapassarão esse tempo. Cabe a cada um de nós com nossas responsabilidades em todos os meios e cada cristão apoiando e trabalhando para ser comunicação darmos nossa resposta entusiasta com as nossas atitudes.